O animais e os conflitos da humanidade

*por Fernando Rizzolo

Não há nada mais digno de ser apreciado a cada dia que passa, com todo o avanço tecnológico que vivemos, do que o olhar de um cão para seu dono. É verdade que muitos ainda não tiveram a oportunidade de conviver com um animal de estimação, ou definitivamente não gostam do convívio – o que não lhes dá o direito de maltratá-los. Mas, mergulhado nesse universo dos dias de hoje, no avanço das comunicações, das informações, do consumo desenfreado, é incrível como nada é capaz de substituir essa antiga relação entre os animais e os seres humanos.

Neste último mês, fiquei muito sensível às notícias sobre o comportamento dos cães, na atualidade, hoje por demais humanizados; talvez pelo fato de ter recentemente perdido meu cão de estimação, chamado Brutus, um fila-brasileiro que durante treze anos esteve ao meu lado, tive de me conformar, buscando compreensão sobre o papel afetivo dessa nossa relação com os animais. Fiquei comovido com a notícia sobre um cachorro em uma aldeia na província de Shandong, na China, que ficou guardando o túmulo de seu dono. O animal pertencia a Lao Pan, que morreu no início de novembro, aos 68 anos, de acordo com reportagem da emissora de TV Sky News. Por sete dias o cão foi visto ao lado da sepultura, e, como o animal estivesse sem comer, moradores o levaram de volta à aldeia e lhe deram comida. No entanto, o cachorro voltou para o cemitério – mais de uma vez. Incrível…

Nesse esteio de fatos, foi revelado também que cada vez mais cães militares sofrem de estresse pós-traumático. Segundo o médico veterinário Dr. Burghardt, chefe do departamento de medicina comportamental no Hospital Militar de Cães estadunidense com base na Holanda, estimativas mostram que mais de 5% dos 650 cães militares enviados pelo governo americano às regiões de combate desenvolveram estresse pós-traumático, o que os tornou mais agressivos, ou mais dependentes e inseguros.

Num mundo em que há tantos valores deteriorados, tantos conflitos que geram guerras, desentendimentos, egoísmo, e falta de solidariedade, temos muito o que aprender com os animais, que desde as épocas mais remotas estiveram ao nosso lado, oferecendo sua lealdade, sua força, e nos instigando a refletir sobre a nossa incapacidade como seres humanos de administrar nossos conflitos de forma pacífica. Com efeito, desde a antiguidade usamos a resignação equina para promovermos guerras, levando conosco os cavalos a participar dos massacres da nossa espécie. Costumo dizer que história da humanidade foi construída com a figura equina sempre posta, leal e disposta a nos servir, mesmo diante de nossas contradições.

A grande verdade é que a humanidade, quer por conscientização ou através de legislação, enxerga os animais como nossos companheiros nesta jornada por esta vida. É um alívio ver que violências institucionais, ou individuais, como a praticada com o cão da raça rottweiler, chamado Lobo, que foi arrastado por ruas de Piracicaba (interior de São Paulo) pelo próprio dono, sejam punidas com penas mais severas. Soube que esse cão, o Lobo, também morreu, mas, com certeza, seu dono não foi visitá-lo nem deixou uma rosa no seu túmulo. Essa é a diferença entre um lobo e um ser humano….

As mulheres e a desigualdade social

*por Fernando Rizzolo

Muito se tem discutido sobre a desigualdade de condições entre homens e mulheres no contexto mundial. O assunto veio agora à tona com a divulgação do último Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O IDG é um dos indicadores complementares ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e, assim, reflete a desigualdade entre homens e mulheres em três dimensões: saúde reprodutiva, capacitação e mercado de trabalho, de acordo com o Pnud.

O espantoso foi que nesse ranking que sublinha a participação feminina nos aspectos mais justos do pleno exercício da cidadania, a desigualdade de condições entre homens e mulheres deixa o Brasil atrás de 79 países em um total de 146 nações, conferindo-nos a 80ª posição, atrás do Chile, da Argentina, do Peru, do México, da Venezuela e até de árabes como a Líbia, o Líbano e o Kuwait.

Mas a questão que inquieta é o motivo pelo qual ainda estamos nessa condição, apesar de todo o esforço do governo federal, da mídia, dos programas de conscientização, da luta dos movimentos em prol da participação da mulher em todos os setores da sociedade. Existe em nossa sociedade, na realidade, um machismo velado, quer em razão da nossa colonização latina, quer também pela cultura equivocada da produtividade. No entender de alguns empregadores, a participação feminina no trabalho serve para complementar a renda familiar. Nessa relação empregada/empregador, a legislação trabalhista contempla direitos legítimos na defesa da mulher nos seus aspectos mais genéricos, como gravidez e amamentação, o que muitas vezes, infelizmente, acentua essa disparidade apontada pelo Pnud.

Em algumas profissões liberais as mulheres já são maioria no Brasil. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o número de advogadas já supera o de homens entre os inscritos na Ordem. Elas já são 50,51%. Isso demonstra que pelo menos na ponta de defesa dos interesses da justiça do cidadão no nosso país, as cidadãs advogadas já são maioria, e ninguém melhor para representar os nossos interesses perante os tribunais do que aquelas que agora, com esses dados na mão, mais combativas estarão da busca pela justiça. Pelo menos nesse aspecto temos do que nos orgulhar, mas muito temos ainda que trilhar para, de forma justa, integrarmos a força de trabalho feminina no nosso país. Agora, cuidado! Em vista à particularidade dos dados da OAB, mulheres injustiçadas defendidas por advogadas, agora em maioria, estarão bem representadas e, portanto, para nós homens, é bom logo revertermos esse índice, “ad cautela”…….

As palavras e a imagem do Judiciário

*por Fernando Rizzolo

Foram de grande repercussão nacional as declarações da ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, à Associação Paulista de Jornais, em que ela afirmou que a magistratura hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos escondidos atrás da toga. As palavras fortes da corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) atingiram de forma global a instituição do Poder Judiciário, o que, a priori, acredito não ter sido a intenção da ministra, mas, como geralmente a força das expressões supera o limite da crítica, vez que em seu bojo existe uma visualização impactante, a infeliz colocação acabou, por si, arranhando a imagem do Poder Judiciário brasileiro.

Não caberia aqui discutir a função do CNJ, tampouco a supressão de algumas de suas principais atribuições, entre as quais está a missão de zelar pela eficiência da prestação jurisdicional. Cabe aqui, sim, o cuidado a que devemos nos ater quando nos referimos aos membros do Judiciário, num país onde a marginalidade se utiliza muitas vezes da postura dos maus juízes para se fazer valer e legitimar suas ações delituosas. É sabido que na visão popular um crime se justifica quando aqueles que deveriam zelar pela Lei não a respeitam, e isso evidentemente ocorre em todos os níveis da atuação do poder público, mas, em maior evidência, é claro, quando fere a imagem do Judiciário.

