Rizzolo – Partindo para a Venezuela

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A convite, estou partindo para Caracas, hoje, dia 29 de setembro para participar do Congresso Anual da Federação de Indústrias da Venezuela – FEDEINDUSTRIA, onde serão debatidos os seguintes temas entre outros: A compreensão da ALBA e a sua visão multidimensional, o papel do Estado frente à empresa na ALBA, ultrapassando as dimensões culturais, populares e sociais da ALBA, no âmbito comercial e econômico.

É uma oportunidade para melhor conhecer a dinâmica do empresáriado Venezuelano, assim como adentrar na concepção da política atual da Venezuela, conhecendo em maior profundidade, os projetos sociais do chamado Socialismo do Século XXI .

Este ano se fará presentes várias delegações empresariais de Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Las Islas de Caribe, Nicarágua, Panamá, Paraguai, República Dominicana, e Uruguai.

Assim sendo, a atualização do Blog ficará prejudicada entre os dias 29 de setembro a 03 de outubro, dia de meu retorno. De qualquer forma, se assim o tempo permitir, farei alguns comentários no Blog, direto de Caracas.

Fernando Rizzolo

Ortega denuncia na ONU a tirania dos EUA travestida de modelo de democracia

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“O que se apresenta hoje como a democracia mais exemplar no mundo, é realmente a ditadura mais gigantesca e mais impressionante que já existiu ao largo da história da Humanidade”, afirmou o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, durante o seu discurso na Assembléia Geral da ONU, referindo-se aos EUA.

Ortega destacou que, “o mundo se encontra sob a tirania do capitalismo global, e a atual ordem econômica internacional é ditada por uma minoria de ditadores que impõe os seus interesses”. “Esta Assembléia Geral não é mais do que o reflexo dessa realidade no mundo”, acrescentou o líder sandinista, enfatizando que 18 anos depois de sua última apresentação na ONU, “o panorama segue sendo o mesmo”.

Ortega acrescentou que em 1988 “como agora, se falava na ONU do problema palestino, do status colonial de Porto Rico, da base militar norte-americana no território cubano de Guantánamo e da corrida armamentista”.

“Então, posso concluir que o inimigo segue sendo o mesmo depois de 18 anos. Esse inimigo se chama capitalismo global imperialista, e só os povos vão mudar isso”, concluiu Ortega.
Hora do Povo

Rizzolo:Bom, o que o camarada Ortega está falando não é nenhuma novidade, a questão é a seguinte, como a América Latina poderá sobreviver se não houver integração entre seus membros. Quanto aos EUA, enquanto a dinâmica republicana continuar no poder, via fraude, não vejo como “suavizar” os efeitos do imperialismo. Como diz Noam Chomsky, quem governa os EUA são as 300 maiores empresas do mundo, e conseqüentemente impõe sua política neoliberal através da mídia controlada, da desestabilização dos governos, e da perpetuação da miséria que assola os países do Terceiro mundo.

Tucanos querem pôr na conta de Lula a ladroeira de Azeredo

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Pego no flagra, Azeredo tira sono da mídia e da cúpula do PSDB

“Mensalão” foi cortina de fumaça para encobrir o tucanoduto abarrotado com dinheiro público

Em defesa do até há pouco tempo presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio, comparou a sua situação à do presidente Lula: “Os dois incorreram em caixa 2 de campanha. Lula diz que não sabia e Azeredo não sabia mesmo, mas o fato é que ambos se beneficiaram do caixa 2”. Outros próceres do PSDB argumentaram que “na hipótese de as acusações do mensalão de Minas e do mensalão do PT serem verdadeiras, não dá para indiciar o Azeredo sem indiciar o Lula”.

É muito bom que eles sejam forçados a admitir, ainda que por um oportunismo nauseante, que a hipótese do “mensalão do PT”, exaustivamente testada pela mídia golpista, e com a qual tucanos e ex-pefelistas comprometeram o último vestígio de sua raquítica credibilidade, possa não ser verdadeira.

De fato, não é. O caixa 2 – “recursos não contabilizados” – organizado pelo ex-tesoureiro do PT, que assumiu responsabilidade integral pelo fato, não se destinava a pagar deputados para que votassem com o governo.

A mídia procurou fazer crer que fosse, por duas razões singelas: para legitimar o uso da sugestiva expressão “mensalão” em sua cruzada anti-Lula, e por considerar que vincular o caixa 2 à campanha eleitoral do presidente não colaria, não daria Ibope e não configuraria um delito capaz de justificar o seu afastamento.

Não houve um caso sequer em que o uso desses recursos para o aliciamento de deputados – ou seja, o mensalão – ficasse demonstrado. Trata-se portanto de matéria vencida, ao menos para os cérebros capazes de conectar mais de dois neurônios.

Aquele caixa 2, criado depois da campanha de Lula, seguiu a norma tolerada e praticada por todos os aspirantes a cargos eleitorais no Brasil, guardadas as devidas e indevidas exceções: “despesas não declaradas” pagas com “recursos não contabilizados” obtidos através de doações privadas.

A eleição de Azeredo em 1998 é um caso típico de exceção indevida. Conforme demonstra o relatório da Polícia Federal, o seu caixa 2 estava abarrotado de dinheiro público, criminosamente desviado para esse fim. O relatório mostra também, de forma inequívoca e com minúcia de detalhes, a responsabilidade direta do então governador de Minas – ele próprio – no assalto perpetrado contra o erário.

Azeredo foi pego com a boca na botija, a partir de uma acusação, comprovada e ampliada pela investigação da Polícia Federal, que partiu do próprio operador do esquema, o sr. Cláudio Mourão. Queixoso por ter recebido um calote de Azeredo, Mourão abriu o jogo e apresentou parte dos documentos.

