Sarkozy: Candidato íntimo dos barões da imprensa francesa

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A relação de Nicolas Sarkozy com jornais, revistas e redes de TV inaugurou na França uma nova fase no panorama político. Os principais barões da imprensa são alguns dos melhores amigos de Sarkozy, considerado um PhD em marketing político e apontado por institutos de pesquisa como vencedor do primeiro e do segundo turnos das próximas eleições presidenciais francesas. Alguns candidatos à presidência repetem que o ex-ministro do Interior é o candidato dos ”patrons de presse”.
Por Leneide Duarte-Plon, para o Observatório da Imprensa

Quanto à relação do ex-ministro com os jornalistas, esta poderia ser melhor. Obviamente, entre os jornalistas existem sarkozistas, mas estes são a minoria. Sarkozy nem sempre é hábil e diplomata e alguns episódios recentes mostraram que o favorito das pesquisas de opinião para a eleição de 22 de abril tenta controlar a informação usando suas relações privilegiadas com os donos de jornais, revistas e emissoras de TV.

O jornalista e escritor Serge Halimi, que analisou com detalhes no seu livro Les nouveaux chiens de garde (Os novos cães de guarda) as ligações de Sarkozy com os donos da mídia, diz que quase todos os barões da imprensa são tão íntimos do candidato que o tratam de ”tu” e não com o formal ”vous”.

Demissão a pedido
Quando convidado a participar da edição de Libération, na semana passada, Sarkozy reclamou com o diretor de redação, Laurent Joffrin, da má vontade do jornal para com ele. Antes, a imprensa já havia noticiado um suposto telefonema de Sarkozy a seu amigo Edouard de Rotschild (acionista majoritário do jornal) para se queixar da linha editorial de Libé – que considera contra ele.

No ano passado, o então ministro do Interior chegou a ser apontado como responsável pela demissão do ex-diretor da revista Paris Match. Sarkozy não teria aprovado a publicação na capa da revista, em agosto de 2005, da foto de sua mulher com o novo namorado durante a separação tumultuada que durou alguns meses, antes que Cécilia Sarkozy voltasse ao lar. Esse número da revista vendeu 900 mil exemplares.

Para se vingar, Nicolas Sarkozy teria pedido a seu amigo Arnaud Lagardère – dono de um império de comunicação que inclui Paris Match – que afastasse o diretor de redação da revista, Alan Genestar. A demissão veio alguns meses depois, para dissimular a reação de causa e efeito. Depois de ter passado anos a expor sua vida pessoal na mídia qual um político americano, Sarkozy resolveu fazer de conta que sua vida pessoal era um assunto privado, qual um político francês.

Alan Genestar divulgou essa versão da demissão a pedido de Sarkozy em entrevista ao jornal Le Monde, na qual dizia que ”um país livre e democrático como a França não pode conceber que um ministro do Interior peça a cabeça de um jornalista”. Sarkozy obviamente negou em bloco.

A demissão do diretor de redação teve como conseqüência uma greve dos jornalistas em sinal de protesto. Essa ”greve contra uma demissão por motivos políticos” foi a primeira feita pelos jornalistas de Paris Match desde 1968.

Direita sem complexos
Para acalmar as suspeitas de futuras intervenções punitivas, num debate organizado pela revista Elle com diversos candidatos, na semana passada, Sarkozy declarou que ”não fará uma caça às bruxas”. Aproveitou para reafirmar que não gostou de uma matéria feita pelo canal (estatal) France 3, que ele classificara antes de ”desonesta”. Sem repetir o termo, disse que era ”inadmissível” o enfoque da matéria, mas que continuaria a ir aos estúdios de France 3. Os jornalistas desse canal, todos servidores públicos, haviam manifestado ”preocupação” com os comentários do ex-ministro do Interior.

Martin Bouygues, o milionário dono do canal TF1, que comemora este ano 20 anos de privatização, é outro amigo íntimo do casal Sarkozy. Cécilia Sarkozy o considera como ”nosso melhor amigo”. O proprietário de TF1 é padrinho do filho do casal e fala com o candidato todos os dias.

Quando se sabe que o jornal das 20h de TF1 (o de maior audiência da França) tem mais espectadores (9 milhões) do que a soma dos leitores de todos os jornais da imprensa de circulação nacional, incluindo o L’Equipe e Paris Turf, compreende-se por que esses amigos são tão cortejados pelo político que encarna a ”direita descomplexada”, como ele mesmo se define.

Além de todos os citados, ninguém desconhece as boas relações de Nicolas Sarkozy com o dono do jornal Le Figaro, Serge Dassault, que o apóia sem reservas.

Voto da banlieue
Mas se o ex-ministro é o darling dos barões da imprensa, o partido anti-Sarkozy cresce a olhos vistos e pode ser a grande surpresa dessas eleições.

Depois de publicarem um texto intitulado ”Vencer Sarkozy”, um grupo de intelectuais de peso divulgou esta semana um novo manifesto intitulado ”Assumir nossa responsabilidade histórica no dia 22 de abril”. Sociólogos, filósofos, escritores e atores assinam o texto que diz que ”uma nova derrota eleitoral da esquerda seria sinônimo de graves ameaças contra as liberdades fundamentais e a independência da justiça, regressão para a pesquisa e asfixia para a criação artística, além da domesticação da informação”.

O Le Monde publicou há poucos dias uma matéria de página inteira intitulada ”Nicolas Sarkozy agrega contra ele uma galáxia heterogênea”. Impedir a eleição de Sarkozy virou uma preocupação maior de alguns grupos de esquerda.

O fato novo dessa eleição é a força da internet, que pode neutralizar o papel da imprensa tradicional junto aos eleitores. Uma verdadeira guerra vem sendo travada na web pelos antisarkozistas. Juntamente com o voto da banlieue, a periferia das grandes cidades, majoritariamente antisarkozista, o resultado pode surpreender tanto quanto em 2002, quando nenhum instituto de pesquisa previu o direitista Jean-Marie Le Pen no segundo turno contra Jacques Chirac.

81 morrem por dia por armas de fogo nos Estados Unidos

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Anualmente, nos Estados Unidos, cerca de 30 mil pessoas por ano morrem vítimas de armas de fogo, em média 81 pessoas por dia.

As cifras são impressionantes. Em 2000, foram aproximadamente 11.000 homicídios por arma de fogo e mais de 16.000 suicídios.

Segundo as cifras oficiais do órgão federal Centro de Controle de Enfermidades dos Estados Unidos, nos 5 anos passados até 2004, mais de 148 mil pessoas foram mortas por armas de fogo, sendo 14,5 mil são menores de idade. Em um ano morreram 29, 569 mil pessoas por armas de fogo, o que na média equivale a 1 pessoa a cada 18 minutos. Relata a organização Brady Campaign to Prevent Gun Violence, com base em cálculos de informação oficial.

