Os movimentos pedem a palavra

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“Em semana marcada por fortes mobilizações comandadas pelo MST e por movimentos de moradia em todo o país, registro a importância política das lutas populares para reforçar e aprofundar o curso progressista do governo Lula. Não basta governabilidade política para avançarmos na implementação de um programa marcado pelo desenvolvimento, a distribuição da renda e a democratização do Estado. Também é preciso construir governabilidade social: a pressão dos movimentos sociais enfraquece os círculos mais conservadores, traz o povo para a participação direta e estimula o governo a ser mais rápido e mais avançado em suas políticas.

O presidente Lula foi eleito sem maioria de esquerda no parlamento e construiu alianças para governar que incluem interesses heterogêneos e, muitas vezes, radicalmente contraditórios. Se os setores organizados não forem à luta por suas reivindicações e propostas, a inércia será favorável ao conservadorismo, ainda dominante nas principais instituições do Estado. Claro, não se deveria fazer coro com os agrupamentos que operam para sabotar e derrotar o governo, mas essa é outra conversa.

Os militantes petistas têm dado provas de compreender essa situação e participam solidariamente das mobilizações. Essa é uma boa notícia, certamente.”

Essa é a opinião do Zé Dirceu e eu assino embaixo concordando em genero, número e grau !

A foto acima é do acampamento João Candido em Itapecerica da Serra. ” O sertão virou mar, mar de lona preta “.

A situação habitacional precária da região fez com que o número de famílias acampadas chegasse a aproximadamente 2.500 em uma semana. A paisagem impressiona: o latifúndio urbano vazio se transformou em um verdadeiro mar de lona preta. Cabe ao prefeito uma solução, nem que seja provisória contemplando a todos, até porque a decisão judicial de reintegração, se procedente, devera ser acatada e não questionada.

Carta Capital: Lula não quer “AMBEVIZAÇÃO” da Telemar

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A revista Carta Capital que chega neste final de semana às bancas analisa as possibilidades (nulas) de o Governo Lula aceitar a “ambevização” da Telemar, com a fusão com a Brasil Telecom (controladora do iG), porque, como demonstrou Paulo Henrique Amorin no seu Blog, essa seria uma operação para transformar Daniel Dantas no Carlos Slim brasileiro. Só que com o dinheiro dos trouxas.

. A Carta Capital, ao citar fontes não identificadas do Palácio do Planalto, diz que para que a “ambevização” acontecesse o Presidente Lula teria que mudar as regras do setor e isso não vai acontecer.

. Segundo a Carta Capital, o Presidente Lula tem plena consciência de que Daniel Dantas está por trás da crise política que o atingiu no primeiro mandato e não pretende dar a Dantas e seus aliados (entre eles, ex-ministros de Lula) uma segunda chance.

. A Carta Capital informa também que o Governo vai acionar os fundos de pensão e o BNDES para impedir que a “ambevização” dos sonhos de Daniel Dantas se concretize.

Clique aqui para acessar o site da carta capital

A histeria dos racistas contra a fala da ministra

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RAMATIS JACINO *

É compreensível que uma mulher, consciente dos mais de dois mil anos de opressão machista, radicalize e passe a ter um comportamento hostil em relação aos homens. Podemos discordar, mas compreendemos que é resposta à histórica discriminação de que é vítima.

Respeitamos que um índio boliviano ou mexicano descendente daqueles que sofreram brutal massacre no processo do colonialismo se insurja contra os europeus, ainda que precisemos ponderar que nem todos os espanhóis foram cúmplices dos crimes praticados por Francisco Pizarro, Hernan Cortes e seus exércitos.

É explicável o horror que um sobrevivente de Auschwitz ou Sobibor possa ter pela Alemanha, embora saibamos que o povo alemão, na sua totalidade, não pode ser responsabilizado pelo massacre de judeus na segunda Grande Guerra.

Entendemos as razões de grupos árabes e muçulmanos que manifestam ódio contra os Estados Unidos, responsável direto e indireto pelos mais horrorosos crimes praticados contra aqueles povos, embora discordemos de seus métodos e da generalização que fazem do povo americano qualificando-os de inimigos.

