Paulo Nogueira Batista sugere um olhar atento para a Ásia

Em sua coluna semanal na Folha de S.Paulo, o economista e diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional Paulo Nogueira Batista Jr., diz que os países do leste da Ásia estão bem mais avançados em matéria de cooperação financeira regional do que os sul-americanos.

Segundo ele, as crises que abateram a região em meados da década de 90 mudou a percepção de diversos países, com duras críticas aos EUA e ao FMI.

Leia abaixo a íntegra do texto:

Fundo Monetário Asiático?

As últimas duas semanas aqui no FMI têm sido sobrecarregadas pelo tema da “surveillance”, isto é, pela revisão das regras de monitoramento dos países-membros. É um dos principais temas da agenda do Fundo. A questão está pegando fogo e pode haver uma decisão já amanhã. Escrevo este artigo, precariamente, entre uma reunião e outra. Portanto, peço desculpas, leitor, se a coluna sair pior do que de costume.

Deixo de lado, por enquanto, a questão da “surveillance”, que ainda é objeto de discussão acirrada neste momento. Vou tratar de outro assunto que me parece bastante relevante para o Brasil e os demais países sul-americanos: a experiência do leste da Ásia em matéria de cooperação financeira. É um assunto praticamente ignorado aí no Brasil, mas de grande relevância para a discussão da integração financeira regional na América do Sul, que envolve, entre outros aspectos, a provável formação do Banco do Sul e de um Fundo Monetário do Sul, atualmente em fase inicial de discussão entre vários países da nossa região.

Os países do leste da Ásia estão mais avançados em matéria de cooperação financeira. Integração regional nunca foi o forte dos asiáticos. Mas a gravíssima crise cambial e financeira de 1997-98 mudou a percepção desses países. Houve descontentamento, e até revolta, com o modo como os EUA e o FMI abordaram a crise. As recomendações de política econômica foram consideradas em grande medida contraproducentes. Além disso, parece ter ficado evidente que os EUA estavam se valendo do Fundo e de outras instituições sediadas em Washington para promover os seus interesses nacionais. “O FMI tem feito mais para promover a agenda comercial e de investimento dos EUA na Coréia do que 30 anos de entendimentos comerciais bilaterais”, disse na época Lawrence Summers, então subsecretário do Tesouro do governo Clinton.

Em setembro de 1997, o Japão propôs a criação de um Fundo Monetário Asiático. A proposta foi uma reação aos veementes pedidos de apoio dos países atingidos pela crise, mas foi abortada pela forte resistência dos EUA, dos países europeus e do FMI. A idéia não morreu, contudo. Em 2000, ela foi retomada de outra forma, mais discreta e mais limitada, e vem sendo gradualmente desenvolvida desde então. É conhecida como a Iniciativa de Chiang Mai e começou basicamente pela criação de uma rede de acordos bilaterais de “swaps”, cuja finalidade é prover financiamento de balanços de pagamentos em situação de emergência. Os países participantes são a China, o Japão, a Coréia do Sul e os dez membros da Asean, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Indonésia, Tailândia, Malásia, Filipinas, entre outros).

Em maio deste ano, esses 13 países resolveram “multilateralizar” a Iniciativa de Chiang Mai, e constituir um arranjo auto-administrado de compartilhamento de reservas, governado por um único acordo contratual. Um país que tenha dificuldades de balanço de pagamentos poderá recorrer com mais rapidez a financiamento de emergência, desde que atenda às condições que forem negociadas, evitando assim as medidas traumáticas a que foram obrigados durante a crise de 1997-98. “A volatilidade e o volume dos fluxos de capital é ainda maior do que há dez anos. É por isso que nós precisamos de um projeto regional para lidar com o problema”, declarou o ministro das Finanças da Tailândia ao anunciar, em nome do grupo, a “multilateralização” da Iniciativa de Chiang Mai.
site do PC do B

Rizzolo: Isso nos remete a uma reflexão da importãncia do Banco do Sul no contexto Latino Americano, o essencial é que a nova instituição funcione como um fundo monetário regional, que prestaria socorro financeiro às economias mais pobres do continente. Além da função da nova instituição, ainda é preciso definir quanto em dinheiro cada um de seus membros deve participar, quem integrará a gerência da instituição e onde vai funcionar a sede, o ideal, seria convidar, todas as nações que integram a União das Nações do Sul [Unasul] a aderir a este banco, que deve ser auto-sustentável, com órgãos de condução com representação igualitária.

A Unasul – antiga Comunidade Sul-Americana de Nações é composta por: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Uruguai, Suriname e Venezuela. Convém prestar atenção ao que está acontecendo no leste da Ásia, eles já se deram conta que não podem contar com as conduções feitas pelos EUA e FMI em momentos de crise.

Depois os reacionários dizem que isso é uma ilusão do Chavez, que é uma besteira, olham com desprezo, quem sabe eles agora olhando para a Ásia respeitem um pouco mais as idéias que podem nos levar a uma libertação do império, que eles tanto prestam vassalagem e são seus representantes !

