Judaismo, Razão e Além

DR. TALI LOEWENTHAL, DIRETOR DO CHABAD RESEARCH UNIT, LONDRES

Existe uma forma confortável e racional de olhar para a vida, que se adequa bem confortavelmente na estrutura normal da consciência. Ela é aceitável. É por isso que “Razão” e racionalidade são frequentemente o tom fundamental da voz da mídia, reivindicando falar por todos, qualquer que seja a mensagem realmente transmitida. Talvez surpreendentemente, a Razão pode também incluir o que nós poderíamos chamar de perspectivas “religiosas” e comportamento corajoso e aparentemente heróico. A pessoa que faz da razão o seu tema pode se dedicar a um ideal e poderia realizar atos extraordinários para aprofundá-lo.

De fato, a Razão também pode usar habilidosamente falsas premissas e levar a conclusões falsas e perigosas. Nas circunstâncias e ambiente certos, a Razão pode levar a abortos e eutanásia em massa, até mesmo ao terrorismo. Os heróis da Revolução Francesa diziam prezar a Razão, mas também organizaram “O Terror” em Paris em 1793-1794 no qual homens, mulheres e crianças da nobreza, assim como milhares de outros, foram assassinados na guilhotina, o que era testemunhado por uma considerável multidão.

Em contraste, existe um conceito judaico de alcançarmos além da razão. Isto não significa “fundamentalismo religioso”. Significa a percepção de que as estruturas lógicas da Razão precisam de orientação que vem de valores absolutos que transcendem cultura, nacionalismo e revolução, tal como a santidade da vida: da vida de todos.

O tema judaico de se alcançar além da razão, significa uma ligação com D’us que está acima do nosso próprio intelecto, e uma consciência de que nossas vidas são baseadas em premissas Divinas: o milagroso em vez do natural.

É intrigante que, dentre as várias interpretações de nossa Parashá (a leitura da Torá de Lech-Lecha, Bereshit 12-17), exista uma apresentação da diferença entre o caminho da Razão e o caminho além dela, explorando o contraste entre os dois filhos de Avraham: Yishmael e Yitzchak.

Sarah, a esposa de Avraham, não era capaz de ter filhos. Como era o costume naquela época, ela deu a ele sua jovem serva egípcia Hagar como concubina, e Yishmael nasceu. Mais tarde na Parashá, D’us disse a Avraham que sua esposa Sarah milagrosamente teria um filho. Ele seria chamado de Yitzchak e seria o verdadeiro herdeiro da mensagem de Avraham ao mundo.

A resposta de Avraham foi: “se pelo menos Yishmael vivesse perante Ti!” [Bereshit 17:18]. Avraham parecia contente em ter somente um filho, Yishmael, desde que aquele filho seguisse um caminho “perante Ti”, um caminho de proximidade com D’us. Mas D’us insistiu que somente Yitzchak fosse seu herdeiro.

O que distingue Yitzchak e Yishmael um do outro? Yishmael nasceu de forma natural, enquanto Yitzchak nasceu de forma milagrosa de uma mãe de 90 anos de idade que já tinha sido estéril. Yishmael foi circuncidado aos 13 anos de idade, uma idade de reconhecimento e compreensão; Yitzchak foi circuncidado aos 8 dias de vida, um estágio anterior ao intelecto e à racionalidade.

Assim, Yishmael é explicado pelos comentaristas como significando a Razão, enquanto Yitzchak expressa a dimensão judaica além da Razão [2]. A ligação de Yishmael com a Razão poderia explicar porque hoje em dia alguns descendentes de Yishmael, na batalha dos vastos territórios árabes contra a minúscula Israel, aparentemente têm a simpatia de um número relativamente grande de pessoas.

A mensagem de Avraham, através de Yitzchak, Yaakov e o Povo Judeu, é a de que todos os seres humano têm um papel potencialmente positivo na criação. Para perceber isto, eles também precisam dar o passo para além do racional, aceitar os padrões e princípios morais absolutos tais como aquele da santidade da vida. Este passo além é o caminho para o futuro.