Foi esse o sentido da fala da Ministra Matilde Ribeiro, em resposta a um suposto racismo de negros contra brancos, em entrevista à BBC, que acabou por se transformar em grande polêmica na mídia brasileira. A pergunta, por si capciosa, parte do pressuposto que os negros seriam tão ou mais racistas do que os brancos, que o racismo da sociedade brasileira seria uma invenção de ressentidos que não tiveram capacidade de ascender socialmente e que agora cobram do Estado ações para compensar limitações que lhes seriam inerentes. E, ainda, que neste País, desde assinatura do decreto Imperial 3353 de 13 maio de 1888, foi inaugurada uma maravilhosa democracia racial.

MANIPULAÇÃO

A fala da ministra, que a mídia amplificou uma pequena parte fora do contexto geral da entrevista, pondera que, embora discorde, compreende as manifestações de ressentimentos individuais que possam existir nos corações de um ou outro cidadão brasileiro negro.

A escravidão no Brasil, existiu por mais de trezentos e cinqüenta anos, foi responsável pelo seqüestro de aproximadamente quatro milhões africanos e representou um dos maiores crimes de lesa-humanidade da história mundial.

Com a mudança do trabalho escravo para o assalariado, os descendentes de africanos foram excluídos da sociedade, impedidos de acesso a terra e ao trabalho, perseguidos pelo Estado e vítimas – até hoje – do racismo elaborado pelas elites para justificar essa exclusão.

O governo Lula, que criou uma Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, da qual a ministra é titular, têm desenvolvido formidáveis esforços para diminuir a discriminação racial no nosso País, promover a igualdade entre brancos e negros e pagar a espetacular dívida que o Estado brasileiro têm com milhões de homens e mulheres que descendem de escravos.

Num histerismo que explicita o seu racismo, a grande imprensa brasileira se comporta da mesma maneira que historicamente têm se comportado a classe dominante no nosso País: Culpa o oprimido, e seus representantes, pela opressão por ela praticada e tenta inverter a situação, colocando o negro como o agente do racismo e não sua vítima.

A indignação dos netos e bisnetos daqueles que acumularam fortunas explorando o trabalho escravo esconde, na verdade, a contrariedade destes grupos com as diversas ações afirmativas do governo federal, com a ministra Matilde Ribeiro à frente, que têm por seu grande objetivo promover uma verdadeira e ampla igualdade entre brancos e negros no nosso País.

* Ramatis Jacino é diretor da CUT/SP e mestre em História Econômica pela USP

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“Serra cortou 2,3 bilhões do orçamento e prepara privatização”, denuncia PT

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A bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, liderada pelo deputado Simão Pedro, divulgou na última terça-feira um estudo com o balanço de 100 dias da gestão de José Serra. Com dados do Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária), os deputados apontam que os cortes orçamentários de cerca de R$ 2,3 bilhões revelam que “Serra iniciou um PAC às avessas, bloqueando os investimentos previstos do Estado, tanto através da Administração Direta como das Empresas Estatais”.

Segundo Simão, “cem dias é tempo suficiente para apresentar projetos e indicar a direção para corrigir os problemas crônicos do Estado e, neste sentido, o governo Serra falhou e o balanço que aqui apresentamos é muito negativo”.

Os parlamentares denunciam que através do decreto nº 51.636, de 9 de março de 2007, Serra bloqueou R$ 2,3 bilhões, sendo R$ 469,5 milhões nas despesas de manutenção da administração, R$ 769,4 milhões em novos investimentos e R$ 1,08 bilhão em inversões financeiras. “O percentual de investimentos bloqueados representa mais de 22% dos recursos previstos para obras e aquisição de material permanente”, denuncia o PT.

CESP

Em relação ao setor energético, o documento afirma que “enquanto o PAC apresentado pelo governo federal prevê a aplicação de quase 275 bilhões de reais em produção e distribuição de energia elétrica nos próximos quatro anos a fim de impulsionar o desenvolvimento do país, em São Paulo o governo tucano de José Serra, a exemplo do que fez Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin, prepara o que restou do setor energético do Estado, a CESP e EMAE para a privatização”.

Jornal Hora do Povo

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A Bolívia precisa fracassar

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A Bolívia não pode dar certo. Um índio não pode ser um bom presidente da república. A economia do país não pode crescer sob a direção de um partido fundado nos movimentos sociais. Os recursos naturais não podem ser dirigidos por um governo composto por dirigentes indígenas e sindicais.

A Assembléia Constituinte tem que fracassar, não pode dar lugar à construção de uma Bolívia multicultural, multinacional e multiétnica, porque isto fere as teorias liberais. O governo de Evo Morales tem que fracassar na construção de uma imensa democracia social, econômica e cultural.