Não há como escapar dessas evidências. O que resta ver é se o senador mineiro vai para a forca sozinho ou se subirá os degraus do patíbulo acompanhado de elementos da alta cúpula tucana, que ele sem maiores sutilezas já ameaçou entregar, caso se sinta abandonado.

Os punhais estão desembainhados nos arraiais tucanos.

Para evitar o derramamento de sangue, a base governista até poderia examinar a proposta de trocar a impunidade de Azeredo por um refresco para o presidente Lula. Os tucanos parariam de acusar o presidente daquilo que ele não fez e a base relevaria os malfeitos de Azeredo. Afinal, um salafrário a mais ou a menos não é o que faz a diferença na situação do Brasil.

O problema é que os tucanos não estão dispostos a cumprir a sua parte nesse acordo humanitário.

E Azeredo, se não sabe, desconfia.

S.R
Hora do Povo

Rizzolo: Ah! Mas o camarada Azeredo foi pego com boca na botija através de um ótimo trabalho da Polícia Federal, era dinheiro grosso do erário público, criminosamente desviado para o caixa 2, ele mesmo foi o responsável direto. A situação do PSDB é crítica e a ” ética tucana” se desespera, não há dúvida que o fato do caixa dois de Azeredo, irrigado com recursos públicos, de empreiteiras e de bancos, que beneficiou 159 políticos ligados à sua candidatura levará muita gente a reboque; na lista de Claudio Mourão o caixa da campanha, Aparece quem? Nada mais nada menos o então deputado federal e atual governador do Estado Aéco Neves, receptando R$ 110 mil, ora, Esses são os “guardiões da ética tucana?”

Agora, cuidado com Azeredo, ele sabe muito, e todos irão como já a reboque. Esses são os que não gostam da democracia plena, gostam da “relativa”, da mídia golpista e também do dinheiro do caixa dois. A direita está muito bem representada não ?

Ahmadinejad procura na Bolívia urânio?

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O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, terminou ontem (27) sua visita à Bolívia no marco da abertura das relações diplomáticas e o fechamento de um acordo económico –comercial e energético de 1,1 bilhão de dólares .

Segundo este acordo na primeira etapa Irã investirá à Bolívia 100 milhões de dólares para os objetivos de execução dos projetos conjuntos no âmbito da economia. Logo, em prazo de cinco anos , se prevê dotar outros 900 milhões de dólares para realização dos planos de construção de plantas nos setores energético, industrial e agrícola, segundo RIA-Novosti.

“É com muito respeito e carinho que recebemos esta visita para a partir desta data trabalharmos de maneira conjunta por nossos povos e pela humanidade”, disse Evo Morales.

Morales e Ahmadinejad reconheceram “ o direito dos países em desenvolvimento de energia nuclear com objetivos políticos no âmbito do tratado sobre a não proliferação de armas nucleares, como um meio que pode contribuir significativamente ao desenvolvimento económico e tecnológico de seus povos”

A visita do dirigente do Irã provocou uma polêmica na Bolívia. Assim, o deputado, Arturo Murillo, e senador, Fernando Rodríguez , ambos opositores anunciaram que O congresso bloqueará o acordo billionário se este prevê a exportação de urânio na Bolívia. Bolívia conta com jazidas de urânio ao sul de País .

No sábado o embaixador dos EUA em La Paz , Philip Goldberg, se reuniu com Morales e lhe reiterou a política oficial de Washington de condenar o programa nuclear de Teerão. Mas a Bolívia é um pais soberano e tem direito de estabelecer relações diplomáticas e acordos comerciais com quem quer e não necessita a licença dos Estados Unidos para fazê-lo.

Por Lyuba Lulko
Pravda. Ru

Rizzolo: O Presidente do Irã Ahmadinejad visitou os EUA esta semana, para falar na Assembléia das Nações Unidas o que se tornou um grande circo. A imprensa americana focou o debate se ele tinha permissão para falar na Universidade de Columbia, ou se seu requerimento a ir visitar o Ground Zero, o local das Torres Gêmeas, do ataque de 11 de setembro em Manhattam, poderia ser aceito. É claro que foi rejeitado. Muito embora os EUA dizem que ele não passa de um terrorista, e anti-semita, ele nega tudo, diz ele nunca ter massacrado nenhum cidadão israelense, e ainda permitiu 20,000 judeus a ter representação no Parlamento.

Na verdade, é uma figura controversa nos EUA, sua personalidade exótica e popular, provoca sérias preocupações na política externa americana, seus avanços e seu arrojado modo de ser, intimida segmentos dos EUA de que o Irã avance sua influência e seu poder na região desafiando a influência dos EUA e Israel. De qualquer forma nos EUA principalmente para os republicanos, ele não é “boa bisca” como se diz na linguagem popular. Agora, a Bolívia é soberana, para promover sua política externa, e os EUA nos seus “recadinhos” se desprestigia a cada dia.

Serra – Aí vem chumbo !

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Serra planeja megaprivatização de R$ 25 bi em São Paulo

O governador José Serra retomou o processo de privatizações no estado de São Paulo através da iniciativa de contratar instituições financeiras para assessorar o levantamento patrimonial de 18 estatais paulistas. A retomada do programa de privatização visa vender parte ou integralmente as empresas paulistas, entre elas o banco Nossa Caixa, a empresa de saneamento Sabesp e o Metrô.

