A crise asiática, dez anos depois

Em julho de 1997, teve início no leste da Ásia uma crise econômica que marcaria época. Ela começou na Tailândia, mas logo se espalhou para outros países da região, atingindo de forma grave a Indonésia, a Malásia, as Filipinas e a Coréia do Sul. Todos eles eram países bem-sucedidos, que vinham se desenvolvendo rapidamente, em especial a Coréia. A violência da crise causou grande perplexidade no mundo inteiro. Os países mais atingidos, com exceção da Malásia, foram bater às portas do FMI. As economias mergulharam em recessões profundas.

Depois de alguns anos de intenso sofrimento, essas economias se recuperaram e voltaram a crescer de forma sustentada. Mas a crise influenciou de maneira duradoura a forma como os asiáticos conduzem as suas políticas financeiras e as suas relações internacionais.

Transcorridos dez anos, quais as lições tiradas por eles? Primeira: os sistemas financeiros e as contas externas devem ser administrados com grande cuidado. Isso levou, de um lado, ao aperfeiçoamento da regulamentação e da supervisão das instituições financeiras. De outro, os países passaram a seguir políticas econômicas externas mais prudentes, registrando superávits nos balanços de pagamentos em conta corrente e acumulando reservas internacionais. Alguns países adotaram regimes cambiais flexíveis. Outros introduziram ou mantiveram controles sobre os fluxos de capital.

A acumulação de reservas funciona como um mecanismo de auto-seguro e está ligada, em parte, à insatisfação com a maneira como o FMI lidou com a crise de 1997. Entre os asiáticos, prevalece a avaliação de que o Fundo impôs condições duras e atuou de maneira lenta. Essa foi a segunda lição: o FMI não merece confiança total. Por extensão, os asiáticos tiraram uma terceira lição: a cooperação financeira regional é vital.

Foi esse ambiente que levou à Iniciativa de Chiang Mai, lançada em 2000, com participação da China, do Japão, da Coréia do Sul e dos dez membros da Asean, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Brunei, Camboja, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã). Criou-se uma rede de acordos bilaterais de “swap”, que tem dois objetivos centrais: a) proporcionar apoio a países que experimentem problemas de liquidez de curto prazo; e b) complementar os esquemas financeiros internacionais já existentes. Atualmente, a rede de acordos bilaterais de “swap” soma mais de US$ 80 bilhões, consistindo de 16 acordos entre oito países.

Em maio deste ano, os 13 países resolveram dar um passo adicional e “multilateralizar” a Iniciativa de Chiang Mai. Será criado um arranjo auto-administrado de compartilhamento de reservas, governado por um único acordo contratual. A implementação desse novo passo ainda pode levar algum tempo, pois envolve entre outros aspectos o desenvolvimento de mecanismos de monitoramento (“surveillance”) e a definição das quotas e dos mecanismos de ativação dos empréstimos de emergência.

Parece claro, entretanto, que os asiáticos caminham, passo a passo, sem grande alarde, para criar uma espécie de Fundo Monetário Asiático.

O FMI que se cuide. O Fundo não é uma verdadeira instituição multilateral. Continua sendo um clube controlado em larga medida pelos Estados Unidos e pela União Européia. Se continuar assim, outras regiões do mundo tenderão cada vez mais a buscar mecanismos próprios de proteção financeira, em nível nacional e regional.

Paulo Nogueira Batista Jr é economista e diretor-executivo no FMI. Este artigo foi publicado na edição desta quinta-feira (12) na Folha de S.Paulo
Site do PC do B

Rizzolo: E no esteio desse raciocínio que o FMI não é confiável, devemos nós da América Latina implementarmos o Banco do Sul. A criação do Banco será uma forma de contribuir para que os países latino-americanos rompam a dependência a mercados de capitais globalizados incertos e altamente especulativos, propiciando a própria capacidade de reserva, a detenção de fuga de capitais e a inversão de recursos em forma consistente com os direitos e as necessidades dos povos.