(Baseado em Likkutei Sichot do Lubavitcher Rebbe vol. 1, pp. 18-22.)

fonte
site Glorinha Cohen

Tenha um sábado de paz.

Fernando Rizzolo

Como Controlar a raiva

*Por Mendy Herson

Você já ficou furioso?

A ira é uma palavra ampla usada para descrever uma reação humana básica – às vezes saudável. Porém estou me referindo ao tipo doentio. Todos conhecemos isto. A fúria irracional, agressiva – “perder as estribeiras”.

E então, você fica furioso? Às vezes você é consumido pela fúria?

Volte por um momento àquele estado mental. Como você se sente? Está no controle de sua vida? Ou você perdeu o controle? Em vez de dirigir sua reação emocional, a fúria na verdade controla você? E, se você perdeu o controle, para quem o perdeu? Quem está no banco do motorista em sua vida?

Não é você.

“Você” é o seu “melhor você”, e isso não é você.

Como explicam algumas obras clássicas da espiritualidade judaica: Quando você sucumbe à ira, desencadeia seu inferno interior, É o que você tem de pior. É tóxico.

Por mais estranho que pareça, também pode ser sedutor. Esta força, que destrói a qualidade de sua vida, pode se tornar uma droga emocional; finge ser sua amiga, apresentando-se como “mostre quem você é”.

Pense novamente. Nas palavras de Iyov (5:2): A fúria mata o tolo.

Precisamos ter auto-consciência. Precisamos sentir quando este inimigo entrou na nossa psique. Quando sentimos ira, precisamos ver uma bandeira vermelha na nossa mente e então começar imediatamente a pensar numa maneira de nos controlar, como impedir a espiral descendente de ressentimento e fúria.

Mas para criar um sistema interno de reação adequada, precisamos cultivar uma sensibilidade ao perigo. Precisamos de um reconhecimento genuíno de que a fúria é um veneno ao sistema humano, e um impedimento para se levar uma vida significativa. Se você enxerga a fúria dessa maneira, tem mais probabilidade de controlar a sua psique – reestruturando sua perspectiva de canalizar as emoções de maneira mais produtiva.

Durante milênios, a tradição judaica nos ensinou que a fúria também reflete uma falta de fé. A equação é bem simples: ficamos furiosos quando nos sentimos vulneráveis a uma ameaça ou problema. Quando eu acredito em D’us, não posso me sentir vulnerável. Quando sinto minha fé em D’us, minha percepção sobre o mundo focaliza minha jornada Divinamente concedida, meu destino – não a minha percepção de vulnerabilidade.

A fúria compete com meu senso de destino. Não posso deixar que ela vença.

Entre um estímulo potencialmente causador de fúria e a minha reação há uma lacuna: é aí que entra a minha escolha. Preciso reconhecer que alguns problemas podem ser resolvidos, alguns podem ser melhorados, mas de qualquer maneira preciso escolher uma reação que seja apropriada para a minha jornada da vida – e os desafios são uma parte daquela jornada.

Portanto, preste atenção ao seu quociente de fúria.

Reduza-o, e aumente a sua qualidade de vida.
fonte: Beit Chabad

Tenha um sábado de paz !

Fernando Rizzolo

Esperando pelo Perdão

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Cena de Yom Kippur numa Sinagoga na época medieval

Neste domingo, ao final da tarde, se dará o início ao Yom Kipur. Portanto, retornarei nesta segunda-feira após 21 horas, pois ainda pretendo passar, após a quebra do jejum, na casa de um rabino amigo meu para tomar um “lechayim”, (geralmente vodka).

Como meu jejum é completo, sem água inclusive -iniciando-se domingo às 18:00 – espero novamente estar ao lado de vocês, bem disposto, após o horário referido (21:00 de segunda). A todos os meus leitores, que são meus amigos invisíveis, saibam da minha mais profunda admiração, carinho e respeito que tenho por todos, por este Brasil imenso.

Obrigado por me acompanharem nas minhas reflexões, nos meus pensamentos, no ano que passou. Continuem divulgando o Blog do Rizzolo, prestigiando este humilde espaço, minha mídia é apenas você, meu leitor e amigo, mais ninguém !