Marcas famosas: em leilão? Segundo o jornal Valor Econômico (27/09), depositaram propostas de assessoria para o levantamento patrimonial das empresas estatais, os bancos JP Morgan, Morgan Stanley, UBS Banco, Banco Espírito santo, Citi e fator. O resultado saíra até a próxima semana. O processo está a cargo da Secretaria Estadual da Fazenda.

As 18 empresas foram reunidas em três grupos, de acordo com o potencial de venda e valor de mercado. No primeiro grupo estão o banco Nossa Caixa, a empresa de saneamento Sabesp e a empresa de energia elétrica Cesp. A Bolsa de Valores de São Paulo, que negocia ações dessas empresas, estima o patrinmônio somado de R$ 25 bilhões.

No segundo grupo estão a Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô, Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado de São Paulo – CDHU, Companhia Paulista de Trens Metropolitano – CPTM, Desenvolvimento Rodoviário S.A. – Dersa, Empresa Metropolitana de Água e energia S.A. – Emae, Companhia de Seguros do Estado de São Paulo – Cosesp.

No terceiro grupo estão a Companhia Paulista de Parcerias – CPP, Companhia de Tecnologia de saneamento Ambiental – Cetesb, Companhia de Processamento de dados do Estado de São Paulo – Prodesp, Imprensa Oficial do Estado de S.A. – Imesp, Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – EMTU/SP, Companhia Paulista de Obras e Serviços – CPOS, Instituto de Pesquisa Tecnológia do estado de São Paulo – IPT, Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo – Codasp e a Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. – Emplasa.

A expectativa inicial, com a possibilidade total e parcial de todas as privatizações, é alcançar cerca de R$ 30 bilhões, segundo cálculos de especialistas em mercado.Se o governador Serra retomar as privatizações neste patamar será o maior já realizado desde o período do Programa Estadual de Privatizações, realizado nos anos 1990, durante o governo Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso, que comandavam respectivamente os governos estadual e federal.

A retomada do processo de privatizações recoloca o debate político sobre a gestão pública desenvolvimentista versus monetarista, em que a primeira opta pela utilização das empresas públicas como mecanismo de avalancagem econômica e a segunda prescinde de empresas estartégicas de desenvolvimento para entregar ao mercado, as iniciativas de desenvolvimento econômico e social.

Ao optar pelas privatizações, José Serra estará contrariando sua plataforma política durante a última campanha eleitoral, em que se colocava como um desenvolvimentista e reconhecia a importância das empresas públicas e na intervenção do governo e do Estado para capacitar o desenvolvimento econômico em São Paulo. Serra chegou a apresentar um plano para criar uma agência de fomento paulista, nos moldes do BDES – Banco navcional de desenvolvimento Econômico e Social, ausente desde a privatização do Banespa, qe cumpria o papel de incenivador do sistema produtivo.

Para a oposição ao governo, a atitude de Serra é uma demonstração de seu vínculo com o programa neoliberal de gestão pública e política. “O anúncio do levantamento patrimonial das empresas é o primeiro passo para reiniciar as privatizações. Sem distinção, o governo acha que pode vender tudo, num claro retrocesso de atitude política. O governo fez um discurso durante a campanha eleitoral, com a intensão de montar um banco de fomento, retomar o desenvolvimento em bases sólidas e apoio do estado, etc, porque não conseguia defender as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, que foi um claro programa lesa-pátria para o país”, argumentou Nádia Campeão, presidente estadual do PCdoB/SP.

O movimento sindical reagiu com surpresa e promete uma dura contraposição contra qualquer iniciativa de privatização. Para o presidente eleito do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Gomes, a iniciativa opõe as categorias profissionais do estado ao governo. “Os metroviários reagirão a qualquer tipo de privatização e buscará com outras categorias de trabalhadores a unidade necessária para barrar esta iniciativa. Já tivemos a experiência das privatizações e sabemos bem o quanto isso prejudica a sociedade. Se preciso vamos realizar ampla campanha para denunciar a atitude e demonstrar para a sociedade que a venda é do patrimônio do povo e não go governo”, afirmou Gomes.

O movimento realizado pelo governo estadual destoa dos caminhos trilhados pelo governo Lula, que reforça o papel do Estado para implantar projetos de desenvolvimento no país. O debate sobre as privatizações surge como parâmetros anatôgicos de modelos de desenvolvimento.

Rodrigo de carvalho,
Site do PC do B

Rizzolo: Essa decisão de Serra é extremamente perigosa e vai na contramão de sua plataforma política, não existe mais espaço para as políticas neoliberais, a população hoje, vê com antipatia as privatizações em razão da excessiva pontuação na discussão entre Lula e Alckmin, este último até admitindo, para angariar votos, é claro, que não era privatista.

Serra que estava indo bem até dois meses atrás, recaiu em provavelmente face à tentação e à pressão dos grupos interessados em açambarcar empresas públicas. Muito embora, o modelo mais provável de venda a ser adotado no Estado é o parcial, aquele em que o governo fica com o controle da empresa, mas vende as ações excedentes, como aconteceu com a Petrobrás e o Banco do Brasil, vejo dois problemas próximos a serem enfrentados: primeiro a iniciativa privada quer sim ser a “dona das decisões” comprar e deixar o Serra mandar, não vai dar certo, segundo, o desgaste político, Serra ao explicar essas privatizações vai “dinamitar” seu patrimônio político com o povo, não digo a elite, alem da oposição aproveitar o tema, e outra, a Cesp, que não vai ser tão fácil, o Supremo Tribunal Federal – com a exceção do Ministro Mello, deu ganho de causa ao ex-deputado João Cunha, que moveu ação popular, Serra sabe disso só não entendi porque o presidente eleito já acrescentou ao orçamento do ano que vem a receita de R$ 800 milhões com a venda da Cesp. Contando como ovo, hein !, assim vai mal.

