Especuladores estrangeiros multiplicam seus bilhões com os juros altos do BC

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Dólar tresloucado agrava crise cambial e prejudica a indústria

Cotação é a mais baixa desde março de 2001

A moeda norte-americana continua ladeira abaixo, fechando no dia 4 com uma cotação de R$ 2,034, a mais baixa desde março de 2001, mesmo com o leilão de compra de dólar realizado pelo BC – e já acenando com uma cotação inferior a R$ 2.

Há os que preferem tapar o sol com peneira e atribuem a supervalorização do real a uma hipotética solidez da economia, em especial ao fluxo positivo da balança comercial que estaria propiciando uma enxurrada de dólares no país, jogando sua cotação para baixo. Entretanto, o desempenho da balança comercial, que é o que tem propiciado algum nível de crescimento econômico no país, é apenas uma parte da realidade. No caso da supervalorização do real, secundária. O fator preponderante tem sido a política monetária de Meirelles, já que os especuladores estrangeiros encontram nos maiores juros do mundo o porto seguro para multiplicarem os seus bilhões. Ainda mais que passaram a contar com uma ajuda adicional providenciada pelo Palocci, em fevereiro do ano passado, que é a isenção de pagamento de impostos para os chamados “investidores” estrangeiros.

É evidente que não dá para ignorar olimpicamente a intensificação das operações de arbitragem (tomar dinheiro a juros baixos no exterior e aplicar internamente com os juros mais altos do mundo), feitas principalmente pelos bancos, mas também por empresas, e achar que são os dólares das exportações que estão jogando a cotação do dólar para baixo. Segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que avalia que a taxa de câmbio real está em níveis anteriores à desvalorização de 1999, “o diferencial entre a taxa de juro real doméstica e suas equivalentes internacionais inequivocamente leva à apreciação da moeda nacional”.

Há que se levar em consideração mais dois aspectos que também contribuem para provocar o câmbio adverso. O primeiro, o investimento direto estrangeiro, que também contribui para o aumento do fluxo de dólar. Só nos dois primeiros meses do ano, os investimentos estrangeiros em carteira totalizaram US$ 5,250 bilhões, segundo o BC. O outro, a elevação das reservas internacionais – que totalizou US$ 109,870 bilhões, no dia 3 –que também dá sinalização positiva aos especuladores estrangeiros.

JUROS

Todas as questões levantadas têm como pano de fundo os juros cavalares de Meirelles – cerca de 9,5% reais ao ano, em média, nos últimos quatro anos-, que atraem os dólares dos “investidores”, inclusive no momento em que um parâmetro estabelecido por eles mesmos, o tal do risco Brasil, está em seu nível mais baixo (164 pontos no dia 2). Quanto mais baixo estiver, mais estão seguros dos ganhos dos seus “investimentos”, entrando, portanto, mais dólar no país.

DESEMPREGO

Empresários vêm alertando o quanto o câmbio adverso é nocivo para a economia. Basta ver a situação do setor têxtil: em 2006, foram mais de 100 mil demitidos e a estimativa para este ano é de mais 280 mil. Para o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), Fernando Pimentel, “o câmbio é um desastre para a indústria”. No setor calçadista, a situação não é diferente: 35 mil demitidos no ano passado. Para o Iedi, “a valorização cambial é o fator-chave para a perda de competitividade da indústria nacional e para a deterioração estrutural das transações comerciais externas”. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais do que penalizar o exportador, a taxa de câmbio “torna as importações muito baratas, afetando parte da indústria nacional”.

Não há outro caminho para reverter a situação do câmbio adverso a não ser o corte mais acelerado da taxa básica de juros, atualmente em 12,75% ao ano, nominais. Ou seja, não para continuar com os sucessivos e insignificantes cortes de 0,25 ponto a cada reunião do Copom. É preciso uma redução de pelo menos 1 ponto ou o dólar vai ficar abaixo de R$ 2 brevemente. Até porque, além da solução do problema imediato da taxa de câmbio, só com a redução significativa da taxa de juros é que se viabilizará o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), idealizado por Lula, o cimento do governo de Coalizão.
Jornal Hora do Povo

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