Tenho tentado nos meus escritos externar o que eu penso, sob uma visão ética, na defesa dos mais pobres, dos esquecidos, dos desvalidos, defendendo meu ponto de vista sem uma conotação ideológica marxista, ateista ultrapassada, mas numa visão humana, religiosa, firme e de bom senso. Até mais queridos amigos !

Fernando Rizzolo

Um pouco da história

O nome Yom Kipur – Dia do Perdão – nos informa de um aspecto apenas de sua significação. “Porque neste dia se fará expiação por vós para purificar-vos de todos os vossos pecados; Perante Ad-nai ficareis purificados (Lev.XVI,30).

Isso é Yom Kipur, perdão e purificação, esquecimento dos erros e extirpação das impurezas da alma. Nobres conceitos que se tomam em sua acepção mais ampla. Não se trata unicamente do perdão Divino, que se invoca mediante a confissão das faltas e as práticas de abstinência, mas, também, do perdão humano, que exige o desprendimento da vaidade e contribui para a elevação moral. Quando chega Yom Kipur, cada judeu deve estender ao seu inimigo uma mão de reconciliação, deve esquecer as ofensas recebidas e desculpar-se pelas feitas aos outros, pois, limpo de todas as suas escórias físicas e morais, deve comparecer perante o Tribunal de D`us.

Durante um dia inteiro ele permanece diante desse Tribunal numa ampla confissão de suas culpas, em humildade e arrependimento, não com o fim de rebaixar sua dignidade humana, mas para elevar-se acima de suas misérias morais e apagar toda sombra de pecado em seu interior. E assim, depurado, vislumbrar com mais claridade os caminhos do bem.

Yom Kipur é data de jejum absoluto que se interpreta não somente como uma evasão do terreno, mas como uma prova de nossa força de vontade sobre os apetites materiais que tantas vezes conduzem ao pecado. Por último, o jejum nos faz sentir na própria carne os padecimentos de tantos seres humanos que, por falta de meios, sofrem fome, sede, fraqueza, vítimas da mais profunda miséria.

por Isaac Dahan

Veja Também: Silvio Santos fala sobre o Yom Kippur

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A Política e os Conceitos Religiosos

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Talvez Thomas Jefferson, o terceiro presidente americano, e principal autor da Declaração da Independência Americana, tenha sido um dos primeiros estadistas a reconhecer o valor e a positiva influência dos valores morais da religião na construção de uma sociedade saudável. Jefferson publicou: The life and morals of Jesus. Uma seleção de todos os ensinamentos e eventos essenciais da vida de Jesus expurgada de todas as menções sobrenaturais ou de qualquer modo ligados ao dogma religioso, (ser o rei, o filho de deus, exorcismos, milagres).

A própria concepção judaica de povo, conduzida por um líder, este imbuído de conceitos morais, já demonstrava que uma liderança só poderia ser exercida através de normas de conduta, regras de bons costumes, e um profundo sentimento de unidade. As religiões em geral, invariavelmente, trazem no bojo da sua essência, a noção do que é o correto na sua forma de agir, direcionando dessa forma a sociedade.

Contudo, num Estado laico como o nosso, a fragmentação ideológica – religiosa, dos conceitos morais, se perdem diante dos meios de comunicação como a televisão, o cinema, e outros, que afrontam tais preceitos, diluindo os conceitos morais apregoados pela força religiosa, desfazendo – os, ou tornando os ditames de cunho espiritual, algo ultrapassado, impraticável, ou fora de moda, a ponto destes valores serem apreciados apenas de forma caricata nas novelas, como a no ” Caminho das Índias”, da rede Globo, onde os lampejos morais eram pinçados de forma pitoresca, conceitualmente distanciados do dia-a-dia da maioria das pessoas.

Extrairmos as concepções morais, aplica-los e difundi-los numa sociedade na forma em que Thomas Jefferson o fez, como na chamada “Bíblia de Jefferson”, abstendo-se por completo do caráter religioso em si dos preceitos, é iniciativa cívica que falta no nosso Pais. Sem querer de forma alguma ultrapassar os limites da razoabilidade do que podemos chamar de puritanismo barato, a idéia independente, e de isenção religiosa na difusão dos bons costumes morais nas escolas, é sim de suma importância na construção e no alicerce moral dos nossos jovens de amanhã.