No caso dos menores de idade (até 19 anos, ou seja, incluindo universitários, como os da Universidade Virgínia) aproximadamente 1 a cada 3 horas é vítima de armas de fogo. As estatísticas apontam que a taxa de feridos a bala entre menores de 15 anos é quase 12 vezes mais alta que o total dos outros países industrializados. Os feridos por bala somam 69.825 mil no ano de 2005, mais de 191 por dia.

“Queremos que o Congresso enfoque o fato de que temos uma taxa de homicídios tão alta em comparação com outros países industrializados”, afirmou Roger Hayes, presidente da organização New Yorkers Against Gun Violence.

Hora do Povo

Feira-livre: Kassab culpa vírgula, revoga o decreto e feirantes comemoram com “Dia do Grito”

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, voltou atrás no decreto que proibia o grito nas feiras-livres da capital paulista e justificou a decisão como sendo um “erro de interpretação” por causa de uma vírgula.

O vai e vem do prefeito logo virou motivo de piada. Os feirantes de Higienópolis, por exemplo, apressaram-se em batizar a sexta-feira 13 de o ‘Dia do Grito’. Além disso, fizeram discursos agradecendo a atitude do prefeito ‘Caçapa’ ou do prefeito ‘Caçamba’ – apelidos carinhosos de Kassab.

A justificativa foi dada por Kassab durante entrevista na manhã de sexta-feira (13), num programa de TV. Para o prefeito, que diz não saber da proibição, ele havia pedido para que a assessoria fizesse um levantamento sobre a lei, publicada no Diário Oficial da cidade no dia 8 de março. “Em nenhum momento, o debate sobre a manifestação dos feirantes chegou até mim”, explicou.

Um novo decreto corrigido será publicado no sábado, afirmou o prefeito, acrescentando que “não tem sentido nenhum o feirante estar proibido de falar sobre seu produto. O que ele não pode é usar equipamentos eletrônicos”.

A vírgula da discórdia, que teria provocado uma interpretação errada da lei, estaria no seguinte trecho: ‘Fica proibido ao feirante: utilizar aparelhos sonoros durante o período de comercialização, bem como apregoar as mercadorias em volume de voz que cause incômodo aos usuários da feira e aos moradores do local.’

Em nota, a assessoria da Prefeitura não esclareceu como a pontuação poderia mudar a interpretação da lei, mas apresenta um novo texto: ‘Fica proibido ao feirante utilizar aparelhos sonoros durante o período de comercialização, bem como ‘utilizá-los’ para apregoar suas mercadorias.’

NAYARA DE DEUS
Hora do Povo

Mais um sinal de crescimento da economia em 2007

Todos os sinais são de crescimento expressivo da economia em 2007. Agora são os investimentos que crescem, se tomarmos por base a expansão da indústria de bens de capitais, de máquinas e equipamentos, e os financiamentos do BNDES para diferentes setores: petroquímica e química, crescimento de 164%; têxteis – sob ataque da concorrência chinesa e do real valorizado -, 171,2%; agroindústria, 74,3%. Ou seja, estamos trocando máquinas velhas por mais produtividade, menores custos e máquinas novas. A produção de máquinas e equipamentos para a indústria cresceu 15,8%, a de máquinas e equipamentos agrícolas, que caiu 16,5% no ano passado, cresceu 14,4% no primeiro bimestre do ano. Para o setor de energia, a produção de máquinas cresceu 14,5%; para transporte, 9,3%.

Ou seja, cresce o faturamento da indústria de máquinas e equipamentos, cresce o investimento, o comércio fatura mais e o governo arrecada mais. Está na hora de diminuir os impostos e concentrar os financiamentos nos setores atingidos pelo real forte e pela concorrência chinesa e externa. Aproveitar o crescimento da renda e do emprego para consolidar nosso mercado interno e nossa base industrial, adensando nossa cadeia produtiva, agregando valor à nossa produção, para termos mais e melhores empregos, com melhores salários e ganharmos o tempo perdido na década neoliberal.

O BNDES precisa olhar para todo o país. Ir para o Nordeste, Sul e o Centro-Oeste, atender a pequena e média empresa. É agora ou nunca.

Visita do Papa legitima política de “criminalização da pobreza”

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A existência de tais políticas de “limpeza urbana” não é exclusiva dos meses que precedem a visita de Bento XVI a São Paulo. O crescimento da população sem-teto no centro da cidade aconteceu de maneira acelerada durante a década de 80 e, prontamente, teve início uma “reação” – de moldes semelhantes aos que hoje percebemos de maneira mais explícita – da prefeitura local, ainda durante o governo de Paulo Maluf.

A mídia brasileira, recentemente, vem dando atenção à política de combate à população de rua que está sendo levada a cabo pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (Democratas), no centro da cidade. Tamanha atenção está vinculada à chegada do papa Bento XVI ao Brasil e à sua visita ao centro da capital paulistana. Bento ficará hospedado no Mosteiro de São Bento e deverá se reunir com bispos paulistanos e outras autoridades na Catedral da Sé, ambos locais pertencentes à região onde está sendo promovida uma “higienização” por meio da expulsão daqueles que vivem em suas ruas – cerca de 12 mil pessoas, de acordo com dados recentes.

No entanto, a existência de tais políticas de “limpeza urbana” não é exclusiva dos meses que precedem a visita do pontífice a São Paulo. O crescimento da população sem-teto no centro da cidade aconteceu de maneira acelerada durante a década de 80, e prontamente teve início uma “reação” – de moldes semelhantes aos que hoje percebemos de maneira mais explícita – da prefeitura local, ainda durante o governo de Paulo Maluf, hoje deputado federal.

Embora políticas semelhantes de remoção tenham sido realizadas desde então, não houve a criação de diretrizes capazes de atacar as causas do problema, solucionando-os de uma maneira efetiva e eficiente. Grupos religiosos e outras organizações não-governamentais passaram a ser as únicas entidades a tratar a situação dos moradores de rua com maior eficácia, algo que durou até a eleição da prefeita Marta Suplicy, do PT, em 2000.

“O problema que envolve a população de rua é muito complexo, não pode ser tratado como algo circunstancial”, esclarece a irmã Regina Maria Manuel, da Organização de Auxílio Fraterno, uma das entidades atuantes no combate à penúria dos moradores de rua em São Paulo. Segundo ela, a situação é permanente e não algo esporádico, embora tenha sido agravada pelo cancelamento das políticas criadas pela prefeita petista uma vez que José Serra, do PSDB, assumiu a prefeitura de São Paulo em 2005. “O Bolsa-aluguel, a criação de moradias provisórias, o aluguel social, todos estes projetos foram suspensos”, diz.

