Debacle de Bush com sua guerra põe Republicanos em polvorosa

p7-deba.jpg

Com Bush batendo recorde de impopularidade em meio século e o colapso da “escalada” em Bagdá, os Republicanos antevêem “uma catástrofe eleitoral em 2008 na Casa Branca e no Congresso. É difícil exagerar seu pessimismo sobre o futuro político”

Enquanto em três pesquisas de opinião realizadas nos EUA W. Bush aparecia como o recordista em impopularidade em meio século de presidentes do país, e a “escalada” no Iraque virava, segundo alta patente do Pentágono, “uma piada”, a mídia norte-americana registrava a debandada de medalhões do Partido Republicano e antigos expoentes do suporte ao desastre. “É difícil exagerar o pessimismo dos republicanos no Congresso sobre seu futuro político imediato”, admitiu o notório colunista Robert Novak, escolhido por seus penhores em 2003 como o vazador do Plamegate. Novak acrescentou que “com um presidente impopular [Bush] travando uma guerra impopular, eles prevêem uma catástrofe eleitoral em 2008”, no Congresso e na Casa Branca. A pesquisa mais recente, do USA Today/Gallup revelou que “mais de sete em cada dez pessoas são a favor da retirada de todas as tropas americanas” até o início de abril.

REPROVAÇÃO

Foram três recordes negativos de Bush, em menos de dez dias: 29% na pesquisa USA Today/Gallup; 27% na da CBS News e 26% na da Newsweek. Ou, dito de outra forma: reprovação de, respectivamente, 71%, 73% e 74%. O candidato a candidato republicano a presidente, senador John McCain, após ter se amarrado de pés e mãos à “escalada” de Bush, se viu na situação de que, nas palavras de um estrategista do partido, “os derradeiros ritos estão sendo ultimados. Diria, em termos médicos, que a situação é grave”. Depois de se manifestar em editorial, pela primeira vez, a favor da retirada, o “New York Times” relatou que a própria Casa Branca já discute a “post-escalada” de Bush no Iraque. O secretário do Pentágono, Robert Gates chegou a cancelar viagem marcada a quatro países da América Latina, por conta do quadro. No país árabe, o invasor sofreu o maior número de mortos e feridos em um trimestre desde a ocupação. O número de cadáveres nas ruas de Bagdá em junho aumentou 41% em relação a janeiro. Não há como sustentar a ficção de que a “escalada” estaria trazendo “estabilidade” e “segurança” a Bagdá. E no Iraque, em fita gravada, o chefe da Resistência e do Partido Baas, o vice de Sadam, Izzat Ibrahim Al Duri, anunciou que a ocupação “está entrando em colapso”.

De acordo com o “NYT”, o que estaria em pauta na Casa Branca é “se, para evitar mais defecções, não seria mais sábio anunciar planos para uma missão das tropas americanas muito mais estreitamente definida que permitisse um recuo por estágios”. Se isso é isso, ou apenas mais uma manobra diversionista, não há como saber. Ainda assim, o “NYT” assevera ter sabido de uma das autoridades seniores ouvidas que “quando você conta os votos que nós já perdemos e os votos que provavelmente perderemos nas próximas semanas, fica muito ruim”. Em torno de 11 senadores republicanos já se manifestaram, em uma questão ou outra, em contraposição com a continuação da “estratégia” de Bush. Na mais recente votação, sete apoiaram uma emenda democrata, do ex-secretário da Marinha, James Webb, para aliviar as tropas, que passariam a dispor de igual período nos EUA e de permanência no exterior; os integrantes da Guarda Nacional e os da Reserva teriam três anos até nova convocação. A Casa Branca conseguiu, a duras penas, a obstrução. A proposta teve 56 votos a 41; mas o regulamento do Senado exige 60 votos.

São várias as elocubrações atribuídas pelo jornal a não-identificadas “autoridades seniores” da Casa Branca. “Que Mr. Gates têm calmamente pressionado por um recuo que poderia cortar pela metade o número de brigadas de combate agora patrulhando as sessões mais violentas de Bagdá e das províncias em volta”. Um “papel mais limitado” para as unidades remanescentes: “missão de treinamento”, “patrulhamento das fronteiras do Iraque” e prevenção de que o Iraque vire um suposto “santuário da Al Qaeda”. “Não é surpresa para ninguém que nós aqui no governo, e nas nossas conversações com o Congresso e com os generais no solo… estamos pensando sobre o que acontecerá depois da escalada”, disse o vice-secretário de imprensa da Casa Branca, Tony Fratto. O pequeno problema é que os senadores teriam que engolir a atual política e esperar “até setembro” pelo relatório do general Petraeus, o chefe da operação contra Bagdá. Preventivamente, a matéria cita as advertências de “Mr. Rove, de que se Mr. Bush fosse longe demais ao anunciar o redeslocamento, o resultado poderia incluir uma cascata adicional de defecções – e a passagem de lei que forçaria a retirada numa data específica”.