A história nos demonstra, que o ser humano desde a sua antiguidade, exercitou a absorção do que permeia os ensinamentos religiosos; o bem, a boa conduta, a urbanidade, a justiça, e isso constitui-se numa empreita dos educadores, dos governos, da sociedade em geral. Uma tarefa já foi desafiante, que já fora outrora empreitada pelo terceiro presidente dos Estados Unidos, autor da declaração da independência americana, da lei da liberdade religiosa da Virgínia e pai da Universidade da Virgínia por volta de 1800, e que hoje torna-se tão necessária quanto naquela época, que nem sequer televisão havia, e que no lugar da novela das oito, na mesa, no jantar, o que mais se discutia era o evangelho.

Fernando Rizzolo

Mente e Emoção

*por Rabino Laibl Wolf, Austrália

“Um dos fascinantes conceitos a emergirem na psicologia ocidental é a noção do subconsciente. Nosso eu consciente, aprendemos, é um análogo projetado do eu mais profundo sob a superfície.

A natureza deste subconsciente mais profundo é pouco compreendido, mesmo atualmente. Freud notou que nossos desejos íntimos derivam das profundezas interiores e se manifestam como uma ânsia da libido. Outros questionaram Freud e alegaram diferentes desejos subconscientes dominantes, como a busca pelo poder e controle, ou a procura da auto-realização, ou ainda um senso de unidade com o Cosmos, ou uma manifestação do inconsciente coletivo. Apesar disso, imprecisão e especulação são características da maioria dos sistemas ocidentais em busca da chave para o entendimento de nosso eu mais profundo.

Os ensinamentos chassídicos Chabad baseados na Cabalá, embora antigos na sua fonte, são muito mais sofisticados nesse respeito que os ensinamentos ocidentais. Dentre estes está a delineação do subconsciente em dois caminhos da alma conhecidos como Seichel (Mente) e Midot (Emoção). Porém a tradução comum de “mente” e “emoção” não transmite seu significado essencial neste sistema. Na verdade, o significado é que Seichel e Midot são os antecedentes subconscientes da expressão aberta de mente e emoção, e são latentes dentro da neshamá (alma).

A expressão consciente de Seichel/Mente é pensamento, ao passo que a expressão consciente de Midot/emoção é fala. Esta é uma expressão interessante, isto é, que nossa “mente” subconsciente encontra sua expressão na maneira que pensamos, e as “emoções” subconscientes vêm à baila na maneira que falamos.

Além disso, extraímos do subconsciente aqueles pensamentos que expressam nossa personalidade individual. Da mesma forma, a maneira de falarmos é também uma assinatura de nosso caráter interior. Por exemplo, algumas pessoas interpretam o desafio como uma ameaça pessoal e outras se esforçam e crescem através de uma adversidade idêntica. Algumas pessoas dizem bobagens habitualmente, e outras falam de maneira apropriada e distinta.

Desenvolver congruência entre Seichel e pensamento, e entre Midot e fala é uma imensa habilidade. Aqueles que são sérios a respeito de seu desenvolvimento pessoal e no desempenho em relacionamentos, aspirarão treinar e praticar em duas tarefas:

a) Mudar a falha subconsciente de sua “mente” e “emoções”, e,

b) Permitir que seus pensamentos e emoções se tornem suas verdadeiras expressões.

O sábio mestre e líder, Moshê, é um exemplo por excelência de tal congruência, e o quinto livro da Torá, Devarim, é um testemunho de seu domínio da mente e emoções. A congruência de pensamentos e palavras é aparente à medida que Moshê apela emocionalmente em defesa do povo judeu.

Levando à prática:

Domínio: Olhe para si mesmo de dentro para fora. Que tipo de pessoa você é? Você é bondoso, gentil, seguro e procura se tornar útil?
Se tem alguns desses atributos, faça a si mesmo a pergunta seguinte:

Com que amplitude e freqüência eu expresso esta natureza?
Escolha algum aspecto de seu ser interior e trabalhe nele, até que um nível de progresso seja atingido. Escolha então um aspecto de sua expressão tangível, e expresse-o repetidamente por um mínimo de duas semanas.