A análise passa muito mais pelo imaginário popular do que pelo jurídico corporativista em si, pois que se na afirmação da corregedora existem bandidos escondidos atrás da toga, generaliza-se o comportamento delitivo, dando um componente menor na sua desaprovação, e isso do ponto de vista da criminalidade em nosso país é preocupante, pois fixa, de forma cunhada, a falta de exemplo da instituição.

Todos sabem que poucos são os juízes, num imenso universo da magistratura, que se comportam de forma condenável; sabemos também que em todas as áreas existem os bons e os maus profissionais. Portanto, não é de bom alvitre utilizarmos palavras de impacto, mal pensadas, de conteúdo analítico precipitado, que representem dessa forma o risco de desqualificar uma instituição como o Judiciário, pois assim estaremos dando ao leigo à margem da criminalidade a enorme oportunidade de justificar seu feito dizendo: “se eles fazem, eu também posso fazer”….

Corte dos juros e turbulência à vista

*por Fernando Rizzolo

Se existe algo desagradável para passageiros de avião, além da espera nos aeroportos, esse algo é a turbulência. Para os pilotos, dependo do tamanho da tempestade, o melhor é sempre desviar a rota.

Muitos criticaram a visão apocalíptica da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 12,50% para 12% ao ano, antecipando-se assim a uma eventual tempestade econômica internacional. Alguns até argumentaram que a decisão foi política e não técnica. A grande verdade é que com os juros nas alturas, diante do cenário, o melhor ainda é ter um raciocínio aéreo, ou seja, desviar a rota para amenizar as turbulências. É bem verdade que se nada acontecer, e se o nosso parceiro maior, a China, continuar consumindo, pagaremos um preço pela rota mais longa: um eventual cenário de inflação.

Mas aqui, estando em terra firme, sentado neste sofá aqui na minha sala, e não num avião observando o balanço do refrigerante do meu copo, entendo que a decisão não foi errada. Senão, vejamos: a economia americana ainda não dá sinais de recuperação, a Europa se encontra em desequilíbrio econômico, o Japão dependente dos EUA, ainda conta os números do prejuízo pelo desastre provocado pela natureza, ou seja, estes polos de estrutura econômica enfraquecendo, pela lógica dos efeitos terrestres e, por que não, aéreos, afetará sim a dinâmica interna da economia chinesa e de todos os emergentes, o que, por sua vez, encolherá o apetite chinês pelas nossas commodities, restando-nos apenas fortalecer o nosso mercado grande interno.

Mas até aí alguns poderiam dizer que até agora, lá fora, nenhum banco quebrou, e que houve então precipitação por parte do Banco Central. Sinceramente, ainda estando em solo firme, prefiro por cautela a postura tomada pelo Copom. Tenho medo de turbulências e se nenhum avião sofreu os efeitos de uma forte turbulência nos últimos anos, é pelo fato de terem mudado de rota. E lembrem-se daqueles que insistiram em enfrentar as tempestades sem os devidos ajustes aéreos e se perderam no mar. Tenho medo de turbulências, mesmo sentado neste antigo sofá, economia e avião se enfrentam apertando os cintos e mudando a rota, além de rezar, é claro, o que também ajuda…

Lula e o Brasil em 2014

*por Fernando Rizzolo

Nada contra o governo Dilma. Na verdade, ela tem feito o possível para extrair os focos de corrupção que assolam o Planalto de forma assustadora. Ademais, acredito que a presidente sempre fez sua escolha por trazer inclusão social e desenvolvimento aos mais pobres da forma que tem feito nesse imenso Brasil. Mas, apesar de tudo, sinto a falta de um largo sorriso e da esperança vibrante que brilhava nos olhos dos mais humildes desse país na época em que Lula, em seus discursos, falava a língua do povo. Lembro-me de quando fui assistir a um comício de Lula em São Bernardo do Campo – ela era candidato à Presidência: era pura alegria, as pessoas vibravam, e a certeza de um dia melhor que viria era algo concreto.

Para um povo sofrido, não basta as coisas andarem bem, a economia estar fortalecida, a inflação contida. Há que se embotar na alma desse povo a esperança de que aquele sofrimento de outrora, que foi causa de um esquecimento dos governos insensíveis, jamais voltará; há também que se cantar, como quem acaricia uma criança, que não mais faltará pão, que haverá justiça social e igualdade de oportunidades para os mais pobres. E isso Lula fazia, de forma dialética, popular, como uma toada, ele bradava uma doce tempestade de esperança ao povo brasileiro. Hoje o que temos são os olhares tristes de quem vive uma economia pujante, sim, com maior poder de compra, mas a quem falta a mensagem. A mensagem de Lula, com seu vozeirão, lhes assegurando o amanhã.

Não seria exagero afirmar que o povo brasileiro ficou mais triste desde que Lula se foi da Presidência, muito embora a presidente Dilma, com seu estilo gerencial, esteja provendo um ótimo governo. Mas para o povo, aquele humilde do ponto de ônibus, o importante é a fala, é o sotaque nordestino arrastado apontando as injustiças de forma enérgica, andando de lado a lado no palanque e ao seu lado o povo rindo e o país caminhando de verdade. Tenho saudade não só dos discursos do Lula, mas dos rostos que exalavam a esperança do Brasil, que hoje vai bem, obrigado, mas ao qual falta algo mais: o calor das palavras de Lula que faziam o povo acreditar no futuro. Não foi à toa que Serra afirmou que o antagonista do PSDB na próxima sucessão presidencial será Lula, não Dilma Rousseff. Se assim for, estaremos diante de uma nova possibilidade de voltar aquele que fazia os olhos do povo brilhar no caminho da esperança, vivenciando de forma vibrante a prosperidade.

O papel do Estado depois das eleições

*por Fernando Rizzolo

Sem dúvida nenhuma a argumentação do atual governo que balizava as diferenças ideológicas entre o PT e o PSDB, nas eleições para presidente, era o papel do Estado como um regulador da economia, servindo este como vertente na aplicação dos seus recursos em favor da maioria da população pobre do país.

Podíamos observar também que havia uma delimitação entre uma proposta com o viés de um Estado mais presente, no caso, a apresentada pelo PT, e outra que não incidia na privatização em si, mas sofria os ataques da disputa eleitoral como sendo a mãe da privataria, manobra esta bem elaborada pelo PT.

Desfeita a disputa, cabendo agora ao governo as ações políticas devidas ao bom encaminhar das propostas de desenvolvimento do país, observamos que a dialética de outrora, era talvez mais formatada pelo marketing político eleitoral, senão vejamos:

O BNDES, cuja função principal seria a de consolidar uma política de desenvolvimento público acabou se envolvendo numa eventual fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour no Brasil, empresas estas altamente capitalizadas, tornando essa participação do recurso público realmente descabida. O banco admitiu que poderá investir até R$ 4,5 bilhões no negócio por meio do BNDESPar, braço de investimentos em empresas do banco de fomento estatal.

Já a Banda Larga Nacional ficou toda para a iniciativa privada. Além disso, o valor da oferta apresentada pelo governo é só R$ 4 menor que o dos pacotes disponíveis, e, em vez de franquia ilimitada, é pior, o internauta terá só 300MB. Como se não bastasse, o papel da Telebrás, recriada para garantir a concorrência num mercado monopolizado pelas ‘teles’ na venda de capacidade de acesso à internet, tornou-se mais dúbia no contexto do novo Plano Nacional de Banda Larga.

