Depois de Aznar e Berlusconi, chegou a hora do lulu Blair

O ex-primeiro-poodle Tony Blair entregou na quarta-feira dia 27, os cargos de chefe de governo inglês e de presidente do Partido Trabalhista, que não via a hora de vê-lo longe.

No ano passado, uma rebelião no partido havia forçado Blair, a contragosto, a anunciar que iria se retirar e não teve espaço para voltar atrás. Assim, Blair se junta a Aznar, da Espanha, e a Berlusconi, da Itália, que foram para o vinagre por causa de Bush.

Eleito com a vigarice da “terceira via” – para se livrar de Margareth Thatcher e do pupilo Major os ingleses estavam dispostos a votar até num poste – Blair, depois de flertar com Clinton, acabou mesmo é se amasiando com W.Bush e suas guerras. Contra as maiores manifestações da história recente da Inglaterra, Blair – ou terá sido a Shell e a British Petroleum ? – resolveu ser o principal cúmplice de Bush na invasão do Iraque.

Blair não apenas mandou suas tropas, como ajudou a montar a rede de mentiras que serviram de pretexto para a invasão e para passar ao largo do Conselho de Segurança da ONU. Divulgou, para justificar a invasão, que o Iraque estava pronto para usar as armas químicas “em 45 minutos”. Antes, Blair já havia levado a Inglaterra a integrar a agressão dos EUA à Iugoslávia (1999) e ocupação de Kosovo. Também foi com Bush para o atoleiro no Afeganistão (2001).
Hora do Povo

Rizzolo: Mas só tinha que ir ” pro vinagre ” mesmo, no ano passado depois de uma rebelião no partido “convenceram esse inconveniente puxa- saco”, a anunciar que iria se retirar e não teve espaço para voltar atrás. Aquela conversa mole de “terceira via” que o elegeu fez dele um atraso ideológico à Inglaterra, vez que se alçava como ” quase um namorado de Bush ” sempre se afinando com a ” canalha direitista americana ” .Ainda bem que isso tudo parece que está mudando.

Para alunos de Alckmin, “o culpado é o povo”

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O jornal Valor Econômico foi talvez o único a cobrir o curso em três noites que o ex-presidenciável tucano em 2006, Geraldo Alckmin, ministrou na semana passada para 70 pessoas, nos Jardins, a área nobre de São Paulo, com matrícula a R$ 300. “A sensação compartilhada ali era de que se havia um culpado por sua eleição, era o povo”, conta o jornalista Caio Junqueira.

Ele cita o advogado Germano Parenti, 73, “ferrenho alckmista” e aluno de Alckmin. “Não culpo o Lula pela vitória, culpo os eleitores do Lula. Dar preferência a ele foi um descalabro”, afirma, para, em seguida, atacar. “Lula não está a nível do cargo. Até o Vicentinho (Paulo da Silva) e o (Luiz Antônio) Medeiros fizeram curso. O Lula não fez nem de corte e costura e decoração de bolo.”

Lula, “o monstro”

O artigo, Inconformismo domina platéia alckmista em escola de elite, toma como ponto de partida uma pergunta da dona-de-casa Maria Aparecida Ribeiro, 69 anos, que chama de “monstro” ao presidente eleito. “Se todo o diagnóstico está aí, qual o monstro que impede o país de sair do buraco? Por que os políticos sempre têm o diagnóstico para tudo e não conseguem solucionar nada?”, indagou a indignada senhora a Alckmin, sem obter resposta “além de um constrangido rubor na face do questionado” e “risos na platéia”.

“Todos sentimos o odor desse monstro. É a veia da máquina pública aliada aos políticos. O diagnóstico todo mundo sabe, mas será que interessa a eles combater?”, diz ainda a aluna. “A rejeição ao presidente é o traço forte e comum que une os colegas dessa senhora, tanto quanto o rechaço ao eleitorado do presidente”, conta o jornalista.

“O presidente não fala nossa língua”

“Se o povo tem sensibilidade, por que não houve coragem de dizer certas verdades nas eleições? O povo não tem coragem para entender uma mensagem verdadeira?”, questiona outro inscrito no curso. Alckmin acabara de dizer que acredita “no julgamento popular e num povo que erra menos do que as elites”. Os seus alunos do curso parecem não partilhar dessa crença.

“Sou inconformada por ele (Alckmin) ter perdido a eleição e o país ser governado pelo Lula. Entendo pouco de política, mas sinto que não tenho voz, não tenho corpo no país. Temos um presidente que não fala nossa língua. Há uma minoria ética no país que não sabe como fazer para realizar as mudanças. Como fazer mudanças estruturais, se o povo não entende o que são essas mudanças estruturais?”, afirma a médica Roberta Grabert, 42 anos. Sente-se no relato toda a indignação da seleta platéia.

Para a prefeitura, Serra é obstáculo

O curso de três noites (terça, quarta e quinta-feira) foi na Casa do Saber, instituição privada com sede no Jardim Paulistano, uma das áreas mais ricas da capital paulista. O tema foi Eleição e gestão pública: na primeira noite, política, na segunda, economia e na terceira a cena internacional; nos intervelos, serviu-se vinho chileno. A Casa do Saber tem em seu Conselho Diretor o ex-secretário de Educação de Alckmin no governo paulista, Gabriel Chalita, também autor de prodigiosos 39 livros em 38 anos de vida, com ênfase na auto-ajuda.

Desde que voltou de uma estadia de seis meses nos Estados Unidos, Alckmin movimenta-se fotra dos holofotes, em atividades como o curso da semana passada, sobretudo em São Paulo. Esquiva-se das indagações sobre a possibilidade de se candidatar à prefeitura de São Paulo no ano que vem – pretensão que esbarra no empenho do governador José Serra, em fazer do atual prefeito, Gilberto Kassab, do DEM, o candidato dos tucanos. Diz que se prepara apenas para contribuir para que o PSDB possa ter bons candidatos nos cerca de 5.600 municípios do país.

Com informações do Valor Econômico
Site do PC do B

Rizzolo: Pelas declarações ” dos alunos ” podemos inferir que existe algo de raivoso e de ódio na elite paulistana, algo que passa pela incompreensão de serem governados por um nordestino, operário, sem curso superior; ainda me lembro numa reunião em casa onde alguns membros dessa elite paulistana estavam presentes, talvez até pra me agradar inacutos que eram começaram a insultar o Lula, de pronto, saí em defesa da identidade progressista de Lula, do respeito que temos que ter pelos 58 milhões de votos em Lula , pelo caráter desenvolvimentista do seu governo, nem falei socialista por que não é, o silêncio foi total, achavam que eu estava bêbado…, como podia alguem que mora no Morumbi gostar do Lula ? Foi um bate boca horrível , mas respeitaram o anfitrião ( risos..), afinal o vinho estava bom.

Isso, denota que a elite raivosa, que não é toda a elite, é bom que se deixe claro, tem um desprezo e insiste em dividir o Brasil em dois o dos ricos e o dos miseráveis, mas parece que o Alkmin instiga essa coisa, ele vai justamente ” dar aula nos Jardins “, nessa platéia reacionária que “não fala a lingua do Lula”, e entendem que para ser presidente da República tem que ter curso superior, ser letrado, o que nunca foi verdade vez que ser presidente passa muito mais por sensibilidade social, falar o dialeto do povo, do que por cultura didática, isso sim é uma ignorância descabida.

Na verdade existe sim nessa elite uma tremenda saudade da ditadura, do regime de exceção, do autoritarismo, porque nesses regimes sim, segundo eles ” nordestino e operário não tem vez”,
eles não falam isso mas pensam, com certeza.