Meditação: Tente recordar as conversas que teve nos últimos dias. Existe algum padrão de pensamento e seqüência de palavras que parecem se repetir? Se este for o caso, você está satisfeito com este padrão? Caso contrário, ensaie roteiros de mente alternativos. Quando você está satisfeito com a experiência do pensamento, obrigue-se a introduzi-los em suas próximas conversas.

Rabi Wolf, renomado místico, escritor e palestrante, mora na Austrália e faz palestras sobre Cabalá e misticismo judaico em todo o mundo. Suas meditações diárias e ensaios semanais podem ser visualizados em seu website: www.laiblwolf.com

fonte: beit chabad

Tenha um sábado de muita paz !

Fernando Rizzolo

Inferno a caminho do céu

O conceito judaico sobre o inferno é bastante diferente do que comumente se acredita ser um beco sem saída – uma conseqüência eternamente dolorosa de uma vida espiritualmente falida. A palavra hebraica “Gehinom” não tem uma tradução exata, mas aproxima-se bastante da palavra “inferno.” Gehinon, na verdade, é um processo de restauração e recuperação, não uma condição permanente. A alma que chega ao Gehinom pode ser comparada a uma pessoa que inicia uma terapia, purgando-se da negatividade e preparando-se para enfrentar seu verdadeiro eu.

Como explicou o cabalista do século dezessete, Rabi Naphtali Bacharach: “Gehinom é como uma esponja: suga a negatividade que se impregnou durante a jornada da alma na terra, permitindo que a alma retorne a seu estado original.” Portanto, Gehinom é uma estação de aprendizado – um processo por meio do qual uma alma termina por progredir – que possibilita à alma ser uma com sua Fonte.

O que é uma alma? O dicionário a define como “a parte espiritual de um ser humano, sobre a qual se acredita que continue a viver depois da morte do corpo.” No judaísmo, a alma é considerada como “um pedaço do Infinito,” que, por meio da vida, coleciona experiências, emoções e pensamentos que permanecem em sua memória.

A vida é vivida plenamente quando o corpo e alma estão em harmonia. O judaísmo vê as necessidades básicas como manifestações da alma. Os desejos por um significado, intimidade e conforto não são ignorados ou reprimidos, mas expressos em um contexto veemente e equilibrado. É por este motivo que a Torá, o plano de D’us para a vida, focaliza as ações físicas. Não é um código penal; ao contrário, é uma fórmula para a alma domar as forças do corpo para que cumpram sua missão na terra.

Os seres humanos nascem puros. “Muito boa” – é assim que a Torá descreve a criação da humanidade (Bereshit 1:31). A alma foi, é e sempre será uma propriedade Divina. Embora às vezes possamos obscurecer esta pureza, terminaremos por voltar àquele estado. Com a morte, os elementos físicos do corpo retornam a sua fonte, ao passo que a alma retorna a Sua Fonte. “O pó retornará à terra como era, e o espírito retornará a D’us Que o concedeu” (Cohêlet 12:7). O misticismo judaico explica onde, quando e como ocorre esta reunião.

A harmonia entre corpo e alma durante a vida determina as experiências da alma depois da vida. Se uma alma é equilibrada e realizada, entra num estado de Gan Eden (paraíso), onde a alma é reunida com sua Fonte, destituída de ego, dor e ressentimento. Para as pessoas que estão conectadas a sua alma, a morte não é de forma alguma dolorosa. O Zohar ensina que quando uma alma deixa seu corpo, surge a Shechiná (Presença Divina feminina), e a alma sai em júbilo e amor para saudá-La. Talvez isso explique por que quase todas as pessoas que alegam terem passado por uma experiência de quase-morte vêem uma luz brilhante e descrevem grande felicidade. Se, durante sua estada na terra, a alma tornou-se arraigada e imersa em materialismo, a Shechiná se afasta, e a alma inicia este processo sozinha. Parte deste processo é a percepção de que o corpo tem enganado a alma durante todo o tempo.