Record News estréia para abalar “monopólio” da Globo

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O Teatro Record foi palco, na noite desta quinta-feira (27), da cerimônia que marcou o início das transmissões do canal de notícias Record News. Na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador de São Paulo, José Serra, o bispo Edir Macedo, concessionário da Record e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, atacou a Globo no discurso inaugural.

“Nós fomos injustiçados por muitos anos por um grupo de comunicação que tinha e mantém o monopólio da notícia no Brasil. Daí nosso desejo de dar um fim a esse monopólio”, afirmou. A referência indireta à emissora carioca é a justificativa para a criação do “primeiro canal exclusivo de notícias 24 horas da TV aberta”. À Folha Online, ao ser perguntado sobre o prazo para quebrar o monopólio da Globo, Macedo comentou: “A gente vai cutucando o fígado até cair”.

A cerimônia começou a ser transmitida às 20 horas com imagens do auditório e do palco do Teatro Record. O evento reuniu o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), entre outras autoridades. Edir Macedo e Lula acionaram o botão que deu início oficial às transmissões do canal – que ocupa o lugar da Rede Mulher, transmitida em São Paulo no 42 UHF.

No início da cerimônia, o apresentador Celso Freitas lembrou a história da Record, que completou 54 anos nesta quinta e que já esteve, em 1989, à beira da “falência”. Freitas citou que a emissora é “a segunda assistida do Brasil” e que está “a caminho da liderança”. Em seguida, Macedo fez seu discurso, agradeceu a presença das autoridades e citou o objetivo do Record News de “levar informação de qualidade, de graça”.

Lula, exclusivo

Ainda na cerimônia, o presidente Lula defendeu a democratização do acesso à comunicação. “Estou certo que todos os envolvidos na criação da Record News têm competência e dedicação para trabalhar em prol do avanço e maior democratização da comunicação no Brasil”.

Segundo o presidente, a emissora está “trabalhando para levar aos brasileiros, de forma independente e equilibrada, as informações e os debates mais relevantes para o presente e o futuro da sociedade”. Lula pediu para a Record News levar um jornalismo independente e pluralista para a população. “E para refletir em sua programação jornalística toda a pluralidade dos pontos de vista e ideais presentes em nossa nação.”

O presidente encerrou seu rápido discurso com um trecho do Hino à Proclamação da República: “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós!”. Antes disso, Lula enalteceu a iniciativa dos donos da Record de contribuir para a democratização do acesso à comunicação por levar para a TV aberta algo que só havia antes nos canais por assinatura.

Em entrevista exclusiva e especial para o novo canal, após a cerimônia, Lula não poupou críticas ao seu antecessor Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a quem acusou de não se comportar adequadamente como ex-presidente. “Somos amigos desde 1978. Isso perdurou até ele deixar a Presidência da República e não se comportar adequadamente como um ex-presidente”, respondeu Lula, ao ser questionado sobre o motivo de nunca ter convidado FHC para tomar um café.

O presidente afirmou ainda que chegou a perguntar ao ex-presidente norte-americano Bill Clinton sobre a relação dos democratas com a ação de George W.Bush no Iraque. “Ele me disse que, nos Estados Unidos, os ex-presidentes não dão palpite em tomadas de posições de atuais presidentes. FHC não soube se comportar. Deu palpite o tempo inteiro.”

Lula disse que fez no seu governo o FHC não quis fazer. “E não foi por incapacidade porque ele é intelectualmente preparado. Talvez porque a conjuntura política não tenha permitido ou porque ele não soube aproveitar oportunidades”, disparou. “Se tem alguém que deveria estar feliz era ele. Eu consegui fazer o Brasil que ele não conseguiu.”

O novo canal

Nem só de briga pela audiência vive uma emissora de televisão. Apesar de ser a mais empenhada em ganhar público, a Record se embrenha por um caminho pouco explorado na TV aberta brasileira, ao lançar a Record News. Foram gastos US$ 7 milhões em equipamentos e infra-estrutura.

De acordo com o vice-presidente comercial da TV, Walter Zagari, o “empresário Edir” está empenhado em apostar mais ainda no canal de notícias. Mesmo assim, aproveitou boa parte da estrutura da emissora e os mil jornalistas de que dispõe para tocar o novo projeto, com o reforço de mais 200 repórteres. “Agora vem o investimento em conteúdo e pessoal”, diz o presidente da Record, Alexandre Raposo.

A idéia do diretor de Jornalismo Douglas Tavolaro e sua equipe é fazer um trabalho diferente daquele dos canais abertos e noticiosos da TV paga. “A cobertura das emissoras é insossa, apática e superficial”, criticou ele, referindo-se principalmente à Rede Globo. “Nosso foco vai ser a informação.”

Paulo Henrique Amorim, Celso Freitas, Britto Jr., Christina Lemos e Lorena Calábria estão entre os escalados para ancorar jornalísticos de entrevistas e temáticos no canal. De todos, o primeiro a ter patrocínio foi o de Amorim, Entrevista Record, com tom de entretenimento, exibido na faixa das 22 horas. “Estou bem animado com o programa novo”, contou o apresentador. “Dá para conciliar com a Record sem problema nenhum.”

A previsão de lucros é polpuda, segundo o presidente da Record: R$ 100 milhões de faturamento no primeiro ano. O investimento da emissora na área de jornalismo engrossou nos últimos meses. A Record investiu pesado na compra dos direitos das Olimpíadas de 2012, que pela primeira vez estarão fora da Globo. “O caminho da liderança nunca esteve tão claro para nós”, disse Zagari, reiterando o “mantra” da emissora da Barra Funda. “Quem não é o primeiro tem de procurar ser o melhor.”

