Senadores do ex-PFL advogam a privatização do setor aéreo

Na apresentação do seu segundo relatório parcial da CPI sobre o setor aéreo no Senado, o senador Demóstenes Torres (DEM-PFL/GO) advogou, na última quarta-feira, a privatização dos aeroportos de Congonhas, Guarulhos, Brasília, Galeão, Salvador, Recife, Santos-Dumont, Porto Alegre, Curitiba, Confins e Fortaleza, os mais lucrativos do sistema aeroportuário brasileiro.

Como se não bastasse, o sagaz senador se alçou a dar palpites nas áreas que cabem à Aeronáutica administrar, arrolando uma montanha de itens supostamente para resolver problemas no espaço aéreo brasileiro e a bagunça nos aeroportos.

Segundo o senador, por apresentarem viabilidade comercial, já que contam com movimentação anual superior a três milhões de passageiros, os 11 terminais deveriam ser entregues a grandes grupos econômicos privados “embora não haja uma lei específica sobre concessões aeroportuárias” no país.

O relator propõe “uma auditoria internacional no sistema de controle de tráfego aéreo brasileiro”. Demóstenes defendeu ainda a cobrança diferenciada de tarifas aeroportuárias, supostamente para diminuir o congestionamento nos principais aeroportos. Ele justificou a medida alegando que uma elevação das taxas pagas pelas companhias aéreas – que fatalmente seriam repassadas aos passageiros – pelo uso de aeroportos mais movimentados, direcionaria a demanda para os ociosos, diminuindo o grau de saturação dos primeiros.

E seguiu deitando regras como se fosse mais autoridade no assunto do que a FAB, falando de “elevação da qualidade dos equipamentos de controle de vôo responsáveis pela aproximação, pouso e decolagem dos principais aeroportos; revisão, modernização e reforço da manutenção dos equipamentos de rádio, radar e de software usados para o controle de vôo; adequação transitória das condições de trabalho dos controladores de tráfego aéreo militares; e aumento do efetivo de controladores de tráfego aéreo civis do grupo DACTA”. Propôs também a desmilitarização do controle do espaço aéreo “quando da implantação do sistema CNS/ATM”.

O líder dos dem-pefelistas no Senado, José Agripino (RN), também pregou que a saída para os problemas no setor aéreo seria a privatização da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), ou a concessão dos aeroportos controlados pela estatal a grupos privados. “O processo de privatização (na gestão de Fernando Henrique) foi altamente benéfico para o Brasil”, disse em discurso da tribuna, na segunda-feira passada, propalando os altos lucros amealhados pelos controladores privados da Companhia Vale do Rio Doce e as “vantagens” trazidas aos consumidores da telefonia. Como “vantagens” ele deve estar se referindo às altas tarifas que os usuários têm que pagar para as empresas de telefonia.

O ex-presidente do ex-PFL, ex-senador Jorge Bornhausen, foi outro que defendeu semanas atrás a entrega dos aeroportos a particulares como modelo de gestão do sistema de transporte aéreo para o Brasil. Bornhausen é apontado por sua relação com o dono de uma empresa (a Brasif, da qual ele foi vice-presidente de 91 a 92) que explora free shops em quase todos os aeroportos do país que operam vôos internacionais. Na CPI sobre o setor aéreo da Câmara dos Deputados, o deputado Miro Teixeira (PDT/RJ) defendeu que fosse investigada a obscura venda da Brasif para uma empresa suiça.
Hora do Povo

Rizzolo:É impressionante como os ” privateiros” estão se alçãndo agora em consultores aéreos, estão se considerando maiores que os militares da FAB em termos de aeronáutica, e mais estão dando um recado que a FAB é incompetente para gerenciar o espaço aéreo. Puxa como privatizar é bom, não é ? Olha, eu pessoalmente não sou contra as privatizações. Quer privatizar, é simples, vai buscar recurso lá fora, assuma o risco do empreendimento, construa com dinheiro próprio ou financiamento particular, e depois sim pode explorar, agora tomar patrimônio público, construido com dinheiro público do povo brasileiro e adquiri-lo a preço de ” banana ” como na Vale do Rio Doce, ou colocar guarita em estradas construidas com suor e recursos do povo brasileiro, e ganhar dinheiro, como foi feito aos montes na gestão FHC aí não, mas é isso que eles querem. Puxa que feio, hein !

Publicado em Política. 1 Comment »

Uma resposta to “Senadores do ex-PFL advogam a privatização do setor aéreo”

  1. Polyanne Says:

    Impressionante é a guinada que o Presidente da República e o Partido dos Trabalhadores deram em suas atitudes políticas!

    Não existe, literalmente, uma única razão para o Governo privatizar os aeroportos administrados pela Infraero. E a única razão que existe (a dificuldade que a Infraero tem atualmente para implantar os investimentos na infra-estrutura aeroportuária) foi criada artificialmente por este Governo: a Infraero foi entregue às baratas, ou melhor, a políticos e apadrinhados nos cargos estratégicos da empresa (tem uma “tuia” de gente lá dentro contratada sem concurso que não serve nem para servir cafezinho e bota no bolso, todo mês, perto de R$ 12.000,00).

    O Presidente fica irritado com a Infraero porque as obras não saem, mas ele deveria ir lá ver que o pessoal não tem nem papel para trabalhar.

    Isso vem acontecendo desde 2002.


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