A Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), ficou em 11º lugar no País entre as instituições que mais aprovam no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – 79,9% dos seus formandos passaram na prova deste ano. No topo estão três universidades federais – a de Brasília (UnB), com 97,2% de aprovação, a da Bahia (95,2%) e a de Santa Catarina (92,1%).
Essa foi a primeira vez que São Paulo participou da prova unificada nacional, criada em 2007. Por isso, foi possível comparar o desempenho das instituições. Até então, o exame era feito regionalmente.
No ranking de Estados, São Paulo está na penúltima posição, com 15% de aprovação, só atrás de Mato Grosso. Os mais altos índices de formandos que passaram no exame são de cinco Estados do Nordeste e Norte. Mas a maior parte dos bacharéis, cerca de 18 mil dos 58 mil que participaram da prova, é de instituições paulistas – São Paulo tem 250 instituições de ensino de Direito e 40 mil bacharéis formados todos os anos.
A aprovação no exame da Ordem, como a prova é conhecida, é requisito obrigatório para que o bacharel exerça a profissão de advogado. Para o presidente da OAB nacional, Raimundo Cezar Britto, o ranking mostra que há um ensino jurídico de qualidade descentralizado no País. “O ensino de qualidade pode estar também no interior e fora dos grandes centros, mas fica sem visibilidade.”
Atualmente não é possível comparar os cursos de graduação da USP com outras universidades do País porque a instituição decidiu não participar de avaliações nacionais, como o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), feito pelo Ministério da Educação. Por isso, a posição no ranking da OAB se torna importante.
A São Francisco tem o curso de Direito mais antigo do País, com 182 anos. Segundo seu diretor, João Grandino Rodas, o ranking não reflete necessariamente o resultado da faculdade porque o exame foi feito em maio e junho. “A maioria dos nossos alunos se forma no fim do ano e não faz esta prova.” A OAB realiza dois exames por ano e o bacharel pode repetir a prova se não passar. Participaram da prova do primeiro semestre 94 formandos da São Francisco. Segundo Rodas, 460 alunos terminam o curso por ano.
A Universidade de Brasília e a Federal de Santa Catarina também têm formaturas apenas no fim do ano. O curso da Bahia é semestral. As três justificam suas boas colocações pela qualidade dos alunos e dos professores (mais informações nesta página). Na avaliação das instituições de ensino superior feita pelo MEC e divulgada na última segunda-feira todas tiveram índice 4, um ponto abaixo do máximo.
PRIORIDADES
Ex-alunos da USP acreditam que o resultado não demonstra queda de qualidade no curso. Para o advogado tributarista Ary Oswaldo Mattos Filho, o fato de a prova ter sido unificada prejudicou formandos de São Paulo. “A ênfase do ensino do Direito aqui e no Nordeste, por exemplo, é diferente.” Mattos Filho, que atualmente é diretor da Faculdade de Direito da FGV, diz que houve muitas questões de direito do trabalho e menos de empresarial, por exemplo, área mais desenvolvida pelos cursos paulistas por estarem em um grande centro. “Medir todo mundo pelo mesmo metro dá esse resultado.” Para ele, a unificação da prova vai levar alunos para cursinhos.
O professor Celso Lafer diz que o curso é abrangente e que formandos da USP são aprovados em peso em concursos e procurados por grandes escritórios. “Advogar em São Paulo é diferente de advogar na Bahia.” Para Dalmo Dallari, essa primeira experiência pode levar a uma unificação de critérios de ensino do direito no País.
A segunda melhor instituição de São Paulo foi a Universidade Estadual Paulista (Unesp), que teve 66,6% de aprovados e ficou em 28º lugar no País. O Mackenzie teve 63% (37ª posição). A Pontifícia Universidade Católica está no 41º lugar, com 59,7%.
“São Paulo tem ótimas faculdades de Direito. Aprovar mais de 60% ou 70% dos candidatos é um bom resultado”, diz o presidente da Comissão de Estágio e Exame de Ordem da OAB-SP, Braz Martins Neto. Para ele, o exame unificado evidencia as boas instituições e também o excesso de cursos sem qualidade.