A única indefinição na estréia da Record News é a exibição do canal pela Net. Está acertado o sinal na TV aberta e com a TVA, que garantiu a transmissão. “A Net não é obrigada a transmitir o canal, mas esperamos que exiba, porque vai ser cobrada para isso”, afirmou Alexandre Raposo. “Se não exibir, não vou querer mais assinar.” A Net alega que a transmissão da Record News ainda está em negociação e que, portanto, pode não ocorrer.

Da redação, com agências
Site do PC do B

Rizzolo: A estréia da Record News é um novo passo e um avanço, para que o monopólio da Globo fique um pouco mais restrito. Originalmente, Edir Macedo, vem de uma camada social popular, à parte o fato religioso, e seu carisma com a população pobre, sua ascensão deu-se dé forma diferente dos demais proprietário de concessões; Silvio Santos fez- se sobre bases comerciais desde o início de sua ascensão na mídia, Roberto Marinho, através da representatividade da elite, já Edir Macedo sempre dialogou com a população pobre com uma fundamentação ideológica religiosa; o que é bem diferente. O discurso ideológico seja ele político ou religioso percorre outro imaginário nos mais humildes, não é através da compra, nem tampouco da emoção da novela, mas sim de algo espiritual. Talvez, seja este o motivo da opção de “liberalidade democrática” e de visão da realidade social brasileira, mais aguçada. Aqueles que são “contra a inclusão dos 49 milhões de pobres” ficarão de fora do processo de desenvolvimento intelecto econômico brasileiro, e no futuro não mais haverá espaço para estes.

Ademais, os evangélicos, ainda são no Brasil católico, estigmatizados; sempre que posso, muito embora não sou católico, nem evangélico, defendo o caráter de massa dos evangélicos, não posso aceitar que o Papa venha no nosso país, e classifique os evangélicos como “seita”; essa idealização católica em achar que a razão do mundo esta com eles é absurda e já trouxe tragédias comprovadas pela história, como a inquisição, onde milhões de judeus forma mortos. De qualquer forma entendo que os evangélicos têm um papel redentor social que num futuro próximo se revelará através de posturas e posições políticas mais progressistas, ou mais cristã na acepção da palavra.

Empresários apóiam Venezuela no Mercosul

Uma pesquisa da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela…

Uma pesquisa da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela feita no período de 13 de julho a 13 de setembro, com 655 empresas brasileiras que realizaram intercâmbio comercial com a Venezuela em 2006, revelou que 75,68% das empresas têm perspectivas positivas quanto ao ingresso da Venezuela no Mercosul.

Pelo levantamento, 55,74% das empresas exportadoras prevêem crescimento de seus embarques para a Venezuela este ano. Entre as importadoras, 45,95% afirmaram que vão aumentar as compras.

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara aprecia hoje o pedido de ingresso da Venezuela no Mercosul. O parecer do relator, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), é pela aprovação do pedido.

Rizzolo: Fica patente, que o desenvolvimento e a integração da América Latina tem o incondicional apoio do empresariado, empresas brasileiras de peso, investem na Venezuela como o Grupo Gerdau, que comprou a Siderúrgica Zuliana, a terceira maior produtora de aço da Venezuela, por US$ 92,5 milhões. Em comunicado, o diretor-presidente da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, afirmou que “a Venezuela possui uma economia em expansão e demanda interna crescente, assim como grande disponibilidade de energia, sucata e minério”. O executivo também ressaltou que os investimentos em infra-estrutura são crescentes, o que tem reflexos na construção civil, que é grande consumidora de vergalhões.

Acho que só os reacionários que tem a capacidade de se apequenar, ainda colocam questões ideológicas na frente do desenvolvimento da América Latina. Uma coisa é certa e empresários de visão já perceberam; não há como pensar em desenvolvimento, excluindo a grande massa de população pobre da América Latina, no Brasil os 49 milhões de pobres serão forçosamente incluídos nos frutos do desenvolvimento brasileiro. A época em que a elite determinava os caminhos do povo brasileiro nos almoços nos Clubes requintados regados a wiskey 12 anos, acabou. E “Cansados”, cada vez mais, terão que abrir mão do muito que possuem, e aprender a compartilhar com os que nada tem.

Exército e PF são as instituições mais confiáveis, aponta pesquisa

Segundo trabalho, políticos são menos confiáveis do que Exército

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) mostra que apenas 11% dos brasileiros confiam nos políticos e 16%, nos partidos políticos.

Ainda segundo a pesquisa, Polícia Federal e as Forças Armadas são as instituições mais confiáveis, com a aprovação de, respectivamente, 75,5% e 74,7% dos entrevistados.
O estudo também mostra que 85% acreditam que a corrupção pode ser combatida, e 94,3% acham que um político processado na Justiça não deveria poder concorrer às eleições.

Os entrevistados também consideram importante a reforma política: 95,4% são favoráveis, embora a pesquisa não tenha feito perguntas específicas sobre que mudanças deveriam ser feitas na legislação.

Confiam:
Políticos 11%
Partidos políticos 16%
Câmara dos Deputados 12,5%
Senado Federal 14,6%
Câmara dos Vereadores 18,9%
Forças Armadas 74,7%
Polícia Federal 75,5%

A pesquisa mostra ainda que 79,8% discordam do foro privilegiado para pessoas que ocupam cargos públicos, como previsto atualmente na lei brasileira.