Esse quadro também já repercute nas campanhas dos candidatos a presidente democratas. Hillary Clinton, que vivia posando nas bases dos EUA no Iraque e Afeganistão, passou a dizer que “acabar com a guerra, não é coisa para o próximo ano, o próximo mês, mas para agora”. O senador Obama, que foi contra a guerra desde o início, consolidou sua campanha e bate recordes de adesão – e contribuições – na internet. Por sua vez, o líder democrata no senado, Harry Reid, afirmou que “dar fim à guerra do Iraque é um dever moral”. “Não temos feito o bastante”, acrescentou, em admissão às críticas de muitas lideranças contra a guerra. Reid reiterou que pretende “forçar uma série de votações” nas próximas duas semanas. “E mesmo se o Senado falhar de novo”, assinalou, “voltarei de novo e de novo ao Iraque até que ou o presidente ceda ou o número de republicanos necessário se una aos democratas para prevalecer”.

30 DE ABRIL

A proposta dos senadores democratas Carl Levin (Michigan) e Jack Reed (Rhode Island), de uma retirada a começar dentro de 120 dias da promulgação, e que deve estar completa no dia 30 de abril de 2008, recebeu o apoio dos senadores republicanos Gordon Smith (Oregon) e Olympia Snowe (Maine). Já a proposta de Webb foi endossada por Norm Coleman (republicano do Minesota), Susan Collins (Maine), Johb Sununu (New Hampshire) e John Warner (Virgínia). Naturalmente, o rompimento dos senadores republicanos, em geral, não significa alguma autocrítica efetiva com relação à invasão do Iraque, mas a constatação do seu fracasso. “Não podemos continuar pedindo às nossas tropas para se sacrificarem indefinidamente, enquanto o governo iraquiano não está fazendo qualquer progresso mensurável”, teve a cara de pau de afirmar o senador Domenici. Já a senadora Susan Collins disse que “a paciência” de muitos republicanos com o governo iraquiano estava “virtualmente exaurida”. Como se os lacaios de Bush não fossem apenas isso – lacaios de Bush.

Em um discurso no dia 25 de junho, o senador Lugar explicitou suas divergências com Bush, colocando-se como um ‘imperialista conseqüente’. “Persistir indefinidamente com a estratégia de escalada atrasará os ajustes políticos que têm uma chance melhor de proteger nossos interesses vitais no longo termo”, afirmou. “Acho que a maioria das nossas forças poderia ser redeslocada no meio do próximo ano. Provavelmente até antes”. Já o senador republicano do Alaska, Ted Stevens, depois de uma reunião de esclarecimento com Cheney, voltou com a coisa toda na ponta da língua, embora com a Al Qaeda levando injustamente a fama. “Estaríamos entregando à Al Qaeda um dos maiores países produtores de petróleo do mundo. Se nós partirmos prematuramente, seria a anarquia absoluta.” Eis que, finalmente, apareceram os “interesses vitais”…

ANTONIO PIMENTA
Hora do Povo

Rizzolo: Demorou muito para que os republicanos se dessem conta da idiotice dessa operação. É claro que os medalhões do partido que outrora apoiavam e davam suporte a Bush e a essa aventura belicista agora, querem ” se mandar “. Os EUA insistem nessa polítca intervencionista imbecil, que não poupa o povo americano, destroi vidas, consomem orçamento. Os democratas como Hillary que no meu entender tem um componente facistóide e incentivava a invasão agora mudou, e quer a retirada, já o democrata Obama , de visão progressista exige a retirada e sempre foi contra, pelo menos tem lucidez. Agora não pense que a política intervencionista se estivesse dando resultado, se não fosse essa ” debaclada de Bush” eles não a imporiam na América Latina. Isso tudo é promovido pelos os 4% da elite americana que detem toda economia e a mídia nas mãos , porque o povo americano mesmo, é só massa de manobra. Mas estão acordando, viu !

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: