Lula: “temos que ter um política de Estado” para o álcool brasileiro

O presidente Lula defendeu na segunda-feira, em seu programa semanal de rádio, os planos de expansão da produção brasileira de álcool e salientou que para o sucesso do projeto é fundamental a participação e o controle do Estado sobre as atividades do setor. “O que nós precisamos é ser racionais, trabalhar com muito cuidado nisso, obviamente que nós temos que ter uma política de Estado orientando onde vai ser produzido, que tipo de coisa vai ser utilizada”, avaliou.

Em sua opinião, o problema da expansão desenfreada e predatória da produção canavieira será evitado com a presença do Estado. Além da delimitação de áreas e definição das melhores técnicas de plantio da cana, como lembrou o presidente, outro fator que poderá ser melhor enfrentado é a ameaça de desnacionalização das usinas brasileiras de álcool. Bush mal esconde que essa é a verdadeira intenção de seu governo. Um fundo recheado com US$ 2 bilhões foi lançado para açambarcar usinas brasileiras após seu discurso nos EUA sobre o tema. À frente deste fundo está ninguém menos do que Henri Reichstul, testa-de-ferro que, como presidente da Petrobrás no governo Fernando Henrique, sabotou a estatal e quis até mudar seu nome para “Petrobrax”.

O problema dos EUA é que o álcool lá é produzido a partir do milho. O custo médio de produção de um litro de álcool lá é de 47 centavos de dólar. Segundo analistas, a energia gasta para produzir álcool nos EUA é maior do que a energia que é produzida. Já no Brasil, o custo da produção, a partir da cana , é de 20 centavos de dólar. E é por conta da baixa produtividade do álcool a partir do milho que Bush sobretaxa o álcool brasileiro.

Agora, o irmão de Bush, John Ellis (Jeb) Bush, governador da Flórida, em entrevista à revista “Veja”, por ocasião de sua viagem ao Brasil, acabou também abrindo mais ainda o jogo. Afundados numa grave crise de petróleo por conta, entre outras coisas, do fracasso do assalto perpetrado ao Iraque, eles querem se apoderar das usinas de álcool. “A beleza do etanol é que, no lugar de haver algumas companhias de petróleo nacionais ou líderes de países tomando decisões sobre a produção, o que pode ter impacto na segurança nacional de nosso país, estamos falando de milhares de fazendeiros que produzem álcool”, disse. Nesses “milhares de fazendeiros” aventados por ele, evidentemente não estão só os americanos. Ele está se referindo também aos produtores brasileiros. Portanto, esta declaração de Jeb Bush é típica de quem acha que pode usar a sua própria crise energética para subjugar e atrelar economias de outros países a seus próprios interesses.

A presença do Estado limitará também a atuação de especuladores. Um deles, corretor de imóveis de Rio Bonito -RJ, andou falando suas lorotas. Disse a um jornal paulista, no fim de semana, que já teria 1,3 milhão de hectares de terras pré-arrendadas junto a produtores. Que sua “empresa” com um capital social de R$ 1.000, já teria contratos com a Petrobrás para a produção de 4,8 bilhões de litros de álcool. Ou seja, sua “produção” de álcool será superior à da Coopersucar (cooperativa que reúne 29 usinas) maior produtor nacional e responsável por 2,7 bilhões de litros de álcool. A Petrobrás, que será o principal instrumento de atuação do governo no setor produtor e de distribuição de álcool, desmentiu o picareta e desautorizou que qualquer especulador use ilegalmente o nome da empresa pública em suas negociatas.

SÉRGIO CRUZ

Hora do Povo

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