Em maio, multinacionais enviam US$ 2,632 bilhões ao exterior

Volume remetido às matrizes a título de lucro e dividendos, é cinco vezes maior do que a entrada de US$ 501 milhões de investimento estrangeiro

Em maio, o Banco Central registrou a entrada de US$ 501 milhões referentes ao chamado investimento direto estrangeiro, ao mesmo tempo em que as transnacionais instaladas no país enviaram US$ 2,632 bilhões para suas matrizes no exterior a título de lucros e dividendos. Esses dados são relativos à questão da produção, não englobando os capitais meramente especulativos, atraídos pelos juros altos.

O fato de as remessas de lucros terem superado em mais de cinco vezes a entrada dos festejados “investimentos” diretos demonstra, mais uma vez, que a brutal desnacionalização a que foi submetida a economia brasileira tem proporcionado a transferência de fabulosos recursos para o exterior. Desnacionalização que atingiu não só as estatais, com as privatizações, mas também as empresas privadas – essas últimas com a redução da proteção à indústria nacional e com os juros cavalares, que as tornaram presas fáceis ao capital estrangeiro. Ou seja, as empresas nacionais, nas quais foram injetadas bilhões de reais para sua construção e ampliação, foram tomadas praticamente de graça e hoje enchem os cofres de quem as açambarcou.

Assim, foram repassadas para o controle externo empresas dos mais diversos segmentos. A maior parte do antigo Sistema Telebrás, empresas de energia (Light, Eletropaulo, Comgás etc.), siderúrgicas como a Usiminas. No capital privado, fábricas tradicionais como Metal Leve, Cofap, entre outras, foram desnacionalizadas. Esse processo alcançou inclusive o setor bancário, público e privado (Banespa, Real, Bamerindus etc.), o principal beneficiário da política de juros altos do BC.

Em sua tese de Doutorado em Ciências da Engenharia da Produção na COPPE/UFRJ, a professora Carmen Garcia disseca a presença do capital estrangeiro na indústria brasileira, de 1985 a 2002, mostrando o alto grau de desnacionalização do setor. Assim, no último ano analisado, estavam sob controle estrangeiro 82% das indústrias baseadas em ciência (eletrônica, farmacêutica, aeronáutica etc.); 73% da produção diferenciada (eletrodomésticos, instrumentos médicos e máquinas e equipamentos); 68% da produção contínua em escala (química, siderurgia, automobilística etc.); 24% das indústrias baseadas em recursos naturais (extrativa mineral, cimento, alimentos, bebida, madeira e extração e refino de petróleo).

A questão torna-se ainda mais relevante no momento em que o país avança na consolidação da agroenergia, fundamental para a diversificação das fontes energéticas, o que vem atiçando a cobiça do capital estrangeiro. Até o notório George Soros, que esteve recentemente no Brasil, já se faz presente no setor do etanol tendo adquirido a Usina Monte Alegre, em Minas Gerais, através da Adecoagro.

A abertura de capital das empresas brasileiras não é nenhum “processo natural” como defendem alguns. Natural e viável é que elas se desenvolvam a partir de nossos próprios esforços. Para isso, contam novamente com o apoio do BNDES, que, com Lula, retomou o seu papel de financiador da produção, ao contrário da gestão tucana em que o banco foi transformado em agente da desnacionalização e do fomento do desemprego.

VALDO ALBUQUERQUE
Hora do Povo

Rizzolo: Tenho todo dia dito isso, as multinacionais sangram o país, mas o que mais salta aos olhos, é o fato de as remessas de lucros terem superado em mais de cinco vezes a entrada dos festejados “investimentos” diretos demonstra, mais uma vez, que a brutal desnacionalização a que foi submetida a economia brasileira tem proporcionado a transferência de fabulosos recursos para o exterior. Isso é uma vergonha, tenho reiteradamente dito isso . Tenho pena do povo brasileiro, sempre subserviente a essas empresas multinacionais que alem de sangrar o país olham sempre um com componente preconceiutuoso, como o caso da Cargil. ( ver no Blog).