Serra desviou 32 milhões de universidades, denuncia PT

Serra sonega repasse do ICMS para a USP, Unesp e Unicamp

Deputados denunciam que governo tucano não repassa o aumento do ICMS às universidades, que perderam R$ 180 milhões nos últimos 4 anos. Só no primeiro trimestre do ano, Serra sonegou R$ 32 milhões

Em entrevista coletiva na quarta-feira (13), a bancada do PT na Assembléia Legislativa apresentou um estudo denunciando que o governo do Estado deixou de repassar às universidades públicas estaduais nos últimos 4 anos R$ 180 milhões. Somente no primeiro trimestre deste ano foram sonegados à USP, Unesp e Unicamp R$ 32,2 milhões.

Com isso, o governador José Serra (PSDB) está descumprindo a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no tocante ao repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) às três instituições. Pela Lei, o governo é obrigado a repassar mensalmente ao ensino superior público no Estado 9,57% da arrecadação total do imposto. O líder da bancada do PT na Assembléia, deputado Simão Pedro, explica que os sucessivos governos tucanos têm subestimado a arrecadação do ICMS, que tem aumentado progressivamente. “Sorrateiramente, o governo do Estado repassa apenas o percentual sobre o valor previsto no Orçamento”, diz. “O que ocorre”, prossegue o parlamentar, “é que o ICMS tem tido mensalmente uma arrecadação maior, ficando acima da previsão, e esse excedente não está sendo repassado”, denunciou.

Outra manobra utilizada por Serra para reter recursos para as universidades, segundo os deputados, é o não repasse de valores obtidos com a renegociação de dívidas do ICMS. O governo também não desconta dos repasses às instituições os incentivos e isenções fiscais concedidos.

Os parlamentares também criticam a falta de informações por parte do governo Serra acerca da aplicação dos recursos do Estado. “Há muita dificuldade em se obter os relatórios para acompanhamento da execução orçamentária. O governador Serra tem feito esse discurso em relação às universidades, de que quer transparência”, aponta o deputado Mário Reali. “Mas o que ele deveria colocar em transparência ele não coloca. Ele gosta de controlar os outros, mas não gosta que controlemos os seus gastos”.

“O que ele tem feito é maquiar, diminuir, o que demonstra que ele não tem qualquer compromisso com a expansão do ensino superior, com a melhoria da qualidade, com investimento em ciência e tecnologia, em pesquisa”, diz Simão Pedro.

Além disso, os deputados denunciam que o governo retém recursos, paralisando projetos prioritários. “O que aconteceu com os investimentos da Linha 4 do Metrô, da Linha 2, da duplicação da Rodovia dos Tamoios? Está tudo parado”, aponta Reali. “Eles fazem um caixa para depois usarem em ano eleitoral”.

Para o deputado Ênio Tatto, “quando você subestima a Receita, você dá margem para fazer uma série de articulações dentro do Orçamento”. Segundo ele, “não dá para admitir que no primeiro quadrimestre deste ano, se arrecada R$ 3,7 bilhões a mais e dentro disso você não projete um reajuste de salário para o funcionalismo público”.

“O Serra, assim como os governos tucanos, neoliberais que acreditam que o Estado tem que se retirar, que tem que ser pequeno, mínimo, para dar espaço para soluções de mercado, é porque não acreditam que o Estado precisa investir em educação, saúde precisa investir em desenvolvimento para o combate a pobreza e a melhoria das condições de vida”, defende Simão Pedro.

JOSI SOUSA

Hora do Povo

Rizzolo: Mas isso aí , já faz parte de uma estratégia para sucatear o ensino público e beneficiar os ” comerciantes do ensino “, não é possível aceitar o descumprimento da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no tocante ao repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) às instituições de ensino, é tudo feito com intuito de maquiar para enfim levar ao sucateamento , é a velha receita dos neoliberais, nessa movimentação sorrateira, tem sentido porque sempre lá na frente já tem um grupo à espera de abocanhar uma fatia que era papel do Estado, é simples, é preparar para entregar depois , alem disso como disse o deputado Mario Reali ,“Eles fazem um caixa para depois usarem em ano eleitoral”.

PIB cresce 4,3% puxado pelo PAC e expansão do consumo

Consumo das famílias alcançou taxa positiva de 6% e os investimentos cresceram 7,2%

No primeiro trimestre em que o presidente Lula implantou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou uma variação 4,3%, em relação ao mesmo período do ano passado. Concorreu para esse resultado o crescimento de 4,6% em Serviços, seguido da Indústria com 3,0% e da Agropecuária com 2,1%. Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) no dia 13.

