Skaf: insistência do Copom em não praticar cortes maiores nos juros tem custado muito ao País

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Para a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), “não há dúvida que, mais uma vez, foi desperdiçada importante oportunidade de um corajoso ajuste na queda dos juros no Brasil”, ao manifestar-se sobre o corte de apenas 0,25 ponto percentual na taxa Selic.

“A insistência do Copom em não praticar cortes mais significativos na Selic tem custado muito ao País, tanto em perda de crescimento como na sobrevalorização do câmbio que tira competitividade do produto brasileiro”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Obs .O empresariado precisa serrar fileiras nessa luta contra a pilhagem da industria nacional !

Juros reais a 10,6% prejudicam o país em prol dos especuladores

Redução de apenas 0,25 ponto percentual na taxa Selic mantém juros incompatíveis com o esforço nacional para acelerar o crescimento

O Copom se reuniu outra vez e, outra vez, fez uma redução no minal de 0,25 ponto percentual na taxa de juros básica (Selic). Com isso, a taxa real de juros, isto é, depois de descontada a inflação dos últimos 12 meses, está agora em terríveis 10,6% ao ano.

Os leitores sabem o que está implícito nessa taxa hedionda – uma trava para as empresas, um freio ao desenvolvimento, uma pilhagem sobre o Tesouro. Esses juros, com sua conseqüência, um câmbio de escroque, falso de cabo a rabo, feito sob medida para baratear as importações de mercadorias dos monopólios estrangeiros e encarecer as nossas exportações, é um atentado à política de aceleração do crescimento proposta pelo presidente da República.

Em suma, meia dúzia de sujeitos, reunidos a cada 45 dias, dispõem sobre a distribuição dos recursos de todo o país. Em poucas palavras: pegam o dinheiro comum de todos os brasileiros e, com suas altas taxas de juros, o remete para os cofres dos bancos externos, sobretudo norte-americanos. De quebra, como conseqüência, fabricam uma cotação do real em relação ao dólar que é, por si só, uma fraude, e unicamente para beneficiar a indústria dos países centrais, sobretudo a dos EUA. Sacrificam trabalhadores, empresários, o Estado, e ainda reclamam que, se as coisas não vão bem, não é por causa dos seus juros, mas por falta de mais sangue – dos outros, é claro: falta acabar com a previdência pública e com os direitos do trabalhador.

O segundo lugar do mundo em juros altos, Israel, pratica uma taxa real básica de 6,3%. Israel é uma economia estéril, um pequeno Estado financeiramente quebrado, sempre desesperadamente em busca de dinheiro, internamente instável, permanentemente em guerra, com escassos recursos naturais – até a água é difícil –, e com a subsistência pendurada na ajuda norte-americana. Portanto, um local imensamente menos atrativo do que o Brasil para os “investidores” – isto é, os especuladores – colocarem o seu dinheiro. No entanto, sua taxa básica real de juros por pouco não é a metade daquela do BC.

Quanto ao terceiro lugar em juros, a Turquia, mesmo sob ditadura econômica neoliberal, sua taxa real é de 5,4,%. Depois, vêm as Filipinas e a Indonésia com 4,7% e 4,6%. Depois deles, não há país no mundo cuja taxa real básica de juros atinja 4%.

Nenhum dos países citados tem melhores condições do que o Brasil. Não estamos nos referindo ao nosso tamanho, aos nossos recursos naturais, nem mesmo à nossa economia, muito maior do que a de qualquer um deles. Estamos nos referindo às condições financeiras que os próprios especuladores acham que são aquelas que o país deve ter para que se sintam “seguros”. Não que isso seja importante para o futuro do país – mas elas mostram que, mesmo pelo critério dos especuladores, os juros no Brasil são um absurdo.

INFLAÇÃO

A inflação está em queda: a variação do IPCA de janeiro para fevereiro foi de 0,44%. A variação de fevereiro para março, 0,37%. Não foi apenas uma queda pontual. No trimestre, a variação do IPCA caiu de 1,37% para 1,26%. O propalado “risco-Brasil”, estabelecido pelos próprios especuladores, jamais foi tão baixo. Não há, segundo o próprio Banco Central, sinal de turbulência financeira internacional à vista. A taxa real dos juros básicos norte-americanos está em 3%, portanto, com um diferencial em relação à nossa que não torna vantajoso para o especulador retirar o dinheiro daqui para lá aplicar. Não há perspectiva de alta abrupta dos juros nos EUA, segundo o FED, o banco central daquele país. No máximo, e se a economia não cair no marasmo, como insinua o FED que é possível, vão continuar aumentando 0,25 ponto percentual, como nas suas últimas reuniões.

A propósito: não é uma coincidência extraordinária que alterações de cabalísticos 0,25 ponto tenham se tornado, tanto no Brasil quanto nos EUA, a religião do banco central? Será que o Meirelles, quando presidente do BankBoston, ensinou economia aos capitalistas ianques?

Mas, se o Brasil precisa crescer; se todo mundo concorda que os juros precisam ser mais baixos; se não existe país, com exceção do nosso, em que os juros cheguem a 7%; se na maior parte do mundo eles estão abaixo de 4%; se não há indício de crise financeira internacional; se os juros americanos devem seguir mais ou menos como estão; se, até sob o critério dos especuladores, não há problema algum que os justifique – por que os juros não caem?