Agora a pergunta : Se elencarmos 500 empresas multinacionais instaladas no Brasil, sangrando o país, fazendo remessas intermináveis de lucro aos paíse de origem, não respeitando normas de segurança, dessas 500 empresas , quais delas a indústria nacional não teria capacitação tecnológica para substitui-las por empresas genuinamente nacionais ? Em primeiro lugar, as multinacionais vêm para o país atraídas pelos baixos salários pagos aos trabalhadores e pela crescente precarização do trabalho. O lucro obtido por essas empresas não fica no Brasil, vai, em forma de remessas, para as matrizes localizadas nos grandes centros capitalistas. De acordo com o Banco Central, somente até agosto deste ano, US$ 6,79 bilhões de lucros e dividendos das multinacionais foram enviados para fora do país. Tenho absoluta certeza que o empresariado brasileiro patriota é capaz de fazer tudo e muito mais do ponto de vista tecnológico, de produção, e até humano.

Ah! Mas isso não pode, isso não é democrático, não é , ( dizem os representantes do império ) democrático é isso aí em cima que você leu é a ” liberdade ” de fazerem o que querem e levarem todo o lucro para onde querem , só eles sabem fazer lucro e gerarem emprego, agora o coitadinho do empresário nacional, não aguenta , vez que a carga tributária proporcionalmente é maior para o pequeno empresário , aí sucumbe, desiste, quebra.

Se não querem mudar as relações de produção ( socialismo ) de uma vez, que então prestigiem a indústria nacional, não existe nada que nós não sabemos fazer ou que na pior das hipótese não podemos comprar em termos de tecnolgia como assim faz a China. Manda esse pessoal embora ! E mais o nosso Presidente Lula não deveria aguentar esse malcriado comissário europeu de comércio, Peter Mandelson, o camarada se acha no direito de humilhar o governo brasileiro com suas declarações que no fundo são preconceituosas; é o fim , como dizia Euclides da Cunha ” O nordestino é antes de tudo é um forte” !

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Laudo desmente versão contra o ex-ministro Silas Rondeau

Ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que leu o processo e não achou “nenhuma prova convincente de que ele (Rondeau) é culpado”

O ministro da Justiça, Tarso Genro, reiterou na segunda-feira que o relatório da Polícia Federal (PF) sobre as investigações da Operação Navalha não apresenta provas que incriminem o ex-ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, acusado de receber propina da construtora Gautama, supostamente para favorecer a empresa em licitações de obras envolvendo o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

MANIPULAÇÃO

Tarso Genro confirmou ainda que a informação foi transmitida por ele ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Dei um informe ao presidente, quando examinei o processo, no momento em que foi quebrado o segredo de Justiça. Eu não vi nenhum conjunto de indícios que formasse uma prova nem qualquer prova conclusiva sobre sua culpabilidade”, disse.

Na semana passada, o ministro da Justiça declarou que, após analisar o relatório entregue pela PF ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), não encontrou nada contra Silas Rondeau. “Eu examinei cautelosamente, depois que foi aberto o segredo de Justiça, os documentos do processo do ministro Silas. E, até aquele momento, já faz uns dez dias que eu examinei, não tinha nenhuma prova convincente, nenhuma prova indireta, nenhum conjunto de indícios que se forma uma prova de que ele seria culpado”, avaliou Tarso Genro.

O ex-ministro pediu demissão no final de maio, depois que foi feita uma manipulação pela mídia com as imagens gravadas pelo circuito interno de TV do Ministério das Minas e Energia, mostrando a diretora financeira da Gautama, Maria de Fátima Palmeira, no prédio.

Segundo o relatório da PF, Silas Rondeau teria recebido R$ 100 mil da Gautama, através de seu assessor especial no ministério, Ivo Almeida Costa. O dinheiro teria sido entregue por Fátima Palmeira, no dia 13 de março. As câmaras do prédio em que funciona o ministério registraram, naquele dia, a funcionária da empresa entrando pela porta privativa, subindo pelo elevador e, depois, no corredor que dá acesso ao gabinete do ministro. Mostrou também que ela deixou o andar acompanhada por Costa.

Em reportagem do programa “Fantástico” da Rede Globo, veiculada no dia 20 de maio, as imagens foram apresentadas como evidência de que Fátima Palmeira levava a suposta propina em um envelope pardo que, em seguida, aparecera nas mãos do assessor do ministro.