“Uma pessoa é medida” – afirma o Talmud – “pela sua própria avaliação.” O corpo e a alma estão em um relacionamento e uma pessoa escolhe qual deles guiará as decisões da vida. Por fim, todas as almas passarão por esta reunião, tanto com seus entes queridos, como com a Fonte de onde se originou cada alma. A única diferença é como cada alma chegará. Uma alma pode retornar à terra para uma segunda vida, dependendo se seus talentos e atributos especiais serão necessários por uma nova geração, mas este é um assunto para uma outra ocasião.

Dov Ber Pinson é um escritor famoso e conferencista sobre Cabalá. Seus livros incluem Reencarnação e Judaísmo; A Jornada da Alma; Meditação e Judaísmo: Explorando os Caminhos Meditativos Judaicos e Ritmos Interiores e; A Cabalá da Música.

fonte: beit Chabad

Tenha um sábado de paz !

Fernando Rizzolo

Política, Espiritualidade e Governabilidade

Talvez o mais famoso líder na história da humanidade do ponto de vista de liderança e espiritualidade tenha sido Moisés. Preenchia ele, segundo relatos bíblicos, a capacidade de reunir os aspectos essências de um líder. Sua compaixão e preocupação pelos seres vivos, segundo o Antigo Testamento, despertaram a observação de Deus que viu nos seus gestos, o homem ideal para liderar um povo com sabedoria, firmeza e os devidos valores espirituais.

Mas porque um líder teria que, acima de tudo, estar imbuído não só dos valores que o levam ao poder, mas também de uma sensibilidade espiritual que o guiasse no decorrer de seu mandato? A resposta pode estar tanto na história da humanidade quanto nos Livros Sagrados. A cada dia observamos que a falta de uma bússola espiritual aos líderes em geral, os faz distanciarem-se do povo, de seus objetivos provedores, de seus valores éticos, tornando o exercício do poder algo mecanicista, articulatório, onde os interesses pessoais e materialistas se assombram sob o som de uma orquestra que visa à manutenção das vantagens dos que compartilham o poder, transformando a governança, insensível aos valores morais, da boa conduta humana e do bom exemplo.

Alguns alegam que existe hoje em dia uma tendência fundamentalista-religiosa em muitos países e, com certeza, todo exagero quer seja ele de qual for a origem, não é saudável. Contudo, a história demonstra que frágil é a sociedade sem os devidos preceitos que elevam o ser humano e que sem um esteio espiritual – seja ele fruto de qualquer religião -, tende a levar a humanidade à fraqueza moral, à desestruturação da sociedade, e por consequência, à queda de seus líderes.

No Brasil, sob a égide da esquerda marxista, pouco se valorizou os ideais espirituais nos últimos anos. Muito se falou em desenvolvimento material, em planos de aceleração do crescimento, mas quase nada evoluímos nos conceitos que também somam à dignidade humana, como a ética, os predicados de uma vida saudável, os exemplos de probidade e honestidade pública e o combate à corrupção.

Vejo como uma luz de esperança candidatos como Marina Silva, que através de uma luta pessoal, vencendo os obstáculos da miséria no decorrer de sua vida, sempre demonstrou uma espiritualidade acentuada. Marina, ao invés de ter travado uma luta ideológica de classes, o preferiu fazer na defesa das florestas, dos animais e do planeta, optando, portanto, por um caminho politicamente mais tortuoso, mas que aos olhos de Deus, na defesa dos seres vivos, talvez escolha torná-la uma líder, como aquele que um dia libertou um povo da escravidão e que, certamente, poderá também nos libertar desse “Egito político” que hoje vivemos no Brasil, em nome da chamada “governabilidade”.

Fernando Rizzolo

Judeus da Uganda

fonte:bneichalutzim

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Bodas de Diamantes

*Por Professor Jonathan Sacks – Rabino-Chefe da Inglaterra

Certo dia fui chamado a oficiar em dois funerais. As famílias envolvidas eram amigas nossas, mas moravam em partes diferentes de Londres e não se conheciam. Nos dois casos, a mulher tinha morrido após um casamento longo e feliz. Um casal tinha acabado de celebrar, e o outro estava para comemorar, as bodas de diamantes.

