Novo índice do BNDES mostra diminuição da desigualdade regional

O Centro-Oeste se aproximou do Sul e do Sudeste em desenvolvimento social de 1995 a 2005.

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Já o Norte e o Nordeste ainda continuam bem distantes, embora esta última seja a região que mais evoluiu proporcionalmente no período. Estes são os principais resultados, por enquanto, do Índice de Desenvolvimento Social (IDS) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), divulgado nesta quinta-feira (24).

Todas as regiões melhoraram suas condições de vida no período, mas não uniformemente, de acordo com o IDS. O índice vai de zero – a pior possibilidade – a 1 – a melhor.

Entre as regiões, o Nordeste merece destaque, não só por ter acelerado seu desenvolvimento social relativamente às outras regiões, mas porque esse desempenho permitiu subir acentuadamente todos os indicadores parciais. Do ponto de vista da desigualdade regional, o IDS-BNDES mostra um dado importante: a redução da distância Nordeste-Sudeste em 17% no período. Contribuíram, para tanto, o aumento da taxa de alfabetização de 57,8% para 69,5% e da média de anos de estudo da população, que passou de 3,9 para 5,7 anos.

De 1995 a 2005, o IDS do Nordeste subiu de 0,13 para 0,30. “Houve aumento de rendimento, mas o que explica (esse aumento) é educação e saúde”, disse o superintendente da Secretaria de Assuntos Econômicos do BNDES, Ernani Torres, ao divulgar o índice.

Já o índice do Norte, passou apenas de 0,32 para 0,36. A região chegou a sofrer queda em indicadores de saúde e educação entre 2003 e 2005, destoando do movimento de progressivo aumento nesses dois indicadores nas demais regiões.

“Chegou a ocorrer uma involução da cobertura de esgoto na região metropolitana de Belém, como se a população tivesse aumentado e a rede de esgoto não”, disse Francisco Marcelo Rocha Ferreira, um dos autores do estudo sobre o assunto.

O IDS do Centro-Oeste, que em 1995, era de 0,44, relativamente próximo do índice da região Norte, cresceu para 0,61. “O Centro-Oeste sofreu profunda mudança nesse período”, disse Ferreira.

Foi a região onde houve maior crescimento da renda, com esse indicador específico saltando de 0,52 para 0,68. O estudo não investigou as causas disso, mas é possível a influência do agronegócio, que cresceu muito na região no período.

Sul e Sudeste

O IDS do Sul cresceu de 0,54 para 0,68 de 1995 a 2005 e o do Sudeste passou de 0,64 para 0,74. Essas regiões mantiveram suas posições no ranking das melhores condições sociais e melhoraram indicadores de educação e saúde. Já no caso da renda, o indicador do Sul cresce de 0,62 para 0,72 e o do Sudeste começa e termina o período inalterado em 0,76, embora com altos e baixos no período de dez anos abrangidos no estudo.

Destaque para a educação

Entre os fatores que foram mais significativos para a evolução do IDS-BNDES destacam-se, no caso do IDS-Educação, o aumento tanto da taxa de alfabetização – de 73,1% para 79,9%, quanto do crescimento da média de anos de estudo – de 5,7 para 7,4 anos. No caso do IDS-Saúde, o aumento da esperança de vida – 3,6 anos – e a expansão da cobertura das redes de água – de 80,5% para 90,1% – e de esgoto – de 48,4% para 56,8%. Já no IDS-Renda, o desempenho medíocre do rendimento per capita a preços de 2005, que decresceu de R$ 509 em 1995 para R$ 493 em 1999, e voltou a subir a partir de 2003, atingindo R$ 531 em 2005.

O crescimento do IDS-Educação é um fato relevante, particularmente, por dois motivos. Primeiramente, foi o índice que, em termos absolutos, apresentou a maior contribuição individual para a melhora no IDS global. E também, por ser o indicador de menor base. Foi o que apresentou a maior taxa de crescimento, de 50%, o que fez com que a dispersão entre os “indicadores sociais parciais” do IDS-BNDES se reduzisse substancialmente, passando de 0,21 ponto para 0,13 ponto. Isto significa dizer que o cenário brasileiro recente apresentou, não só uma melhora social expressiva, mas que essa melhora foi acompanhada por um processo de convergência entre os indicadores parciais.

Consonância com o PAC

Segundo os analistas do BNDES, as diferenças entre regiões, estados e áreas metropolitanas mostram que a intensificação dos investimentos em sistemas de coleta e tratamento de esgoto constitui uma das trajetórias mais eficazes de aceleração do desenvolvimento social brasileiro. Este resultado vai ao encontro da prioridade atribuída ao saneamento tanto no recém divulgado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) quanto nas políticas do BNDES.

Entenda o IDS

O Índice de Desenvolvimento Social do BNDES (IDS-BNDES), criado pela Secretaria de Assuntos Econômicos do BNDES (SAE), tem como objetivo declarado acompanhar, anualmente, as condições de vida da população do país. O novo índice reúne, em um único indicador, três diferentes dimensões do desenvolvimento social: renda, saúde e educação.

Com este índice, o BNDES pretende tornar mais nítidas as diferenças sociais entre as várias regiões e estados brasileiros. Seus dados estarão sendo disponibilizados desde 1995, para diversos graus de desagregação geográfica: 5 regiões, 26 estados e Distrito Federal, e 9 regiões metropolitanas.

O IDS-BNDES é apurado a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) o que lhe permite a periodicidade anual. Ele calcula os três índices levando em consideração os seguintes indicadores: o IDS-Renda avalia o rendimento médio mensal domiciliar per capita; o IDS-Saúde é composto pela média de três variáveis: a esperança de vida ao nascer, o percentual de domicílios com canalização interna de água, e o percentual de domicílios com rede coletora ou fossa séptica ligada à rede. Já o IDS-Educação é obtido através da média de duas variáveis: taxa de alfabetização e média de anos de estudo da população ocupada.
site do PC do B

Obs. É um dado importante principalmente por que conclui-se que a intensificação dos investimentos em sistemas de coleta e tratamento de esgoto constitui uma das trajetórias mais eficazes de aceleração do desenvolvimento social brasileiro. Este resultado vai ao encontro da prioridade atribuída ao saneamento tanto no recém divulgado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) .

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