Assim sendo, em meio ao desenvolvimento da China, às altas taxas de juros que nos inundam de dólares, e às marcas de crescimento da economia, esquecemos das propostas originais que compramos através do voto, daquele verdadeiro papel do Estado, propagado no horário eleitoral. Bem, mas isso era mesmo para antes das eleições, quando ainda acreditávamos que nada disso aconteceria se a presidente vencesse, pois era coisa de típica de “privateiro” e o negócio era ficar longe dessa gente….

O Brasil no caminho certo

*por Fernando Rizzolo

Muitos são aqueles que, diante do quadro de desenvolvimento da economia brasileira, apontam a desindustrialização do país e a falta de competitividade, apregoando uma cruzada contra a capacidade produtiva da indústria chinesa, principalmente no que se refere aos manufaturados, em razão do peso da nossa indústria de transformação no PIB, que nos anos 80 que era de 33% e hoje é de 16%. Alegam também que o cambio valorizado “compromete as exportações” e numa canção lírica entoada pelo saudosismo das ideias de Celso Furtado, vestem-se de um nacionalismo desconexo com o atual quadro econômico internacional.

De plano, é preciso nos ater à atual realidade chinesa. Hoje não há nenhum país do planeta capaz de enfrentar o dragão chinês e sua capacidade na produção, principalmente de bens de consumo. Portanto, para nos aparelharmos num contexto nacionalista em defesa de uma forte indústria nacional, em que os próprios empresários reconhecem que é impossível, é preciso no mínimo contextualizar uma falsa realidade econômica internacional que nos remeterá a uma proposta muito mais política ideológica do que econômica.

Precisamos, sim, de uma indústria nacional forte, mas que esteja relacionada com a vocação exportadora do Brasil, que em razão de sua extensão territorial e sua pujança na produção de minério, petróleo, grãos e carne possa agregar valores a estas commodities. Depender dessas matérias-primas é uma realidade que China reconhece, e terá, sim, de aceitar e pagar o preço dessas commodities se quiser crescer 10%, da mesma forma que devemos reconhecer a realidade da indústria chinesa na produção manufaturados em geral.

Já a atual política cambial e de juros aplicada no Brasil visa ao combate da inflação, propondo um crescimento sustentável na ordem de 4,4% neste ano, servindo ainda essa política de câmbio como instrumento de notável combate à inflação, lançando mão, quando necessário, da importação de produtos de alta demanda interna.

Saber interpretar o momento econômico no contexto internacional, livre dos impulsos nacionalistas, é despir-se das crenças enraizadas que embotam conceitos econômicos numa embalagem ideológica disrítmica da atualidade, e perigosa do ponto vista econômico, desviando o Brasil do caminho certo, ferindo assim o real sonho de Celso Furtado e seus discípulos, pelo menos naquela época – até porque vivemos hoje outro momento.

“Politização”: um termo pronto para ser usado

*por Fernando Rizzolo

No esteio do universo dos instrumentos de argumentação, um dos mais utilizados, inclusive por nós advogados, é o de descaracterização dos fatos, de preferência no uso de termos de impacto, como aqueles que visualmente nos remetem a uma forma, impulsionando-nos a uma revisão do fato ocorrido em favor do réu.

É fato notório que a presidente Dilma, quer por motivos de saúde, quer por conveniência política, demorou a se manifestar no caso Palocci; “modus operandi” diverso do usado pelo presidente Lula, que disparava de pronto contra qualquer acusação que atingisse os membros de seu governo. Essa postura defensiva, de cunho pouco crítico e embasada no viés da utilização da terminologia política que visa a descaracterizar um fato concreto, denota ao novo governo e ao ex, o velho uso de uma estratégia que fere a ética na democracia.

O que observamos de algum tempo para cá é que tudo o que os atinge, segundo o governo, se trata de “politização”, portanto sob a ótica da democracia saudável, opinativa, com as vertentes de apuração dos fatos delituosos ou éticos, é assim desqualificado, como sendo então parte de um mero jogo político, apequenando o embate das ideias, e o pior, chancelando tudo o que fere a esfera da boa conduta, ou atos que violam o espírito da Constituição, como o fato de o ex-ministro da Fazenda do governo Lula, Palocci, ter multiplicado por 20 seu patrimônio e ter adquirido um apartamento de R$ 6,6 milhões, em São Paulo, quando, como parlamentar, deveria sim viver de forma exclusiva dos seus subsídios.

Por bem agora o Ministério Público do DF decidiu investigar os ganhos de Palocci apurando se a evolução patrimonial do ministro de 2006 a 2010 é compatível com os ganhos de sua empresa, a Projeto. Contudo, o que temos que nos ater na observação da conduta política do atual governo e na do ex, é a insistente forma de passar por cima de fatos relevantes do ponto de vista republicano, jogando tudo sob o estilo da desqualificação dos fatos, e como disse, denominando de “politização” a quase tudo o que os atinge, desconstruindo talvez um grande projeto de esperança do povo brasileiro no governo Dilma, na defesa de outro projeto menor, uma empresa chamada “Projeto”.

Popularidade e inflação – artigo publicado na Agência Estado 05/05/2011

Por Fernando Rizzolo*

Uma das tarefas mais complicadas na consolidação do governo Dilma, na manutenção da popularidade que havia na era do presidente Lula, é, sem dúvida, o controle da inflação. Até que por bem, a presidente nunca foi de falar muito, nem de apregoar uma imensa cruzada contra a pobreza da forma ostensiva como o ex-presidente costumava fazer em seus discursos emotivos que atingiam de modo contundente sobretudo as camadas mais populares.

A grande verdade é que já se percebe nas expressões faciais – nas entrevistas dos membros do governo quando se aborda o tema -, que inflação é algo que atinge diretamente o maior valor agregado do governo petista, que é a chamada popularidade de seus representantes no poder. Por outro lado, fica patente que sem uma política de austeridade, de aperto ao crédito com redução dos prazos dos financiamentos, sem o necessário enfrentamento da realidade da demanda aquecida, fixando-se nessa fase, numa visão mais técnica e menos política, a inflação, como já ocorre em vários países, voltará a se tornar a vilã da economia. O momento, portanto, é de cautela e planejamento. Nem nós queremos correr o risco de enfrentar a inflação, representada emblematicamente pelo dragão que solta fogo pelas ventas, nem o governo há de querer o risco da queda da popularidade, da quebra da confiança, da crítica inevitável e violenta da oposição.

