Redução da maioridade é o ópio dos canalhas

Secretário de Segurança do Paraná: “antecipar maioridade não resolve a criminalidade”

O secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, condenou a proposta de redução da maioridade penal, afirmando que os jovens com idade entre 16 e 18 anos precisam de inclusão social, cursos profissionalizantes, oportunidades de trabalho e estágios. “Além disso, o adolescente infrator precisa de atendimento diferenciado, com medidas socioeducativas, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente, tendo assim, uma oportunidade de se regenerar”, ressaltou.

Segundo Delazari, o projeto de emenda constitucional aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, na semana passada, gera uma cultura de punição e vingança, ao contrário de estimular a construção de uma sociedade de respeito e cuidado com os jovens. “Esta atitude não é solução para reduzir a criminalidade, e se parece mais com uma vingança da sociedade atingida pelos crimes cometidos por adolescentes”, avaliou. A proposta aprovada na CCJ é de autoria do senador do ex-PFL, Demóstenes Torres (GO).

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Odilo Scherer, sublinhou que a Igreja Católica é contra a redução da maioridade penal e defendeu que sejam acentuadas as políticas públicas de educação e superação da pobreza. Na opinião do arcebispo, “cria-se a ilusão de que fazendo leis os problemas ficam reduzidos, que basta criminalizar mais alguns e construir cadeias a mais”. “A redução acentua o preconceito. Vão pensar depois em criminalizar com 15, 14 anos, como já disse o presidente Lula”, observou.

Logo após a decisão da CCJ do Senado, o ministro Tarso Genro (Justiça) anunciou, na última sexta-feira, que o governo vai se empenhar para que o Congresso rejeite a proposta. “Ela (a proposta de emenda à Constituição) passa uma imagem inadequada da juventude, embora nós respeitemos a decisão da comissão. Evidentemente a posição que o governo já manifestou sobre o assunto, no nosso entendimento, é que melhor espelha o sentimento da sociedade e a que melhor encaminha a questão da segurança, sem criar alternativas que na verdade não vão se revelar satisfatórias”, disse.

Tarso Genro lembrou que a votação apertada na CCJ reflete a divisão da sociedade sobre o tema, reafirmando que a antecipação da maioridade não é solução para o problema da violência. “O governo vai continuar lutando pela posição que vocês já conhecem, que já foi expressa pelo presidente”, completou.

Hora do Povo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: