Lula: “temos que ter um política de Estado” para o álcool brasileiro

O presidente Lula defendeu na segunda-feira, em seu programa semanal de rádio, os planos de expansão da produção brasileira de álcool e salientou que para o sucesso do projeto é fundamental a participação e o controle do Estado sobre as atividades do setor. “O que nós precisamos é ser racionais, trabalhar com muito cuidado nisso, obviamente que nós temos que ter uma política de Estado orientando onde vai ser produzido, que tipo de coisa vai ser utilizada”, avaliou.

Em sua opinião, o problema da expansão desenfreada e predatória da produção canavieira será evitado com a presença do Estado. Além da delimitação de áreas e definição das melhores técnicas de plantio da cana, como lembrou o presidente, outro fator que poderá ser melhor enfrentado é a ameaça de desnacionalização das usinas brasileiras de álcool. Bush mal esconde que essa é a verdadeira intenção de seu governo. Um fundo recheado com US$ 2 bilhões foi lançado para açambarcar usinas brasileiras após seu discurso nos EUA sobre o tema. À frente deste fundo está ninguém menos do que Henri Reichstul, testa-de-ferro que, como presidente da Petrobrás no governo Fernando Henrique, sabotou a estatal e quis até mudar seu nome para “Petrobrax”.

O problema dos EUA é que o álcool lá é produzido a partir do milho. O custo médio de produção de um litro de álcool lá é de 47 centavos de dólar. Segundo analistas, a energia gasta para produzir álcool nos EUA é maior do que a energia que é produzida. Já no Brasil, o custo da produção, a partir da cana , é de 20 centavos de dólar. E é por conta da baixa produtividade do álcool a partir do milho que Bush sobretaxa o álcool brasileiro.

Agora, o irmão de Bush, John Ellis (Jeb) Bush, governador da Flórida, em entrevista à revista “Veja”, por ocasião de sua viagem ao Brasil, acabou também abrindo mais ainda o jogo. Afundados numa grave crise de petróleo por conta, entre outras coisas, do fracasso do assalto perpetrado ao Iraque, eles querem se apoderar das usinas de álcool. “A beleza do etanol é que, no lugar de haver algumas companhias de petróleo nacionais ou líderes de países tomando decisões sobre a produção, o que pode ter impacto na segurança nacional de nosso país, estamos falando de milhares de fazendeiros que produzem álcool”, disse. Nesses “milhares de fazendeiros” aventados por ele, evidentemente não estão só os americanos. Ele está se referindo também aos produtores brasileiros. Portanto, esta declaração de Jeb Bush é típica de quem acha que pode usar a sua própria crise energética para subjugar e atrelar economias de outros países a seus próprios interesses.

A presença do Estado limitará também a atuação de especuladores. Um deles, corretor de imóveis de Rio Bonito -RJ, andou falando suas lorotas. Disse a um jornal paulista, no fim de semana, que já teria 1,3 milhão de hectares de terras pré-arrendadas junto a produtores. Que sua “empresa” com um capital social de R$ 1.000, já teria contratos com a Petrobrás para a produção de 4,8 bilhões de litros de álcool. Ou seja, sua “produção” de álcool será superior à da Coopersucar (cooperativa que reúne 29 usinas) maior produtor nacional e responsável por 2,7 bilhões de litros de álcool. A Petrobrás, que será o principal instrumento de atuação do governo no setor produtor e de distribuição de álcool, desmentiu o picareta e desautorizou que qualquer especulador use ilegalmente o nome da empresa pública em suas negociatas.

SÉRGIO CRUZ

Hora do Povo

Na Cúpula Energética, presidentes do Brasil e da Venezuela defenderam que a integração da região será marco para superar o problema

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Independência energética, fortalecimento da integração e cooperação regional em matéria de eletricidade, hidrocarbonetos, biocombustíveis, e fontes alternativas de energia para sustentar o desenvolvimento da América do Sul. Estes foram os principais temas que mobilizaram os chefes de Estado de 12 países e centenas de autoridades que participaram da 1ª Cúpula Energética Sul-Americana, que foi realizada entre os dias 16 e 17 na Ilha Margarita, na Venezuela.

Antes da chegada dos presidentes, os diplomatas dos países da Comunidade Sul-Americana de Nações (CASA), formada por Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela, delinearam uma declaração conjunta e estratégias de ação do bloco. Na tarde da segunda-feira, os presidentes mantiveram reuniões bilaterais, enquanto os chanceleres e ministros de Energia dos 12 países da Comunidade discutiram questões técnicas dos projetos. Além do anfitrião Hugo Chávez, até a segunda-feira estavam presentes Luiz Inácio Lula da Silva, Néstor Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Nicanor Duarte (Paraguai); o ministro do Suriname Gregory Rusland; o primeiro ministro guianense, Sam Hinds; e o vice-presidente uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, que mantiveram uma reunião de trabalho, à qual se uniram posteriormente os presidentes da Colômbia, Alvaro Uribe; e Chile, Michelle Bachelet.

PÓLO

O evento foi precedido por uma ação concreta de integração entre o Brasil e Venezuela relacionada com o tema da Cúpula. Foi o lançamento da pedra fundamental de um pólo petroquímico na Venezuela, numa associação entre as petroquímicas Braskem (do Brasil) e Pequiven (da Venezuela), que resultará na construção do complexo General de Divisão José Antonio Anzoátegui, nos arredores da cidade de Barcelona. Ao lado dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales, e do Paraguai, Nicanor Duarte, o presidente Lula afirmou que “não estamos plantando apenas uma parceria entre Venezuela e Brasil, entre uma empresa da Venezuela e uma empresa do Brasil. Estamos plantando uma coisa muito mais sagrada para o povo do Brasil e o povo da Venezuela, a partir de uma planta aqui, na Venezuela: o conhecimento para que nos transformemos, rapidamente, em exportador de produtos com alto valor agregado, com o valor de conhecimento e de inteligência que justifique os bons preços e o desenvolvimento da Venezuela e do Brasil”.

“Eu quero, Chávez, lhe dar os parabéns”, continuou Lula. “Eu penso que, depois de muito tempo, a Venezuela resolveu tomar uma decisão de se transformar numa grande nação. E uma grande nação, ela só acontece quando os governantes sonham grande, pensam grande. Se pensarmos pequeno, nunca deixaremos de ser pequenos”.

