“Vamos garantir a primazia do talento sobre as fortunas”

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Afirmou Lula no lançamento do Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE) que destina R$ 8 bilhões até 2010 e R$ 1 bilhão em 2007

O presidente Lula lançou na quarta-feira, em Brasília, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) que prevê a liberação neste ano de R$ 1 bilhão para o setor e R$ 8 bilhões até 2010. “Eu anuncio o PDE como o Plano mais abrangente já concebido neste país para melhorar a qualidade do sistema público e para promover a abertura de oportunidades iguais em educação”, afirmou. “Eu vejo nele o início do novo século da educação no Brasil. Um século capaz de assegurar a primazia do talento sobre a origem social e a prevalência do mérito sobre a riqueza familiar. O século de uma elite da competência e do saber, e não apenas de uma elite do berço ou do sobrenome”, prosseguiu.

MOBILIZAÇÃO

Ele ressaltou a importância do projeto para o avanço do país e disse que “nada é mais importante hoje do que a capacitação dos brasileiros para que possamos construir uma riqueza nacional mais sólida e firmar uma presença cada vez mais soberana no mundo”. “Sabemos que, ao contrário do que se fez no passado, a educação pública só pode melhorar se for aperfeiçoada em todo o seu conjunto”, acrescentou.

Lula fez questão de destacar o papel dos educadores na elaboração do Plano. “O PDE é fruto do esforço técnico e político deste governo, mas é resultado de uma ampla consulta a todos os setores envolvidos com a educação no país. Foram ouvidos centenas de educadores, cientistas, intelectuais, políticos e empreendedores e nele também estão sintetizadas as conquistas do nosso primeiro governo”, salientou.

O presidente disse que o PDE é a continuação de seu primeiro mandato: “Passamos a investir em todos os níveis de ensino, da creche à universidade, e acabamos com aquela lei absurda que proibia a criação de novas escolas técnicas”. “Nunca se criou, em espaço tão curto de tempo, tantas universidades, escolas técnicas e agrotécnicas”, disse Lula. “Conseguimos ampliar de forma expressiva o acesso do estudante pobre à universidade. Isso se deu tanto por meio do ProUni, que será ampliado agora pelo PDE, quanto pela criação de novas universidades, especialmente no interior do nosso país”, argumentou.

“O plano que lançamos hoje vai aumentar em 10 vezes o investimento federal nas áreas mais carentes do ensino”, salientou Lula. “O PDE garante, sem dúvida, um aumento significativo de verbas na educação, mas os problemas do nosso ensino público não se restringem à quantidade de investimentos”, ponderou. “Ao contrário”, avaliou o presidente, “existe muita coisa que o dinheiro em si não resolve e muitas dificuldades que os governos sozinhos não poderão superar”.

Lula disse que o PDE será um instrumento de mobilização nacional e que o projeto vai envolver toda a sociedade no esforço em prol de um ensino público transformador e de qualidade. “Nossa meta, até o final do governo, é implantar mil pólos da Universidade Aberta para formar e aperfeiçoar a qualificação de 2 milhões de professores e professoras em todo o território nacional”, apontou Lula. “É preciso, como estamos fazendo, valorizar os profissionais da educação, o que não se dá apenas pelo salário, mas também pelo reconhecimento do importante papel que os educadores têm na vida do nosso país”, acrescentou. “Por isso, é necessário que sejam criadas as carreiras profissionais, para que eles vejam futuro na profissão, para que possam se aperfeiçoar constantemente e ser estimulados no seu esforço”, defendeu.

Segundo Lula, o PDE vai ampliar em 100 mil o número anual de bolsas do ProUni e vai implantar o Programa de Reestruturação das Universidades Federais. Vai ampliar e modernizar o ensino profissionalizante, colocando uma escola técnica em todas as cidades-pólos do país. E também será a garantia da recuperação do atraso na alfabetização, com foco nos mil municípios que têm uma taxa de analfabetismo superior a 35%, sendo que, desses mil municípios, 950 estão no Nordeste. Abragendo todas as etapas da educação, o plano prevê medidas para ajudar as comunidades mais carentes, como a garantia de luz elétrica em todas as salas de aula – principalmente na zona rural – e o fornecimento de barcos para o transporte escolar em áreas isoladas pelas águas.

PAC

“A imprensa tem chamado o PDE de “PAC da Educação”. Não é uma comparação, de todo, inadequada”, avaliou. “Na verdade, os dois são complementares”, afirmou. “Eu já disse uma vez: para diminuir a desigualdade entre as pessoas, a alavanca básica é a educação; e para diminuir as desigualdades entre as regiões, a alavanca básica são os grandes programas de desenvolvimento, que ampliam a infra-estrutura produtiva e social”, prosseguiu Lula.

Para ele, PAC e PDE “são anéis de uma mesma corrente em favor da construção de um novo Brasil. Um Brasil que é feito de obras e ação, mas também de sonho e utopia. Um Brasil que não se faz em um dia, que não se faz em um só governo, mas para o qual estamos dando, hoje, aqui, passos decisivos. Um Brasil que quer acelerar, crescer e incluir”.

SÉRGIO CRUZ HP

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