Um laudo feito pelo perito Ricardo Molina, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), contesta essa versão. Segundo o documento do perito, Ivo Almeida Costa “não poderia estar carregando um envelope contendo R$ 100.000,00 (cem mil reais), pois tal quantia produziria um volume considerável, o que seria visível nas imagens”. Molina argumenta ainda que está claro nas imagens que o objeto carregado pelo assessor é uma folha de papel, e não um envelope com mil cédulas.

O perito contesta o trecho da matéria onde o repórter do programa diz: “Segundo a polícia, ela (Fátima) está com o dinheiro dentro de um envelope pardo”. E, depois, referindo-se a Costa: “Repare que agora é ele que está com o envelope na mão”. No laudo, Molina ressalta que a funcionária da Gautama “em nenhum momento porta qualquer envelope em suas mãos. E Ivo Almeida Costa, porta uma folha de papel e não um envelope com mil cédulas de dinheiro, e muito menos um ‘envelope pardo’”.

IMAGENS

“Se a versão da Polícia Federal foi de que Ivo Almeida Costa estaria carregando um envelope com dinheiro, eu acho que há provas incontestáveis nesse laudo de que ele não estava carregando nenhum envelope com dinheiro”, assinalou o perito da Unicamp. “E nem há qualquer imagem que mostre a Fátima entrando com um envelope com dinheiro também. Isso pode ser inferências que a Polícia Federal fez a partir de outras informações, mas não a partir dessas imagens. Essas imagens não mostram nada disso”, acrescentou.

Com o esvaziamento da invenção e a possibilidade que o ex-ministro seja reconduzido ao cargo, setores da mídia voltaram à carga, tentado requentar o caso com a divulgação de notícias sobre um suposto novo relatório da Polícia Federal sobre Silas Rondeau. Em matéria publicada por um jornal de São Paulo (só para assinantes), insinuou-se que a Polícia Federal ainda não teria descartado a suspeita contra o ex-ministro e seu ex-assessor. Segundo especulação do jornal, a PF teria apurado que o dinheiro da suposta propina estaria na bolsa da diretora financeira da construtora e não mais no envelope que ela carregava quando foi filmada pelas câmeras do ministério.

Em nota, a PF negou que tenha acrescentado documentos ao processo. “Em razão de matérias divulgadas pela imprensa nacional nos últimos dias, a Polícia Federal esclarece que, ao enviar o resultado das diligências da Operação Navalha ao Superior Tribunal de Justiça, em 08/05/2007, submetendo o assunto às autoridades competentes do Judiciário e do Ministério Público, não mais apresentou até o momento qualquer nova conclusão a respeito dos referidos fatos”, diz a nota.

Para o ministro Tarso Genro, as investigações realizadas pelo Ministério Público envolvendo as denúncias reunidas durante as investigações da Operação Navalha são independentes e caberá à Justiça “tomar providências”. “Eu não vi até agora nenhum delito que pudesse ser imputado ou provado contra Silas Rondeau, mas eu não sou a autoridade adequada para fazer juízo. Temos que aguardar o Ministério Público e o Poder Judiciário”, disse.

Hora do Povo

Rizzolo: É como eu sempre digo, as acusações levianas, falsas tem um só propósito que é desqualifcar o governo Lula, sempre baseadas em “suposições ” cabe agora ao Representante do ” Parquet Federal ” analisá-las .

Mais um tucano suspeito de irregular

A matéria PF associa prefiro de SC a fraude ambiental da Folha de hoje (só para assinantes), notícia o envolvimento de mais um político tucano em denúncias de irregularidades na administração pública. Agora é o prefeito de Florianópolis, Dario Berger (PSDB), flagrado em conversas telefônicas grampeadas pela Polícia Federal na Operação Moeda Verde num suposto esquema de corrupção em favor de empreendimentos imobiliários da capital catarinense.

Deflagrada em maio, a operação resultou de investigação com escuta de 26 telefones de políticos, servidores e empresários suspeitos de fraudes em autorizações para construir em áreas de proteção ambiental. As conversas telefônicas do tucano Berger indicam que ele criou uma lei de incentivo fiscal à hotelaria para atender ao empresário Fernando Marcondes de Mattos, dono do resort Costão do Santinho, um dos mais luxuosos do país. As conversas também revelam que o empresário Marcondes de Mattos doou R$ 500 mil, sem declarar, para a campanha de Djalma Berger (PSB), irmão do prefeito eleito deputado federal no ano passado. A doação teria sido feita em setembro de 2006. O projeto de Berger chegou à Câmara no final de novembro e foi votado em dezembro. O prefeito vetou emendas dos vereadores que beneficiavam pousadas e pequenos hotéis de praia. Em abril deste ano, a Câmara aprovou a lei com os vetos.

