Sociedades calibradas para matar

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Importante entrevista sobre a explosão de violência nos EUA, palco renitente de massacres como o ocorrido na última segunda-feira, na Universidade de Virgínia Tech, foi publicada no jornal Pagina 12, na quarta-feira, e reproduzida pelo site do Instituto Humanitas Unisinos.

O jornal ouviu o pesquisador argentino Darío Kosovky, coordenador da Área de Segurança do Instituto de Estudos Comparados em Ciências Penais e Sociais (Inecip). Kosovky explica que a violência ensandecida no cotidiano norte-americano não pode mais ser explicada nem entendida como doença individual de alguns desequilibrados. Trata-se da dinâmica constitutiva de um sistema que semeia conflito e competição desenfreada por todos os lados, para depois reprimir suas consequências. O que está por trás do edulcorado sonho americano é isso: um moedor de carne e de desejos porque, no fundo, as promessas capitalistas desse sonho não são para todos.

Atrás dos vencedores encontra-se uma legião de “loosers” – os não tão bonitos, os tímidos, os perdedores, os pobres, os não-brancos, os imigrantes, os islâmicos, os comunistas, os que não têm e jamais terão um “carrão” etc. Ou seja, a vasta maioria dos seres humanos do planeta.

Como costuma acontecer em culturas imperiais, a sociedade que injeta esses imputs na subjetividade de seus cidadãos – e na dos demais habitantes do planeta – tem dificuldade de lidar com a legião de perdedores regurgitados em cada etapa da engrenagem – urbi e orbe, dentro e fora dos seus marcos territoriais. A saída que encontra é negá-los, seja pela repressão interna, seja pela guerra externa, ambas conectadas por uma ideologia de “tolerância zero” aos “dissidentes”.

Os fuzileiros passam pelas armas seus contestadores externos e a máquina repressiva mantém encarcerados os de dentro, como acontece hoje com boa parte da juventude negra norte-americana. O jovem pobre e negro é o principal rosto visível por trás das grandes nos EUA, a ponto de mascarar assim os índices de desemprego na economia mais poderosa da terra.

O que o Estado imperial faz no resto do mundo – e com seus pobres internos – começa a se reproduzir agora, com angustiante regularidade nas próprias “entranhas brancas” do sistema. Cho Seung-hui, o matador da Virgínia, infelizmente não será o último da série.

Jovens perdedores como ele, esmigalhados em sua subjetividade, sem canais para resolver diferenças e acomodar trajetórias de vidas não propriamente vitoriosas, encontram na matança uma forma de expressão facilitada pela beligerância legalizada num país armado até os dentes. Segundo o pesquisador Kosovky há praticamente 200 milhões de armas de fogo na sociedade norte-americana, uma para cada cidadão.

Oremos. Oremos para que o Brasil retifique a rota de seu desenvolvimento, a tempo de evitar que os sinais amedrontadores emitidos de nossas periferias, venham a se tornar, também, a forma de expressão de nossa juventude banida e sem oportunidades.

Leiam aqui a entrevista do Página 12. É uma das melhores análises sobre a tragédia ocorrida na Universidade de Virgínia Tech.
enviada por Zé Dirceu

Obs. Concordo com o Zé Dirceu em genero, número e Grau !

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