O governador paulista José Serra (PSDB) é, neste momento, o candidato presidencial preferido do eleitorado brasileiro entre seis nomes apresentados aos eleitores na pesquisa Estado/Ipsos. Ele alcançou 34% das citações, contra 12% do deputado Ciro Gomes (PSB), 10% do governador mineiro Aécio Neves (PSDB) e 8% da ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT).
A pesquisa não computou a influência no pleito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que não poderá concorrer em 2010, mas será um importante eleitor. “Quando Lula apoiar alguém, esse candidato vai crescer”, assegurou Alberto Carlos Almeida, diretor da Ipsos Public Affairs. A pesquisa teve, ainda, os nomes do prefeito carioca César Maia (DEM), que teve 3%, e do ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), que ficou com 1%. Almeida considerou que a ampla preferência por Serra manifestada pelo eleitorado da Região Sul repete um sentimento crítico a Lula e ao PT que já tinha se revelado em 2006. Segundo o diretor da Ipsos, Serra teve porcentual mais baixo no Sudeste porque dividiu preferências com Aécio.
Para Almeida, o índice alcançado por Ciro demonstra que o deputado cearense mantém o recall obtido nas eleições de 1998 (quando obteve 11% dos votos) e 2002 (quando chegou aos 12%). Ele afirmou que um candidato petista poderá almejar, em 2010, mais que os 8% de Marta Suplicy, já que as pesquisas revelam que o PT tem uma faixa de simpatia que varia entre 20% e 25% do eleitorado.
Serra liderou em todas as regiões brasileiras. A maior vantagem foi no Sul – que tem 15% do eleitorado brasileiro -, onde despontou com 45%, contra 9% de Ciro e 6% de Marta. No Nordeste (27% do eleitorado), reduto de Lula, Serra alcançou 37%, contra 18% de Ciro (que tem forte prestígio na região), 5% de Maia e 1% de Aécio.
No Sudeste, que abriga 44% do eleitorado e onde se situa o estado que governa, Serra tem um desempenho relativamente modesto, com 31%, contra 17% de Aécio e 11% de Marta. Almeida, no entanto, destaca que a soma dos dois tucanos é muito expressiva, quase chegando à maioria absoluta. No Norte/Centro-Oeste, com 14% do eleitorado, Serra teve seu pior desempenho, 26%, contra 14% de Ciro e 9% de Aécio. Nas duas regiões, o desempenho do tucano ficou abaixo da expectativa, diz Almeida.
Transferência de voto
A pesquisa, segundo Almeida, ainda não registra indícios da transferência de prestígio de Lula para algum de seus possíveis candidatos. A primeira evidência disso é que até aqui o PT está longe de ter um nome hegemônico. A segunda é que até aqui Lula não fez nenhum movimento público para credenciar um possível sucessor.
A terceira é que o perfil da votação obtida por ele, na eleição de 2006, não é reproduzido na pesquisa por seus potenciais aliados. Na faixa que reúne os analfabetos e o grupamento que cursou até a 4ª série do ensino básico, na qual Lula imperou em 2006, Serra teve 30%, contra 12% de Ciro e 8% de Marta.
A pesquisa Estado/Ipsos fez 1.000 entrevistas entre os dias 22 e 31 de agosto, em 70 cidades, com margem de erro de 3 pontos porcentuais.
Fonte: Agência Estado
Rizzolo: Serra precisa se distanciar da ala reacionária e direitista do Tucanato, bom mesmo era ele pegar a “sacola e ir embora do PSDB”, originalmente Serra tem um passado histórico de luta, mas acabou se desvirtuado muito em face ao apoio maciço da elite conservadora ao partido, o governador tenta se posar de social-democrata, ou mais à esquerda, mas não engana, na realidade seu secretariado é todo da direita, suas decisões e posturas políticas são extremamente conservadoras. Agora, bom mesmo é ele ficar longe do Alckmin e do Aécio que é sujeito que tem pinta de moço, moderno, namorador, gestor publico ortodoxo, articulador político, hábil negociador, líder tucano de alta plumagem e por aí vai. Do outro, o político autoritário, perseguidor implacável dos movimentos sociais e da imprensa livre, privatista, homem do markentig político, neoconservador e envolvido em questões não muito confessáveis. Alckmistas sonham nessa união, Alckmin e Aécio, para derrotar Serra.
Bom seria o Serra fazer um “flashback” dos ideais que outrora povoaram suas idéias, e o compromisso expresso no olhar vibrante que tinha ainda quando jovem. Ainda há tempo, quem sabe, às vezes é melhor ficar só do que mal acompanhado, ou mudar de partido. Provavelmente ele deve pensar nisso quando sente saudade da sua militância política de esquerda toda noite antes de dormir.