Há questionamentos quanto à eficácia de tais políticas durante o governo PT na cidade, tanto no que se refere a uma efetividade limitada como à sua incapacidade de conduzir a mudanças estruturais de prazo mais longo. Porém, Regina enfatiza que, diferente dos dias atuais, havia diretrizes e a lei de atenção à população de rua era observada. “Hoje, o albergue, que era algo provisório na rota de escape das ruas, se transformou em algo quase que permanente”, diz. Atualmente, há 6.750 albergados na cidade de São Paulo, e alguns deles já se encontram na mesma situação há anos.

“Como resposta às manifestações e questionamentos de moradores de rua que reivindicam melhores condições, a prefeitura diz que não há orçamento para isso. Mas quem faz o orçamento não é o prefeito?”, questiona a irmã.

A falta de poder político da população de rua paulistana prejudica a obtenção de ganhos no combate à situação precária, assim como o apoio mínimo de outros setores da sociedade. Para o padre Oscar Beozzo, outro religioso que se empenha na defesa dos moradores de rua em São Paulo, “a única maneira de se conseguir algum avanço é por meio de protestos e procurar que a Justiça resguarde os direitos desses cidadãos, já que a mídia e mesmos outros movimentos sociais não demonstram apoio”. A execração feita pela mídia foi claramente exemplificada em recentes ataques da revista Veja ao padre Júlio Lancelotti, histórico defensor da população de rua paulistana.

Apesar de reconhecer também a perenidade da questão da população de rua em São Paulo, Sebastião Nicomedis, do Movimento Nacional dos Moradores de rua, explica que a higienização em São Paulo está realmente se radicalizando com o vinda de Bento XVI ao país. “A prefeitura realiza operações para recolher objetos dos moradores de rua, pressionando-os a deixar o local onde estão”, diz.

As operações “cata-bagulho”, nome dado às coletas de pertences dos moradores de rua, acontecem principalmente na região da Sé e no vale do Anhangabaú. “É só ir lá a qualquer hora do dia que é possível ver o que a prefeitura está fazendo; mas, de noite, quando não é necessária nenhuma discrição, a coisa é pior ainda: mandam caminhões-pipa lavarem o local, molhando todos os que estão dormindo”, diz Nicomedis.

O militante relata ainda que tais operações não estão ocorrendo somente em São Paulo, mas também em Aparecida, onde Bento XVI deverá realizar uma missa. “Lá, os bispos estão mandando a população da rua para albergues, e, quando não há nenhum vago, os mandam para outras cidades, para São Paulo”.

A chegada do papa ao Brasil será no dia 09 de maio. Até lá, o processo de remoção da população de rua em localizações no roteiro do pontífice deverá continuar, maquiando a realidade brasileira para a comissão do Vaticano e ainda para as lentes de todo o mundo que a acompanhará durante a estadia de Bento XVI no país que contém a maior população católica do mundo.

Mateus Alves é jornalista.

Obs.Essa é a visão “humanista” e ” Democrata” de Gilberto Kassab e seu assessor Andrea Matarazzo.

O escândalo dos bingos: de quem é a culpa?

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Quem colocou o jaboti na árvore no caso dos bingos? Quem autorizou eles funcionarem? É só ver em que governo isso aconteceu, quem era o Ministro da Justiça, e como votaram os parlamentares.

Tudo começa com a chamada Lei Zico, de 1993, que autorizou os bingos, e depois a Lei Pele, em 1988. Em 2000, a Lei Maguito os proibiu. Mas eles continuavam a funcionar, na base de liminares, com a leniência e omissão de governadores, e a cumplicidade das polícias, até no Distrito Federal, na capital do pais.

Em 2004, dois acontecimentos importantes: no Senado, a oposição, isso mesmo o PSDB e o PFL, derrubam a MP dos Bingos, enviada por Lula, que proibia os bingos e os caça níqueis em todo Brasil, e o Supremo Tribunal Federal declara inconstitucional as leis do Distrito Federal que autorizavam os bingos. Mas eles floresceram, principalmente em São Paulo. São mais de mil. Isso mesmo: mil, fora os caça níqueis, centenas de milhares. Nas eleições de 2006, reformaram suas fachadas e abriram em novos endereços.

Só agora, depois da Operação Furação, é que os bingos de São Paulo são fechados. Isso depois de o Tribunal Regional Federal ter mandado fechar todos os bingos, no dia 26 de março, e ter notificado, no mesmo dia, as autoridades municipais e estaduais. E só agora, no dia 19 de abril, alguns foram fechados e a maioria, vistoriados.

Um verdadeiro escândalo. Esse sim para uma CPI na Assembléia Legislativa e na Câmara Municipal. De quem era a responsabilidade? Quem governava São Paulo? Onde estava o Ministério Público? Quem dava as liminares?

Perguntas que precisam ser respondidas
enviada por Zé Dirceu

Ajudar a Bolívia, mas defender o interesse nacional

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De novo a Bolívia e de novo o Brasil fica a mercê do abastecimento de gás do país vizinho, de quem dependemos para abastecer de gás nossa indústria, termoelétricas e residências. Agora é uma disputa política entre duas províncias, Gran Chaco e O’Connnor, que querem ficar com os US$ 10 milhões de royalties e disputam uma região – Chinao – do departamento de Tarija.

Acaba sobrando para nós, que só resolveremos esse problema importando gás liquefeito e aumentando nossa produção, o que deverá acontecer com a entrada dos poços de Mexilhão. Mas isso levará, pelo menos, ainda um ano.

Então a saída é ajudar e apoiar Evo Morales para que avance nas reformas e consolide um Estado Nacional na Bolívia. Não adianta chorar sobre o leito derramado. Temos de administrar o contencioso que herdamos com os erros do governo FHC e os contratos que fizemos no passado, e reconhecer o que é de direito da Bolívia, como a nacionalização do petróleo e gás, e defender o interesse nacional, no caso das indenizações.

Precisamos entender que a Bolívia foi espoliada e explorada por séculos e décadas. Recentemente, o país foi levado ao localismo e, para manter o poder, as elites militares e econômicas, subordinadas a interesses externos, estimularam o localismo e o regionalismo, para dividir o povo trabalhador e os camponeses. Por isso, a explosão de reivindicações regionais e locais que Evo Morales tem de administrar, sempre num ambiente de violência, próprio da Bolívia, estimulado também pelas elites, que sempre recorreram a golpes, repressão e a violência.