Chávez exaltou a integração e disse que os sul-americanos carregam em seus genes a visão de uma grande pátria unida. “Temos que levantar nossos povos em condições de igualdade. Juntos, como irmãos, faremos realidade o sonho da América do Sul”, afirmou, destacando que “o Paraguai sozinho, a Bolívia sozinha, jamais conseguiriam. O Brasil sozinho, jamais poderia (se desenvolver)”. “Fiquemos juntos para sermos livres”, conclamou. Chávez ressaltou que “vivemos uma crise energética mundial. A causa se chama petróleo, a causa se chama energia. A América do Sul tem tudo para enfrentar essa crise, dando prioridade a nosso consumo (interno)”.

O novo complexo petroquímico que será construído na Venezuela é um exemplo dos acordos a serem implementados na América do Sul. O presidente Lula destacou que esta iniciativa deve ser expandida para outros países. O investimento total é estimado em US$ 5 bilhões. Um dos projetos prevê uma planta de polipropileno (plástico usado em películas e fibras) com capacidade de produzir 450 mil toneladas anuais. A estimativa é de que esteja em operação até o final de 2009.

Outra parceria de grande porte entre Brasil e Venezuela é a refinaria de petróleo que está sendo construída no porto de Suape, em Pernambuco, e terá capacidade de processar cerca de 200 mil barris por dia. O projeto prevê investimentos de US$ 2,5 bilhões em uma parceria entre a Petrobrás e a estatal de petróleo da Venezuela, PDVSA.

INTEGRAÇÃO

Muito mais que uma integração energética, a Cúpula buscou a redução de assimetrias e o desenvolvimento da região, que será financiado pelos governos e por empresas estatais. Além disso, os países sul-americanos planejam criar o Banco do Sul – projeto inicial da Venezuela e da Argentina e que o Brasil recebeu o convite oficial para integrá-lo e aceitou participar -, que terá a missão de financiar projetos na área energética e de infra-estrutura.

Outro exemplo da integração é a construção do gasoduto do sul, iniciativa da Venezuela, Brasil, Argentina e Bolívia, que prevê a construção de um gasoduto com um percurso de 12.500 quilômetros. O gasoduto do sul estará terminado em 2017, com um investimento em cerca de US$ 20 bilhões. O gás será fornecido pela Venezuela e Bolívia. A Venezuela tem reservas comprovadas de mais de 151,5 trilhões de pés cúbicos de gás, as maiores da América do Sul e as oitavas maiores do mundo.

Na manhã de segunda-feira, no seu programa de rádio “Café com o Presidente”, Lula falou sobre a importância do encontro e os benefícios que os acordos trarão para os países da América do Sul. “O Brasil tem mostrado uma preocupação com a integração da América do Sul, e o item energia é um dos principais para que haja uma integração efetiva na América do Sul”, disse Lula. “Por exemplo, na Bolívia, temos muito gás, na Venezuela, temos muito gás. Temos outros países que têm petróleo, como Peru, Colômbia, Equador. A Venezuela tem muito petróleo. Estamos presentes em todos esses países. Estamos construindo parcerias também na questão da energia elétrica, na questão do gás, na questão do biodiesel, na questão do etanol, ou seja, queremos fazer uma integração para que nenhum país da América do Sul sofra qualquer crise por falta de abastecimento de energia, seja elétrica ou seja combustível”, ressaltou.

A Cúpula serviu também para os governos do Brasil e da Venezuela reafirmarem os acordos de cooperação na área de biocombustíveis. O assessor da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou que o governo brasileiro acertou os detalhes para a venda de etanol para a Venezuela. “Vendemos etanol e vamos continuar vendendo etanol para a Venezuela para que incorpore cerca de 10% do etanol. As críticas sobre a produção do etanol estão atenuadas em certa medida. O acordo já está sendo refeito e agora é simplesmente uma questão de preço. Este tom de debate que apareceu em determinado momento está mais calmo, a discussão está mais racional e menos emocional”.

ETANOL

Poucos dias antes da Cúpula, o presidente Chávez já havia se pronunciado sobre as manipulações de Bush e sua mídia para tentar intrigar a Venezuela e o Brasil em relação ao etanol. “Jamais iremos brigar com Lula, jamais iremos brigar com o Brasil”, disse Chávez, enfatizando que com o etanol, produzido a partir da cana-de-açúcar, “nos permite substituir um dos elementos mais poluentes na gasolina, o derivado de chumbo em até 8% a 10%”.

Na segunda, após reunião de trabalho com os presidentes, Chávez voltou a afirmar que “apenas alertamos sobre a proposta de Bush, que é muito diferente do que propõe o Brasil para uma energia complementar ao petróleo”. O etanol “nunca vai substituir o petróleo e o gás, mas vai complementá-los, como a energia nuclear, a eólica, a energia solar”, ressaltou Chávez, que tratou do tema com Lula.

ALESSANDRO RODRIGUES

Hora do Povo

Tabacof defende “rápida redução dos juros” para reverter câmbio adverso

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A indústria manufatureira, que sempre o foi o carro-chefe da atividade econômica, já puxa para baixo a taxa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Mesmo com a revisão do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que elevou os números nacionais, a indústria ficou com míseros 1,9% de avanço. Isso soma-se aos estragos já causados pelo câmbio na renda dos produtores agrícolas, levados a uma situação crítica de difícil recuperação”, afirmou o diretor do Departamento de Economia do Centro das indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Boris Tabacof, ao analisar “o estrago” do câmbio adverso na economia brasileira.

Diante de tal situação, no artigo “’Soft landing’ para o câmbio”, no jornal Folha de S.Paulo, Tabacof prevê dias difíceis, o que poderá provocar “contínua queda das receitas de exportação de empresas, que, de início, causa diminuição dos lucros e da capacidade de investir e depois leva à redução e à paralisação de atividades quando os preços obtidos em reais alcançam e ultrapassam os custos variáveis, isto é, geram prejuízos na atividade” e “desindustrialização que ainda não é generalizada, mas que, de acordo com a ‘lei da gravidade’, vai se espalhando para muitos segmentos”, entre outras situações.

Para Tabacof, algumas medidas podem “reverter essa situação nefasta”: “rápida redução dos juros, o que não representa riscos de inflação, que seria a meta de chegar a 6% de juros reais, dito explicitamente pelo Banco Central”; “eliminação da isenção de 15% de Imposto de Renda sobre os ganhos dos investidores estrangeiros em títulos públicos federais”; e “tributação crescente sobre rendimentos de capitais que ingressam para ganhar na arbitragem dos juros, por exemplo, pegando-se empréstimos com taxas japonesas muito baixas e trazendo para a aplicação em títulos com juros brasileiros, o que dá um lucro garantido de, no mínimo, 6% ao especulador financeiro, sendo a progressividade da taxação inversamente proporcional ao prazo de permanência do investimento produtivo no país”.