Ademais, sabemos que o consumidor é mais suscetível à redução do prazo de financiamento do que à alta dos juros. Com efeito, oito em cada dez consumidores brasileiros preferem comprar de forma parcelada. Equivale dizer que nem sempre – ou quase nunca – o consumidor tem a percepção de que o aumento do valor da parcela em si, em razão da alta dos juros, uma vez diluída, seja em si um fator determinante e impeditivo no seu voraz desiderato de consumo, principalmente naqueles que se referem aos bens de consumo. Por outro lado, o remédio da redução do prazo de financiamento tem no seu bojo um alto custo político, e isso esbarra na continuidade daquilo que seria um “governo para o povo”, como assim sempre afirmaram as lideranças do Partido dos Trabalhadores.

Mas como adequar uma medida técnica sem arranhões populares? O governo tem plena ciência de que um aumento real nas taxas de inflação poderia tornar inócuos – ou menos eficazes – os discursos emotivos, as promessas de inclusão social, as Bolsas Família. Isso porque, é fato, a imensa população pobre e a nova classe média brasileira já se acostumaram com a estabilidade da moeda, e distantes estão da palavra que hoje soa antiga, carestia.

Um dos grandes mecanismos que nesse momento poderá efetivamente contribuir para o controle da inflação – por ironia do destino, e pelo desespero dos exportadores, principalmente do setor manufatureiro – é exatamente o dólar mais baixo, que favorece as importações e aumenta a concorrência no âmbito do mercado interno. Sem contar, é claro, com a continuidade da política de elevação da taxa básica de juros, vez que isso alimenta a entrada de dólares mantendo essa moeda num patamar apreciável, tornando-a um instrumento regulador. Ao que parece, as autoridades monetárias efetivamente desejam o preço da moeda americana baixo como “ancora” nesse processo de controle da inflação.

Trocando em miúdos – e retomando a linha condutora do pensamento iniciado com o desafio que se impõe à nossa governante-, boa mesmo é a postura da presidente Dilma, com poucos discursos inflamados e poucas menções a grandes projetos de transferência de renda no palanque. Mesmo porque, por tudo o que o ex-presidente Lula avançou, a inflação agradeceu; mas agora se tornou uma ameaça. A hora é de agir, porque a emoção não vem mais do discurso da liderança maior da nação, mas dos números e, especialmente, do bolso daqueles que esperam a continuidade da virtuosidade da economia brasileira. Em outras palavras, que esperam manter seu poder de compra e esperam ter condições de pagar o que compraram. Entre a popularidade e a inflação, boa mesmo é a postura da presidente Dilma…..

* Fernando Rizzolo é advogado, professor universitário e membro efetivo da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP. Esta seção não se responsabiliza por operações decididas a partir das informações e opiniões divulgadas neste artigo.

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Tragédia do Realengo e uma simples caminhada

Dia nublado, com ar de que vai chover, quase sempre nos conduz a um shopping. Principalmente em São Paulo, onde os shoppings centers são a praia paulistana. Lá encontramos muita gente, novidades nas vitrines, cinema, além de podermos caminhar. Caminhar em shopping é bom, principalmente quando não se quer gastar. Geralmente quando vou a um shopping, costumo colocar um bom tênis, e vou andando, subo escada, desço de escada rolante, enfim sou um andarilho urbano num local fechado. E não só ando. Penso, reflito, caminho num passo lento e constante, vejo a quantidade de bebês, o futuro da nação, e como são tantos nos shoppings da capital paulista.

Mas no último sábado parei numa loja, dessas que vendem jogos acoplados à TV, com vários temas, na sua maioria estranhos: e muita violência. Na vitrine, o destaque era para um que se passava por uma perseguição policial, bandido versus polícia. Na minha ingenuidade, entrei na loja – de tênis anti-impacto, é claro –, e o vendedor me deu uma vasta explicação sobre os jogos, achando talvez que eu fosse comprar algum deles para o meu neto. Logo me perguntou sobre a característica do meu neto, sua idade, se ele é “agitado”, se gosta de aventura, e me indicou um do tipo “tiroteio”, matança por pontos, quanto mais mata, maior a pontuação atingida. Inconformado, disfarcei com o gesto de amarrar meu tênis anti-impacto, arrumei meus óculos, e fiquei apenas balançando a cabeça como se estivesse achando aquilo “instrutivo”. Ao final, agradeci ao vendedor, saí e fui tomar um café, pensativo, logo ali perto da escada rolante.

Pensei de imediato que o psicopata do Realengo, na sua infância, provavelmente brincava solitariamente como estes joguetes. Constatei que numa sociedade de informação – também pudera, um dia são deslizamento e mortes, no outro, inundações e mortes, atentados e mortes, tsunami e mortes, guerras e mortes –, o fator morte, é claro, deveria estar presente de forma mais marcante nas mentes adoecidas de muitos jovens do mundo contemporâneo. Aliás, na mídia, nos brinquedos, e até em algumas seitas, a morte é muito mais comentada do que a vida, o amor, o construir algo e o bem. Num rápido gole de café, perdido nas minhas reflexões, absolvi, sim as armas, os pedaços de pau, os socos na cara, os chutes, as facas, porque isso tudo, no meu entender, é apenas um instrumento da violência, do agente, e suprimir o pedaço de pau, o taco de golfe, não resolveria o problema.

A culpa de tudo? Também não é da lojinha de jogos, mas de uma sociedade de informação em que a relação com a morte infelizmente vale mais do que a vida, em que falar dos infortúnios vende mais notícia do que apontar os de bem . Rever essa postura mundial midiática poderia ser o início da construção educacional aos bebês dos shoppings do mundo, sob uma nova visão de vida, prestigiando a educação sadia, detectando precocemente os distúrbios mentais psicopatas, combatendo o bullying, reconstruindo os canais da vida, do amor, e sempre nos atermos às reflexões sobre o futuro do mundo e do Brasil. Tudo isso de forma simples, numa cadeia de informação informal, caminhando mesmo sozinho, pensativo, calado, ou conversando, protegido dos perigos de tomar chuva como num shopping, nos precavendo de todos os impactos que, quando emocionais, são mais fortes do que aqueles mais simples que atingem os nossos pés, porque estes sim, são protegidos pela tecnologia anti-impacto, que nos serve para nos levar a caminhar mais e a pensar com mais emoção no coração sobre aqueles “brasileirinhos que se foram”.

Fernando Rizzolo

Política, ecossistema e a natureza

*por Fernando Rizzolo

Foi numa tarde daquelas de sábado, na frente da minha pequena casa de campo, que antigamente se chamava de sítio, que decidi, com o olhar perdido em direção à mata da floresta que invade a janela do meu quarto, que não mais escreveria sobre política. Coisas dos homens, das relações de governo, são importantes, mas não nessa fase que estou passando, de ente reflexivo político para um observador espiritualista. Aliás, dizem que a idade nos leva ao fundamentalismo religioso. Isso, como sempre digo, pode ser perigoso no Oriente Médio, mas não aqui no meu sítio, nem nas minhas longas conversas com Deus.