Tenho dito que não podemos ficar à mercê das políticas perversas editadas pelo Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, observem que na própria Ásia que já sentiram de perto os efeitos de crises, estão estudando a formação de Fundo Monetário Asiático mais conhecido como a Iniciativa de Chiang Mai e começou basicamente pela criação de uma rede de acordos bilaterais de “swaps”, cuja finalidade é prover financiamento de balanços de pagamentos em situação de emergência. Os países participantes são a China, o Japão, a Coréia do Sul e os dez membros da Asean, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Indonésia, Tailândia, Malásia, Filipinas, entre outros).

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Diretores do BC de FH amealharam fortunas servindo à banca estrangeira

Reportagem de capa da revista “Carta Capital” da última semana mostra que presidentes e diretores do Banco Central durante o desgoverno tucano de Fernando Henrique Cardoso alcançaram fortunas depois de suas passagens pelo serviço público. Responsáveis por políticas como as de “flexibilização” cambial, vinculação de quase toda a dívida pública ao dólar antes do estouro e outras medidas que quase destruíram a economia nacional em benefício dos especuladores estrangeiros, esses senhores, antes de ter contato com a instituição pública, levavam vidas relativamente modestas, como professores universitários ou funcionários menores de bancos. Como descreve a reportagem, “se beneficiam agora por normas por eles criadas”.

Antes de presidir o BC entre 1997 e 1999, Gustavo Franco era professor da PUC-RJ. Depois de passar pelo BC, tornou-se sócio da Rio Bravo Investimentos, empresa de consultoria que administra cerca de R$ 2 bilhões. Também professor da PUC-RJ, Pérsio Arida presidiu o BC de janeiro a junho de 1995. Depois tornou-se sócio do Opportunity, junto com Daniel Dantas, e dirige o “Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças”, um antro neoliberal que tem entre seus patrocinadores André Lara Resende, Armínio Fraga e Edmar Bacha.

Gustavo Loyola, – presidente do BC entre junho de 1995 e agosto de 1997 – dava aulas na FGV-SP. Depois de ocupar o mais alto cargo do BC tornou-se sócio de Mailson da Nóbrega na Tendências Consultoria Integrada. Ganha a vida vendendo “análises e informações” para o mercado financeiro.

Já Armínio Fraga fez um estágio com o mega especulador George Soros antes de ir para o BC. Era diretor-gerente do Soros Fund Management. Presidente do BC entre março de 1999 e janeiro de 2003, atualmente é acionista da Gávea Investimentos, administrando cerca de R$ 6 bilhões. Além disso, sua “experiência” o elevou a membro do Conselho de Administração do Unibanco. Recentemente tornou-se sócio das operações da rede MC Donald´s na América Latina e da Corporação Interamericana de Entretenimento, dona do Credicard Hall e outras casas de shows.

Lara Resende, que foi diretor de Dívida Pública do BC. Hoje administra recursos de afortunados como Athina Onassis e dedica-se a competições de hipismo e criação de cavalos puro-sangue. Como descreveu o jornalista Luis Nassif à “Carta Capital”, ele “conseguiu o objetivo dele. Ficou milionário e passou a realizar desejos juvenis”.
Hora do Povo

Rizzolo: Imaginem um país como o nosso, pobre, onde as oportunidades inclusive aos jovens são escassas, ter que conviver com esse bando que se aproveitou de cargos indicados para implementar, inclusive o desemprego e o neoliberalismo perveso; e após a implementação econômica da pilhagem, ainda administram recursos provavelmente por privilegiadas informações que possam ou possuiam ter. Uma vergonha, são os reais representantes da banca estrangeira e que são agraciados pelos seus ” belos serviços “. Enquanto isso o povo brasileiro submerge na míseria e na falta de oportunidade, legado deixado por essa casta.

Uma grave denúncia

A matéria “Polícia do Rio matou sem confronto, diz laudo da OAB”, da Folha de hoje (só para assinantes) registra que um relatório sobre as 19 mortes ocorridas no complexo de favelas do Alemão, no Rio, no último dia 27, revela que policiais mataram vítimas a sangue-frio, sem confronto.