Hora do Povo

BNDES na mira dos neoliberais

BNDES na mira dos neoliberais
Escrito por Altamiro Borges
16-Abr-2007

Avolumam-se as especulações em Brasília de que a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), estratégica instituição de fomento ao desenvolvimento nacional, poderá retornar às mãos dos banqueiros. O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, ex-diretor do conservador jornal O Estado de São Paulo, ex-presidente da Autolatina (consórcio da Volks e da Ford), que patrocinou a demissão de milhares de metalúrgicos nos anos 80, e, atualmente, homem forte do setor financeiro, indicou ao presidente Lula o nome do ex-diretor do banco espanhol Santander, Gustavo Adolfo Funcia Murgel, para presidir o BNDES em substituição ao economista Demian Fiocca.

O jogo é pesado e reflete os conflitos no interior do governo Lula entre os chamados desenvolvimentistas e os neoliberais. Segundo revela o jornal Valor Econômico, a manutenção do atual presidente é defendida pelo ministro Guido Mantega e pelo corpo técnico da instituição; já a indicação do agente do Santander é uma imposição de Miguel Jorge, que condicionou sua entrada no governo à retomada do comando direto do BNDES. Gustavo Murgel teria o perfil exigido pelos banqueiros para redirecionar o banco estatal. Ele é conhecido no mundo financeiro como o super-executivo que ajudou na operação de venda do Banespa, privatizado pelo governo tucano em São Paulo, para o Santander, em 2000. Durante sua permanência na multinacional espanhola, Murgel foi alvo de dois processos na Comissão de Valores Imobiliários (CVM).

Caso sua nomeação seja confirmada, representará duro golpe na trajetória recente do BNDES. Durante o triste reinado de FHC, a instituição ficou sob comando de agentes do capital financeiro – como Francisco Gros, do Morgan Stanley – e adotou uma linha de banco de investimentos, apoiando as privatizações das estatais e priorizando empréstimos às grandes corporações empresariais. Carlos Lessa, indicada por Lula no primeiro mandato, inverteu essa lógica e deu um caráter mais público ao banco, como instituição de fomento ao desenvolvimento nacional. Alvo de violentos ataques dos neoliberais, ele foi exonerado, mas o seu substituto, o economista Demian Fiocca, manteve a mesma linha desenvolvimentista.

Agora, os poderosos representantes da ditadura do capital financeiro partem para a revanche. Diante deste iminente risco, é urgente erguer a voz e aumentar a pressão. O patriota Carlos Lessa já saiu na frente. Para ele, a indicação de Murgel para a direção do BNDES seria um baita retrocesso. “Tive todo um trabalho para retomar as origens do BNDES como banco de fomento”, lamenta. Não dá para ficar quieto frente a este perigo. Os movimentos sociais e os parlamentares progressistas precisam por a boca no trombone. Além do Banco Central, que hoje está sob controle dos banqueiros e que faz questão de empacar o PAC, o setor financeiro quer agora abocanhar os volumosos recursos do BNDES. É demais da conta!

Altamiro Borges é jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).

‘Condições para redução dos juros estão dadas’, afirma CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que “a melhor alternativa para conter a valorização do real frente ao dólar é reduzir a diferença entre os juros praticados no Brasil e no resto do mundo”.

Segundo a entidade, “a combinação de juros altos e expectativa de valorização do real formaram um ambiente muito rentável às aplicações financeiras no Brasil”. Assim, “a rápida redução das taxas [de juros] diminuirá os estímulos à arbitragem (tomar dinheiro a juros baixos no exterior e aplicar no Brasil com juros mais altos) com a moeda brasileira no mercado internacional”.

“As condições macroeconômicas para essa redução estão dadas: as taxas de inflação presente e futura estão abaixo de 4% ao ano, portanto inferior à meta estabelecida pelo Banco Central para este ano”, diz a CNI.

Para a entidade, o câmbio desequilibrado “reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado interno e externo”, fazendo-se necessário “reverter essa tendência com urgência”.

O dólar fechou no dia 13 com a menor cotação desde fevereiro de 2001: R$ 2,022.

Hora do Povo

Ministro Franklin ganha ação contra Diogo Mainardi

O jornalista Diogo Mainardi, da “Veja”, foi condenado em ação por danos morais, ajuizada contra ele na 2ª Vara Cível do Rio de Janeiro pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins. Na sentença, proferida em primeira instância, o jornalista teve como pena o pagamento de uma indenização no valor de R$ 30 mil reais.

Diogo Mainardi foi processado pela acusação de que o ministro Franklin Martins, antes de assumir o cargo, teria beneficiado parentes na contratação pelo serviço público e de ter participado da quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa – episódio resultou na queda de Antonio Palocci Filho do Ministério da Fazenda no início de 2006.

O jornalista tem o direito de recorrer da sentença.
JornaL Hora do Povo

Lançada a Campanha da Bandeira Nacional

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“Temos no Brasil um patriotismo sazonal, intenso durante a Copa do Mundo, quando as bandeiras brasileiras tremulam por todos os cantos. Depois desaparecem, o que não acontece nos países do Primeiro Mundo, que mantêm o pavilhão nacional ostentado como referencial perene do amor à pátria”. Com estas palavras o presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, abriu os discursos de lançamento da Campanha Nacional do Centenário da Festa de Aniversário da Bandeira Brasileira, no São Paulo Club, no dia 12 de abril, lideradas pela OAB SP e ADVB e apoiada pela FenaADVB, que contou com adesão da Associação Comercial de São Paulo e prefeituras do Estado.

“ Estamos desencadeando esta campanha para que nesse período possamos envolver todas as forças vivas da sociedade e todos os brasileiros, que incontáveis iniciativas possamos realizar até chegar no dia 19 de novembro de 2008 que, em cada lar , espaço público ou privado tenhamos ostentado o pavilhão nacional”, completou D´Urso.

Miguel Ignátios, presidente da ADBV, saudou os comandantes das Forças Armadas, homenageados durante o evento.“Bem-vindos a todos que estão chegando nesta terra paulista e nosso temporário adeus àqueles que estão partindo para novas e dignificantes tarefas. Nós paulistas esperamos de todos os cumprimento do dever, mas sobretudo integrados num grande propósito em respeito a todos aqueles padrões da nossa sociedade, da nossa pátria, a busca definitiva do desenvolvimento. Sem desenvolvimento não teremos resgate social. Precisamos desenvolver este país e as forças da sociedade civil, entre elas o empresariado brasileiro, estão todas emanadas em busca deste objetivo comum”, afirmou.