Diálogo e negociação, para ajudar Evo Morales e seu governo, sem o que a Bolívia, aí sim, será um grande problema para o Brasil. Firmeza na defesa de nossos interesses nacionais, mas abertura para reconhecer os erros do passado, e uma política nacional, que já está em andamento, para sermos auto-suficientes, ou menos dependentes, do gás boliviano.

Não tem outra saída.

Concordo com Zé Dirceu !

1º de Maio por distribuição de renda, emprego e desenvolvimento

“Queremos unir o conjunto da classe trabalhadora na defesa do crescimento econômico e pela aprovação do PAC, que representa mais salário, mais emprego, o fortalecimento do Estado e da nossa soberania”, afirma Ubiraci Dantas, o Bira, vice-presidente da CGTB

“Marcharemos unidos pelo desenvolvimento e em defesa dos direitos trabalhistas”, afirmou Antonio Neto, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) sobre o 1º de Maio unificado convocado pela CGTB e pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), no Parque da Independência, em frente ao Museu do Ipiranga, em São Paulo.

“É pelo desenvolvimento econômico, com distribuição de renda, que passa principalmente pela imediata aprovação no Congresso e implementação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um programa que devolve ao Estado o papel indutor do desenvolvimento do país”, acrescentou o dirigente sindical.

Mais uma vez, as duas centrais, que vêm atuando conjuntamente na luta pelo crescimento do País e em defesa das conquistas trabalhistas, se unem para comemorar o Dia do Trabalhador. Para o presidente da CUT Regional, Edílson de Paula, o 1º de Maio unificado, “é um amadurecimento político e organizativo, que nos une e fortalece para defender os interesses da classe trabalhadora e do País”.

“É um 1º de Maio especial para nós da CUT e da CGTB, porque queremos unir o conjunto da classe trabalhadora brasileira na defesa do crescimento econômico e pela aprovação do PAC, já!”, afirma Ubiraci Dantas, o Bira, vice-presidente da CGTB. “O PAC é mais salário, mais emprego, é o fortalecimento do Estado e da nossa soberania”, completa. “Os monopólios e a grande mídia reacionária não se conformam, após duas derrotas seguidas na eleição para presidente da República, e ficam jogando para desviar a atenção do Congresso, que deve se pautar pelo desenvolvimento e crescimento do Brasil, e ficam fazendo intriga para criar CPI do Apagão Aéreo”, denuncia.

Além do lema desenvolvimento econômico com distribuição de renda, que será o eixo deste 1º de Maio, a data será também um marco na campanha nacional encabeçada pela duas centrais pela recuperação do poder aquisitivo do salário mínimo e ainda pela manutenção do veto do presidente Lula à Emenda 3, que retira direito dos trabalhadores. “Não permitiremos que tirem uma linha sequer dos direitos dos trabalhadores, que foram conquistados com o sangue e a luta de muitas gerações”, assegura o presidente da CGTB. Neto convoca a unidade dos trabalhadores para garantir as conquistas, pois “está em nossas mãos, dos trabalhadores e da sociedade em geral, nos mobilizarmos para pressionar o Congresso para agilizar a aprovação das medidas que beneficiam o País”.

Neste ano, a expectativa da CGTB e da CUT é superar o sucesso do 1º de Maio no ano passado, quando centenas de milhares de trabalhadores ocuparam a Avenida Paulista a partir do prédio da Fundação Cásper Líbero, até o Conjunto Nacional, esquina com a Rua Augusta. Diversos artistas animarão as comemorações dos trabalhadores, como Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo, Skank, Cidade Negra, Zezé de Camargo e Luciano, entre outros.

TODO PAÍS

A menos de duas semanas que antecede o 1º de Maio, já estão confirmados atos unificados em importantes Estados: SP, RJ, PE, AL, PR, RN, PA, BA, DF, RS, MT e MS. A expectativa é de que outras unidades da Federação passem a engrossar a fileira das duas centrais, pelo desenvolvimento, crescimento e soberania. “O nosso movimento é no sentido de garantir as conquistas do povo contra a retirada de direitos, como a Emenda 3, e é por isso que estamos organizando esses grandes atos unificado nos Estados”, diz Bira. “Estamos reunindo esforços para que possamos trazer o nosso presidente para o ato em São Paulo e, dentro do possível, para que ele participe em outros Estados também”, diz Bira.

JOSI SOUSA

Hora do Povo

Hugo Chávez: “queremos importar etanol do Brasil no melhor preço possível”

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O presidente Hugo Chávez afirmou, no final da Cúpula Energética da América do Sul, que “as riquezas energéticas devem ser o grande eixo de integração regional”. Ele destacou que é preciso um bom plano estratégico para os próximos 20 anos “para que não haja falta de energia em nossos países”.

Chávez destacou que não está contra a produção de etanol e que vai, inclusive, importar o produto do Brasil. “Quero esclarecer que nós não estávamos contra biocombustíveis”, explicou. “Queremos importar etanol do Brasil, além disso, sem taxas”, acrescentou o presidente venezuelano. “Solicito o melhor preço possível para os próximos dez anos”, brincou Hugo Chávez, dirigindo-se ao presidente Lula. Segundo o presidente da Venezuela, anfitrião do encontro de cúpula dos países da região, “os países da América do Sul devem criar um tratado que tenha como eixo estratégico o petróleo, o gás e o biocombustível”.

O assessor do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, confirmou que o Brasil “vende e continuará vendendo etanol para a Venezuela”. O produto deverá ser adicionado na proporção de 10% à gasolina. “O acordo”, segundo Garcia, “já está sendo refeito e agora é simplesmente uma questão de preço”.

Brasil quer antes de tudo participar da concepção do Banco do Sul, diz Lula

O presidente Lula disse que o Brasil quer participar da discussão sobre o formato do Banco do Sul e definir seus objetivos, durante sua entrevista após a realização da Cúpula Energética Sul-Americana, na Ilha Margarita, Venezuela (ver também matéria acima). Ele informou que o tema não foi discutido na Cúpula. “É preciso definir, antes de qualquer coisa, o que é esse Banco do Sul, para que ele serve. Ele é um banco que tem a finalidade do FMI? É um banco que tem a finalidade do Banco Mundial? É um banco que tem a finalidade do BNDES?”

“Primeiro é preciso definir para quê nós queremos um banco, qual a sua finalidade, para depois, então, sabermos se compensa participar ou não, por isso é que não foi discutido aqui”, declarou. Lula também relatou que não foi debatida no encontro a “Opep do gás”.

Na segunda-feira ainda, o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que “não vamos aderir a um projeto pronto”. “Não vamos comer um prato feito. O que nós queremos é ir para a cozinha e participar da elaboração deste prato”, assinalou Marco Aurélio aos jornalistas na Ilha Margarita.

No final da semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil iria participar do projeto e que ele seria “a oportunidade de ter uma instituição financeira na qual controlamos as decisões e podemos voltá-la para os interesses de nossos países”.

Hora do Povo

Luciano Coutinho assume comando do BNDES

O presidente Lula anunciou o economista Luciano Coutinho para a direção do BNDES em substituição a Demian Fiocca. Professor titular da Unicamp, Coutinho foi secretário-geral do Ministério da Ciência e Tecnologia no governo José Sarney.

Em recente entrevista, o economista afirmou que “o Banco Central tem sido muito conservador” e que “os juros estão altos demais”. Segundo ele, “a taxa de câmbio brasileira está profundamente desalinhada e o Banco Central tem sido muito leniente diante dessa apreciação da taxa de câmbio, que é bastante onerosa e nociva ao País”.

Para o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, Luciano Coutinho “vai dar dimensão ao principal instrumento de política industrial”. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello, Coutinho “é um desenvolvimentista, não tem visão financista”.

hora do povo

BC paga US$ 5 bi para se tornar credor dos EUA

A gestão de Henrique Meirelles no Banco Central alçou o Brasil à condição de oitavo maior emprestador ao Tesouro dos EUA, acumulando até janeiro deste ano US$ 53,7 bilhões em títulos desse país. Esse montante correspondia naquele mês a 59% do total das reservas internacionais do Brasil de US$ 91,086 bilhões.

Os papéis do Tesouro norte-americano, comprados por Meirelles para compor as reservas internacionais brasileiras, são remunerados a uma taxa de juros reais de 3% ao ano. Na compra de dólares no chamado “mercado de câmbio”, utilizados para aquisição de papéis dos EUA, o Banco Central do Brasil emite títulos a juros reais de 10,6% ao ano. Com essa diferença de remuneração dos títulos, a estimativa é que o Brasil perde cerca de US$ 5 bilhões ao ano, o que significa dizer que pagamos para ser credores de um país que tem uma economia muito maior do que a nossa.

Poderia até parecer coisa de idiota, não fosse esse mesmo o objetivo de Meirelles e demais representantes dos bancos estrangeiros que ocupam a diretoria do BC: promover uma brutal transferência dos nossos recursos para o Grande Irmão do Norte. Ou seja, mais que deletéria, a política de Meirelles se constitui em um crime cometido contra o país.

Segundo os números do Banco Central, na tentativa de impedir a sobrevalorização do real, em todo o ano passado a totalidade de dólares comprados no “mercado de câmbio” foi de US$ 37 bilhões, enquanto neste ano, até meados de abril, US$ 22 bilhões.

No dia 13 último, as reservas internacionais totalizavam US$ 113,278 bilhões, dos quais 82,7% em títulos (majoritariamente norte-americanos).

VALDO ALBUQUERQUE

Hora do Povo

Sociedades calibradas para matar

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Importante entrevista sobre a explosão de violência nos EUA, palco renitente de massacres como o ocorrido na última segunda-feira, na Universidade de Virgínia Tech, foi publicada no jornal Pagina 12, na quarta-feira, e reproduzida pelo site do Instituto Humanitas Unisinos.

O jornal ouviu o pesquisador argentino Darío Kosovky, coordenador da Área de Segurança do Instituto de Estudos Comparados em Ciências Penais e Sociais (Inecip). Kosovky explica que a violência ensandecida no cotidiano norte-americano não pode mais ser explicada nem entendida como doença individual de alguns desequilibrados. Trata-se da dinâmica constitutiva de um sistema que semeia conflito e competição desenfreada por todos os lados, para depois reprimir suas consequências. O que está por trás do edulcorado sonho americano é isso: um moedor de carne e de desejos porque, no fundo, as promessas capitalistas desse sonho não são para todos.

Atrás dos vencedores encontra-se uma legião de “loosers” – os não tão bonitos, os tímidos, os perdedores, os pobres, os não-brancos, os imigrantes, os islâmicos, os comunistas, os que não têm e jamais terão um “carrão” etc. Ou seja, a vasta maioria dos seres humanos do planeta.

Como costuma acontecer em culturas imperiais, a sociedade que injeta esses imputs na subjetividade de seus cidadãos – e na dos demais habitantes do planeta – tem dificuldade de lidar com a legião de perdedores regurgitados em cada etapa da engrenagem – urbi e orbe, dentro e fora dos seus marcos territoriais. A saída que encontra é negá-los, seja pela repressão interna, seja pela guerra externa, ambas conectadas por uma ideologia de “tolerância zero” aos “dissidentes”.

Os fuzileiros passam pelas armas seus contestadores externos e a máquina repressiva mantém encarcerados os de dentro, como acontece hoje com boa parte da juventude negra norte-americana. O jovem pobre e negro é o principal rosto visível por trás das grandes nos EUA, a ponto de mascarar assim os índices de desemprego na economia mais poderosa da terra.

O que o Estado imperial faz no resto do mundo – e com seus pobres internos – começa a se reproduzir agora, com angustiante regularidade nas próprias “entranhas brancas” do sistema. Cho Seung-hui, o matador da Virgínia, infelizmente não será o último da série.

Jovens perdedores como ele, esmigalhados em sua subjetividade, sem canais para resolver diferenças e acomodar trajetórias de vidas não propriamente vitoriosas, encontram na matança uma forma de expressão facilitada pela beligerância legalizada num país armado até os dentes. Segundo o pesquisador Kosovky há praticamente 200 milhões de armas de fogo na sociedade norte-americana, uma para cada cidadão.

Oremos. Oremos para que o Brasil retifique a rota de seu desenvolvimento, a tempo de evitar que os sinais amedrontadores emitidos de nossas periferias, venham a se tornar, também, a forma de expressão de nossa juventude banida e sem oportunidades.

Leiam aqui a entrevista do Página 12. É uma das melhores análises sobre a tragédia ocorrida na Universidade de Virgínia Tech.
enviada por Zé Dirceu

Obs. Concordo com o Zé Dirceu em genero, número e Grau !

Skaf: insistência do Copom em não praticar cortes maiores nos juros tem custado muito ao País

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Para a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), “não há dúvida que, mais uma vez, foi desperdiçada importante oportunidade de um corajoso ajuste na queda dos juros no Brasil”, ao manifestar-se sobre o corte de apenas 0,25 ponto percentual na taxa Selic.