Ao tomar conhecimento das tragédias que ocorreram no Japão, das cenas de fúria do mar, dos tremores da terra, no desespero das pessoas, e da perplexidade da humanidade diante do que mostrou o Breaking News, da CNN, descobri que minha vocação literária reflexiva religiosa me levaria a um profundo pensar sobre quais são as causas disso tudo. Sabemos que, de acordo com o Velho Testamento, no início os animais dos mais ferozes eram todos dóceis com Adão, em tudo havia uma harmonia, a paz reinava. Porque então a natureza hoje se porta tão agressiva quanto os animais ferozes que atualmente habitam as selvas? Seria, portanto, culpa do ser humano, como se pode concluir a partir do que os cientistas descrevem sobre o “efeito estufa” e outros conceitos vagos? Ou por trás daquela fúria da natureza existe, sim, uma resposta divina, incompreensível como o diagnóstico de uma doença terminal numa criança que mal começou a viver?

A grande verdade é que nascer e fazer parte daquilo que chamamos de vida nos põe diante da obra divina. Quanto mais a conhecemos, mais perplexos ficamos diante de tanta beleza e perfeição da obra de Deus da natureza. Observamos a capacidade destrutiva dessa mesma força natural e temos uma pequena noção do que poderia ser o desfecho cabalístico do fim da criação representado pela morte e destruição. Jamais chegaremos a uma explicação lógica, perfeita, e das científicas ainda prefiro as espirituais, religiosas, bem ao meu estilo filosófico da linhagem pensadora de Brauch Spinoza, em que, para se encontrar com Deus, é mister não entender seu comportamento instrumentalizado pela natureza, mas apenas contemplá-lo. E, como numa simples oração, descobrir que quem criou pode dispor da criatura, bastando assim apenas conciliarmos com algo superior, ou um mero olhar perdido tentando entender na beleza da floresta a tristeza do povo japonês, numa tarde debruçado na janela da casa do meu velho sítio…….

Fernando Rizzolo

Escrevendo para os Pássaros

Passar longo tempo sem escrever agita e anestesia a alma. Porque escrever não é ofício diário, com horário, transcende, sim, todos os momentos de avaria da consciência cotidiana, para que num determinado estado de “contar uma história” nos leve a um lugar cômodo e tudo seja então posto a um plano de confissão. Bom tempo fiquei sem escrever; fiquei divorciado de outubro até agora. Motivos calaram minha voz e me fizeram descobrir que de todos os textos, ou de todas as reflexões, pouco ficou de consistência plena. Afinal, num país em que poucos leem não poderia esperar brandoso eco de leitores calados.

Livros, textos, artigos, servem a nós mesmos. Isso eu descobri. Descobrir tal realidade é dar-se conta de que a arte literária pode ser dirigida a outros seres, não só aos humanos, mas aos que supostamente nos inspiram pela sua liberdade, assim como os pássaros. Liberdade foi sempre a minha teimosia ideológica, aquela que me levou a sonhar com a política, culminando com a percepção de que os 194 votos que obtive com candidato a deputado federal eram o exato espelho de que tudo fora, sim, consumido por mim mesmo. Tudo permaneceu na esfera do criador artístico. Assim, num golpe de revolta, me divorciou das minhas próprias ideias de pensar um país, acreditando na participação dos demais. Certo dia, enviei meu último livro, lançado na Feira Internacional do Livro em São Paulo, de presente à nossa hoje presidente Dilma. Afinal, lutei pela sua vitória, brigava nas redes sociais, enfrentei dissabores como editor de um blog chamado Blog da Dilma, e, como resposta a todo esse esforço, não obtive absolutamente nada, nem sequer um “obrigado pela luta”, ou um “obrigado pelo seu livro”, vindo de um assessor (nem que fosse por educação).

Não consideraria amargas as linhas deste texto, ou rancorosas, mas apenas um retrato do que é o Brasil, pobre de cultura e impregnado de um policialismo ideológico-partidário que não admite que pessoas de fora do grupo sejam prestigiadas ou reconhecidas. Os artistas desse imenso Brasil vivem um esquecimento histórico. Seja na literatura, na pintura, no cinema, no teatro, corre o olhar do crescimento do PIB, das commodities, do consumo, do amor líquido, na melhor concepção de Bauman, sobre todas as artes. Ganhar dinheiro, ter sucesso a qualquer custo se sobrepõem às ideias contidas na arte, e o olhar reflexivo do conteúdo de um quadro se resta esquecido e fora de moda dando lugar a uma nova concepção de arte, a arte do ganhar, restando a nós, artistas, escrever para um consumo solitário, de liberdade, de voo, escrever sabendo que escrevemos apenas para os pássaros que insistem em voar um voo solitário alto sem ao menos ser notados.

Leia o conto Angústia, de Anton Tchekhov

A quem confiar minha tristeza?(1)

Crepúsculo vespertino. Uma neve úmida, em grandes flocos, remoinha preguiçosa junto aos lampiões recém-acesos, cobrindo com uma camada fina e macia os telhados das casas, os dorsos dos cavalos, os ombros das pessoas, os chapéus. O cocheiro Iona Potapov está completamente branco, como um fantasma. Encolhido o mais que pode se encolher um corpo vivo, está sentado na boléia, sem se mover.

Tem-se a impressão de que, mesmo que caísse sobre ele um montão de neve, não consideraria necessário sacudi-la… Seu rocim está igualmente branco e imóvel. Graças a sua imobilidade, à angulosidade das formas e à perpendicularidade de estaca de suas patas, parece mesmo, de perto, um cavalinho de pão-de-ló de um copeque. Seguramente, ele está imerso em meditação.

Não pode deixar de meditar quem foi arrancado do arado, da paisagem cinzenta e familiar, e atirado nessa voragem, repleta de luzes monstruosas, de um barulho incessante e de gente correndo…

Faz muito tempo que Iona e seu rocim não se mexem do lugar. Saíram de casa ainda antes do jantar, e, até agora, não apareceu trabalho. Mas, eis que a treva noturna desce sobre a cidade. A palidez das luzes dos lampiões cede lugar a cores vivas e a confusão das ruas torna-se mais barulhenta.

- Cocheiro, para a Víborgskaia! – ouve Iona. – Cocheiro!

Estremece e vê, através das pestanas cobertas de neve, um militar de capote com capuz.

- Para a Viborgskaia! – repete o militar. – Está dormindo? Para a Víborgskaia!

Em sinal de consentimento, Iona puxa as rédeas, e a neve cai em camadas de seus ombros e do dorso do cavalo…

O militar senta-se no trenó. O cocheiro faz ruído com os lábios, estende o pescoço à feição de cisne, ergue-se um pouco e agita o chicote, mais por hábito que por necessidade. O cavalinho estica também o pescoço, entorta as pernas, que parecem estacas, e desloca-se com indecisão…

- Onde vai, demônio?! – ouve, logo depois, Iona exclamações partidas da massa escura de gente, que se desloca em ambos os sentidos. – Para onde te empurram os diabos? Mantenha-se à direita!

- Não sabe dirigir! Olha a direita – zanga-se o militar.

O cocheiro de uma carruagem solta impropérios; um transeunte, que atravessou a rua correndo e chocou-se com o ombro contra a cara do rocim, lança um olhar rancoroso e sacode a neve da manga. Na boléia, Iona parece sentado sobre alfinetes e aponta com os cotovelos para os lados; seus olhos tontos perpassam pelas coisas, como se não compreendesse onde se encontra e o que está fazendo ali.