A delegada Julia Vergara, que preside o inquérito na PF, anotou no relatório que a doação a Djalma Berger, se recebida, não foi lançada na prestação de contas do deputado federal.

Ao despachar o relatório à Câmara Municipal (onde há uma CPI do caso) e ao Ministério Público do Estado, o juiz Zenildo Bodnar disse que o inquérito contém “notícias sérias de possível infração disciplinar e indícios graves da prática de improbidade administrativa e, em tese, também criminal”.

Ao todo, 22 suspeitos tiveram prisão temporária decretada pela Justiça, entre eles Marcondes de Mattos, dois vereadores e três secretários. Todos estão em liberdade, mas na semana passada os vereadores Juarez Silveira e Marcílio Ávila tiveram os mandatos cassados.

E agora? Será que os tucanos catarinenses vão seguir o exemplo de seus colegas paulistas e tentar manobrar para impedir, também, essa investigação?

enviada por Zé Dirceu

Rizzolo: O que pode acontecer é São Paulo exportar “Know how” de ” como manobrar e impedir CPIs “, vamos aguardar o desenrolar dos fatos. Puxa o PSDB envolvido em um escandalo por dia, os “guardiões da ética”, bom pra elite ver em quem eles acreditaram. O prefeito Dario Berger (PSDB) diz em nota na página da prefeitura na internet ter recebido as suspeitas contra ele e seu irmão “com sentimento de indignação e revolta”. Talvez a indignação se deva ao fato de ele achar que iria ser ” flagrado ” ( risos..)

A fúria do Estadão contra Chávez

por Altamiro Borges*

Conhecido por suas posições conservadoras explícitas, sem papas na língua ou falsos ecletismos, o jornal O Estado de S.Paulo revelou na semana passada o que está por traz das recentes intrigas contra o governo de Hugo Chávez. Num editorial raivoso, o jornalão da famiglia Mesquita defendeu enfaticamente que o Senado brasileiro rejeite o ingresso da Venezuela no Mercosul. O motivo não seria o “exagero retórico” do líder bolivariano contra os “papagaios do imperialismo” incrustados nesta casa legislativa e nem o seu “ultimato” para aprovação da entrada do país vizinho no bloco regional. A razão é eminentemente política e estratégica – o que só os ingênuos e os mal-intencionados insistem em não enxergar.

“O ‘socialismo’, o anticapitalismo e o antiamericanismo de Chávez seriam um peso insuportável para o Brasil e o Mercosul, que precisam disputar mercados num mundo capitalista”, escancara o Estadão, que nunca escondeu a sua preferência pelas “relações carnais” com os EUA e a sua objeção a atual política do Itamaraty de reforço da integração latino-americana e das alianças Sul-Sul. Para o jornalão, os recentes incidentes envolvendo o Senado e o governo venezuelano ocorreram numa boa hora. “A truculência do caudilho abriu os olhos para as previsíveis conseqüências do ingresso definitivo da Venezuela bolivariana no Mercosul”, comemora o porta-voz da direita neoliberal nativa e dos interesses imperialistas dos EUA.

Saudades do entreguista FHC

Para o jornalão, o episódio serve de lição para o presidente Lula, que estaria agindo com complacência diante dos países rebeldes da região – leia-se Venezuela e Bolívia. “Houve época em que o coronel [a famiglia Mesquita, a exemplo da mídia golpista venezuelana, não trata Hugo Chávez como presidente democraticamente eleito] respeitava o Brasil e os seus governantes. Era visível, por exemplo, o respeito reverencial que tinha pelo presidente Fernando Henrique, que mais de uma vez teve de colocar Chávez na linha. Mas com o presidente Lula o relacionamento mudou. Julgando que tinha encontrado um aliado, com identidade de propósitos e idéias, Lula cedeu a praticamente todas as exigências de Chávez”.

A exemplo da colunista Miriam Leitão, da TV Globo, que pregou o rompimento de relações diplomáticas com a Bolívia e o envio de tropas para a fronteira com este país quando da desapropriação das refinarias da Petrobras, o Estadão exige agora o endurecimento do governo Lula diante do “caudilho Chávez” . Ele seria a personificação do “eixo do mal” de Bush e um estorvo às relações mercantis do Mercosul, já que insiste em “fazer o seu monótono comício contra Washington, a União Européia e o capitalismo”, tem “a atenção cativa da Bolívia, da Nicarágua e de Cuba, na Alba”, compra armas de Moscou e “articula com Mahmud Ahmadinejad [Irã] acordos de cooperação e planos de resistência contra o demônio ianque”.

Ingerência indevida do Senado

O editorial do Estadão, por sua franqueza e dureza, é revelador do pensamento da burguesia neoliberal na recente crise fabricada na relação Venezuela-Brasil. O que no início parecia apenas uma refrega retórica, envolvendo alguns senadores da direita e o presidente Chávez, vai adquirindo assim a sua verdadeira e gravíssima dimensão, colocando em risco o inédito esforço da integração regional. Tudo começou com a ingerência indevida do Senado, a partir de um requerimento de Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB e fundador do “valerioduto”, contra a decisão soberana do governo vizinho de não renovar a concessão da RCTV. Na seqüência, o líder bolivariano acusou os senadores de “papagaios do império”. O desabafo foi o sinal para a direita brasileira e sua mídia venal questionarem o ingresso da Venezuela no Mercosul.

A direita brasileira, servil aliada dos EUA, nunca criticou a censura imposta pelo presidente George Bush à imprensa daquele país, através da Patriot Act, ou os campos de tortura de Guantanamo e de Abu Ghraib, ou o fim de dezenas de concessões públicas de televisões nos EUA e na Europa – mas resolveu cutucar o presidente da Venezuela, numa provocação rasteira. A manobra era evidente: ela nunca concordou com os esforços do governo Lula e de outros governantes progressistas da construção de um bloco regional capaz de se contrapor aos desígnios do império. O seu sonho, acalentado por FHC, era o da vigência do tratado neocolonial da Alca, da implantação da base militar em Alcântara e das “relações carnais” com os EUA.

Sórdida manobra em curso

O episódio da RCTV, que nada tem a ver com as relações econômicas, sociais e políticas do Mercosul, foi o pretexto encontrado pela direita nativa, bem ao gosto do imperialismo, para tentar implodir o esforço da integração. Deixada a aparência de lado, agora fica exposta a essência da manobra. “Indústria pede que o Congresso rejeite adesão venezuelana”, festejou a Folha de S.Paulo. Barões do agronegócios e magnatas de poderosas empresas destilam seu ódio contra a revolução bolivariana. O embaixador Rubens Barbosa, membro da equipe entreguista de FHC e guru de Geraldo Alckmin, declara que o ingresso da Venezuela prejudicará o acesso do Mercosul ao mercado dos EUA. O editorial do Estadão é a prova cabal do crime!

Só os ingênuos não percebem a sórdida manobra. O problema não retórico, mas eminentemente político e estratégico. Aparentemente, o presidente Lula está antenado. O seu governo apostou todas as fichas na integração regional, não se curvou diante da pressão da elite para que declarasse “guerra” à Bolívia e nem fez coro com as viúvas da RCTV. Agora mesmo o presidente volta a qualificar a relação com a Venezuela de “extraordinária”, citando o gasoduto que “atravessará toda a América do Sul” e os projetos conjuntos entre as estatais Petrobras e PDVSA. Evitando fazer este debate estratégico através da mídia venal, Lula informou que procurará Hugo Chávez para solucionar o impasse. A iniciativa é urgente, antes que os neoliberais e sua mídia melem os estratégicos e meritórios esforços da integração latino-americana.

