Fuga de Ségolène de apontar caminhos permite vitória do demagogo Sarkozy

Sem apresentar uma alternativa, ou sequer uma perspectiva aos 55% dos franceses que rejeitaram nas urnas a constituição neoliberal ‘européia’, ou aos jovens que aos milhões barraram nas ruas a lei do subemprego, a candidata socialista Ségolène Royal sucumbiu diante da demagogia do candidato da direita, Nicolas Sarkozy, por 47% a 53%.

Diante das generalidades de Ségolène, o número dois do atual governo pôde se apresentar como o “candidato da ruptura”, enquanto culpava os franceses pelos baixos salários. “Trabalhar mais para ganhar mais (fazendo hora-extra)”, foi o seu mote de campanha. Casualmente, nos últimos dez anos os lucros cresceram 74% no país, os preços 30% e os salários só 8%. Mas façam hora-extra.

Sarkozy responsabilizou a jornada de 35 horas como a causa de todos os males franceses e conseguiu, sem ser no fundamental molestado, tecer loas ao “pleno emprego” na Inglaterra de Blair e Thatcher, e em outros bastiões desenvolvi-mentistas, como potências econômicas do porte da Irlanda.

Disse que ia restabelecer “a ordem, as normas, o trabalho e o mérito” – logo ele, que de acordo com o ex-ministro da Defesa, Jean Pierre Chevenement, conseguiu como ministro a façanha de dobrar o número de carros queimados por ano na França, de 22 mil em 2002 para 45 mil em 2007. Aliás, sua vitória foi recebida com mais quatrocentos carros ardendo em uma só noite, nos subúrbios de Paris e de mais uma dezena de cidades francesas.

A chocha defesa, por Ségolène, quanto à questão central do papel do Estado, entre outras indefinições, permitiu que Sarkozy anunciasse sandices como acabar com um posto no serviço público a cada dois funcionários que se aposentarem e o fechamento de tantos centros de atendimento à população quanto possível. Tudo em nome dos “ganhos de produtividade” e “eficiência”. Reforço do Estado, só numa questão: na repressão aos imigrantes africanos e árabes. Para isso quer todo um novo ministério, o da “Identidade Francesa”. A identidade francesa é uma questão que lhe é muito cara, tanto assim que é conhecido como “o americano”, por seus gostos quanto à economia neoliberal. Benemérito, pretende cortar os impostos dos ricos. Prometeu, ainda, uma “república de proprietários”, onde cada francês terá uma casa própria, com vista para a Champs Élyseés.

Modesto, no seu discurso de vitória Sarkozy disse que “o povo francês falou e me escolheu para a ruptura com as idéias, os costumes e o comportamento do passado”.

Há uns dez anos a direita francesa ensaia aplicar esse formidável programa. O problema, o pequeno problema, tem sido convencer as ruas. Allain Juppé, que não era presidente, mas foi primeiro-ministro, que o diga. A propósito, mesmo com todas as vacilações, foram 17 milhões de votos para Ségolène

Jornal Hora do Povo

Obs. Gostei do comentário do ex-ministro da Defesa, Jean Pierre Chevenement…

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