- Que gente canalha! – graceja o militar. – Eles se esforçam em chocar-se contra você ou cair embaixo do cavalo.

Combinaram isso.

Iona volta-se para o passageiro e move os lábios…

Sem dúvida, quer dizer algo, mas apenas uns sons vagos lhe saem da garganta.

- O quê? – pergunta o militar.

Iona torce a boca num sorriso, faz um esforço com a garganta e cicia:

- Pois é, meu senhor, assim é… perdi um filho esta semana.

- Hum!… De que foi que morreu?

Iona volta todo o corpo na direção do passageiro e diz:

- Quem é que pode saber! Acho que foi de febre… Passou três dias no hospital e morreu… Deus quis.

- Dá a volta, diabo! – ressoa nas trevas uma voz. – Não está mais enxergando, cachorro velho? É com os olhos que tem que olhar!

- Anda, anda… – diz o passageiro. – Assim, não chegamos nem amanhã. Mais depressa!

O cocheiro estica novamente o pescoço, ergue-se um pouco e agita o chicote, com uma graciosidade pesada. Depois, torna a olhar algumas vezes para o passageiro, mas este fechou os olhos e parece pouco disposto a ouvir. Depois de deixá-lo na Víborgskaia, pára diante de uma taverna, encurva-se sobre a boléia e fica novamente imóvel… A neve molhada torna a pintá-lo de branco, juntamente com o rocim. Decorre uma hora… outra…

Três jovens passam pela calçada, fazendo muito barulho com as galochas e trocando impropérios: dois deles são altos e magros, o terceiro é pequeno e corcunda.

- Cocheiro, para a Ponte Politzéiski! – grita o corcunda, com voz surda. – Damos vinte copeques… os três!

Iona sacode as rédeas e faz ruído com os lábios. Vinte copeques são um preço inadequado, mas, agora, pouco lhe importa o preço… Tanto faz seja um rublo ou cinco copeques, contanto que haja passageiros… Empurrando-se e soltando palavrões, os jovens acercam-se do trenó e sobem para os assentos, os três ao mesmo tempo. Começam a discutir a questão: dois deles irão sentados, e quem vai ficar de pé?

Depois de uma longa troca de insultos, manhas e recriminações, chegam à conclusão de que o corcunda é quem deve ficar de pé, por ser o menor.

- Bem, faz o cavalo andar! – grita com voz trêmula o corcunda, ajeitando-se de pé e soprando no pescoço de Iona. – Dá nele! Que chapéu você tem, irmão! Não se encontra um pior em toda Petersburgo…

- Hi-i… hi-i… – ri Iona. – Assim é…

- Ora, você assim é, bate no cavalo! Vai andar desse jeito o tempo todo? Sim? E se eu te torcer o pescoço?

- Estou com a cabeça estalando… – diz um dos moços compridos. – Ontem, em casa dos Dukmassov, eu e Vaska(2) tornamos quatro garrafas de conhaque.

Não compreendo para que mentir! – irrita-se o outro moço comprido. – Mente como um animal.

- Que Deus me castigue, é verdade…

- Tão verdade como um piolho tossindo.

- Hi-i! – ri Iona entre dentes. – Que senhores alegres!

- Irra, com todos os diabos!… – indigna-se o corcunda. – Você vai andar ou não, velha peste? É assim que se anda? Estala o chicote no cavalo! Eh, diabo! Eh! Dá nele!

Iona sente, atrás de si, o corpo agitado e a voz trêmula do corcunda. Ouve os insultos que lhe são dirigidos, vê gente, e o sentimento de solidão começa, pouco a pouco, a deixar-lhe o peito. O corcunda continua os impropérios e, por fim, engasga com um insulto rebuscado, descomunal, e desanda a tossir. Os moços compridos começam a falar de uma certa Nadiejda Pietrovna. Iona volta a cabeça para olhá-los. Aproveitando uma pausa curta, olha mais uma vez e balbucia:

- Esta semana… assim, perdi meu filho!

- Todos vamos morrer. – suspira o corcunda, enxugando os lábios, após o acesso de tosse. – Bem, bate nele, bate nele! Minha gente, decididamente, não posso continuar andando assim! Esta corrida não acaba mais?

- Você deve animá-lo um pouco… umas pancadas no pescoço!

- Está ouvindo, velha peste? Vou te moer o pescoço de pancada! Não se pode fazer cerimônia com gente como você, senão é melhor andar a pé! Está ouvindo, Zmiéi Gorínitch(3)? Ou você não se importa com o que a gente diz?

E Iona ouve, mais que sente, os sons de uma pancada no pescoço.

- Hi-i… – ri ele. – Senhores alegres… que Deus lhes dê saúde!

- Cocheiro, você é casado? – pergunta um dos compridos.

Eu? Hi-i… que senhores alegres! Agora, só tenho uma mulher, a terra fria… Hi-ho-ho… O túmulo, quer dizer!… Meu filho morreu, e eu continuo vivo… Coisa esquisita, a morte errou de porta… Em vez de vir me buscar, foi procurar o filho…

E Iona volta-se, para contar como lhe morreu o filho, mas, nesse momento, o corcunda solta um suspiro de alívio e declara que, graças a Deus, chegaram ao destino. Tendo recebido vinte copeques, Iona fica por muito tempo olhando os pândegos, que vão desaparecendo no escuro saguão. Está novamente só e, de novo, o silêncio desce sobre ele… A angústia que amainara por algum tempo torna a aparecer, inflando-lhe o peito com redobrada força. Os olhos de Iona correm, inquietos e sofredores, pela multidão que se agita de ambos os lados da rua: não haverá, entre esses milhares de pessoas, uma ao menos que possa ouvi-lo? Mas a multidão corre, sem reparar nele, nem na sua angústia… Uma angústia imensa, que não conhece fronteiras. Dá a impressão de que, se o peito de Iona estourasse e dele fluísse para fora aquela angústia, daria para inundar o mundo e, no entanto, não se pode vê-la. Conseguiu caber numa casca tão insignificante, que não se pode percebê-la mesmo de dia, com muita luz…

Iona vê o zelador de uma casa, carregando um embrulho, e resolve travar conversa.

- Que horas são, meu caro? – pergunta.

- Mais de nove… Por que você parou aqui? Passa!

Iona afasta-se alguns passos, torce o corpo e entrega-se à angústia… Considera já inútìl dirigir-se às pessoas. Mas, decorridos menos de cinco minutos, endireita-se, sacode a cabeça, como se houvesse sentido uma dor aguda e puxa as rédeas… Não pode mais.

“Para casa”, pensa, “para casa”.

