O setor produtivo deve estar representado no CMN

Devemos acompanhar com atenção a decisão do presidente Lula para que o Conselho Monetário Nacional não reduza a meta de inflação para 2009, deixando espaço para uma queda ainda maior da taxa Selic e perspectivas de maior crescimento.

Os defensores dos interesses financeiros centrados nas arbitragens e na gestão de recursos defendem com veemência a redução da meta, como se isso definisse o futuro do Brasil.

Querem redução da meta para aprofundar a ortodoxia e atingir o mantra do Real 1 x 1 com o dólar, elevando ainda mais a valorização dos ativos no País. Isso só é possível com a mega valorização de ativos no Brasil, propelida pela apreciação do Real. Eles sabem, portanto, o que estão defendendo. Enquanto isso, convencem o povo, com a ajuda dos chamados formadores de opinião, que o Real valorizado é bom para todos, quando, na realidade, é bom para quem tem bilhões de reais aplicados aqui dentro. Reais que valem cada vez mais dólares sem sair do lugar. Para a economia produtiva a história é outra.

O presidente Lula provavelmente está agindo por intuição e na linha da política desenvolvimentista, mas contra essa política existem as pressões dos que defendem os interesses do capital financeiro.

Há muito mais além do PAC para o crescimento. A composição do Conselho Monetário Nacional é uma dessas barreiras que passam batidas porque ninguém percebe. O CMN foi entregue de porteira fechada à visão financista. Todos os representantes da produção foram retirados desse fórum fundamental para definir as grandes alavancas da política econômica. O CMN é a instância superior do BC e do COPOM. Lá o Brasil das fábricas e dos campos não tem hoje a representação que tinha no passado. No formato inicial de sua criação, em 1964, o CMN tinha o Ministro da Agricultura e o da Indústria e Comércio com assento e voto. O Conselho chegou a ter dez membros, incluindo também os Presidentes da CVM e da Caixa Econômica Federal.

Tudo isso é um enorme contraste com a visão multifacetada, multisetorial e multigeográfica dos Conselhos que dirigem o Federal Reserve System nos EUA. Uma composição ampla, diversificada, equilibrada, de todos os setores da economia e da academia. Um país importante não delega sua política econômica a um núcleo tão restrito de pessoas como aqui após 1994. O CMN tinha uma representação muito maior no governo militar, representantes do varejo (Abílio Diniz), da indústria (Cláudio Bardela), da agricultura, dos trabalhadores. Essa representação foi mandada para casa deliberadamente.

A FIESP e a Cut já levantaram essa bandeira, mas a campanha deveria ser retomada e ampliada. Com esse CMN perde o País. A Presidência da República construiu a governabilidade social e institucional, mas existe essa outra governabilidade, a que decide a política econômica.

Muito bem faria ao País se no CMN tivessem assento, além dos três atuais, o Presidente do BNDES, um representante da indústria, outra da agricultura, um do comércio e um dos trabalhadores.
O CMN não define só meta de inflação, fixa também a TJLP e muitos outros instrumentos de política econômica.

Está faltando uma instância superior na condução da política econômica brasileira. Estamos tão acostumados com a ditadura do grupo monetarista de 1994, que já não percebemos a disfuncionalidade aberrante do modelo.

Na prática, não mais de cinco pessoas,por delegação do Presidente da Republica, dirigem a economia brasileira (o Presidente e dois diretores do BC, o de política monetária e o de área externa, o Ministro da Fazenda e o Secretário de Política Econômica desse Ministério), com pesos diferentes e pendendo muito mais para o BC.
O Brasil moderno sempre teve outras instâncias fora do núcleo gerencial da economia. Vargas criou o Conselho Nacional de Economia, mas nos seus governos o Banco do Brasil também era um ator central da política econômica.

No último Governo Vargas, o Presidente do BB, Ricardo Jafet, tinha tanto poder quanto o Ministro da Fazenda, Horácio Lafer.

Nos EUA, o Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca é um contraponto ao Tesouro e ao Fed, no clássico sistema americano de pesos e contrapesos, embora o próprio Federal Reserve tenha três Conselhos centrais com ampla representação, alem dos doze Conselhos regionais.

Há realmente um desequilíbrio notável no sistema de governança da economia brasileira, uma das causas do baixo crescimento de que poucos falam, tão acostumados que estamos com esse modelo torto.
enviada por Zé Dirceu

Rizzolo: Não resta a menor dúvida que o Conselho Monetário Nacional tem a intenção de reduzir a meta de inflação para 2009, é uma estratégia a favor da estagnação da economia, por interesses que já mencionei várias vezes, beneficiar a especulação, e inviabilizar o crescimento econômico. Quanto aos membros do Conselho Monetário Nacional , assim como os do Copom foram entregues de porteira fechada à visão financista, é inadimissível, que um Conselho como este não conte com a participação dos trabalhadores, e tenha sim uma visão representativa de vários segmentos, é a exclusão da participação da massa trabalhadora, via Centrais Sindicais e de empresários representada pelas Federações como a Fiesp, que por sinal já se manifestou, agora falando um portugues mais popular, é vergonhoso um país como o nosso ter a economia nas mãos de banqueiros internacionais, e acima um ” grupelho” representado pelo CMN que lança determinações ao contrário de tudo aquilo que a política desenvolvimentista preconiza

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