“A riqueza da Bolívia é da Bolívia”

Na entrevista coletiva de terça-feira, o presidente Lula advertiu que com a consolidação do etanol como alternativa energética, “precisamos tomar cuidado para não permitir que gente de outros países do mundo comece a comprar toda a terra brasileira para produzir cana. São coisas que temos de cuidar daqui para a frente, ao mesmo tempo em que vamos cuidar da humanização das relações de trabalho no setor canavieiro”.

Lula classificou o presidente venezuelano Hugo Chávez como “um parceiro inestimável do Brasil, sob todos os aspectos”. Referindo-se à integração sul-americana, relembrou que “quando chegamos à Presidência da República e, logo em seguida, foi eleito o Kirchner, foi eleito o Nicanor [Duarte – presidente do Paraguai], e foram eleitos outros presidentes da América do Sul, estabelecemos entre nós a idéia de que era preciso construir uma outra dimensão da política de integração para a América do Sul. Gostaríamos de construir uma parceria e não uma hegemonia, mas também não poderíamos esquecer os problemas que temos”.

Depois de frisar que o governo do presidente Chávez “é comprador de etanol do Brasil, como outros países serão compradores de etanol de outros países do mundo”, Lula abordou as relações do Brasil com a Bolívia: “temos que levar em conta a existência de algo que supere as nossas divergências do século XIX, para que a gente possa construir as convergências do século XXI. Isso está claro. Agora, o fato de isso estar claro no nosso discurso não me faz cego diante da necessidade histórica da Bolívia ser dona do seu gás”.

“É importante lembrar”, afirmou, “que não foi decisão do Evo Morales. Antes do Evo tomar posse, um plebiscito na Bolívia, com mais de 90%, decidiu que o gás seria nacionalizado. Na hora em que o Evo achou que era importante comprar as refinarias da Petrobrás, a Petrobrás resolveu vender e fizeram um acordo. Para mim está tranqüilo. Eu acho que a riqueza mineral da Bolívia é da Bolívia, ele a vende para nós se quiser vender. O que eu quero é que quando estabelecermos um contrato, esse contrato seja respeitado”.

Abordando ainda a questão energética, Lula disse que “quando eu penso no biodiesel e no etanol, fico olhando o Nordeste brasileiro, fico olhando o Vale do Jequitinhonha, fico olhando os países da América Central, que serão os beneficiários de uma nova matriz energética. Mas a minha cabeça fica voltada para o continente africano, porque é a grande chance de o continente africano se desenvolver, na hora em que o mundo desenvolvido resolver introduzir 10% ou 15% de álcool na gasolina, ou introduzir, nos seus caminhões e nos seus carros, o óleo diesel produzido de oleaginosa, já que somente nós temos terra, sol e gente para trabalhar. Isso é quase um milagre, e eu acho que o mundo vai se curvar diante disso”.
Hora do Povo

Obs. Interessante, os que não gostam do Evo Morales nem do Chavez detestam o plebiscito, a consulta popular, ou se aceitam acham que deve passar pelo crivo do legislativo, provavelmente para manipularem e ” darem uma filtrada” e ainda se alçam democratas, liberais, podem observar.

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