E o cavalinho, como se tivesse compreendido seu pensamento, começa a trotar ligeiramente. Uma hora e meia depois, Iona está sentado junto ao fogão grande e sujo. Há gente roncando em cima do fogão, no chão e sobre os bancos. O ar é abafado, sufocante… Iona olha para os que dormem, coça a cabeça e lamenta haver voltado tão cedo para casa…

“Não ganhei nem para a aveia”, pensa. “Daí essa angústia. Uma pessoa que conhece o ofício… que está bem alimentada e tem o cavalo bem nutrido também, está sempre calma…”

Num dos cantos, levanta-se um jovem cocheiro, funga, sonolento, e arrasta-se para o balde d’água.

- Ficou com sede? – pergunta Iona.

- Com sede, sim!

- Bem… Que lhe faça proveito… Pois é, irmão, e eu perdi um filho… Está ouvindo? Foi esta semana, no hospital… Que coisa!

Iona procura ver o efeito que causaram suas palavras, mas não vê nada. O jovem se cobriu até a cabeça e já está dormindo. O velho suspira e se coça… Assim como o jovem quis beber, assim ele quer falar. Vai fazer uma semana que lhe morreu o filho e ele ainda não conversou direito com alguém sobre aquilo… É preciso falar com método, lentamente…

É preciso contar como o filho adoeceu, como padeceu, o que disse antes de morrer e como morreu… É preciso descrever o enterro e a ida ao hospital, para buscar a roupa do defunto. Na aldeia, ficou a filha Aníssia… É preciso falar sobre ela também… De quantas coisas mais poderia falar agora? O ouvinte deve soltar exclamações, suspirar, lamentar… E é ainda melhor falar com mulheres. São umas bobas, mas desandam a chorar depois de duas palavras.

“É bom ir ver o cavalo”, pensa Iona. “Sempre há tempo para dormir…”

Veste-se e vai para a cocheira, onde está seu cavalo. Iona pensa sobre a aveia, o feno, o tempo… Estando sozinho, não pode pensar no filho… Pode-se falar sobre ele com alguém, mas pensar nele sozinho, desenhar mentalmente sua imagem, dá um medo insuportável…

Está mastigando? – pergunta Iona ao cavalo, vendo seus olhos brilhantes. – Ora, mastiga, mastiga… Se não ganhamos para a aveia, vamos comer feno… Sim… Já estou velho para trabalhar de cocheiro… O filho é que devia trabalhar, não eu… Era um cocheiro de verdade… Só faltou viver mais…

Iona permanece algum tempo em silêncio e prossegue:

- Assim é, irmão, minha egüinha… Não existe mais Kuzmá Iônitch… Foi-se para o outro mundo… Morreu assim, por nada… Agora, vamos dizer, você tem um potrinho, que é teu filho… E, de repente, vamos dizer, esse mesmo potrinho vai para o outro mundo… Dá pena, não é verdade?

O cavalinho vai mastigando, escuta e sopra na mão de seu amo… Iona anima-se e conta-lhe tudo…

_____________________________________________________________________________

(1). Versículo de um canto da Igreja Russa.

(2). Diminutivo de Vassíli.

(3). Nas lendas russas, um dragão que repreeenta o mal. No entanto, o nome Gorínitch dá também idéia de tristeza, aflição.

(1886).

Tradução: Boris Schnaidermann

Cassada liminar que liberava bacharel sem prova da OAB

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, cassou ontem à noite a liminar que permitia que dois bacharéis em Direito do Ceará exercessem a advocacia independentemente de serem aprovados no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A íntegra da decisão não foi divulgada.

O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, comemorou a decisão. “Ela reafirma a importância do exame de ordem como instrumento de defesa da sociedade. A decisão garante, ainda, que a qualidade do ensino jurídico deve ser preservada”, afirmou.

Na ação que pedia a derrubada da liminar, o Conselho Federal da OAB argumentava que a decisão abria brecha para que bacharéis sem formação adequada exercessem a advocacia. E alegava que a Constituição garante o exercício livre de profissão, mas prevê que uma lei pode criar restrições à atuação profissional.

A liminar havia sido concedida pelo desembargador Vladimir Souza Carvalho, do Tribunal Regional Federal da 5.ª Região (TRF-5), cujo filho foi reprovado por quatro vezes no exame entre 2008 e 2009, conforme a OAB. A decisão beneficiou apenas Francisco Cleuton Maciel e Everardo Lima de Alencar, mas abria brecha para novas ações no mesmo sentido. Os dois argumentaram ser inconstitucional a exigência de prévia aprovação na prova como condição para o exercício profissional da advocacia.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Rizzolo: Por bem o STF decidiu com o costumeiro acerto, Exame de ordem é imprescindível aos bachareis em Direito , assim como devemos instituir o Exame de CRM nos moldes aplicados aos milhares de estudantes brasileiros de medicina que se auto exilam no exterior em busca de um sonho.

Pinça é esquecida dentro do abdome de paciente em MG

O Hospital São José, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, instaurou sindicância administrativa para apurar as responsabilidades por uma pinça cirúrgica ter sido “esquecida” no abdome de um paciente. Lázaro precisou passar por nova cirurgia para a retirada do objeto. O aposentado permanecia internado hoje em observação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Seu estado de saúde era considerado estável e a previsão é que ele seja liberado nos próximos dias.

O aposentado Lázaro Lorena da Silva, de 59 anos, passou por um procedimento cirúrgico para a retirada de parte do intestino grosso no dia 24 de dezembro e recebeu alta médica três dias depois. No período de recuperação, ele começou a sentir fortes dores na região abdominal e foi levado novamente para o hospital. Uma radiografia constatou a presença da pinça, semelhante a uma tesoura curva, em seu organismo.

Familiares do aposentado registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil. O Conselho Regional de Medicina (CRM) em Uberaba promete investigar o episódio caso receba uma denúncia formal.

estadão
Rizzolo: É interessante notar a essência do comportamento corporativista médico neste país. Quando milhares de estudantes de medicina são obrigados a estudar no exterior, em função do reduzido numero de vagas nas Universidades públicas, e diante da espoliação praticada pelas Universidades privadas que chegam a cobrar uma mensalidade de R$ 5000, 00 reais por mês, o Conselho Federal de Medicina alega que o nível das Universidades que ministram o ensino médico no nosso país é bom . Ora, contra fatos não há argumentos, e a notícia acima é apenas uma pequena amostra do que é o ensino médico no Brasil. Agora, submeter milhares de estudantes pobres, que se auto exilam na Bolívia e na Argentina, para realizar um sonho em ser médico num país que necessita de médicos, e ainda em nome da reserva de mercado e do lucro negar-lhes o CRM com a desculpa da baixa qualidade do ensino no exterior é uma afronta quando lemos notícias como esta. Vamos mudar essa situação em nome do bom senso e desse corporativismo perverso. Se há exames para estudantes brasileiros no exterior, que o mesmo exame seja aplicados a estudantes de medicina no Brasil, nos moldes da OAB. Como membro efetivo da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP classifico como lamentável estes fatos.

Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

O Museu do Louvre é visitado por 8,5 milhões de pessoas todos os anos. Este blog foi visitado cerca de 140,000 vezes em 2010, o que quer dizer que se fosse uma exposição no Louvre, eram precisos 6 dias para que as mesmas pessoas a vissem.

Em 2010, escreveu 656 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 3756 artigos. Fez upload de 197 imagens, ocupando um total de 12mb. Isso equivale a cerca de 4 imagens por semana.

The busiest day of the year was 20 de maio with 1,614 views. The most popular post that day was Saiba como o fim do fator previdenciário beneficia o trabalhador.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram blogdorizzolo.com.br, pt-br.wordpress.com, google.com.br, dilma13.blogspot.com e dir.blogflux.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por fator previdenciario ultimas noticias, salario minimo paulista 2010, mar, fim do fator previdenciario ultimas noticias e fator previdenciario

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Saiba como o fim do fator previdenciário beneficia o trabalhador maio, 2010
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2

Direito da USP é 11º em aprovados no exame da OAB setembro, 2009
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3

Governo admite fim do fator previdenciário mas quer negociar alternativa julho, 2009
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Minhas propostas como Deputado Federal – Fernando Rizzolo 3318 agosto, 2010
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5

Rússia fabrica novo avião de caça da quinta geração dezembro, 2007
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Aos queridos leitores um ótimo 2011

Só voltarei em janeiro ! Como a Dilma já ganhou mesmo, agora vou relaxar !!rsrsrsr…

Tudo de bom pra vcs !!

Rizzolo

Comentários

“Agradeço e retribuo os bons votos recebidos e ofereço-lhe um texto que traduzi e comentei ao final.

Abraços e um Feliz 2011″

AUTOR: Rabbi Dr. Asher Meir, Business Ethics Center of Jerusalem
Tradução Livre: Joe Diesendruck

P. Quais são os princípios judaicos de justiça fiscal?

A. Em princípio, a lei judaica dá às comunidades latitude muito ampla para decidir
sobre os sistemas de tributação.

As comunidades judaicas ao longo dos tempos tiveram uma grande variedade de sistemas de tributação em termos de fontes de tributos (lucro, riqueza, bens imóveis, o
imposto “por cabeça”) e regimes fiscais (progressivo, proporcional ou regressivo) alem de
outros parâmetros.

Certamente não há um sistema de imposto que é ditado pela lei judaica e, por essa razão lei judaica também reconhece a validade do sistema fiscal secular, desde que tenha sido instituído por um processo político legítimo.

Mas flexível não significa arbitrário. Há alguns princípios básicos de justiça contra o qual os impostos sempre foram medidos, e em algumas ocasiões os rabinos derrubaram disposições fiscais porque elas foram considerados injustos.

Nesta coluna, vamos discutir um destes princípios; em colunas próximas iremos apresentar outros.

O Talmud estabelece que os cidadãos de uma cidade estão autorizados a aplicar um imposto para construir um muro de defesa.

A pergunta que surge é: Como a carga fiscal deve ser distribuída?

Rebe Elazar perguntou a Rebe Yochanan: Quando a coleta é feita, é feita por pessoa ou de acordo com os ativos?

R. Yochanan disse: “é de acordo com os ativos, e Elazar meu filho, corrige-o com as unhas.”

Outros dizem que R. Elazar perguntou a R. Yochanan: Quando a coleta é feita, é feita por pessoa ou de acordo com a proximidade das casas?

ao que R. Yochanan disse: “é de acordo com os ativos, e Elazar meu filho, corrige-o com as unhas. (1)

Os comentaristas explicam que no contexto, trata-se de erguer uma muralha para proteger a cidade contra bandidos e que uma vez que os bandidos, normalmente, só estão interessados em roubar a propriedade, não eram um perigo para a vida.

Assim, um imposto por pessoa seria inadequado – pois não beneficia a todos igualmente pela construção da muralha.

O mais justo é recolher de acordo com os ativos, ou seja, pelos bens móveis que são mais vulneráveis ao roubo.

Porém a segunda resposta de R.Yochanan pode sugerir uma outra visão, ou seja, sugere que uma base adicional para o imposto, além da proporcional aos ativos.

Mesmo isso, afirma Rebe Yochanan, o importo deve ter alguma conexão direta com o benefício, afinal, os bandidos estão com muita pressa para evitar a detecção e atacam de maneira desproporcional as casas perto da orla da cidade, assim, aqueles mais próximos ao perímetro teem maior benefício e, portanto, devem pagar mais.

Em contrapartida, se o perigo é também de guerra, onde há um perigo mortal, é justo acrescentar um imposto por cabeça, bem como, uma vez que mesmo alguém sem bens está disposto a pagar para proteger sua vida (2).

A partir dessas fontes, aprendemos que quando um encargo fiscal for designado para um projeto específico, uma consideração muito importante no financiamento é a extensão do benefício do projeto.

Aprendemos também que este princípio não contradiz o principio de que os mais ricos devem arcar com mais do que estritamente a sua parte dos custos, pois muitas vezes, como neste caso, a obra publica benefícia mais os ricos do que os mais pobres.

FONTES: (1) Talmud Babilônico 7b (2) Shulchan Aruch 163:3 Choshen Mishpat
Aish ha’Torá

Quanto ao IR, este e outros “cases” talmudicos ilustram situações que nos ajudam para que cada um deduza do estudo, se os beneficios que recebe são compativeis ou não com o imposto que recolhem e faça aquilo que acha mais certo.

Num “approach” mais leve, como fazemos nas excelentes aulas com meu querido Rab. Belinow, notem que a frase diz….. “DEDUZA” !

e para que fique bem claro… não vai aqui nenhuma recomendação de insurgencia, já
que em outra parte do mesmo Talmud, os sábios ensinam que devemos obediencia às leis do país onde vivemos!

Abraços,

Joe Diesendruck

Lula diz que pode se candidatar novamente à Presidência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista a uma TV exibida na madrugada desta segunda-feira que poderá se candidatar novamente ao cargo, uma declaração que pode enfraquecer sua sucessora eleita, Dilma Rousseff.

Lula deixará o cargo em 1o de janeiro com um índice de aprovação superior a 80 por cento. Pela Constituição, ele não pôde disputar um terceiro mandato, por isso indicou sua ex-ministra Dilma.

Questionado numa entrevista à RedeTV sobre sua intenção de voltar futuramente ao cargo, Lula respondeu: “Não posso dizer que não porque sou vivo. Sou presidente de honra de um partido, sou um político nato, construí uma relação política extraordinária”, disse.

Lula, de 65 anos, nunca negou totalmente a hipótese de voltar à Presidência, mas essa foi a declaração mais explícita até agora de que poderá disputar novamente o cargo.

A admissão de Lula sobre um eventual retorno pode dificultar para Dilma firmar sua imagem independentemente do presidente, que teve grande influência na eleição da sucessora.

Aparentemente ciente da repercussão que a declaração teria, Lula disse ao entrevistador: “Eu fico até com medo, amanhã alguém vai assistir à tua entrevista, e dizer que Lula diz que pode ser candidato.”

Mesmo assim, ele continuou discutindo essa hipótese, e concluiu: “Vamos trabalhar para a Dilma fazer um bom governo e, quando chegar a hora certa, a gente vê o que vai acontecer.”

estadão

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