“A insistência do Copom em não praticar cortes mais significativos na Selic tem custado muito ao País, tanto em perda de crescimento como na sobrevalorização do câmbio que tira competitividade do produto brasileiro”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Obs .O empresariado precisa serrar fileiras nessa luta contra a pilhagem da industria nacional !

Juros reais a 10,6% prejudicam o país em prol dos especuladores

Redução de apenas 0,25 ponto percentual na taxa Selic mantém juros incompatíveis com o esforço nacional para acelerar o crescimento

O Copom se reuniu outra vez e, outra vez, fez uma redução no minal de 0,25 ponto percentual na taxa de juros básica (Selic). Com isso, a taxa real de juros, isto é, depois de descontada a inflação dos últimos 12 meses, está agora em terríveis 10,6% ao ano.

Os leitores sabem o que está implícito nessa taxa hedionda – uma trava para as empresas, um freio ao desenvolvimento, uma pilhagem sobre o Tesouro. Esses juros, com sua conseqüência, um câmbio de escroque, falso de cabo a rabo, feito sob medida para baratear as importações de mercadorias dos monopólios estrangeiros e encarecer as nossas exportações, é um atentado à política de aceleração do crescimento proposta pelo presidente da República.

Em suma, meia dúzia de sujeitos, reunidos a cada 45 dias, dispõem sobre a distribuição dos recursos de todo o país. Em poucas palavras: pegam o dinheiro comum de todos os brasileiros e, com suas altas taxas de juros, o remete para os cofres dos bancos externos, sobretudo norte-americanos. De quebra, como conseqüência, fabricam uma cotação do real em relação ao dólar que é, por si só, uma fraude, e unicamente para beneficiar a indústria dos países centrais, sobretudo a dos EUA. Sacrificam trabalhadores, empresários, o Estado, e ainda reclamam que, se as coisas não vão bem, não é por causa dos seus juros, mas por falta de mais sangue – dos outros, é claro: falta acabar com a previdência pública e com os direitos do trabalhador.

O segundo lugar do mundo em juros altos, Israel, pratica uma taxa real básica de 6,3%. Israel é uma economia estéril, um pequeno Estado financeiramente quebrado, sempre desesperadamente em busca de dinheiro, internamente instável, permanentemente em guerra, com escassos recursos naturais – até a água é difícil –, e com a subsistência pendurada na ajuda norte-americana. Portanto, um local imensamente menos atrativo do que o Brasil para os “investidores” – isto é, os especuladores – colocarem o seu dinheiro. No entanto, sua taxa básica real de juros por pouco não é a metade daquela do BC.

Quanto ao terceiro lugar em juros, a Turquia, mesmo sob ditadura econômica neoliberal, sua taxa real é de 5,4,%. Depois, vêm as Filipinas e a Indonésia com 4,7% e 4,6%. Depois deles, não há país no mundo cuja taxa real básica de juros atinja 4%.

Nenhum dos países citados tem melhores condições do que o Brasil. Não estamos nos referindo ao nosso tamanho, aos nossos recursos naturais, nem mesmo à nossa economia, muito maior do que a de qualquer um deles. Estamos nos referindo às condições financeiras que os próprios especuladores acham que são aquelas que o país deve ter para que se sintam “seguros”. Não que isso seja importante para o futuro do país – mas elas mostram que, mesmo pelo critério dos especuladores, os juros no Brasil são um absurdo.

INFLAÇÃO

A inflação está em queda: a variação do IPCA de janeiro para fevereiro foi de 0,44%. A variação de fevereiro para março, 0,37%. Não foi apenas uma queda pontual. No trimestre, a variação do IPCA caiu de 1,37% para 1,26%. O propalado “risco-Brasil”, estabelecido pelos próprios especuladores, jamais foi tão baixo. Não há, segundo o próprio Banco Central, sinal de turbulência financeira internacional à vista. A taxa real dos juros básicos norte-americanos está em 3%, portanto, com um diferencial em relação à nossa que não torna vantajoso para o especulador retirar o dinheiro daqui para lá aplicar. Não há perspectiva de alta abrupta dos juros nos EUA, segundo o FED, o banco central daquele país. No máximo, e se a economia não cair no marasmo, como insinua o FED que é possível, vão continuar aumentando 0,25 ponto percentual, como nas suas últimas reuniões.

A propósito: não é uma coincidência extraordinária que alterações de cabalísticos 0,25 ponto tenham se tornado, tanto no Brasil quanto nos EUA, a religião do banco central? Será que o Meirelles, quando presidente do BankBoston, ensinou economia aos capitalistas ianques?

Mas, se o Brasil precisa crescer; se todo mundo concorda que os juros precisam ser mais baixos; se não existe país, com exceção do nosso, em que os juros cheguem a 7%; se na maior parte do mundo eles estão abaixo de 4%; se não há indício de crise financeira internacional; se os juros americanos devem seguir mais ou menos como estão; se, até sob o critério dos especuladores, não há problema algum que os justifique – por que os juros não caem?

MALTA

Os juros não caem porque temos na diretoria do Banco Central e no Copom uma deslavada malta de funcionários de bancos estrangeiros, que faz questão de servir aos seus patrões até muito mais do que eles lhes mandam servir. Os juros não caem porque o objetivo da política financeira do BC, isto é, de Meirelles e caterva, nada tem a ver com a realidade econômica – para não falar dos interesses ou das necessidades do país. Os juros não caem porque, simplesmente, esse objetivo é passar dinheiro público, dinheiro do Estado, dinheiro do povo para os bancos, sobretudo estrangeiros, para os especuladores que enchem os cofres com os nossos recursos, com o nosso trabalho, com o nosso suor.

Se fosse necessária uma prova perfeita, irretorquível, de que toda essa conversa de “autonomia” ou “independência” do BC é apenas a tentativa de implantar uma ditadura financeira para saquear o povo, o Estado e a Nação, a gestão do sr. Meirelles e seus impudentes colegas seria essa prova perfeita.

Meirelles, ou qualquer diretor do BC, foi eleito para governar o Brasil? Para decidir o destino dos recursos do Estado, se para a produção ou para os bancos? Se o país deve crescer ou não – ou quanto deve crescer? Se a nossa economia deve ser importadora ou exportadora, agrícola ou industrial, uma economia independente ou uma economia de cabaré? Quando foi que nós os escolhemos para decidir o que é, ou será, o nosso país?

Mas é exatamente isso o que eles se arvoram a fazer, com suas taxas de juros escorchantes e seu câmbio artificial. E sempre em prol do BankBoston, do Citigroup, do Morgan-Chase, do Bank of America e assemelhados. Sem um voto sequer, sem passar pelo escrutínio das urnas, sem que o povo a eles tenha delegado confiança alguma – muito pelo contrário.

SABOTAGEM

Porém, não apenas eles não foram eleitos para governar. Pior, desrespeitam quem foi eleito para fazê-lo. Desrespeitam o povo, que escolheu o presidente Lula. Sabotam os esforços do presidente Lula para que o país cresça, para que o país seja mais justo, menos desigual e mais independente da trupe financeira que há tanto tempo nos infelicita.

Por isso, os juros não caem. Estamos diante de uma estranha situação, em que tucanos e entreguistas foram esmagados nas urnas, mas um ninho tucano-entreguista, raivoso em relação ao próprio presidente, quer passar por cima de quem foi eleito. Trata-se de um atropelo, para não falar um estupro, ao princípio republicano de que as urnas devem decidir os destinos do país.

É evidente que tal situação é incompatível com a democracia e, a rigor, com a existência do Brasil enquanto país independente, construído pela vontade nacional de seu povo. Mais ainda no momento em que a Nação, convocada pelo presidente, quer acelerar o seu crescimento.

CARLOS LOPES

Hora do Povo

O homem de confiança do sistema financeiro

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O prontuário de Henrique Meirelles não deixa dúvidas quanto às suas tenebrosas transações. Obviamente que seu modus operandi se dá principalmente no âmbito do sistema financeiro, iniciando sua escalada, em 1975, como superintendente da Boston Leasing, culminando com a presidência mundial do BankBoston Corporation (EUA), entre 1996 e 1999, que lhe valeu uma aposentadoria anual de US$ 750 mil, mas tendo antes chefiado o referido banco no Brasil, de 1984 a 1996.

Até 2002 , nunca havia participado de alguma reunião para discutir tal ou qual questão política – e nunca, em tempo algum, teve representatividade social -, mas naquele ano foi eleito em Goiás deputado federal pelo partido dos banqueiros, quer dizer, pelo PSDB, com mais de 130 mil votos. A jornalista Marília Rodrigues resume bem como conseguiu a proeza: “O banqueiro chega ao Brasil partindo para a carreira política e, com o apoio de Fernando Henrique, em pouco tempo de articulação se filia ao PSDB”. A campanha “foi a mais discreta que o dinheiro pôde proporcionar. Não participou de comício, teve pouco tempo de propaganda gratuita, quase nenhuma aparição pública. A articulação nas bases política, no entanto, foi a mais agressiva que o dinheiro pode comprar. Inúmeros candidatos a deputado estadual soltaram material farto, santinhos, camisetas, panfletos, trazendo a seu lado o candidato internacional”.

Em maio de 2005, a pedido do então procurador-geral da República, Claudio Fonteles, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou abertura de processo contra o indivíduo, suspeito de prática de crime contra o sistema financeiro, evasão de divisas e crime eleitoral. Em seu despacho, o ministro Marco Aurélio de Mello determinou a quebra do sigilo fiscal de Meirelles e das empresas por ele controladas.

Ao assumir a presidência do Banco Central, preencheu os cargos da diretoria com representantes de bancos estrangeiros e implantou os juros mais altos do mundo, desviando fabulosos recursos da produção para a farra especulativa. Sob sua gestão, até o momento, nada mais nada menos que R$ 615,51 bilhões já foram para o ralo dos juros, o que levou o presidente do Citibank, William Rhodes, à seguinte afirmativa: “Ele é homem de confiança do sistema financeiro internacional e acredito que também dos banqueiros brasileiros”.

Jornal Hora do Povo

Indagações a Bento XVI

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Escrito por Frei Betto

Vossa Santidade ressuscitou o que o Concílio Vaticano II havia enterrado: a missa em latim. Uma exigência de monsenhor Lefebvre, arcebispo francês excomungado em 1988 por se recusar a aceitar as inovações conciliares.

Criança, assisti a muitas missas em latim, com o celebrante de costas para os fiéis, segundo o rito tridentino de meu confrade, o papa Pio V, que foi dominicano. Por que permitir a volta do latim? Quantos fiéis dominam este idioma? Jesus não falava latim. Falava aramaico. Talvez um pouco de hebraico. E por viver numa região dominada por Roma, com certeza conhecia alguns vocábulos latinos, como a saudação romana Ave, que se introduziu na oração mais popular do catolicismo, a Ave Maria.

Assim como o grego universalizou-se pelo Mediterrâneo graças às campanhas de Alexandre, o latim estendeu-se na proporção das conquistas do Império Romano. Por esta lógica, não seria mais adequado adotar, hoje, o inglês? Ora, a grande maioria dos fiéis católicos encontra-se, hoje, na América Latina. E não entende grego, latim ou inglês. Exceto poucas palavras, como paróquia, pedra e futebol. Não é bom que participem da missa em língua vernácula?

Considerado o empenho de inculturação da Igreja, não é contraditório voltar o latim à missa? Tenho um amigo, ateu até a medula, que adora freqüentar missas em latim. Para ele, a liturgia reduz-se a um espetáculo. É uma questão de estética, não a ponte comunitária entre o nosso coração sedento e o Transcendente.

Inquieta-me a sua afirmação de que é “uma praga” casar pela segunda vez e proibir os católicos que o fazem de acesso à eucaristia. Os evangelhos revelam que Jesus comungou com pessoas que, vistas de hoje, andavam distantes da moral vaticana. Ele defendeu uma mulher adúltera prestes a ser apedrejada pelos moralistas da época. Curou o fluxo de sangue de uma mulher fenícia sem, antes, exigir dela adesão à fé que ele propagava. Curou também o servo do centurião romano sem primeiro impor-lhe a condição de repudiar a seus deuses pagãos. Jesus fez o bem sem olhar a quem.

Tenho amigos e amigas que contraíram segundas núpcias. Todos por razões muito sérias, que seriam melhor entendidas por padres e bispos se eles, como na Igreja primitiva, tivessem mulher e filhos. (Convém lembrar que Jesus escolheu homens casados para apóstolos, pois curou a sogra de Pedro).

Contrair matrimônio é algo tão transcendente que a Igreja fez disso um sacramento. Ocorre que, antes de ser uma instituição, o casamento é um ato de amor. E há uniões que fracassam, pois somos todos frágeis e pecadores, e nossas opções, sujeitas a chuvas e trovoadas, deveriam merecer também a misericórdia da Igreja.