Preparado pelo médico-legista e perito judicial Odoroilton Larocca Quinto, o relatório, feito com base nos laudos do IML, aponta que, pelo ângulo dos disparos, de cima para baixo, algumas vítimas estavam sentadas ou ajoelhadas, o que indica que teriam sido rendidas pelos autores dos tiros. Ainda de acordo com o documento, as vítimas apresentam “inúmeros ferimentos” nos braços, resultantes de uma “conduta de autodefesa”. Ou seja, no momento dos disparos fatais, elas procuraram, com braços e mãos, proteger cabeça e tórax. Essa postura indica que estavam desarmadas. O relatório aponta ainda a descoberta de evidência de que pelo menos uma vítima – Cléber Mendes – foi esfaqueada. De acordo com o legista a serviço da OAB, além das marcas dos tiros, o laudo informa que o cadáver apresentava uma perfuração no esôfago. No documento, o perito fala ainda em “elevado número” de disparos pelas costas – em 13 das 19 vítimas.

Mesmo antes da divulgação desse relatório, o presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB, o advogado João Tancredo, dizia ver indícios de assassinato nas mortes.

Com base nesse relatório, a comissão da OAB pedirá ao Ministério Público que busque identificar os policiais responsáveis pelas mortes em que supostamente não houve confronto. Também planeja ingressar com uma ação penal.

Com a palavra o governo do Rio de Janeiro, o Ministério da Defesa e a Secretaria Especial de Direitos Humanos.
enviada por Zé Dirceu

Rizzolo: Essa é uma denúncia extremamente grave, a postura de “conduta de autodefesa”;ou seja, no momento dos disparos fatais, elas procuraram, com braços e mãos, proteger cabeça e tórax indica que estavam desarmadas. Não há dúvida que há indícios de excesso, e o pior, toda essa operação muito embora necessária, se deu num momento muito estranho, que nos leva a uma reflexão sobre o porque do agora, bem às vésperas da abertura dos Jogos Panamericanos, o que pode dar a impressão de que fizeram sim uma “higienização” no município em função do grande evento esportivo, aliás houve já uma militarização conjuntural da cidade nos mesmos moldes instituídos durante a Rio-92. Nessas operações a população pobre , desprotegida, é a que mais sofre com as violências policiais, parece um paradoxo, para se levar o Estado à população que sofre com a ausência do Estado, o Poder Público mata inocentes. Agora é preciso investir e vascularizar toda área tomada com investimentos, acesso à saúde , educação e cidadania, porque senão é matar por matar. Agora, é uma denúncia gravíssima e aterrorizante e tem que ser apurada com rigor.

Lula: “o Programa Nuclear da Marinha é passo extraordinário”

O presidente Lula anunciou a liberação de um R$ 1,040 bilhão para a Marinha concluir o projeto de fabricação de motores de propulsão nuclear para submarinos. Segundo o presidente, serão liberados R$ 130 milhões por ano nos próximos oito anos. “Eu acredito que esse projeto pode ser embrião para tudo que nós precisarmos do ponto de vista de energia nuclear e do ponto de vista de produção de energia”, disse Lula, na terça-feira, durante visita ao Centro Experimental Aramar, do Centro Tecnológico da Marinha, em Iperó-SP.

COMPROMISSO

“Desde a primeira conversa que tive com o ministro Waldir Pires assumi o compromisso de que vamos colocar os recursos necessários para que a gente possa concluir esse projeto”, afirmou, reconhecendo que o projeto esteve atrasado, e que “se colocarmos um pouco mais (de recursos), poderemos antecipar” o projeto. “No nosso primeiro mandato tivemos que dedicar os primeiros quatro anos para consertar o país, para arrumar a Casa”, acrescentou. “O dado concreto”, prosseguiu, “é que já poderíamos estar muito mais avançados”. “Eu acho que agora temos condições de concluir esse projeto e o Brasil pode se dar ao luxo de ser um dos poucos países do mundo a dominar toda a tecnologia do ciclo de enriquecimento de urânio”, destacou. “A partir daí, penso que seremos muito mais valorizados enquanto nação, enquanto a potência que queremos ser”.