Na avaliação do coordenador da Faculdade de Direito da Unesp, Marcos Simão Figueiras, a tendência é que nos próximos exames os paulistas se saiam melhor. “Qualquer mudança no exame provoca um desconforto e precisa de tempo de adaptação”, diz ele, que considerou a prova nacional bem planejada. “É questão de tempo até os alunos estarem mais acostumados, não é problema da prova.”
agebcua estado
Rizzolo: Ficou constatado o que muitos já sabiam. A Faculdade de Direito da USP é apenas um mito. Há muito, infelizmente, as Arcadas deixou de ser referência no ensino do Direito, existe sim um ” glamour” uma ” nostalgia” mas na verdade, como ficou cabalmente provado, a Faculdade de Direito da USP fica atrás até das Faculdades do nordeste. O pior são aqueles que tentam justificar o injustificável, com alegações de que a prova ” prejudicou os formandos ” ou “advogar em São Paulo, é diferente do que advogar na Bahia”. Ora, com todo o respeito ao professor Celso Lafer, advogar é advogar em qualquer lugar, pouco importa se é em São Paulo ou na Bahia, Sergipe ou Pernambuco. Ou será que também São Paulo é “Estado especial” até para advogar? Entendo que quanto mais desculpas pior, nada justifica o mau desempenho.
Enfim, a palavra de ordem agora é estudar, e deixar de lado o ” glamour a nostalgia e o mito” das antigas faculdades, do lado poético, e sim e se afundar nos estudos para pelo menos, as nossas faculdades públicas paulistas chegarem ao nível das do nordeste, que estão realmente de parabéns! Vamos reacender o nível das universidades estaduais paulistas, como a velha e famosa São Francisco, que outrora foi imbatível no seu compromisso na excelência do ensino jurídico, vamos lutar para colocá-la novamente onde ela merece estar, e não apenas justificar sua situação atual.


03/11/2009 às 12:18 PM
Não concordo com a sua afirmação. Sou aluno da faculdade de Direito do Largo São Francisco, e considero ela, de longe, a melhor faculdade de Direito do Brasil, basicamente, por três motivos: (a) o concurso para a entrada de professores é, sem dúvida, o mais concorrido e qualificado em relação a qualquer outra universidade, sendo um sonho de qualquer candidato à docência jurídica ingressar na USP (nata da elite jurídica); (b) o vestibular – FUVEST – é o mais disputado, concentrando candidatos de todos os cantos do território nacional e, de todos, seleciona os melhores, os mais preparados; (c) por fim, ela está em São Paulo, a maior cidade do hemisfério sul e a capital jurídica brasileira, onde estão os melhores escritórios, as melhores oportunidades para estágio, os mais renomados juristas e a melhor biblioteca de Direito entre todas as universidades.
O exame da OAB, por sua vez, é uma prova objetiva, que examina conceitos muitas vezes elementares dos diversos ramos do direito. Dessa forma, um curso que se especialize quase exclusivamente no exame pode auferir marcas significativas de aprovação, mas o sucesso destes profissionais no ramo jurídico, por outro lado, não está garantido, devido à grande exigência de conhecimentos abstratos e estudo aprofundado de assuntos específicos.
Com essa especialização que se faz mister no ramo jurídico, os alunos tendem a focar em um ou outro assunto de seu interesse (infinitamente aprofundável) e negligenciar outros que o desinteressam. Visto que a faculdade de Direito da USP não tem como escopo preparar os alunos especialmente para este exame, quando eles o prestam, muitos acabam sendo reprovados por esse motivo, fazendo-os recorrer, então, aos cursinhos preparatórios, somente a fim de decorar matérias que negligenciaram na faculdade e que, muitas vezes, jamais utilizarão, por se especializarem em outros ramos.