Os dados serão divulgados durante uma audiência pública na Comissão de Participação Legislativa da Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira.

Credibilidade

A pesquisa foi realizada pela Opinião Consultoria a pedido da AMB e ouviu 2.011 pessoas nas três primeiras semanas de Agosto, em entrevistas por telefone, em todos os Estados brasileiros.

A pesquisa mostra que entre os políticos, o nível local de decisões tem mais credibilidade do que a esfera nacional: 18,9% dos entrevistados disseram confiar na Câmara dos Vereadores, enquanto o Senado Federal tem a confiança de 14,6%, e 12,5% confiam na Câmara dos Deputados.

As questões sobre Justiça também revelam uma confiança maior no âmbito local.

O Poder Judiciário de um modo geral tem a confiança de 41,8% dos entrevistados, mas o Juizado de Pequenas Causas goza de uma confiança maior, de 71,8% . Já os juízes têm a confiança de 45,5% dos entrevistados, e o Supremo Tribunal Federal, a instância máxima do Poder Judiciário, de 52,7%.

Na pergunta sobre qual tribunal é mais confiável, o Tribunal de Pequenas Causas também aparece em primeiro lugar, com 23,6% das respostas. O STF teve 20,5%, a Justiça do Trabalho 19,2% e a Justiça Eleitoral 10,6%.

A grande maioria dos entrevistados declarou já ter ouvido falar do Tribunal de Contas da União (83,6%) e na Controladoria Geral da União (78,2%), órgãos internos de controle do controle do Poder Público, mas uma parcela significativa (43,6%) não sabe a diferença entre o Ministério Público e o Poder Judiciário.
BBC Brasil

Rizzolo: Dois dados importantes que podemos inferir na pesquisa, o primeiro, é a credibilidade das Forças Armadas, 74,7% e da Polícia Federal 75,5 % , e o terceiro dado é a credibilidade da população no Supremo Tribunal Federal, a instância máxima do Poder Judiciário, de 52,7%. É interessante notar que essa aprovação deveria ser revertida em investimento nessas instituições, temos que pensar mais no povo brasileiro e prestigiar aquilo que ainda resta no imaginário da população, ou seja, dinamizar o conceito de proteção ao Brasil, ao mesmo tempo em que as Forças Armadas devem retribuir esse reconhecimento apoiando inconteste a política de distribuição de renda, e esquecer mágoas do passado em relação à esquerda. Temos que cerrar fileira para que com uma boa correlação de forças políticas, possamos reconstruir nossas Forças Armadas, de mãos dadas com apoio do povo pobre brasileiro, que durante muitos anos fora esquecido. Leia também: Perdendo-se as Nobres Referência e General Augusto Heleno, uma declaração patriótica e coerente

FHC não sabia de nada, afirmam líderes do PSDB

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As declarações do senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), envolvendo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no esquema de caixa-dois de sua campanha para o governo de Minas Gerais em 1998, causaram um terremoto dentro do partido, desencadeando uma operação para isolar e silenciar Azeredo o mais rápido possível. Lideranças tucanas fizeram fila, quarta-feira, para rebater as declarações do senador mineiro.

Por Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior*

“O senador não poderia ter dito isso. Está me obrigando a responder algo surrealista. Envolver o presidente (FHC) nesse episódio é o mesmo que envolver o presidente Bush”, disse Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado. Virgílio não explicou porque seu colega de partido “não poderia” ter dito o que disse. O presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati (CE), recorreu à psicologia para explicar as declarações de Azeredo.

Segundo ele, as declarações de Azeredo ao jornal Folha de São Paulo são uma demonstração de indignação e transtorno mental. Azeredo, garantiu Jereissati, é um homem honesto, correto, que ficou transtornado e saiu falando o que veio à cabeça. Já o senador tucano de Goiás, Marconi Perillo, foi mais direto: “FHC e o PSDB nacional não têm nada a ver com isso”, assegurou.

FHC mantém silêncio

O site nacional do PSDB silencia sobre o assunto. Os recados a Azeredo estão sendo dados pela imprensa e diretamente através de alguns interlocutores. O governador de São Paulo, José Serra, negou que esteja em curso no PSDB uma operação para silenciar e isolar Azeredo. Segundo Serra, o senador mineiro é um homem íntegro e honesto e jamais existiu algo como um “mensalão mineiro”. Azeredo não está abandonado pelo partido. É só uma sensação, não a realidade, filosofou Serra.
Já o governador mineiro, Aécio Neves (PSDB), tirou o corpo fora e jogou a batata quente no colo de seu companheiro de partido, dizendo que Azeredo deve prestar contas à sociedade pelas acusações de caixa-dois na campanha de 1998.

Até a manhã de quinta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ainda não havia se manifestado sobre o caso. Segundo lideranças do PSDB, FHC está no exterior. Incomunicável, aparentemente. Os tucanos não quiseram comentar a validade do argumento utilizado por eles e pelo próprio FHC, segundo o qual o presidente Lula não poderia dizer que “não sabia”, no caso do envolvimento de petistas com o mensalão.

“Fica uma coisa nebulosa”…

No dia 29 de agosto, o ex-presidente FHC afirmou que o presidente Lula não poderia “fazer de conta que não é com ele”, referindo-se à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em aceitar a denúncia contra os denunciados no caso do mensalão. “É com ele sim. Não estou dizendo que ele seja responsável, mas enquanto ele não repudiar, dá a sensação que está conivente, ou leniente, para usar uma expressão mais branda”, disse FHC, durante um evento promovido pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em São Paulo.

O presidente Lula, acrescentou FHC, “tem a obrigação de dar uma palavra à nação sobre o assunto”. “Caso contrário fica uma coisa nebulosa e dá a sensação que ele está passando a mão na cabeça dos envolvidos”, emendou.

Site do PC do B

Rizzolo: As explicações para o “Mensalão Mineiro” que pra mim é ” Mensalão do PSDB “, lançando mão da psicologia, ou até da psicanálise para justificar as declarações de Azeredo, por parte de Tasso Jereissati (CE), como sendo uma demonstração de “indignação e transtorno mental” me lembra o caso do Rabino Henry Sobel. Agora o silêncio é total, inclusive da mídia. Aécio Neves foi mais esperto, jogou e decarrgou tudo no Azeredo, pelo menos é um postura mais aceitável; o mais interessante é que ao mesmo tempo que um joga tudo em cima do Azeredo ( Aécio), o outro, senador tucano de Goiás, Marconi Perillo, afirma que: “FHC e o PSDB nacional não têm nada a ver com isso”. Contradições Tucanas em face à ” transtornos mentais “. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), vai marcar um encontro com o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, para conversar sobre as denúncias contra o senador e ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo (MG) de participar do ” Mensalão do PSDB “, “Tenho que ver como deve agir a Corregedoria nesse caso”, alegou o senador do DEM nesta quarta-feira (26). O procurador-geral está analisando as informações sobre o caso para decidir se oferece ou não denúncia contra Azeredo. Vamos acompanhar, hein !

A Marinha do Brasil e a questão dos submarinos

Comandante da Marinha defende política de aquisição de submarinos convencionais, diante das dificuldades de verba para concluir o submarino nuclear brasileiro

Publicamos hoje texto enviado pelo Comandante da Marinha, almirante Roberto de Guimarães Carvalho, a respeito da entrevista que nos concedeu o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva (HP, 22/11/2006), sobre a questão do submarino nuclear brasileiro. Na entrevista mencionada, o almirante Othon, que chefiou o programa nuclear da Marinha, com a conquista da tecnologia para o enriquecimento do urânio, defendia a conclusão do submarino nuclear, já em adiantada fase de construção – tanto o reator nuclear quanto o protótipo do submarino já foram realizados, faltando a criação de laboratórios que permitam testar o reator em condições operacionais. Para o almirante Othon, a política de investir em submarinos convencionais não é a mais apropriada aos interesses da defesa do país. Nas condições tecnológicas da guerra atual, somente submarinos nucleares poderiam garantir a defesa diante de inimigos do país que já possuem, há muito, belonaves desse tipo. Daí a sua formulação de que a construção do submarino nuclear é um “gesto de independência”.

Em seu texto, o Comandante da Marinha ressalta que “a Marinha tem, permanentemente, pleiteado recursos junto ao Governo Federal, a fim de possibilitar darmos o curso normal ao Programa Nuclear da Marinha. Apesar do insucesso dessas tentativas, pelo menos até agora, é importante realçar que o Programa Nuclear da Marinha permitiu ao Brasil dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio, conhecimento este restrito a apenas oito países”. Na ausência desses recursos, o Comandante da Marinha defende a política de aquisição – e possível construção no Brasil – de submarinos convencionais. “Como o próprio senhor Othon afirma, só tem submarino convencional quem não pode ter o nuclear”, diz o almirante Carvalho, e conclui: “infelizmente, nós estamos neste caso, pelo menos, ainda por um bom tempo, haja vista a situação orçamentária da Marinha nos últimos anos”.

Trata-se de um debate decisivo para o nosso país. Trata-se da defesa de nossa soberania, de nossa independência. Por isso mesmo, é altamente importante que os brasileiros, habitantes de um país com uma imensa fronteira marítima, tenham consciência precisa da questão, para que concentremos nossos recursos e nossos esforços na melhor e mais eficaz solução.

Almirante Roberto de Guimarães Carvalho *

Em relação à entrevista concedida pelo senhor Othon Luiz Pinheiro da Silva a esse conceituado veículo de comunicações, publicada na edição no dia 22 de novembro, cujo teor versa, basicamente, sobre a obtenção de submarinos convencionais ou nucleares, na qual, fazendo questão de dizer que falou como cidadão e não como Vice-Almirante da Reserva – daí eu ter me referido a ele como senhor, tece comentários, sem ter conhecimento completo do quadro conjuntural, sobre decisões da Alta Administração Naval, tanto de passado recente, como da atual, cabe a mim, como Comandante da Marinha, esclarecer aos leitores os seguintes aspectos:

a) a possível construção de um submarino convencional no nosso arsenal não é, na opinião da Marinha, um retrocesso. Pelo contrário, é a continuação do progresso, pois possibilitará manter a qualificação dos nossos engenheiros, técnicos e operários, conquistada com muito esforço, e que não podemos perder;

b) a Marinha tem perfeita ciência das diferenças existentes entre as capacidades operativas de submarinos convencionais e nucleares. Como o próprio senhor Othon afirma, só tem submarino convencional quem não pode ter o nuclear e, infelizmente, nós estamos neste caso, pelo menos, ainda por um bom tempo, haja vista a situação orçamentária da Marinha nos últimos anos. A Marinha sonha com o submarino nuclear, mas isso não basta. É preciso que, além do nosso sonho, haja uma vontade nacional, traduzida em recursos, de forma a transformar o sonho em realidade. Enquanto isso não ocorre, resta-nos a opção dos submarinos convencionais, que, apesar de terem sido comparados a “focas” ou “jacarés”, são plataformas navais eficazes, tanto o é, que, a principal e mais poderosa marinha do mundo os considera como uma das principais ameaças que poderá ter de enfrentar;