Lula avaliou que o projeto da Marinha representa “um passo extraordinário do avanço tecnológico do conhecimento do nosso pessoal”. “Só temos que colocar dinheiro para dar os avanços necessários”, assinalou. “Temos profissionais, temos gente competente, temos conhecimento. Agora, se estava faltando o dinheiro, não vai faltar mais porque vamos colocar o dinheiro necessário”, garantiu o presidente. “Por que não sonhar grande e dizer que queremos chegar até a possibilidade de ter um submarino nuclear?”, indagou.

O Brasil detém o domínio de toda a tecnologia do ciclo de urânio. O país, no entanto, não possui ainda, em escala industrial, o chamado processo de “conversão” (produção de hexafluoreto de urânio), necessário para a produção de energia. É exatamente esta etapa do processo que a Marinha vem desenvolvendo em seu Centro Experimental de Aramar.

Lula destacou que o Conselho Nacional de Política Energética decidiu que a energia nuclear vai fazer parte da matriz energética brasileira. “Vamos concluir Angra III e, se for necessário, construir mais, vamos construir, até porque é uma energia limpa, está provado que hoje temos segurança e está provado que o Brasil não pode parar”, salientou.

Sobre o risco de acidentes nas usinas nucleares, Lula minimizou a sua possibilidade: “não há nenhuma possibilidade de acontecer um acidente no Brasil como aconteceu em Chernobyl”, disse. “As experiências que nós temos com a energia nuclear, tipo Angra é grande. Não têm dado acidente”, ressaltou. “Eu não acredito nisso, porque temos conhecimento, temos tecnologia, temos gente altamente qualificada para fazer o processo”, acrescentou Lula. “Nenhum de nós está livre de nada, mas se ficarmos pensando assim, não fazemos absolutamente nada”, completou.

Ele destacou ainda a importância das outras formas de energia produzidas no Brasil. “Temos a eólica, a hídrica, biomassa, temos a diesel, temos a carvão”, lembrou. “Mas a energia nuclear é uma energia já testada e aprovada no Brasil, é segura, detemos tecnologia, por que não aproveitar?”, indagou. “Obviamente que vamos sempre utilizar aquilo que for economicamente mais viável para o país e, hoje, com a hídrica, tem um potencial extraordinário”.

Sobre o submarino nuclear, Lula disse que “a nossa determinação é brasileira”. “Com a determinação do Estado brasileiro, da Marinha brasileira, vamos utilizar todo o nosso conhecimento para fazer aquilo que soubermos fazer, pensando no Brasil”, destacou. Ele disse que os recursos para o projeto “não podem ser vistos como gastos” mas como “investimentos”. Para Lula, “um país precisa ter capacidade de investimento em ciência e tecnologia”.

CICLO

Lula ressaltou “que o Brasil tem tudo para se transformar definitivamente num Estado soberano, seja no reparo que temos que fazer nas nossas Forças Armadas, voltar a equipá-las e preparar o Brasil para ter todo conhecimento do ciclo do urânio”. “São poucos os países que têm a competência que tem o Brasil, e por que não utilizar essa inteligência que está disponível, formada por nós, para produzir coisas para nós?”, indagou. “E, ao mesmo tempo”, prosseguiu, “o Brasil precisa ser um exemplo do mundo na questão da produção energética”.

“O exemplo que estamos dando aqui, não apenas na questão nuclear, onde temos o sistema mais moderno do mundo, mas, sobretudo, se a gente levar em conta a produção de biocombustíveis, o Brasil – na minha opinião, isso será inexorável – será uma grande potência energética nos próximos 20 anos no mundo”, concluiu.
Hora do Povo

Rizzolo: O Brasil possui a sexta maior reserva de urânio do mundo (309,3 mil toneladas) tendo prospectado apenas 25% do território. A energia nuclear é limpa e economicamente viável, não há dúvida que o otencial hidreletrico no Brasil é grande, contudo a energia nuclear , do ponto de vista de produtividade de energia, é melhor alem de ser uma energia limpa; ademais, é evidente que o Brasil possuindo a sexta maior reserva de urânio não pode deixar de pensar em outra coisa a não ser energia nuclear. Quanto as Forças Armadas elas precisam de uma reestruturação , em outro comentário falei sobre a Imbel e agora com a notícia da liberação de um R$ 1,040 bilhão para o Programa Nuclear da Marinha na fabricação de motores de propulsão nuclear para submarinos daremos um passo gigantesco no desenvolvimento tecnlógico, até porque temos gente altamente qualificada para fazer o processo. Como bem disse Lula os recursos para o projeto “não podem ser vistos como gastos” mas como “investimentos.