A Bolívia tem que fracassar, para que se comprove o lema fundamental do capitalismo: “Civilização ou barbárie”, em que a civilização foi definitivamente assumida e identificada com a cultura branca, ocidental, cristã, anglo-saxã. O resto – a África, a Ásia, os índios, os negros, os mestiços da América Latina, os negros dos EUA – enfim, todos os não brancos.

Hollywood já nos ensinou: os “mocinhos” são os “cow-boys”, que lutam contra os maus – os índios os “peles vermelhas”, traiçoeiros, expressão da barbárie em pleno solo yankee. Hollywood já criminalizou os japoneses, os chineses, os coreanos, os africanos, os árabes, os mexicanos – e, através destes, todos os latino-americanos.

Já aprendemos quem é bom e quem é ruim, quem é feio e quem é bonito, quem (supostamente) ganha e quem perde.

De repente, um índio se torna presidente da república. É inaceitável. Bastou John Wayne – o “americano indômito” – descansar, para que os índios ataquem novamente. Ocupem o Palacio Quemado, dirijam ministérios, uma Assembléia Constituinte, falem em nome do povo boliviano, se apropriem das riquezas naturais – da terra, da água, do gás, do petróleo.

Se o governo da Bolívia der certo, haveria que revisar tantas coisas, haveria que rediscutir o que é civilização e o que é barbarie, haveria que questionar a dominação capitalista do mundo, a hegemonia européia e norte-americana. A ditadura do dinheiro, das armas e da palavra estaria ameaçada.

Por tudo isso e por muito mais, a Bolívia de Evo Morales não deve e não pode dar certo. Mas está dando certo. Aí começam os problemas.

Carta Maior

Com medo de Lula, Fernando Henrique não quer discussões sobre reeleição

Aterrorizado com os debates sobre a possibilidade de um terceiro mandato do presidente Lula, Fernando Henrique Cardoso iniciou conchavos com integrantes de seu partido (PSDB) e do DEM (ex-PFL) para evitar que o fim da reeleição seja debatido no Congresso.

De acordo com o relato dos deputados José Carlos Aleluia e Jutahy Magalhães, FH estaria com medo do assunto do fim da reeleição – cuja aprovação foi comprada a peso de ouro durante o seu governo – pudesse surtir efeito contrário, ou seja, criar a possibilidade de Lula conquistar um terceiro mandato consecutivo. “Esqueçam. O Lula pode querer mudar a regra para se beneficiar com mais um mandato”, disse o ex-presidente tucano, segundo relato de Aleluia.

O deputado completou que a avaliação é de que o presidente “Lula é um perigo e está formando uma base muito ampla”. Além disso, o apoio popular e a avaliação positiva de seu governo está deixando a oposição em polvorosa.

Jornal Hora do Povo

Delfim Neto: juro alto derruba câmbio e “destrói a indústria”

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O ex-ministro Delfim Netto afirmou que a crescente desvalorização do dólar em relação ao real se deve ao nível elevadíssimo dos juros brasileiros. “Na verdade, tudo isso é produto de uma única coisa: o domínio do sistema financeiro sobre o sistema produtivo”, disse, em entrevista ao jornal “Valor”.

Segundo o ex-ministro, a supervalorização da moeda brasileira pode ser explicada pela “barbeiragem da política econômica”, que não introduz um risco para aquele que especular com o juro elevado. Para ele, é necessário haver um freio nesse movimento que transformou “o real a mercadoria mais desejada do Brasil”. Delfim explicou que o especulador opera no mercado futuro, “e é o futuro que determina o câmbio no presente”.

“Eu dou risada quando dizem que o juro caiu e o dólar não subiu, porque não estão entendendo o que está ocorrendo”, ironizou. Ele observou que, de 2004 para cá, a moeda brasileira apreciou-se 36% – muito mais do que os 16% registrados pela média das moedas dos países em desenvolvimento.

Para o ex-ministro, os juros altos têm funcionado como atração de mais recursos para especular com o diferencial entre as taxas internas e externas, devido à perspectiva de que “a festa vai acabar”. Mas, acrescenta, “quem vai acabar são os produtores, e aí o país terá o regime dos sonhos do neoliberal: uma sociedade formada apenas por consumidores”. “O Brasil está num processo de destruição de sua indústria”, alertou.

“A idéia de que a supervalorização do câmbio é produto das virtudes da economia brasileira é uma demonstração de ingenuidade mortal”, observou, criticando a idéia de que o dólar está baixo por causa dos saldos elevados na balança comercial.

Hora do Povo