“Nós estamos tranqüilos e satisfeitos com esse resultado. É claro que o mercado esperava um pouco mais, um pouco menos. Isso não altera as nossas previsões. Os números podem sofrer oscilações ao longo do ano. O mais importante é o resultado final, que eu acredito que ficará em 4,5% este ano”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele avaliou que haverá uma aceleração nos dois últimos trimestres e observou que o processo de redução da taxa de juros deve continuar. “Temos que olhar os juros de longo de prazo para ver o que vai acontecer com a taxa, e eles indicam que a Selic continuará em queda”, disse.

No período, a indústria Extrativa Mineral impulsionou o crescimento do setor, com um aumento expressivo de 7,9% da produção de minério de ferro e de 2,6% da produção de petróleo e gás. O setor de Serviços teve um crescimento de 4,6% na comparação com o mesmo período de 2006. Os aumentos maiores foram registrados em Intermediação Financeira e Seguros (9,2%). Para a taxa da Agropecuária, o destaque foram as produções de algodão, milho, batata inglesa e soja, além dos bovinos.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – investimentos – teve crescimento de 7,2%, resultante, principalmente, do aumento da produção e da importação de máquinas e equipamentos, enquanto a relação FBCF/PIB alcançou 17,2%. O coordenador de contas nacionais do IBGE, Roberto Olinto, explicou que essa taxa só não apresentou um resultado superior em função da sobrevalorização do real, pois ela é calculada tendo como base valores nominais correntes. Ainda sob ótica da demanda interna, o Consumo das Famílias apresentou crescimento de 6,0% e o Consumo do Governo, 4,0%.

INVESTIMENTOS

Para o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, “o primeiro trimestre mostrou crescimento adequado, mas todas as nossas perspectivas são de que o segundo trimestre vai ser melhor ainda”. O ministro considera que a evolução do PAC vai favorecer os investimentos. Para isso, segundo Paulo Bernardo, também é necessário a redução da taxa de juros. “Acho que o Banco Central tem uma avenida aberta para baixar as taxas de juros; os bancos oficiais têm feito um esforço e nós precisamos conseguir que os bancos privados também façam a diminuição do spread e dos custos de financiamento, porque isso é mais compatível com a realidade que estamos vivendo, de inflação baixa, de necessidade de financiamento e de necessidade de crescimento”, ressaltou.

É importante frisar que o resultado do primeiro trimestre aponta que é possível sim um crescimento de 5% já a partir de 2007, como propôs Lula tão logo foi proclamado o resultado do segundo turno das eleições. É o ponto de partida da retomada do desenvolvimento, cujo alicerce está consubstanciado no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).

VALDO ALBUQUERQUE

Hora do Povo

Rizzolo: Não há dúvida que o PAC tem até um efeito psicológico na expansão, é uma notícia animadora, podemos verificar que o crédito continua se expandindo e os ganhos salariais também. Mas a informação mais importante é que os investimentos estão concentrados em máquinas e equipamentos. Que significa maior crescimento no futuro e mais produtividade, é claro que isso também está vinculado a uma maior queda nas taxas de juros.Só para se ter uma idéia, a Agência Estado, mostra que a venda de computadores pessoais cresceu não 3% ou 4% no trimestre, mas espantosos 30%. Em grande parte, este número se deve ao programa PC Conectado, criado no governo Lula.

Solidariedade a Emir Sader

A bancada do PT na Câmara dos Deputados divulgou uma nota em solidariedade ao cientista social Emir Sader que está sendo processado por injúria pelo senador Jorge Bornhausen, ex-presidente do ex-PFL. Um recurso apresentado por ele será julgado amanhã no Tribunal de Justiça de São Paulo. O recurso é contra sentença ditada contra Sader, em primeira instância, pela 11ª Vara Criminal de São Paulo, que avaliou que Sader cometeu crime de racismo ao tratar Bornhausen como racista na revista Carta Maior. A manifestação de Emir Sader, entretanto, se deu em reação a uma declaração do ex-senador que, em entrevista à imprensa, “disse estar encantado porque “…estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos”, referindo-se claramente aos petistas.

Também o Ministério Público de São Paulo recorreu da sentença condenatória contra Emir Sader. Na nota, assinada pelo líder do partido na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ), a bancada “manifesta solidariedade a este destacado combatente da democracia, do socialismo e das lutas populares e expressa sua esperança de que a Justiça de São Paulo se pronuncie com discernimento e com sentido de proporção, anulando esta condenação injusta”.

Eu me junto aos companheiros deputados federais nessa corrente de apoio e solidariedade a Emir Sader por esse processo injusto.
enviada por Zé Dirceu

Rizzolo: Quero me solidarizar com o companheiro Emir Sader, usar a Justiça Pública como meio de vingança, não prospera e os Tribunais não se curvam a esse tipo de expediente, o que se quer na verdade com uma condenação como essa é impedir o direito de livre expressão, numa ação que visa a intimidar e criminalizar o pensamento crítico, com certeza essa sentença condenatória não terá sustenção no Tribunal de Justiça de São Paulo, que é um Tribunal zeloso e prima pelo bom senso, e com o costumeiro acerto absolvirá o companheiro Emir Sader, como medida de justiça !

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