MALTA

Os juros não caem porque temos na diretoria do Banco Central e no Copom uma deslavada malta de funcionários de bancos estrangeiros, que faz questão de servir aos seus patrões até muito mais do que eles lhes mandam servir. Os juros não caem porque o objetivo da política financeira do BC, isto é, de Meirelles e caterva, nada tem a ver com a realidade econômica – para não falar dos interesses ou das necessidades do país. Os juros não caem porque, simplesmente, esse objetivo é passar dinheiro público, dinheiro do Estado, dinheiro do povo para os bancos, sobretudo estrangeiros, para os especuladores que enchem os cofres com os nossos recursos, com o nosso trabalho, com o nosso suor.

Se fosse necessária uma prova perfeita, irretorquível, de que toda essa conversa de “autonomia” ou “independência” do BC é apenas a tentativa de implantar uma ditadura financeira para saquear o povo, o Estado e a Nação, a gestão do sr. Meirelles e seus impudentes colegas seria essa prova perfeita.

Meirelles, ou qualquer diretor do BC, foi eleito para governar o Brasil? Para decidir o destino dos recursos do Estado, se para a produção ou para os bancos? Se o país deve crescer ou não – ou quanto deve crescer? Se a nossa economia deve ser importadora ou exportadora, agrícola ou industrial, uma economia independente ou uma economia de cabaré? Quando foi que nós os escolhemos para decidir o que é, ou será, o nosso país?

Mas é exatamente isso o que eles se arvoram a fazer, com suas taxas de juros escorchantes e seu câmbio artificial. E sempre em prol do BankBoston, do Citigroup, do Morgan-Chase, do Bank of America e assemelhados. Sem um voto sequer, sem passar pelo escrutínio das urnas, sem que o povo a eles tenha delegado confiança alguma – muito pelo contrário.

SABOTAGEM

Porém, não apenas eles não foram eleitos para governar. Pior, desrespeitam quem foi eleito para fazê-lo. Desrespeitam o povo, que escolheu o presidente Lula. Sabotam os esforços do presidente Lula para que o país cresça, para que o país seja mais justo, menos desigual e mais independente da trupe financeira que há tanto tempo nos infelicita.

Por isso, os juros não caem. Estamos diante de uma estranha situação, em que tucanos e entreguistas foram esmagados nas urnas, mas um ninho tucano-entreguista, raivoso em relação ao próprio presidente, quer passar por cima de quem foi eleito. Trata-se de um atropelo, para não falar um estupro, ao princípio republicano de que as urnas devem decidir os destinos do país.

É evidente que tal situação é incompatível com a democracia e, a rigor, com a existência do Brasil enquanto país independente, construído pela vontade nacional de seu povo. Mais ainda no momento em que a Nação, convocada pelo presidente, quer acelerar o seu crescimento.

CARLOS LOPES

Hora do Povo

O homem de confiança do sistema financeiro

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O prontuário de Henrique Meirelles não deixa dúvidas quanto às suas tenebrosas transações. Obviamente que seu modus operandi se dá principalmente no âmbito do sistema financeiro, iniciando sua escalada, em 1975, como superintendente da Boston Leasing, culminando com a presidência mundial do BankBoston Corporation (EUA), entre 1996 e 1999, que lhe valeu uma aposentadoria anual de US$ 750 mil, mas tendo antes chefiado o referido banco no Brasil, de 1984 a 1996.

Até 2002 , nunca havia participado de alguma reunião para discutir tal ou qual questão política – e nunca, em tempo algum, teve representatividade social -, mas naquele ano foi eleito em Goiás deputado federal pelo partido dos banqueiros, quer dizer, pelo PSDB, com mais de 130 mil votos. A jornalista Marília Rodrigues resume bem como conseguiu a proeza: “O banqueiro chega ao Brasil partindo para a carreira política e, com o apoio de Fernando Henrique, em pouco tempo de articulação se filia ao PSDB”. A campanha “foi a mais discreta que o dinheiro pôde proporcionar. Não participou de comício, teve pouco tempo de propaganda gratuita, quase nenhuma aparição pública. A articulação nas bases política, no entanto, foi a mais agressiva que o dinheiro pode comprar. Inúmeros candidatos a deputado estadual soltaram material farto, santinhos, camisetas, panfletos, trazendo a seu lado o candidato internacional”.

Em maio de 2005, a pedido do então procurador-geral da República, Claudio Fonteles, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou abertura de processo contra o indivíduo, suspeito de prática de crime contra o sistema financeiro, evasão de divisas e crime eleitoral. Em seu despacho, o ministro Marco Aurélio de Mello determinou a quebra do sigilo fiscal de Meirelles e das empresas por ele controladas.

Ao assumir a presidência do Banco Central, preencheu os cargos da diretoria com representantes de bancos estrangeiros e implantou os juros mais altos do mundo, desviando fabulosos recursos da produção para a farra especulativa. Sob sua gestão, até o momento, nada mais nada menos que R$ 615,51 bilhões já foram para o ralo dos juros, o que levou o presidente do Citibank, William Rhodes, à seguinte afirmativa: “Ele é homem de confiança do sistema financeiro internacional e acredito que também dos banqueiros brasileiros”.

Jornal Hora do Povo