TV Pública é democracia !

A cruzada iniciada pela “Veja” e a “Folha de São Paulo” contra a decisão do governo de implantar a Rede Nacional de TV Pública revela que a penetração do ideário fascista nesses veículos de imprensa começa a ultrapassar os limites do tolerável em uma democracia.

A democracia consagra a idéia de que a “liberdade de expressão” é um direito de todos os cidadãos. O conceito de que essa liberdade deva ser um privilégio reservado aos monopólios privados, detentores de fartos recursos financeiros, é estranha à tradição democrática. É própria do pensamento fascista, com o agravante de que não tem como deixar de produzir, num país como o Brasil, a desnacionalização do setor, já que, em matéria de recursos financeiros, os monopólios de fora deixam os nossos modestos monopólios no chinelo. A “Veja”, aliás, é um bom exemplo disso: em maio de 2006 o grupo africaaner Naspers pagou US$ 500 milhões de dívidas que a diligente administração dos Civita produzira à Editora Abril e ficou “sócio” do negócio. E não é segredo que a “Folha” está ávida para lhe seguir os passos.

É público e notório que o setor de comunicações no Brasil, em especial o de televisão, atingiu um grau de monopolização extremo. O capitalismo tem dessas coisas. Assim como os rios correm invariavelmente em direção às terras mais baixas, o capital tende à centralização, e a bem-aventurada concorrência acaba mais cedo ou mais tarde produzindo o monopólio – e tanto mais cedo quanto maior for a omissão do Estado.

A monopolização dos meios de comunicação acarreta, por sua vez, a asfixiante e odiosa ditadura da opinião dos proprietários desses meios sobre o conjunto da sociedade, corroendo os fundamentos da democracia.

A última tentativa de compatibilizar no plano teórico os interesses dos monopólios com a liberdade de imprensa foi apresentada pelo jornalista Franklin Martins alguns meses antes de sua demissão da Globo. Ele afirmava que como o objetivo principal das grandes empresas jornalísticas é a audiência elas se vêem obrigadas a abrir espaços para agasalhar os pontos de vista mais diversos, a fim de não se distanciar do público.

Foi uma ilusão. A Globo, ao contrário da “Veja” e da “Folha”, não quer ceder a rapadura e está lutando para não ser engolida pelos capitais externos, o que a leva a uma posição mais flexível. Mesmo assim, quando o desfecho da “crise política” que ela insuflava ainda era incerto, não conseguiu conviver com as opiniões do jornalista no espaço – que pela sua tese deveria ser vasto – reservado às diversidades.

Num ambiente que já atingiu esse estágio de monopolização não há como preservar um mínimo de democracia, de respeito ao contraditório e à livre circulação de idéias sem a ação direta do Estado.

TV pública há no mundo inteiro, inclusive nos EUA, assunto que é tabu nas redações da “Veja” e da “Folha”.

De fato, umas são melhores e outras piores. Umas têm pessoas inteligentes e competentes no seu comando, outras tem antas. Umas avançam em relação ao cumprimento de suas finalidades, enquanto outras retrocedem. E isso tem muito a ver com o grau de compromisso efetivo dos governos com o povo e com a construção da democracia.

Mas uma coisa é segura: qualquer TV estatal tem mais respeito à liberdade de expressão e é mais passível de controle pela população do que qualquer emissora de propriedade de monopólio privado – se for externo, pior ainda.

Obs : Fonte Jornal Hora do Povo