A operação de cerco à Rússia e à China

É cínica a declaração de George W. Bush, durante a reunião do G-8, de que são inofensivas as novas bases de escudos antimísseis norte-americanos na Europa do Leste. O que está em curso é uma ampla operação voltada contra o reforço da soberania militar da Rússia e a emergência da China como potência no sistema de relações internacionais.

A mando de Bush, no último dia 14 de maio Condoleezza Rice, secretária do Departamento de Estado americano, reuniu-se em Moscou com membros do governo e o próprio presidente Vladimir Putin. Após, afirmou enfaticamente: “Os Estados Unidos precisam seguir adiante e usar tecnologia para se defender e faremos isso”.

A secretária de Bush se referia à oposição ao veto russo à construção de bases militares com escudos de antimísseis na Polônia e República Theca. Além disso, manifestou os objetivos da estratégia imperialista dos Estados Unidos no esquartejar da antiga Iugoslávia: “jamais”, “é impossível” Kosovo integrar novamente a Sérvia, sentenciou.

Relembrando: 57 anos depois da invasão nazista, a Iugoslávia foi estraçalhada (1998) pelos “bombardeios humanitários” da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), sob a farsa das “questões étnicas” e desavenças religiosas – furiosa campanha patrocinada pelos Estados Unidos.

Rice resmungou ainda, diante dos russos: “Ninguém espere que os Estados Unidos permitirão um veto de alguma forma aos interesses de segurança americanos”. E sabe-se que o governo Bush já decidiu aumentar orçamento militar do país, para mais de 600 bilhões de dólares (2008).

Tudo isso integra os objetivos estratégicos maiores do império: apesar de Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Coréia do Sul e o Japão não serem membros, de modo formal, da organização da Otan, eles se encontram atualmente envolvidos em parcerias militares e em acordos com governos associados à organização militar.

Numa recente reunião (dezembro de 2006) na Coréia do Sul, o PNAC (Project for the New American Century – ou Projeto para um Novo Século Americano), grupo integrado por gente como Dick Cheney, George W. Bush, Richard Perle, Lewis Libby, Karl Rove, Zalmay Khalilzhad, Richard Armitage, e Paul Wolfowitz, discutiu-se a criação de uma organização paralela, semelhante à OTAN. No Extremo Oriente e no Pacifico Sul, ela visa uma aliança militar global unificada, estruturada por uma extensa rede de parcerias e acordos militares.

De acordo com Mahdi D. Nazemroaya, pesquisador especialista em geopolítica e questões militares, do Centre for Research on Globalization (Canadá):

1) o Japão violou sua Constituição e gradualmente adapta suas políticas militares com as políticas militares dos Estados Unidos e dos estados membros da OTAN;
2) o Japão e a Coréia do Sul fazem parte de um grande projeto militar dos Estados Unidos, envolvendo o estabelecimento de um sistema de mísseis e de forças rápidas de intervenção, onde Coréia do Norte e a China foram justificativas de “ameaças”;
3) a Austrália – cujas tropas estão em ação nos Balcãs, na ocupação anglo-americana do Iraque, e nos acampamentos da Otan no Afeganistão -, desde o final da “Guerra-Fria”, juntamente com o Japão, tem realizado expressiva cooperação militar, em sintonia com a política norte-americana da bandeira da “guerra global contra o terrorismo”.

Coincidentemente, forças militares de Singapura recebem formação na Austrália, país este que opera no Sudeste Asiático, tendo a marinha australiana navios posicionados desde o Golfo Pérsico ao Mar Arábico e Oceano Pacífico. De fato, o Oceano Índico pode tornar-se um espaço militarizado – a China pretende assegurar circulação nessa área do globo (transporte dos seus abastecimentos energéticos provenientes de África e do Oriente Médio).

Secretamente, os Estados Unidos efetivaram negociações para uma nova base militar norte-americana em Geraldton (Austrália Ocidental, na costa do Oceano Índico). “Penso que este acordo está vocacionado para reordenar a segurança na Ásia Oriental, particularmente com a emergência sempre constante da China”, disse o coordenador do programa de segurança para a Ásia do Royal United Services Institute de Londres.

Ninguém se iluda: ao lento declínio (histórico) da superpotência norte-americana corresponderá, recorrentemente, a busca de extensão militar estratégica. O que necessariamente amplia contradições à sua hegemonia e acelera seu esgotamento.

Site do PC do B

Rizzolo: Essa é a realidade, os EUA se armam e possuem uma ótima estratégia militar no contexto de alianças e acordos militares. Enquanto isso , nós aqui na America Latina , observamos de forma contemplativa o desenrolar dessa hegemonia, até o dia em que pagaremos caro. Acho primordial a discussão militar no desenvolvimento da nossa indústria bélica, na energia nuclear, e nos acordos militares com países da America Latina . Precisamos trazer de volta a intelectualidade militar patriota e progressiata ” porque quando o soldado deixa de ser patriota, acaba fazendo do patriota um soldado ”

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