JB Oliveira, presidente da Comissão de Assuntos Institucionais e Corporativos da OAB SP, lembrou o tempo em que o hino nacional brasileiro era cantado nas escolas, em que a bandeira do Brasil era hasteada. “ Quinze dias antes do Dia da Pátria, nas quadras das escolas, nós estávamos ensaiando, treinando para que no Dia 7 de Setembro nós pudéssemos, com o nosso desfile, com a nossa altivez, com o nosso amor engendrado à Pátria. Este é motivo que nos reuniu neste dia e reuniu também os nossos comandantes militares das unidades sediadas aqui em São Paulo, a quem devemos muito, a começar pela presença física, pessoal desse evento, poderiam quiçá enviar um representante. Sabemos de suas muitas atribuições, mas fizeram questão de aqui estar para dizer nós, comandantes militares, estamos presentes, juntos com a sociedade, não a sociedade civil, todos somo da sociedade civil, mas a sociedade brasileira, para empunhar bem alto a bandeira do Brasil e através desta bandeira do Brasil iniciar uma campanha do resgate do civismo e da cidadania”, afirmou. JB fez um resumo da biografia de cada comandante.

Na ocasião do lançamento foram homenageados: o general do Exército Luiz Edmundo Maia Carvalho e o gal. Antônio Gabriel Ésper, respectivamente o que deixa e o que assume o Comando Militar do Sudeste, o vice-almirante José Carlos Cardoso, da Marinha, comando do IV Distrito Naval e o major brigadeiro do Ar, comandante do IV Comar, Aprígio Eduardo de Moura Azevedo . Eles receberam placas comemorativas pelos relevantes serviços em pró da democracia e da cidadania, no exercício do seu comando neste estado da Federação.

O general Carvalho, comandante militar do Sudeste, lembrou que a bandeira é conduzida pelos soldados, pelos marinheiros, pelos aviadores nas diversas campanhas e nas missões de paz que o Brasil tem participado e que a Camapanha do Centenário da Festa “recebe todo o apoio, atenção, o carinho e o empenho do Exército brasileiro com todas as suas organizações militares que diariamente hasteiam o pavilhão nacional, tendo presente neste hasteamento os nossos militares, principalmente aqueles que por força do serviço diário, inclusive nos sábados e domingos. Portanto, neste momento, no lançamento deste programa nos queremos, nos temos condições de abrigar os jovens nos nossos aquartelamentos para que eles participem das solenidades cívico-militares e apreciem todo o ritual militar de devoção à bandeira nacional. Meus cumprimentos tanto à OAB como a ADVB”, ponderou o general.

Do site da OAB.

Obs. Estive presente no evento, e concordo com Miguel Ignatios, Presidente da ADVB, , o desenvolvimento do Brasil deve ser acompanhado de civismo, cidadania, jusitça social, e amor a nossa Bandeira. Foi uma solenidade de amor à Pátria !

Justiça suspende liminar que impedia licença ambiental para usina Angra 3

A Justiça derrubou a liminar que impedia o licenciamento ambiental para a construção da usina nuclear de Angra 3. A decisão foi tomada, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Com a cassação da liminar, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) poderá agora prosseguir com a análise do Estudo de Impacto Ambiental/ Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), com a realização de audiências públicas como determina a lei.

Em novembro do ano passado, a Justiça Federal de Angra dos Reis (RJ) acolheu ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF), concedendo a liminar que paralisou os trabalhos do Ibama. Na época, o MPF sustentou que o licenciamento ambiental feria a Constituição principalmente quanto à definição da localização da usina, além de alegar que havia necessidade de aprovação do projeto pelo Congresso Nacional.

Com o recurso impetrado pela Eletronuclear, a Justiça entendeu que as obras de Angra 3 foram autorizadas pelo decreto 75.870/75. “Procedimento legal”, afirma a Eletronuclear, “vigente à época e recepcionado pela Constituição de 1988”.

Hora do Povo

“É o momento de incluir, com coragem, a energia nuclear como parte importante de nossa matriz energética”

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“Concluir Angra 3 surge como uma oportunidade para reforçar a oferta de energia na região Sudeste e criar as condições necessárias para que nosso programa nuclear não pare no tempo e possa ser desenvolvido em sua plenitude” defendeu o líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ), destacando a importância do desenvolvimento do programa nuclear brasileiro na ampliação do setor energético do país.

“Com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o Brasil volta a discutir um novo ciclo de crescimento interno que, ao contrário do ocorrido no passado, será caracterizado pela maior independência financeira internacional e forte redistribuição de renda. É preciso garantir as condições de infra-estrutura capazes de suportar esse novo ciclo, em particular no tocante ao suprimento de energia elétrica”, afirmou Luiz Sérgio, em artigo no site do PT na Câmara. Ele lembrou que “o país já investiu US$ 750 milhões na compra de equipamentos para Angra 3 e gasta cerca de US$ 20 milhões por ano para mantê-los em condições de entrar em operação”.

Luiz Sérgio destacou que o governo vem tomando iniciativas fundamentais à expansão do setor energético brasileiro: “em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trouxe nova vida ao setor. Resgatou o papel do Estado, não mais como o empreendedor único, mas assumindo sua função de planejar e viabilizar os empreendimentos necessários à expansão de nossa matriz energética, condição primeira para o fomento ao desenvolvimento econômico e à inclusão social”.

“O Brasil possui a sexta maior reserva conhecida de urânio no mundo”, lembrou o deputado. “Temos profissionais capacitados para executar todas as atividades exigidas na cadeia de produção necessária para o uso pacífico da energia nuclear e dominamos o ciclo do seu combustível, o que barateia custos e viabiliza a atividade. Por que, então, não investir na ampliação de nosso programa nuclear?”, questionou Luiz Sérgio.

“É o momento de incluir, com coragem, a energia nuclear como parte importante de nossa matriz energética, compondo com a principal fonte de geração do país, a hidroeletricidade, um quadro que nos coloque em posição avançada como nação onde é possível crescer de forma ambientalmente sustentável, com geração e distribuição de riquezas” ressaltou o deputado.