Debacle de Bush com sua guerra põe Republicanos em polvorosa

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Com Bush batendo recorde de impopularidade em meio século e o colapso da “escalada” em Bagdá, os Republicanos antevêem “uma catástrofe eleitoral em 2008 na Casa Branca e no Congresso. É difícil exagerar seu pessimismo sobre o futuro político”

Enquanto em três pesquisas de opinião realizadas nos EUA W. Bush aparecia como o recordista em impopularidade em meio século de presidentes do país, e a “escalada” no Iraque virava, segundo alta patente do Pentágono, “uma piada”, a mídia norte-americana registrava a debandada de medalhões do Partido Republicano e antigos expoentes do suporte ao desastre. “É difícil exagerar o pessimismo dos republicanos no Congresso sobre seu futuro político imediato”, admitiu o notório colunista Robert Novak, escolhido por seus penhores em 2003 como o vazador do Plamegate. Novak acrescentou que “com um presidente impopular [Bush] travando uma guerra impopular, eles prevêem uma catástrofe eleitoral em 2008”, no Congresso e na Casa Branca. A pesquisa mais recente, do USA Today/Gallup revelou que “mais de sete em cada dez pessoas são a favor da retirada de todas as tropas americanas” até o início de abril.

REPROVAÇÃO

Foram três recordes negativos de Bush, em menos de dez dias: 29% na pesquisa USA Today/Gallup; 27% na da CBS News e 26% na da Newsweek. Ou, dito de outra forma: reprovação de, respectivamente, 71%, 73% e 74%. O candidato a candidato republicano a presidente, senador John McCain, após ter se amarrado de pés e mãos à “escalada” de Bush, se viu na situação de que, nas palavras de um estrategista do partido, “os derradeiros ritos estão sendo ultimados. Diria, em termos médicos, que a situação é grave”. Depois de se manifestar em editorial, pela primeira vez, a favor da retirada, o “New York Times” relatou que a própria Casa Branca já discute a “post-escalada” de Bush no Iraque. O secretário do Pentágono, Robert Gates chegou a cancelar viagem marcada a quatro países da América Latina, por conta do quadro. No país árabe, o invasor sofreu o maior número de mortos e feridos em um trimestre desde a ocupação. O número de cadáveres nas ruas de Bagdá em junho aumentou 41% em relação a janeiro. Não há como sustentar a ficção de que a “escalada” estaria trazendo “estabilidade” e “segurança” a Bagdá. E no Iraque, em fita gravada, o chefe da Resistência e do Partido Baas, o vice de Sadam, Izzat Ibrahim Al Duri, anunciou que a ocupação “está entrando em colapso”.

De acordo com o “NYT”, o que estaria em pauta na Casa Branca é “se, para evitar mais defecções, não seria mais sábio anunciar planos para uma missão das tropas americanas muito mais estreitamente definida que permitisse um recuo por estágios”. Se isso é isso, ou apenas mais uma manobra diversionista, não há como saber. Ainda assim, o “NYT” assevera ter sabido de uma das autoridades seniores ouvidas que “quando você conta os votos que nós já perdemos e os votos que provavelmente perderemos nas próximas semanas, fica muito ruim”. Em torno de 11 senadores republicanos já se manifestaram, em uma questão ou outra, em contraposição com a continuação da “estratégia” de Bush. Na mais recente votação, sete apoiaram uma emenda democrata, do ex-secretário da Marinha, James Webb, para aliviar as tropas, que passariam a dispor de igual período nos EUA e de permanência no exterior; os integrantes da Guarda Nacional e os da Reserva teriam três anos até nova convocação. A Casa Branca conseguiu, a duras penas, a obstrução. A proposta teve 56 votos a 41; mas o regulamento do Senado exige 60 votos.

