Tucanos teriam manipulado dados sobre criminalidade em SP

Entre 2004 e 2006, o número de assaltos a bancos no estado de São Paulo foi pelo menos 116% maior do que os divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin. A constatação é de um levantamento feito pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que sabia que os números anteriores estavam errados, mas calou-se para não prejudicar a campanha de Alckmin à presidência. Agora, exigiu que eles fossem corrigidos.

O levantamento da Febraban cria um precedente para que se coloque em dúvida outros números sobre a criminalidade divulgados pela polícia paulista que, há quase 15 anos, está sob o comando de governantes do PSDB.

Para não que não seja novamente “flagrada”, a Secretaria da Segurança Pública ordenou uma devassa nas estatísticas criminais divulgadas pela pasta entre 2004 e 2006.

O erro pode ter prejudicado parte do planejamento estratégico de combate à criminalidade, pois ele é feito com base na tendência dos crimes revelada pelos dados estatísticos. No caso do roubo a banco, a polícia pensava que ele continuava a aumentar neste ano e, em vez disso, está diminuindo em relação a 2006. Pelos dados antigos da secretaria, o primeiro trimestre do ano passado havia fechado com 29 casos. Neste ano, já havia 58 casos registrados quando o erro foi descoberto. A revisão mostrou 67 casos na capital no primeiro trimestre de 2006 e 74 em 2007.

Os números revisados são até 149% maiores que os divulgados anteriormente (de 133 para 332 em 2005). Em 2006, em vez de 203 casos, ocorreram 441. Outra conseqüência da revisão é que a evolução desse crime também mudou. A tendência entre 2004 e 2006 continua sendo de alta, mas ela passa de um aumento de 34% no período para 57%.

Por enquanto, segundo o governo, não haveria indícios de fraude. “Não quero nem pensar nessa hipótese de dolo ou manipulação”, disse o secretário da Segurança, Ronaldo Bretas Marzagão. O problema, segundo o coordenador de análise e planejamento da pasta, Túlio Kahn, ocorreu em todo o Estado. “Houve lugares em que o erro foi para mais, o que afasta a possibilidade de manipulação.” Mas, mesmo assim, determinou que a Corregedoria da Polícia Civil investigue as razões do erro, definindo, se for o caso, as responsabilidades.

Ao mesmo tempo em que decidiu rever todos os números, Marzagão decidiu suspender a divulgação dos dados do primeiro semestre deste ano – a secretaria é obrigada por lei estadual a informar os dados por trimestre. “Tenho de presumir que um erro de tal monta possa ter ocorrido em outros índices”, afirmou o secretário.

O período estatístico a ser revisto refere-se aos dois últimos anos da gestão de Saulo Abreu à frente da pasta, durante o tempo em que Geraldo Alckmin e Claudio Lembo exerceram o governo do Estado.

Além de apurar as responsabilidades, a secretaria também divulgou duas medidas para tentar evitar que novas distorções ocorram. A primeira será ampliar o Registro Digital de Ocorrências para todo o Estado. Atualmente, ele atende 60% das delegacias.

A segunda foi uma decisão da Delegacia Geral de Polícia, que determinou a instituição de auditoria nos boletins de ocorrência das delegacias. Ela será feita pelos departamentos que controlam essas unidades policiais. Com isso, Marzagão espera acabar com as suspeitas sobre as estatísticas. “Vamos aprimorar o sistema. Prendemos 22 ladrões e esclarecemos 32 casos.”

“Querem desconstruir o Geraldo”, diz Lembo

Ouvido pelo site Terra Magazine, o ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo (DEM), comentou nesta quinta-feira a decisão de rever todas as estatísticas criminais do Estado desde 2004. Para ele, a iniciativa de rever os dados estatísticos faz parte de um suposto complô contra o ex-governador Geraldo Alckmin.

“Isso é obviamente algo para desconstruir o Geraldo. Querem dizer que ele mentiu”, disse Cláudio Lembo, que governou o Estado entre março e dezembro de 2006.

Lembo também afirmou que quem deve ser procurado é o ex-secretário, Saulo (de Castro Abreu Filho). “Ele poderá dar as respostas. Mas nem Deus muda o passado; portanto, rever estatísticas não leva a nada, ainda mais quando isso é parte de intrigas internas do tucanato”, lamentou Lembo.

Alckmin é potencial candidato à prefeitura de São Paulo nas eleições de 2008, e, para tanto, terá que negociar com o governador José Serra que, por sua vez, pretende ser candidato à presidência da República.

Redação do PC do B
Obs. Mentir é feio, hein !

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