Jornal Hora do Povo

Brasil e Índia reforçam parceria no comércio, energia e defesa

O ministro Celso Amorim, em visita oficial à Índia, entre os dias 11 e 13, participou da 3ª Reunião da Comissão Mista Brasil-Índia discutindo a ampliação das relações entre os dois países e cooperação em áreas como energia, agricultura, ciência e tecnologia, educação, cultura e defesa. Recepcionado pelo ministro de Relações Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, Amorim reuniu-se com o presidente Abdul Kamal e com o primeiro-ministro Manmohan Singh.

Parceiros nas negociações em organismos multilaterais de comércio, os representantes dos dois países enfatizaram a importância de uma estreita coordenação em negociações econômicas multilaterais, em particular na Organização Mundial do Comércio (OMC) e na conclusão com sucesso da Rodada de Doha, com o objetivo de “fortalecer o sistema econômico multilateral de modo a responder às aspirações desenvolvimentistas dos países em desenvolvimento”, diz o Comunicado Conjunto. Os ministros reiteraram o compromisso de continuar trabalhando juntos no G-20.

O Brasil é o maior parceiro comercial da Índia na América Latina. Segundo o Itamaraty, o comércio Brasil-Índia duplicou entre 2004 e 2006, saltando de US$ 1,2 bilhão para US$ 2,4 bilhões. No ano passado, o Brasil exportou US$ 936 milhões para a Índia e importou US$ 1,47 bilhão. Celso Amorim viajou acompanhado de uma delegação de empresários de diversos setores, considerando que o Brasil é o maior parceiro comercial da Índia na América Latina. A expectativa é de que o comércio bilateral chegue a US$ 10 bilhões até 2010.

Na área de energia, os acordos entre a Petrobrás e a estatal indiana Oil and Natural Gas Corporation foram destacados pelos dois países. “Acolheram com satisfação”, diz o memorando, “o acordo entre a Petrobrás e companhias indianas para explorar, produzir e comercializar petróleo, gás e derivados no Brasil, na Índia e em terceiros países”.

Jornal Hora do Povo

“Real forte” enfraquece o país e trava o crescimento econômico

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Velha inimiga do Brasil, revista “Veja” não quer juros baixos nem câmbio real que viabilize a produção nacional e muito menos crescimento

No momento em que o presidente da República convoca o país, através do PAC, a acelerar o crescimento, o real artificialmente sobrevalorizado ameaça se transformar num pesadelo para a indústria. Os dados obtidos com a nova metodologia para o cálculo do PIB apontam para uma redução maior da participação da indústria manufatureira na renda nacional nos últimos anos – inferior a 20%. Setores que antes exportavam, tiveram que reduzir ou mesmo estancar suas exportações: é o caso da indústria têxtil, que em função disso demitiu mais de 100 mil trabalhadores no ano passado, e da indústria de calçados, que teve 35 mil demitidos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), no primeiro bimestre deste ano, houve uma queda total de 4,5% no saldo da balança comercial, e, de 20 setores industriais, 13 sofreram redução do saldo.

É incrível que, depois do governo Fernando Henrique Cardoso quase aniquilar a indústria com o câmbio do tresloucado Gustavo Franco, haja ainda alguém disposto a defender tal estupidez. No entanto, há. São os velhos inimigos do Brasil, do seu crescimento, e, especialmente, do presidente Lula, que estão saudando o câmbio artificial que os juros altos provocaram. Naturalmente, não querem juros baixos nem um câmbio real que viabilizem a produção nacional, e muito menos querem crescimento.

“REAL FORTE”

A matéria de capa da última “Veja”, saiu batendo o bumbo do “real forte” e das vantagens que a classe média, os trabalhadores, os empresários, o governo, e, provavelmente, também as almas no outro mundo, estão tendo com esse câmbio maravilhoso. Interessante é que nem os trabalhadores, nem os empresários, nem a classe média, nem o governo, e nem as almas, repararam nessas vantagens.

A “Veja” especializou-se em tentar derrubar o presidente Lula; preferindo matar o povo de fome a matar a fome do povo, acha o Fome-zero um desperdício populista de dinheiro, pois o dinheiro público deve ser dado aos bancos americanos; diz que a política externa do presidente é um descalabro, por ser independente dos EUA, e uma loucura, por levar em conta os interesses do Brasil; odeia o partido do presidente e qualquer político que apóie o presidente; contra Lula, chega ao esgoto de difamar a própria família do presidente, bem ao modo dos nazistas.

Pois bem, é essa revistinha que sempre viveu em função do dólar, que de repente sai cantando odes ao “real forte”. Evidentemente, alguma coisa está errada.

E, realmente, está. O real não está “forte”. Seria o único caso de uma moeda “forte” que enfraquece o país, ao ser trocado pelo dólar. O real está é sobrevalorizado artificialmente, devido aos juros que, nesse patamar absurdo em que estão, atraem dólares para aqui dentro e tornam vantajoso para os bancos que os possuem, e para os especuladores de fora, trocarem-nos por reais para comprar títulos-públicos. Como já disse alguém, “o real transformou-se na melhor mercadoria do mundo”, devido aos juros dos papéis públicos, estabelecidos pelo Banco Central.

Mas, não se pense que essa sobrevalorização é apenas um sub-produto, não intencional, dos juros altos do sr. Meirelles. Em seus sucessivos boletins, o Banco Central explicita que sua diretoria acha muito boa essa aberração cambial – e a aponta como uma de suas realizações para tornar “sólidos” os fundamentos da economia. Certamente porque, além de beneficiar os especuladores externos, a sobrevalorização artificial faz com que a indústria dos países estrangeiros invada o país com importações baratas.

Nada há de original, no ramo da picaretagem econômica, em tentar passar uma sobrevalorização artificial da moeda como se fosse o supra-sumo do sucesso econômico. A farsa da “moeda forte” foi inventada por Salazar, hoje dando seus coices no Inferno, que em 1928 a erigiu em prova de excelência da sua iluminada ditadura. No mesmo ano, ele lançou outro moderníssimo mandamento econômico: “só se gasta o que se arrecada”. Fascista da Idade Média, Salazar não gostava do crédito, essa invenção de judeus.

VIGARICE

Interessante é que ainda haja quem repita o besteirol salazarista como o ápice da sabedoria – mesmo depois que ele tornou Portugal o país mais atrasado da Europa, importador de quase tudo, com uma agricultura feudal, obrigando quase metade da população a emigrar. Que, 80 anos depois, a “Veja” repita as vigarices de Salazar, só mostra sua afinidade com o fascismo – e com a vigarice.