São várias as elocubrações atribuídas pelo jornal a não-identificadas “autoridades seniores” da Casa Branca. “Que Mr. Gates têm calmamente pressionado por um recuo que poderia cortar pela metade o número de brigadas de combate agora patrulhando as sessões mais violentas de Bagdá e das províncias em volta”. Um “papel mais limitado” para as unidades remanescentes: “missão de treinamento”, “patrulhamento das fronteiras do Iraque” e prevenção de que o Iraque vire um suposto “santuário da Al Qaeda”. “Não é surpresa para ninguém que nós aqui no governo, e nas nossas conversações com o Congresso e com os generais no solo… estamos pensando sobre o que acontecerá depois da escalada”, disse o vice-secretário de imprensa da Casa Branca, Tony Fratto. O pequeno problema é que os senadores teriam que engolir a atual política e esperar “até setembro” pelo relatório do general Petraeus, o chefe da operação contra Bagdá. Preventivamente, a matéria cita as advertências de “Mr. Rove, de que se Mr. Bush fosse longe demais ao anunciar o redeslocamento, o resultado poderia incluir uma cascata adicional de defecções – e a passagem de lei que forçaria a retirada numa data específica”.

Esse quadro também já repercute nas campanhas dos candidatos a presidente democratas. Hillary Clinton, que vivia posando nas bases dos EUA no Iraque e Afeganistão, passou a dizer que “acabar com a guerra, não é coisa para o próximo ano, o próximo mês, mas para agora”. O senador Obama, que foi contra a guerra desde o início, consolidou sua campanha e bate recordes de adesão – e contribuições – na internet. Por sua vez, o líder democrata no senado, Harry Reid, afirmou que “dar fim à guerra do Iraque é um dever moral”. “Não temos feito o bastante”, acrescentou, em admissão às críticas de muitas lideranças contra a guerra. Reid reiterou que pretende “forçar uma série de votações” nas próximas duas semanas. “E mesmo se o Senado falhar de novo”, assinalou, “voltarei de novo e de novo ao Iraque até que ou o presidente ceda ou o número de republicanos necessário se una aos democratas para prevalecer”.

30 DE ABRIL

A proposta dos senadores democratas Carl Levin (Michigan) e Jack Reed (Rhode Island), de uma retirada a começar dentro de 120 dias da promulgação, e que deve estar completa no dia 30 de abril de 2008, recebeu o apoio dos senadores republicanos Gordon Smith (Oregon) e Olympia Snowe (Maine). Já a proposta de Webb foi endossada por Norm Coleman (republicano do Minesota), Susan Collins (Maine), Johb Sununu (New Hampshire) e John Warner (Virgínia). Naturalmente, o rompimento dos senadores republicanos, em geral, não significa alguma autocrítica efetiva com relação à invasão do Iraque, mas a constatação do seu fracasso. “Não podemos continuar pedindo às nossas tropas para se sacrificarem indefinidamente, enquanto o governo iraquiano não está fazendo qualquer progresso mensurável”, teve a cara de pau de afirmar o senador Domenici. Já a senadora Susan Collins disse que “a paciência” de muitos republicanos com o governo iraquiano estava “virtualmente exaurida”. Como se os lacaios de Bush não fossem apenas isso – lacaios de Bush.