*Altamiro Borges, Miro é jornalista, Secretário de Comunicação do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição)
Site do Pc do B

Rizzolo: A direita recionária ainda não digeriu a vitória de Lula um presidente operário, tentam de forma velada desqualificar Lula numa tentativa de enaltecer FHC que entregou o Brasil ao capital internacional do jeito que eles gostam. Nas entrelinhas dos artigos, pode-se observar que existe um latente desejo de jogar a opinião pública contra a Venezuela de Chavez, muitas vezes nos artigos do Estadão e da Folha subliminarmente se observa frases como ” as eventuais hipóteses de um conflito militar com a Venezuela” ´, ora, A Venezuela jamais teve vocação imperialista e jamais se envolveu em conflitos com o Brasil, mas o desejo de gerar a intriga é maior. Enfim, a direita quer de qualquer jeito dominar Lula, numa atitude servil ao capital internacional e a elite.

Charge de Myrria para A Crítica

Só pra começar a terça-feira de bom humor.

cha_323.jpgSó para

do site do PC do B

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11 de Setembro: Ministra francesa acredita que Bush é o responsável

Christine Boutin é ministra do governo francês. Ultraconservadora, acusada de ter “laços” com a Opus Dei, nomeou recentemente um padre para um posto governamental. Até aí nada de espantoso. O que admira é que a ministra, em novembro de 2006, admitiu que George W., Bush, o presidente americano, pode ser um dos responsáveis pelos ataques de 11 de setembro. Por Humberto Alencar.

Não é difícil encontrar na web teorias que coloquem em duvida a versão oficial sobre os ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Mas quando a opinião é emitida pela ministra de um grande país europeu, a coisa fica mais estranha. Se ela então diz que “é possível” que o próprio presidente dos Estados Unidos esteja por trás dos “atentados” contra as torres e o Pentágono, então é único.

Mas a atual ministra francesa da Moradia e Urbanismo, a fundamentalista cristã Christine Boutin, não cora quando responde afirmativamente a uma entrevista do Channel +, quando diz que “sim” à possibilidade de Bush estar por trás dos ataques. Qual a justificativa dela para responder tal questão afirmativamente?

“Eu acredito que isso é possível”. Ela chegou a essa conclusão porque sabe “que os sites que falam de tais coisas são os mais acessados”. A justificativa de tal juízo não é de se desperdiçar.

Alguém poderia supor que a ministra de Sarkozy tem conhecimento de algum informe confidencial, ou que tenha desenvolvido uma enorme investigação antes de chegar a tal conclusão. Mas não, sua demonstração está baseada em cifras: os sites que publicam as tais teorias alternativas são os mais visitados.

Os amantes das teorias conspiratórias encontraram em Boutin uma aliada inesperada. Como afirma o periódico digital Rue89, a ministra se converteu em “ídolo dos conspiratistas”. O site reopen911.info colocou hoje em sua página a entrevista que ela deu a uma emissora digital quando era ainda uma deputada no governo presidido por Jacques Chirac. Além do vídeo, o site dá uma interpretação bastante pessoal; “O governo francês considera a responsabilidade” de Bush no 11 de Setembro. “Pela primeira vez, uma personalidade política no poder rompe o silêncio”, entretanto, ainda mais será revelado, asseguram.

Até a data de hoje os franceses conheciam Boutin por suas posições ultraconservadoras em matéria de política familiar. Quando era deputada da oposição, se opôs com ferocidade à lei que permitia o casamento homossexual, promovida pelo governo socialista de Lionel Jospin (1997-2002). Na ocasião da votação, em seu discurso na Assembléia Nacional, Boutin sacou de sua bolsa uma Bíblia e desatou a chorar.

Hoje ela adquire uma nova fama, graças à internet. Como fundamentalista católica que é, deve achar que o Apocalipse chegou, afinal se confia tanto na popularidade de um site como forma de aferir o que quer que seja, já deve ter concluído que a Humanidade está condenada ao fogo do inferno diante da popularidade dos sites de sexo.

Com informações do Rebelion, Le Monde, O Públic e reopen911.info
Site do PC do B

Rizzolo: Mas essa ministra francesa da Moradia e Urbanismo ultraconservadora, acusada de ter “laços” com a Opus Dei só pode estar pertubada, não é possível acreditar nisso baseado em ” sites conspiratórios na Web” , é uma acusação e tanto; a não ser que os “laços” que ela possui não sejam com a Opus Dei e sim com o Chavez, vez que é católica fervorosa e de tanto ouvir Chavez chamar Bush de ” Diablo” tenha se impressionado e chegado a essa conclusão. Agora bom mesmo pro Sarkozy é mudar de ministra , viu ! (risos….)

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