O mais impressionante foi que os dois maridos me disseram a mesma coisa, com palavras praticamente idênticas: “Eu a amava tanto quanto no dia em que nos apaixonamos.” Ouvir aquilo uma vez, após sessenta anos de casamento teria sido raro. Ouvir duas vezes no mesmo dia parecia mais que mera coincidência.

Os dois casais eram religiosos. Rezar e ir à sinagoga, celebrar Shabat e as Festas, doar tempo e dinheiro ao próximo, tudo isso fazia parte da vida deles. Sabiam que no Judaísmo o lar é tão sagrado quanto um templo. Fazer essas coisas, perguntei a mim mesmo, tem algo a ver com a força e persistência de seu amor?

Tendemos a pensar que as emoções, especialmente uma tão caprichosa quanto o amor, são simplesmente aquilo que sentimos. Não escolhemos nossos gostos e aversões, nossos temores e alegrias. Eles nos apanham de surpresa. Podem nos deixar indefesos em seu poder. As palavras “paixão” e “passivo” estão relacionadas. Concluímos, portanto, que não podemos evitar de sentir aquilo que sentimos.

Estudos recentes em psicoterapia sugerem o contrário. A terapia cognitiva é baseada na premissa de que aquilo que sentimos é influenciado por aquilo que pensamos, e podemos mudar nossa maneira de pensar. A psicologia positiva tem tido sucesso em transformar pessimistas em otimistas, reestruturando as percepções das pessoas. Martin Seligman, o pioneiro nesse campo, chama o pessimismo de “impotência aprendida”, e aquilo que pode ser aprendido pode ser desaprendido.

O mesmo ocorre com o amor. Alguém que acredita que o casamento é “apenas um pedaço de papel”, que o sexo vem sem compromissos, e que o prazer é a medida de todas as coisas, terá uma gama de emoções. Aqueles que acreditam que o casamento é um pacto sagrado, que o amor é inseparável da lealdade, e que fazemos sacrifícios por aquilo que amamos, terão um ao outro. Porque eles têm pensamentos diferentes, sentirão coisas diferentes.

Aquilo que pensamos é moldado pela nossa cultura, e culturas inteiras podem ser sensíveis a algumas coisas, mas surdas e cegas a outras. Nos deliciosos romances de Jane Austen, por exemplo, por quem você se apaixona depende, numa maneira que hoje achamos estranha, da renda anual daquela pessoa. No mundo da romancista, casamento e classe social eram quase inseparáveis. O amor não é apenas uma emoção. Tem uma história social e cultural.

Hillary Clinton aprecia o provérbio africano: “É preciso uma aldeia para criar um filho.” Às vezes é preciso uma cultura para sustentar um casamento. Os judeus são tradicionalmente famosos por terem casamentos sólidos porque grande parte do Judaísmo é focado no lar, e porque a semana e o ano judaicos separam espaço sagrado para tempo em família. Quando muitos judeus perdem estes rituais, as taxas de divórcio sobem até se tornarem semelhantes ao resto da população.

Em qualquer cultura, alguns casamentos dão certo, outros não. Alguns duram, outros se desfazem. As coisas são assim. O fracasso de um relacionamento não deveria nos induzir a sentir culpa. Tentamos, falhamos e seguimos em frente, esperando um mínimo de acrimônia e um máximo de respeito mútuo. Porém isso não significa que não há nada que possamos fazer para dar uma melhor chance ao amor.

Ver o amor como a força que move o universo, amar a D’us e saber que D’us nos ama, celebrar o amor em ritual e canção e saber que ele significa constância e lealdade, entender que o amor dá e perdoa, e ver no nascimento de um filho o amor que traz nova vida ao mundo: estes dão uma maior chance ao amor. E num mundo de prazeres fáceis, períodos de pouca atenção e relacionamentos frágeis, o amor precisa ter mais chance.