Em um discurso no dia 25 de junho, o senador Lugar explicitou suas divergências com Bush, colocando-se como um ‘imperialista conseqüente’. “Persistir indefinidamente com a estratégia de escalada atrasará os ajustes políticos que têm uma chance melhor de proteger nossos interesses vitais no longo termo”, afirmou. “Acho que a maioria das nossas forças poderia ser redeslocada no meio do próximo ano. Provavelmente até antes”. Já o senador republicano do Alaska, Ted Stevens, depois de uma reunião de esclarecimento com Cheney, voltou com a coisa toda na ponta da língua, embora com a Al Qaeda levando injustamente a fama. “Estaríamos entregando à Al Qaeda um dos maiores países produtores de petróleo do mundo. Se nós partirmos prematuramente, seria a anarquia absoluta.” Eis que, finalmente, apareceram os “interesses vitais”…

ANTONIO PIMENTA
Hora do Povo

Rizzolo: Demorou muito para que os republicanos se dessem conta da idiotice dessa operação. É claro que os medalhões do partido que outrora apoiavam e davam suporte a Bush e a essa aventura belicista agora, querem ” se mandar “. Os EUA insistem nessa polítca intervencionista imbecil, que não poupa o povo americano, destroi vidas, consomem orçamento. Os democratas como Hillary que no meu entender tem um componente facistóide e incentivava a invasão agora mudou, e quer a retirada, já o democrata Obama , de visão progressista exige a retirada e sempre foi contra, pelo menos tem lucidez. Agora não pense que a política intervencionista se estivesse dando resultado, se não fosse essa ” debaclada de Bush” eles não a imporiam na América Latina. Isso tudo é promovido pelos os 4% da elite americana que detem toda economia e a mídia nas mãos , porque o povo americano mesmo, é só massa de manobra. Mas estão acordando, viu !

Tucanos enterram CPIs em São Paulo

O PSDB e o governador de São Paulo, o tucano José Serra, enterraram ontem as CPIs da Nossa Caixa e da CDHU e debocharam da decisão do Tribunal de Justiça do Estado. O presidente da Assembléia Legislativa, o tucano Vaz de Lima, disse que recebeu delegação daquele órgão judicial para instalar as CPIs. Na verdade, o Tribunal de Justiça, só cumpriu decisão do STF que dá o direito da minoria de com o número regimental de assinaturas instalar uma CPI. O que vale para Brasília, para o Congresso Nacional, vale para a Assembléia Legislativa de São Paulo. Mas os tucanos adotaram uma atitude assombrosa. Decidiram que as CPIs só podem ser instaladas pela ordem cronológica. A da CDHU é a 15ª. E que a da Nossa Caixa, como foi protocolada na legislatura passada, estava arquivada. Ou seja, não vão permitir instalar nenhuma CPI para valer. E vão enfrentar, inclusive, a Justiça.

Espero que o PT, e seus líderes na Câmara e no Senado, cobrem dos senadores e deputados do PSDB a instalação das CPIs em São Paulo, toda vez que eles falarem numa CPI. E que seus líderes, principalmente os falantes Artur Virgílio e Tasso Jereissati, tenham pelo menos o decoro de se calarem, enquanto não forem instaladas as CPIs da Nossa Caixa e da CDHU. E que a nossa mídia, principalmente a Rede Globo, não deixe de informar ao povo brasileiro esses escândalos. Seja em São Paulo, seja em Florianópolis, envolvendo importantes governos e lideranças tucanas.
enviada por Zé Dirceu

Rizzolo: Uma vergonha, mas o aspecto principal dessa questão é a interpretação e a divulgação desse fato pela mídia golpista. Não é possível que após uma manobra dessa ardilosa, os ” Guardiões da Ética ” sejam poupados pela mídia e o povo brasileiro não seja informado. Querem esconder escândalos para darem ” lição de moral ” e continuarem a combater aqueles que realmente tem compromisso com a população pobre e comprometidos com o desenvolvimento. Puro desrespeito com o povo. Feio, hein !

Classificação indicativa: Governo flexibiliza regras para TV

Depois de ser pressionado por emissoras de TV, o governo federal anunciou nesta quarta-feira (12) regras mais flexíveis para o processo de classificação indicativa da programação televisiva. As emissoras farão a autoclassificação de seus programas e terão de comunicar oficialmente ao Ministério da Justiça. Mas não dependerão mais de uma prévia avaliação do governo para começar a exibir os programas.