Para concluir, a USP apenas subiu no ranking das melhores universidades do mundo nos últimos anos. Uma boa faculdade não se resume apenas a um exame específico (posso citar várias que possuem nota máxima no ENADE e que são péssimas), mas sim as expectativas que ela proporciona aos seus alunos, a produção científica para o benefício da sociedade e o nível de recursos (humanos e materiais – alunos, professores, bibliotecas etc.).
19/11/2009 às 5:52 PM
Nao sou estudante da USP, mas com certeza a Faculdade de Direito da USP, é referencia mundial. É certo que só a faculdade nao faz o aluno, é necessário dedicaçao, pequisa e principalmente gostar do que faz. Quanto a SP ser o maior centro juridico, comercial, tecnologico, etc, que me perdoe Rizzolo, mas esse é um fato incontestavel. Porem, o sol esta para todos, e que cada faça a sua parte.
23/11/2009 às 1:07 AM
Como representante discente da Universidade Federal de Santa Catarina, que ocupa a terceira colocação do ranking, gostaria de defendê-la. Garanto e posso comprovar através do plano pedagógico e das ementas de cada disciplina isoladamente que não ocorreu, em hipótese nenhuma, uma preparação voltada para o exame da OAB.
Garanto também que a Universidade reserva espaço suficiente para pesquisa e aprofundamento necessários a todos os alunos. Tanto é que “sobram” vagas para pesquisas nos mais de 30 núcleos de pesquisas para um universo de 90 alunos ingressantes todos os anos. Este, diga-se de passagem, é um aspecto fundamental para se manter a excelente qualidade de ensino da UFSC, dado que cada turma possui no máximo 45 alunos, e não turmas com 100 ou 200 alunos como existem em outras instituições.
Quanto ao grau de especialização, o aluno passa as quatro últimas fases só se especializando na área que deseja, através de grande gama de disciplinas optativas, que servem para que a instituição melhor atenda às condições do profissional ingressante no mercado de trabalho.
Quanto à capacidade que os alunos têm em questões objetivas, esta é somada às questões dissertativas, que são outra etapa no exame da ordem.
Sendo assim, não é à toa que os alunos da federal de Santa Catarina possuem aproveitamento disparado,em relação a outras instituições do estado, quanto à aprovação em concursos da Magistratura e do Ministério Público.
Por fim, gostaria de ressaltar que as Universidades Federais do tanto do Sul como de outras regiões possuem um diferencial quanto à contratação de professores através de concursos públicos concorridos, o que leva a terem, a princípio, os melhores profissionais do país. Uma vez reconhecida a excelente composição docente, nada mais é que uma obrigação dos alunos prestigiarem suas instituições com uma aprovação no exame da ordem.
Grato.
30/11/2009 às 1:53 PM
Apenas o exame da OAB aplicado pela CESP (que diga-se de passagem, alvo de muitas polêmicas sobre os métodos de avaliação usadas nos exames de OAB, vide exame prático de processo penal e trabalho 139) que primordialmente testa a capacidade de decorar e não de argumentação do bacharel em direito, não é fato suficiencte para medir a excelência de qualquer instituição.
O que realmente mede a qualidade de uma instituição são os profissionais no mercado de trabalho que ela forma e nesse aspecto de longe a USP possue os melhores profissionais, basta olhar onde se formaram muitos políticos, empresarios, magistrados e etc desse pais.
10/12/2009 às 3:01 AM
Quantos estudantes participaram do exame? Impressionante como números podem ser manipulados. Como pode-se, realmente, fazer essa comparação se não se sabe o número correto de estudantes? Esses, com certeza, são dados cruciais, sem os quais pode-se dizer que essas afirmações são contestáveis.
Não há dúvidas que a faculdade de direito USP é a melhor desse país e mundialmente conhecida como a melhor da América Latina, e isso não se deve apenas à “nostalgia”. Aliás, alguém pode explicar porque pessoas do sul e do nordeste continuam buscando vaga na arcada se as melhores, como diz, não estão aqui?