Tenho amigos e a amigas divorciados que reconstruíram suas relações afetivas e se recusam a aceitar a proibição de comungar. Minha amiga D., três meses após o casamento, sofreu com o marido um grave acidente de trânsito. Ele ficou tetraplégico. Dois anos depois, com a anuência dele, ela contraiu uma nova relação, pois ouviu do homem com quem se casou na Igreja: “Por te amar, quero-te plenamente realizada como mulher e mãe”. Ela e o novo marido visitavam periodicamente o homem acidentado, que sobreviveu por sete anos e se tornou padrinho do primeiro filho do casal. Devo dizer a essa amiga que Deus, que é Amor, não está em comunhão com ela e, portanto, trate de manter distância da mesa eucarística, pois a Igreja a considera “uma praga”?

Certa noite eu me encontrava em Boca do Acre, em plena selva amazônica, numa celebração de Comunidade Eclesial de Base. Dona Raimunda, mãe de seis filhos, cujo marido havia partido para a Transamazônica em busca de trabalho – onde ficou quatro anos sem dar notícias (e ela soube que, lá, ele constituíra outra família) -, disse na missa, no momento da Oração dos Fiéis: “Quero agradecer a Deus por me ter dado um outro marido que é um pai bondoso para os meus filhos.” ·

Dona Raimunda se uniu a outro homem que a ajudava na sobrevivência e na educação dos filhos numa situação de extrema penúria. Eu deveria dizer a ela para não se aproximar da mesa eucarística? Naquele momento, o papa João Paulo II, em visita ao Chile, dava comunhão ao general Pinochet.

Querido papa: leio na Primeira Carta de João que “Deus é Amor: aquele que permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nele” (I João 4, 16). Essas pessoas que citei, e tantas outras que conheço, amam e, portanto, Deus permanece nelas. Devo adverti-las que não são amadas pela Igreja e, portanto, estão proibidas de receber o pão e o vinho transubstanciados no corpo e no sangue de Jesus, o Senhor da compaixão e da misericórdia?

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Leonardo Boff, de “Mística e Espiritualidade” (Garamond), entre outros livros.

SERRA: Perguntas sobre a cratera são “BRINCADEIRA”

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Por Paulo Henrique Amorim

Durante a visita do presidente eleito José Serra ao canteiro de obras da futura estação Ipiranga da Linha 2 do Metrô, a repórter do Conversa Afiada Daniela Paixão perguntou a Serra se ele iria responder às 30 perguntas do Conversa Afiada sobre a cratera do Metrô.

. O presidente eleito disse: “Recebi. É uma coisa muito confusa, parecia brincadeira” (clique aqui para ver).

. O presidente eleito José Serra recebeu as perguntas que ele considera uma “brincadeira” no dia 28 de março, conforme documento anexo da Casa Civil do Palácio dos Bandeirantes.

. As perguntas de “brincadeira” sobre a cratera do Metrô são:

1) O Governo do Estado pretende processar o consórcio por provocar um acidente numa obra pública que resultou na morte de sete pessoas?

2) Por que o Governo do Estado não trocou de empreiteiros depois do acidente?

3) Por que até agora o contrato não foi suspenso e as obras interrompidas?

4) Por que o Metrô resiste em aceitar a proposta dos metroviários de paralisar as obras até que seja feita uma fiscalização em toda a Linha 4 para se certificar de que ela é segura?

5) O Metrô fiscalizava as obras? Como? Qual o nome do fiscal?

6) Havia um plano de evacuação da obra em caso de acidente? Onde está esse plano, se existe?

7) O Governo do Estado vai repetir esse tipo de contrato (“turn key”) (“porteira fechada”) em outras obras?

8) O Governo do Estado se sente responsável pelas vítimas do acidente?

9) Por que o governador do estado não recebeu a comissão de moradores do entorno da cratera do Metrô, que tentou falar com o governador na segunda-feira, dia 26 de março?

10) Antes de a obra começar, havia um estudo geológico da área que se tornou a cratera? O que diz esse estudo? Como ter acesso a ele?

11) Por que o Metrô “colocou” as empresas do consórcio perdedor no processo de licitação dentro do Via Amarela?

12) O consórcio Via Amarela não deveria ser excluído do processo de licitação, já que não atendia à especificação do edital que exigia dos concorrentes ter dois shields?

13) Por que, no início, a área de responsabilidade do Metrô era sobre um raio de 300 metros do local onde desabou a cratera e agora passou para 50 metros? (Vale lembrar que o consórcio interditou uma casa dentro desse raio de 300 metros e chegou a levar alguns moradores para o hotel)

14) Por que, até agora, não foi possível iniciar a perícia criminal na cratera do Metrô?

15) Quase três meses depois da tragédia, por que o consórcio Via Amarela ainda não autorizou o IPT a vistoriar o local exato do acidente?

16) Até quando o consórcio vai alegar que o terreno está instável e não pode haver ainda uma perícia?

17) E onde estão os “institutos internacionais” que seriam contratados pelo IPT para ajudar a fazer a perícia ?

18) Por que não foi pedida a perícia a outro órgão além do IPT – um órgão, em ultima análise subordinado ao Governo do Estado? O Governo do Estado vai deixar, por exemplo, o sindicato dos metroviários participar do trabalho de perícia?

19) De acordo com o morador Flávio Sato, a reconstrução da casa dele vai demorar um ano. Enquanto isso, ele vai ficar num hotel. Por que tanto tempo para construir uma casa?

20) Com o reinício do trabalho com o mega-tatuzão, o equipamento não demora muito para chegar aos pontos onde as obras estão paralisadas. E aí, o que vai acontecer?

21) Por que o Luiz Carlos David foi demitido? Só ele merecia?

22) Depois desse acidente, o Metrô vai passar a fiscalizar as obras da Linha 4?

23) O Metrô foi omisso ao autorizar as alterações contratuais, que modificaram o método construtivo?

24) Por que o consórcio não suspendeu as obras da futura estação Fradique Coutinho, após receber o laudo que mostrava a possibilidade de “acidentes de proporções imprevisíveis” no local?

25) O que o Governo do Estado acha da política do consórcio de baratear a obra à revelia do contrato?

26) O Metrô e o Governo do Estado sabiam que o consórcio Via Amarela pagava prêmio em dinheiro para quem acabasse a obra antes do prazo?

27) O Metrô e o Governo do Estado sabiam que o consórcio Via Amarela usava dinamite e não o mega-tatuzão no local onde se abriu a cratera?

28) A dinamite era o melhor método para aquele terreno?

29) Por que o então gerente de construção da linha 4 do Metrô, Marco Antonio Buoncompagno, não foi demitido no primeiro dia do atual Governo do Estado, já que Buoncompagno era processado por ter participado de esquema ilegal de contratação pública em parceria com uma das empreiteiras do Consórcio Via Amarela?

30) Por fim, para aproveitar a oportunidade, gostaríamos de saber qual será a política do governador do estado para comprar ambulâncias?

Esse é o PSDB !