Assim é a história do chamado “risco-Brasil”. Que seja o JPMorgan, hoje parte do JPMorgan-Chase, ou seja, da fusão entre os Morgan e os Rockefeller, quem estabelece o “risco” de aplicar em tal ou qual país, já é um absurdo, isto é, uma manipulação.

Apesar disso, em todos o lugares, quando o “risco-país” cai, é sinal de que os juros têm de ser reduzidos. Pela simples razão de que não é mais necessário mantê-los tão altos para que entre capital estrangeiro ou dinheiro especulativo externo. Essa é a lógica, ainda que seja a lógica dos neo-liberais. Porém, o sr. Meirelles inovou. O “risco-Brasil” caiu até mesmo abaixo da média dos chamados “países-emergentes”, e ele manteve os juros nas alturas. O resultado é a desova de dólares e o real sobrevalorizado, com a indústria e os trabalhadores prejudicados.

Talvez por estar momentaneamente – isso às vezes acontece – mais preocupado com outros problemas do que com a aceleração do crescimento, o ministro Mantega, um homem decente, declarou que “estamos num patamar de câmbio mais condizente com a situação estrutural da economia brasileira”. Segundo ele, “há outras economias que não praticam o câmbio flutuante. Se todos praticassem o câmbio flutuante [as indústrias brasileiras] seriam tão ou mais competitivas do que as de países que usam artificialismos que não usamos”. Realmente, se tudo fosse como desejamos, as coisas seriam diferentes. Mas nosso problema não estaria resolvido se a China, citada pelo ministro, adotasse o câmbio flutuante.

Porém, Mantega não explicou porque o câmbio flutuante é natural, e o não-flutuante é produto de “artificialismos”, no momento em que o câmbio brasileiro é, evidentemente, um artifício. Estabelecer o câmbio flutuante ou não-flutuante é uma decisão de política econômica, segundo os interesses do país a cada momento, nada tendo a ver com um suposto caráter natural de qualquer sistema de câmbio. Tanto assim que, se o câmbio é flutuante, isso quer dizer que ele será estabelecido, não pelo “livre mercado”, que não existe nessa área, mas pelo cartel financeiro e pela ação do Estado na compra e venda de dólares. É exatamente o que está acontecendo.

Os outros países são tão soberanos quanto nós para definir o seu sistema cambial. Nós, tanto quanto eles, temos que conviver, no mundo do qual todos fazemos parte.

Por essa razão, soa algo estranho dizer que “estamos num patamar de câmbio mais condizente com a situação estrutural da economia brasileira”. A que situação estrutural o ministro se refere? A proposta do presidente Lula é acelerar o crescimento. Como, então, a situação estrutural da nossa economia pode conviver com um câmbio que trava o crescimento? Esse é o problema.

CARLOS LOPES

Jornal Hora do Pvo

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O controlador, a chibata, a águia e o rato

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O controlador, a chibata, a águia e o rato
Escrito por Mário Maestri
16-Abr-2007

Se a história se repete sempre duas vezes, como propunha Hegel, por que os homens não aprendem, para não repetir os mesmos erros?

Em 22 de novembro de 1910, à noite, elegante baile com a presença do marechal Hermes da Fonseca foi interrompido por disparos fortes. Logo, o presidente apenas empossado foi informado da notícia terrível. Os marinheiros rebelados [neste caso procede o termo] dominavam a poderosa esquadra de guerra e ameaçavam bombardear [como fizeram] as guarnições da costa e a capital, se houvesse resistência e suas reivindicações não fossem atendidas. Oficiais tinham morrido na sublevação.

Com o ato drástico, os marinheiros pediam pouco: serem tratados como cidadãos, soldados e trabalhadores da República. Ou seja, salários justos, condições dignas de trabalho, o fim do uso disciplinar da chibata, 22 anos após a Abolição. A maioria dos marujos era afro-descendente. Em manifesto, eles lembravam que se rebelavam pois as súplicas que desde muito enviam jamais chegavam aos ouvidos moucos do governo e dos oficiais, filhos das melhores famílias brancas do país.

O presidente e as autoridades apressaram-se a conceder o reivindicado, pois o movimento era poderoso e ganhava a simpatia da populosa capital. Na defesa da anistia no Senado aos revoltosos, destacou-se o baiano Rui Barbosa, derrotado no pleito presidencial, duramente combatido por Pinheiro Machado, responsável pela entronização de Hermes da Fonseca, os dois rio-grandenses.

Algumas lideranças dos marujos criticaram João Cândido, o chefe máximo da revolta, também do Rio Grande do Sul, por não exigir mais garantias, antes de entregar as armas, pois diziam não se poder confiar, jamais, nas promessas dos poderosos às classes subalternizadas.

Entregues os navios, sob a pressão da oficialidade da Marinha, ofendida nos pundonores pela quebra da hierarquia, preparou-se a traição à anistia, através de provocação governamental. Nos meses seguintes, a imensa maioria dos marinheiros foi expulsa da armada, para erradicar da memória o tempo em que os marujos comandaram a esquadra. Sob o calor infernal do verão, encerraram-se dezoito marinheiros em minúscula prisão da ilha das Cobras, onde se despejou água e cal. Quando se abriu a porta, alguns já apodreciam. Um dos dois sobreviventes era o gigante que passaria à história como o Almirante Negro.

Duzentos e cinqüenta marinheiros foram enviados no navio Satélite, como semi-escravos, para a Amazônia, ao lado de presos políticos, malandros e mulheres prostituídas. Em alto-mar, marujos foram fuzilados e lançados vivos ao mar. Os oficiais jamais responderam pelas vilanias.

Não se ouviu voz em defesa dos marujos, pois o presidente, parlamentares e oficiais estavam, todos, comprometidos na traição da palavra dada e nos crimes que se seguiram. Levantou-se quase apenas a voz frágil de Rui Barbosa, que viajou a seguir para Salvador, temendo por sua vida.

Na luta pela Abolição, pela República, na Campanha Civilista, em 1910 etc., Rui Barbosa representou apenas a defesa de posição democrática e republicana. As oligarquias que reinavam sobre o Brasil sempre cobriram-no de homenagens, mas jamais lhe entregaram a presidência, almejada por três vezes. A magistratura suprema não podia terminar nas mãos de um homem que voava nas alturas, sonhando com um Brasil cidadão e democrático, isolado das necessidades rasteiras de sua classe.

Mário Maestri é historiador, professor da UPF, autor, entre outros, do livro Cisnes negros: uma história da Revolta da Chibata. (São Paulo: Moderna, 2000).

