Estudo revela perfil da desigualdade social

A educação é o segundo fator para a desigualdade entre ricos e pobres no Brasil – perde apenas para o acesso à cultura. A conclusão está no estudo Gasto e Consumo das Famílias Brasileiras Contemporâneas, divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O trabalho aponta que as famílias mais ricas gastam 30% a mais que as mais pobres e que quanto maior a renda per capita e o nível de escolaridade dos chefes de família, maior a parcela das despesas com educação.

Enquanto no biênio 1987/88 as despesas das famílias mais ricas brasileiras eram 11,9 vezes superiores às das mais pobres, em 2002/03 essa diferença cresceu para 24,5 vezes, sobretudo pelo aumento com gastos nos cursos regulares – de 13,9 para 44,5 vezes. Em 2002/03, os itens que apontam maior desigualdade de despesas entre as classes sociais brasileiras são os cursos de pós-graduação e os de idiomas, seguidos pelos de ensino superior e médio.

800 vezes desigual

De acordo com o estudo, os gastos com cursos de pós-graduação são praticamente nulos entre as famílias mais pobres do Brasil. Outro indicador de desigualdade é que as despesas das famílias mais ricas com cursos de idiomas superam em até 800 vezes as das mais pobres.

A pesquisa aponta ainda que educação foi o item que mais cresceu no orçamento das famílias: os gastos passaram de 3,16% em 1987/88 para 4,26% em 1995/96, e para 5,50% em 2002/03. O aumento dessas despesas de 1987 a 2003 foi maior na região metropolitana de Goiânia, seguida pelas de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.

Os maiores gastos foram com os cursos regulares (pré-escolares, fundamental, médio e superiores), que em 1987/88 representavam 44,80% do total despendido com educação e em 2002/03 subiram para 66,47%. Os pesquisadores creditam essa alta à expansão da rede privada de ensino nos últimos 15 anos. Neste período, só as matrículas no ensino superior privado cresceram 174%, enquanto no público aumentaram 79,8%.

Agência Brasil
Site do PC do B

Rizzolo: Esse estudo traça muito bem o perfil da desigualdade social e da falta de oportunidade que o jovem de família pobre enfrenta. A lógica já esta descrita pelo próprio sistema capitalista onde a educação no Brasil tornou-se ” bem de comércio” e é claro como todo bem de comércio, só tem acesso a ele quem tem recurso. O número de escolas particulares , de Universidades particulares,é inacreditável, tudo é privado, a rede pública de ensino sucateada ( de propósito) não atende às expectativas nem abre oportunidade à aqueles que pretendem ingressar no ensino público, pois eles não tem como melhor se preparar.

Na verdade, a desigualdade social e falta de oportunidade só tende a piorar enquanto políticas embebidas de neoliberalismo continuar permeando as mentes daqueles que tem compromisso com os ” Barões do ensino Superior ” aqueles que começaram a cobrar um ” pedágio” com o aval do neoliberalismo constituindo escolas privadas de nivel fundamental, escolinhas como quem não quer nada, e derepente já eram proprietários de Univesidades Particulares de tanto que ” ganharam dinheiro “, é uma vergonha , num país pobre , com essa quantidade de jovens sem emprego, cobrar ou instituir ensino pago. Temos que caminhar na direção de um amplo programa de ensino público de qualidade , nada de parceria com ensino privado como essa ” perversidade do Prouni”, que a única coisa que oferece é um sistema de educação falido, incapaz de operar uma verdadeira transformação social. Ensino público sim, gratuito para toda a população brasileira, è preciso discutir a sério o papel das universidades e da pesquisa.

Estudei em escola pública numa época em que ó ensino público era paradigma de qualidade.Chega de benefiarmos verdadeiras corporações de ensino; o negócio é tão bom que Universiades particulares brasileiras já estão vendendo ” seu passe ” à Universidades americanas, com o aval e ajuda de alguns políticos do PSDB , é claro. Isso é um perigo, é algo que chega a ser imoral. Acho tudo isso muito triste, precisamos dar um basta no comércio da educação onde os ricos ficam cada vez mais poderosos e o filho do trabalhador pobre enfrenta a depressão e a resignação de não poder ter acesso, a não ser pagando, aos sonhos de uma vida melhor e mais justa.

Publicado em Política. 1 Comment »

Uma resposta to “Estudo revela perfil da desigualdade social”

  1. Marília Ferreira Says:

    “Verba pública para escola publica!!!”


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