É isso que a fé faz. Santificando o amor, ela o protege das milhares de tentações às quais se vê exposto todos os dias. Naquele dia, quando ouvi dois velhos amigos em meio à dor falarem sobre um amor que não diminuiu com o tempo, pensei nas famosas palavras de Dylan Thomas: “Embora os amantes possam se perder, o amor não pode; e a morte não dominará”, e eu soube que amar a D’us nos ajuda a amarmos uns aos outros.

fonte: Beit Chabad

Tenha um sábado de muita paz !

Fernando Rizzolo

Evangélicos, as igrejas e a mídia

Chovia muito e a estrada de terra escorregadia fazia o carro deslizar como que se estivesse sobre uma fina manta de gelo. De longe avistei Reinaldo, um rapaz pobre, agricultor, alcoólatra, que com a camisa ensopada pela água da chuva, tentava esquivar-se dos pingos segurando com firmeza sua Bíblia. Ao me aproximar parei e lhe ofereci uma carona. Meio sem jeito, agradeceu com um olhar desarmado e me disse que voltava do culto evangélico. Tinha, enfim, tornado-se “crente” e afirmou isso com certo orgulho, patente no seu gesto determinado e temente a Deus.

Ao chegar em sua casa agradeceu-me e convidou-me para um dia conhecer sua igreja, mesmo sabendo que não sou cristão. Aquele simples trajeto em meio a uma chuva fina, me fez refletir sobre as transformações espirituais que toda religião induz nas pessoas, pois de forma nobre afloram da alma as melhores intenções do ser humano. Reinaldo é um dos 26 milhões de evangélicos do Brasil, segundo censo de 2000, número que que com certeza, nos dias de hoje, deve ter-se elevado consideravelmente.

Não poderíamos deixar de reconhecer que as igrejas evangélicas, independentemente de seus segmentos, contribuem de forma decisiva para a formação da ética, da moral, dos bons costumes, preenchendo uma lacuna e um espaço fértil onde a desesperança, a miséria e a desventura prosperam face à fragilidade sócio-econômica e à falta de oportunidade que ainda persistem no nosso meio, conduzindo os jovens à criminalidade, ao vício e à desintegração familiar.

As várias denúncias elencadas nos últimos anos em relação aos líderes de igrejas evangélicas nos assustam e certamente, cabe ao Judiciário, como já o fez inúmeras vezes, apurar os fatos baseando-se no princípio de isenção religiosa, como é sua marca no Brasil. Contudo, nos parece pertinente uma reflexão sobre o papel da imprensa em relação a essa questão que envolve, de certa forma, essa grande parcela da sociedade brasileira, pois desta feita, quem está sendo julgado são seus líderes religiosos.

Com efeito – e me abstendo da questão criminal em si ajuizada – cabe ao provimento jurisdicional julgar. Maso que se observa é que existe nos meios de comunicação uma insinuação velada de que ser evangélico no Brasil é sinônimo de estar sendo enganado, ao mesmo tempo que, pouco se demonstra ou valoriza, os atos dos fiéis, a mudança em suas vidas, a fé despertada, a vida reconstruída. Tudo mais é enaltecido: os maus atos dos líderes e a improbidade religiosa, o que por consequência, desqualifica o espírito evangélico renovador, coisa que não deveria acontecer. Nos EUA os evangélicos são responsáveis pelas maiores doações a Israel e no Brasil, observa-se que a simpatia dos evangélicos pelo povo judeu faz com que as diferenças religiosas sejam superadas através do entendimento pela paz e da busca quanto à harmonia das idéias.

Não seria justo que o lado bom de qualquer religião fosse ofuscado pela postura dos líderes, mas assim como é necessário denunciar as improbidades, também é dever da imprensa reconhecer e dar espaço às boas coisas, prestigiando aqueles que como Reinaldo, através da religião, tiveram o firme propósito de renascer com a sua fé, de superarem-se através do amor que nutrem por Deus e com orgulho, dirigem um olhar sereno segurando uma Bíblia, quando dizem: “ – Eu mudei, sou evangélico, estou renascendo. Deus te abençoe.”

Fernando Rizzolo

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