Durante 60 dias, o ministério fará um monitoramento da programação. O órgão determinou que as emissoras cumpram essas regras inclusive em estados com fuso horário diferente do de Brasília. Para tanto, o governo deu um prazo de 180 dias para que as empresas adaptem a exibição de programas nos locais onde o fuso é diferente, adequando o horário à faixa etária. No Acre, por exemplo, a novela das 21 horas, exibida hoje às 18 horas, terá de ser veiculada às 21 horas do horário acreano.

No caso de abusos, a emissora será advertida por duas vezes. Se essa providência não surtir efeito, o ministério mudará a classificação. Se mesmo assim os abusos persistirem, o fato será comunicado ao Ministério Público para que sejam tomadas as medidas judiciais cabíveis.

O secretário nacional de Justiça, Antônio Carlos Biscaia, apresentou para os jornalistas os detalhes da portaria que deverá ser publicada nesta quinta (13), no Diário Oficial da União. Biscaia afirmou que foram atendidas 18 das 24 reivindicações da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). A nova portaria mantém a vinculação entre faixas etárias e horários de exibição da programação.

Horários inadequados

O novo texto retira a expressão “terminantemente vedado” – que constava nas regras anteriores de vinculação entre faixa etária e horária. O governo deu um prazo de 180 dias para que as empresas adaptem a exibição de programas, adequando o horário à faixa etária.

Pela portaria é considerada inadequada a exibição antes das 20 horas de programas classificados como não-recomendados para menores de 12 anos. Não deverão ser veiculados antes das 21 horas os programas não-recomendados para menores de 14.

Ainda segundo a portaria, é inadequado exibir antes das 22 horas os programas não-recomendados para menores de 16 anos e antes das 23 horas os não-recomendados para menores de 18 anos.

As emissoras de TV por assinatura não estão sujeitas à vinculação faixa etária por horário porque oferecem aos pais e responsáveis dispositivos para bloquear a exibição de determinados programas. Mas as empresas terão de informar a classificação dos programas.

Manifesto

Na última terça-feira (10), os jornais impressos da estamparam um manifesto contra o que chamaram, equivocadamente, de “classificação impositiva”. O texto mente ao comparar as normas do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça a medidas tomadas durante o regime militar (1964-1985).

Curiosamente, a TV Globo – que apoiou a ditadura no Brasil e se beneficiou dela – é a emissora mais verborrágica a detratar a classificação indicativa. O canal da família Marinho forçou roteiristas, atores, diretores e produtores a assinarem o manifesto. Vários artistas que tiveram suas assinaturas impressas disseram que foram procurados pela equipe de Luis Erlanger, porta-voz global. “Erlanger diz que participou de mutirão para a coleta”, dizia o texto.

Assessores do ministro da Justiça, Tarso Genro, se esforçaram para que ele mantivesse – e manteve – no texto ao menos a indicação de horários para os programas apropriados às crianças. A medida é uma das principais derrotas da Globo.

Da redação, com agências
Site do PC do B

Rizzolo: A TV, no Brasil, é uma concessão pública. No entanto, o cavalo de batalha feito por certa mídia – nem toda ela – em torno dessa questão é apenas uma tentativa de declarar essa concessão pública uma propriedade de alguns (pouquíssimos) monopólios. Na realidade, para as TVs não haveria muita diferença em relação à situação atual, exceto que o Estado estaria claramente cumprindo com seu dever de regular as comunicações e estabelecer uma posição em prol dos interesses comuns da população. Ou seja, o Estado estaria tratando uma concessão pública como realmente pública. Mas isso é, precisamente, o que certos monopolistas da mídia não quer. Observem que eles não querem intervenção do Poder Público no negócio deles, o Estado a pretexto da ” liberdade” não pode intervir , para tanto coletaram assinaturas de artistas expondo-os em jornais como se fossem “Poodles amestrados”da Globo

É impressionante que não interessa a saúde mental e a integridade moral das crianças e adolescentes , por trás do discurso de comparação as normas do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça a medidas tomadas durante o regime militar (1964-1985), está sim e acima de tudo o lucro , o interesse, a ganância, isso sim.

O Estado tem o dever de monitorar as programações e a classificação era apenas indicativa, e não impositiva, e que as emissoras que a desrespeitassem só poderiam ser punidas pela Justiça.