La Nación: Papa “não conseguiu juntar as multidões que se esperava”

“Se os números falaram, a visita foi um fracasso: em cinco dias (no Brasil), Joseph Ratzinger não conseguiu juntar as multidões que se esperava”, comenta Elisabetta Piqué, enviada especial do diário La Nación, em artigo publicado nesta segunda-feira (14). Ela transcreve o comentário de um vaticanista alemão: “Ratzinger e samba não combinam”.

Na reunião que teve com jovens no Estádio Pacaembu, quinta-feira passada, eram esperadas mais de 70 mil pessoas e não havia mais de 40 mil. A missa celebrada sexta-feira em São Paulo teve apenas 1 milhão de fiéis. Ontem, a missa ao ar livre celebrada neste gigantesco santuário mariano esperava mais de 1 milhão de pessoas – segundo antecipou o próprio Vaticano – mas teve apenas 150 mil”, escreve a jornalista, de Aparecida do Norte (SP).

“Bento XVI não é João Paulo II – um monstro de vitalidade que atraía as massas e criava um clima de fervor impactante –; não veio a este continente para juntar multidões”, diz o texto. O objetivo, agrega, foi indicar aos bispoe e cardeais “o rumo que a Igreja Católica deverá tomar para se revitalizar e frear a sangria de fiéis de que padece atualmente”.

Embora La Nación seja um jornal conservador e comportado (usualmente comparado ao brasileiro O Estado de S. Paulo), o artigo diz que “a viagem começou com o pé esquerdo”. E exemplifica com as palavras do papa para a imprensa durante o vôo, “quando apoiou sem meias-tintas a suposta excominhão de políticos mexicanos que apoiaram a despenalização do aborto”.

“Se bem que o porta-voz do Vaticano, o jesuíta Federico Lombardi, pouco mais tarde recuou e afirmou que o papa não quizera dizer o que disse, a gafe já tinha acontecido. A maioria dos analistas deduziu que, para além das retificações, Joseph Ratzinger pensa que os políticos que vão contra a doutrina da Igreja deveriam se considerar excomungados”, diz o artigo.

“Também foi criticada a insistência com que Bento XVI tratou temas de moral sexual”, prossegue o jornal. “Para muitos analistas, insistir em defender a castidade ou a virgindade antes do casamento, repetidamente, foi desconhecer a realidade do Brasil”.

“Embora tenha feito esforços para se aproximar dos seus, nesta viagem Bento XVI foi coerente consigo mesmo. Como em seus tempos de guardião da ortodoxia católica, demonstrou que não teme reafirmar com ênfase o que para ele é a verdadeira doutrina da Igreja, como fez diante dos bispos brasileiros, como fez quando investiu contra ‘formas de governo autoritárias ou sujeitas a certas ideologias superadas'”, diz ainda o artigo.

Com La Nación

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