Cartel Citigroup demite 17.000 funcionários

O cartel financeiro norte-americano Citigroup, maior corporação bancária dos EUA, anunciou na quarta-feira a demissão de 17 mil de seus funcionários pelo mundo. O paquidérmico banco também irá transferir outros nove mil e quinhentos trabalhadores para países “onde o custo de manutenção e mão de obras sejam menores”, ou seja para onde os salários sejam mais baixos e com menos direitos trabalhistas.

“Em dezembro transmiti a Bob Druskin (diretor ope-racional do banco) e a nossa equipe uma diretriz simples: eliminar custos organizacionais, tecnoló-gicos e administrativos”, declarou em uma nota o executivo-chefe, Charles Prince.

As despesas do Citigroup tiveram um crescimento de cerca de 15% no ano passado, superando o seus lucros.

As medidas a serem adotadas pela “reestrutura-ção” deixam claro aonde o banco quer despejar suas dificuldades: no arrocho sobre seus funcionários. Entre elas está a “eliminação de cargos de gerência, com um eventual aumento do número de funcionários nas equipes de cada gerente”.

Jornal hora do povo

Lula diz que prepara um ‘PAC militar’

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Plano prevê compra de equipamentos, inclusive satélites, helicópteros e submarino

BRASÍLIA. Constatando que o Ministério da Defesa “não existe” na prática, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou à bancada do PT no Senado que vai convocar, em 15 dias, o Conselho de Defesa Nacional, para elaborar um programa de reestruturação das Forças Armadas, que deverá começar pela Aeronáutica, epicentro da atual crise. O plano – já batizado por aliados de “PAC militar”, em alusão ao Programa de Aceleração do Crescimento – incluirá a compra de novos equipamentos para o controle do tráfego aéreo, de satélites e de helicópteros russos, além do projeto da Marinha de ter um submarino.

O Conselho é uma ampla esfera que visa a tratar de assuntos relativos à soberania nacional. É conduzido pelo presidente da República e composto pelo vice-presidente, pelos presidentes da Câmara e do Senado, pelos ministros da Justiça, do Planejamento, da Fazenda e das Relações Exteriores e pelos ministros da Marinha, do Exército e Aeronáutica, figuras hoje substituídas pelos comandantes das três Forças, subordinados ao ministro da Defesa.

Na avaliação de Lula, o reaparelhamento das Forças Armadas diz respeito à atual crise, tanto quanto à questão da revisão da militarização do tráfego aéreo. Sem dar detalhes sobre o montante e a fonte dos recursos que a União estaria disposta a investir, o presidente explicou que são quatro os principais pontos do novo PAC em relação ao apagão: fortalecimento da Aeronáutica, investimento em equipamentos novos, treinamento de pessoal e valorização da carreira dos controladores de vôo, mas sem quebra de hierarquia e disciplina.

– A idéia do presidente Lula é discutir com os presidentes da Câmara e do Senado a necessidade da reestruturação das Forças Armadas e estabelecer um cronograma de investimentos que terá de ser adequado à proposta orçamentária da União – explicou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que participou do jantar, na terça-feira à noite, oferecido ao presidente pelo senador Eduardo Suplicy (SP).

Num desabafo, Lula disse que o Ministério da Defesa, atualmente, “não existe”. A pasta, criada durante o governo Fernando Henrique Cardoso com o objetivo de deixar nas mãos de um civil o comando das Forças Armadas, não teria sido estruturada, o que deixa o ministro sempre a reboque das ações dos comandantes militares e inviabiliza a articulação e a gestão das questões comuns, como o tráfego aéreo.

Segundo o presidente, o programa inclui a desmilitarização do tráfego aéreo, que será conduzida e analisada pela FAB. Há uma versão pronta da medida provisória (MP) que dará início a esse processo, mas só será discutida após a Páscoa. Segundo fontes do governo, já há reuniões previstas para a próxima semana entre Defesa, Planejamento e Comando da Aeronáutica, para tratar da desmilitarização.

A MP deve criar uma nova secretaria na estrutura do Ministério da Defesa para implementar esse processo, e uma nova carreira civil para os controladores de vôo transferidos para esse novo órgão. O governo também elaborou uma proposta de gratificação para os controladores militares, mas o Comando da Aeronáutica não aceita que os militares que permanecerem na FAB recebam esse extra, pois isso poderia desestruturar todo o plano de carreira da instituição, abrindo espaço para reivindicações de outras carreiras e patentes.

Obs.Temos que pensar num PAC militar para reestruturar nossas forças armadas, fortalecendo a soberania nacional !

Mendigos terão de deixar a Sé durante a visita do Papa

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Hannah Harendt disse que a novidade na eleição de João XXIII foi o fato de que um cristão tornou-se Papa.

Injusto. Muito injusto.

Mas fica difícil refutá-la quando se lê uma noticia como a estampada hoje na Folha de São Paulo: “Mendigos terão de deixar a Sé durante a visita do Papa.

Se o cristianismo prega o amor aos humildes , pois deles é o reino do céu, e o papa seu representante por que expulsá-los ?

Se representante não pode aceitar a expulsão dos pobres do lugar onde o carro blindado que o transporta fará uma parada de menos de um minuto até que ele entre na Catedral.

O evangélico seria descer do carro e dirigir-se aos pobres da Praça da Sé, para uma visita,.

Bastaria pedir ao Padre Julio Lancelotti que o acompanhasse. Estaria mais protegido do que entrincheirado no seu papamóvel.

A Igreja de São Paulo não pode aceitar a histeria da Polícia. Precisa protestar contra a medida.

Se não o fizer, com energia, será difícil contestar a Hannah Harendt.

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Menor risco para os especuladores é maior depredação econômica do país

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse recentemente que estava otimista com a perspectiva de o Brasil atingir o “investment grade” (grau de investimento). Uma indicação de um porto seguro aos especuladores feita pelas chamadas agências de “classificação de risco”, tipo Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch IBCA. “O importante é que o Brasil vai bem, está no caminho certo, e no devido tempo será reconhecido como investment grade”, disse.

A empolgação toda se dá, entre outras coisas, pelo volume recorde das reservas internacionais e pela queda do chamado “risco país”, ultimamente de maneira acentuada, atingindo a marca de 156 pontos, segundo dados do dia 9. Há quem vislumbre que chegue a 100 pontos em breve, o que seria uma melhora no rating (nota de classificação) das agências. O “risco país” é um indicador criado pelo banco norte-americano JP Morgan Chase, em 1992. É um prêmio exigido pelos especuladores estrangeiros – bancos, fundos de investimento, seguradoras, fundos de pensão etc. – acima do que é pago na compra de papéis do Tesouro dos EUA, considerados de risco zero ou os mais seguros. Um menor “risco país” significa mais segurança para os ganhos dos especuladores. O que significa também que não há restrição ao movimento de capitais. Ou seja, o “risco país” é uma espécie de aviso dos agiotas externos se há restrição à vista para saída de capitais especulativos.

É significativo que se fale de “grau de investimento” onde não há investimento algum. O que há é mera especulação financeira. No Brasil, com os juros mais altos do mundo, Meirelles tem garantido, momentaneamente, a farra especulativa. Com isso, tem jogado o dólar ladeira abaixo, já acenando com uma cotação inferior a R$ 2, resultando em prejuízo para a economia do país, para os empresários e gerando desemprego. Menor risco para os especuladores representa maior grau de depredação da economia brasileira (ver outras matérias nesta página).

Para tentar segurar o câmbio, o BC tem realizado compras sistemáticas da moeda norte-americana. Só no primeiro trimestre foram US$ 21 bilhões, aumentando as reservas internacionais (US$ 111,057 bilhões), o que também dá sinalização positiva aos especuladores estrangeiros.

Ou seja, o tal “investiment grade” não passa de “speculation grade” – ou grau de especulação máxima.

Jornal Hora do Povo , Valdo Albuquerque

As mudanças no Equador

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O Equador aprovou com quase 80% de votos a realização de uma Constituinte, que ainda será eleita. É uma grande vitória do presidente Rafael Correa que hoje tem 70% de apoio do povo equatoriano e uma prova da força mudancista naquele país e de como o parlamento estava na contra mão da história. Os 57 deputados da oposição que se opunham ao plebiscito foram afastados pela Justiça. Como o próprio presidente Correa afirmou, vivemos uma mudança de época na América do Sul. O resultado do plebiscito só confirma sua afirmação

Chávez e Morales inauguram escola de Medicina

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Objetivo será formar 200 mil jovens da América Latina e Caribe em um período de 10 anos; iniciativa faz parte da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba)

16/04/2007

Claudia Jardim

De Caracas

Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, inauguraram neste domingo (15), no Estado Miranda, a sede venezuelana da Escola Latinoamericana de Medicina Alejandro Próspero Reverend (ELAM).

A ELAM-Venezuela é parte dos acordos da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) firmado entre Chávez e presidente cubano, Fidel Castro, em agosto de 2005. “O país mais agredido pelo Império é o país mais solidário com os povos. O companheiro Fidel para mim é o primeiro médico do mundo. Os EUA mandam tropas para acabar com vidas, Cuba manda tropas para salvar vidas”, afirmou o presidente boliviano, Evo Morales, durante a inauguração da Escola.

”Quando os povos se libertam ajudam a libertar outros povos”, reiterou Morales. Fortalecida pelo governo da Bolívia e por organizações sociais camponesas e urbanas latino-americanas, a ELAM pretende formar em medicina integral comunitária 200 mil jovens da América Latina e Caribe em um período de 10 anos.

Em Cuba, a ELAM abriga atualmente a 22, 600 mil estudantes da América Latina, de um total de mais de 24 mil provenientes de outros 86 países, conforme informou Fidel Castro em um comunicado enviado à Chávez.

Medicina comunitária

“Estamos aqui para aprender medicina comunitária, socialista e humanitária, como nos ensinou o Che (Guevara). Ao terminar nossos estudos, temos o compromisso de trabalhar em nossas comunidades”, disse o aluno boliviano David Aguilar, durante a inauguração da ELAM.

Nesta primeira etapa, iniciarão seus estudos 456 jovens latino-americanos, dos quais a grande maioria será de bolivianos. Os alunos participarão de uma primeira fase de preparação e adaptação, para depois seguirem à formação pré-médica.

Nos anos posteriores de formação, os estudantes deverão integrar o Sistema de Saúde Pública e o programa social de saúde, Missão Bairro Adentro, no qual participam mais de 20 mil médicos cubanos, que atendem às comunidades pobres da Venezuela. A duração do curso é de sete anos.

Alberto Granado, companheiro de Guevara em sua primeira viagem pelo continente Latinoamericano e fundador da Escola de Medicina de Santiago de Cuba, também participou da inauguração da ELAM. “A presença de Evo e Chávez é sinal de que estamos avançando, que já não é sonho o que pensávamos o Che e eu. Agora estamos concretizando os sonhos de Bolívar, de Martí e do Che”, disse Granado, aplaudido pelos alunos da ELAM.

Do Brasil, 80 alunos provenientes de organizações como o Movimento Nacional de Luta por Moradia, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central de Movimentos Populares (CMP), entre outros movimentos, ingressaram à Escola.

“Com gestos concretos como esse é que vamos construindo a verdadeira integração, com a participação dos povos, a partir da base”, avalia Joaquin Piñero, membro da Vía Campesina, um das organizações que participaram do evento. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, quem aproveitou para ressaltar a fragilidade do império estadunidense frente à integração latinoamericana, afirmou que a ELAM também será uma escola de formação socialista.

“ Não é somente formação de medicina. Aqui estamos formando em socialismo, formação da mulher e do homem novo”, afirmou o presidente venezuelano. Para incentivar a integração dos alunos, a pedido de Hugo Chávez, Fidel Castro anunciou, em um comunicado, que 200 alunos cubanos deverão integrar o primeiro grupo de estudantes.

Para os movimentos sociais, a ELAM assim como o Instituto Latinoamericano de Agroecologia Paulo Freire (IALA), com sede em Barinas (Venezuela), são importantes para fortalecer a formação dos movimentos sociais, do campo e da cidade. “Estamos fortalecendo a luta contra as desigualdades sociais, em busca da justiça social”, afirma Piñero, da Vía Campesina.

Acho essa notícia de suma importância, o curso de medicina deveria ser voltado não só a elite , mas deveria sim cumprir uma função social , o Brasil precisa de médicos, o Estado brasileiro deveria ter muitas faculdades de medicina em número de vagas com qualidade, com equipamentos, com laboratórios e formar grande número de médicos de nível, e não ceder a pretextos corporativistas limitando o acesso, deixando faculdades particulares monopolizarem os cursos médicos cobrando um verdadeiro absurdo impedindo ( de propósito ) que os alunos pobres por não terem recursos não possam se formar e servir sua pátria, esse imenso Brasil.

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