c) o submarino que a Marinha pretende construir não é o da classe daqueles que foram construídos na Argentina na década de 70. É um submarino convencional moderno, da mesma origem dos nossos atuais cinco submarinos, que serão modernizados, mantendo-se, assim, a padronização. Adquirir um submarino de uma outra origem, com tecnologia diferente daquela com a qual estamos habituados a trabalhar, seria passar por uma experiência que a nossa Força de Submarinos já passou, e que não foi boa, qual seja, a de conviver com submarinos de origens diversas. Em acréscimo, não há registro conhecido, de que um país detentor da tecnologia nuclear, para fins de propulsão naval, bem como de projetos de plataformas onde possam ser instalados os equipamentos e sistemas necessários, tenha transferido esses conhecimentos sensíveis a outro. Assim, considero, no mínimo, arriscada a presunção de que isso aconteceria conosco, caso a opção fosse por um submarino de outra origem;

d) no que se refere às considerações feitas citando nominalmente o Almirante-de-Esquadra Ivan da Silveira Serpa, eminente, respeitado e honrado Chefe Naval e ex-Ministro da Marinha, as mesmas distorcem os fatos e não correspondem à realidade. A bem da verdade, é mister mencionar que o Almirantado, então presidido pelo Almirante Serpa, ao decidir pela diminuição dos recursos destinados ao Programa Nuclear da Marinha, o fez motivado pela redução do orçamento da Força, pelo decrescente aporte de recursos da antiga Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), parceira no projeto, e por problemas de gestão na condução do Programa. Aliás, na oportunidade, por determinação do próprio Almirante Serpa, foi criada uma Comissão de Almirantes e Oficiais capacitados, com a tarefa de proceder um criterioso redimensionamento do referido Programa, adequando-o à realidade e às normas orçamentárias da Marinha;

e) quanto à aquisição em 1995, das quatro fragatas na Inglaterra, os navios, apesar de usados, estavam em excelentes condições materiais e operativas, três dos quais ainda integram e constituem importante parcela do poder combatente da nossa Esquadra. Os recursos utilizados, por meio de crédito especial, não integravam o Orçamento da Marinha e, portanto, não concorreram com os aplicados no Programa Nuclear. Em acréscimo, esses navios foram adquiridos para substituírem contratorpedeiros já bem antigos, de origem norte-americana, que foram retirados do serviço ativo. É claro que a Marinha precisa de submarinos, mas, embora alguns possam não concordar, também precisa de navios;

f) é imperativo enfatizar que, durante o meu período de Comando e daqueles que me antecederam, a Marinha tem, permanentemente, pleiteado recursos junto ao Governo Federal, a fim de possibilitar darmos o curso normal ao Programa Nuclear da Marinha. Apesar do insucesso dessas tentativas, pelo menos até agora, é importante realçar que o Programa Nuclear da Marinha permitiu ao Brasil dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio, conhecimento este restrito a apenas oito países; e

g) em relação aos comentários pessoais sobre o atual Chefe do Estado-Maior da Armada, considero-o um oficial empreendedor, reconhecidamente inteligente e capaz, e cujo prestimoso assessoramento nos assuntos relevantes da Marinha tem sido de extrema valia para as decisões de alto nível que meu cargo requer.

Em relação ao todo da matéria jornalística, acredito que o senhor Othon tem todo o direito de expor as suas opiniões pessoais sobre um tema tão importante, mas deveria tê-lo feito considerando todas as variáveis envolvidas nesse complexo problema, e não apenas parte delas. Poderia, ainda, ter sido um pouco mais cortês nas suas colocações, dentro da fidalguia característica dos homens do mar.

*Comandante da Marinha
Jornal Hora do Povo

Rizzolo:A questão dos submarinos do ponto de vista tecnológico, se por hora o ideal é o convencional, ou se, o ideal seria que os investimentos maiores fossem drenados para a construção do submarino nuclear, é uma questão técnica e dialética. O que precisamos de uma vez por todas nesse país, e isso eu fico muito à vontade pra falar, até porque não sou militar, é termos uma visão concreta, determinada, e eficaz de investimento no nosso Parque Indústria Bélico.

Não há como conceber um país com uma extensão territorial como a nossa, onde ainda de forma submissa, ficamos escolhendo submarinos “de acordo com o nosso bolso”; não podemos aceitar, como disse o Almirante Roberto Carvalho, na sua justificativa, “que o Almirantado, então presidido pelo Almirante Serpa, ao decidir pela diminuição dos recursos destinados ao Programa Nuclear da Marinha, o fez motivado pela redução do orçamento da Força, pelo decrescente aporte de recursos da antiga Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), parceira no projeto, e por problemas de gestão na condução do Programa. Aliás, diz ele, na oportunidade, por determinação do próprio Almirante Serpa, foi criada uma Comissão de Almirantes e Oficiais capacitados, com a tarefa de proceder a um criterioso redimensionamento do referido Programa, adequando-o à realidade e às normas orçamentárias da Marinha”.

Ora, nossa defesa, nossas Forças Armadas não podem ficar sucateadas enquanto Bancos internacionais e nacionais se lavam em lucros, onde multinacionais em vultuosas remessas de lucros e dividendos nem sequer pagam Imposto de Renda, à Nação brasileira, onde tudo é programado para economizar, e se fazer superávit primário visando interesses externos. Agora em relação a orçamento militar tão importante como qualquer projeto social, temos sim que nos limitarmos “de acordo com o nosso bolso”, deixando a defesa nacional relegada a terceiro plano.

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