Uma grave denúncia

A matéria “Polícia do Rio matou sem confronto, diz laudo da OAB”, da Folha de hoje (só para assinantes) registra que um relatório sobre as 19 mortes ocorridas no complexo de favelas do Alemão, no Rio, no último dia 27, revela que policiais mataram vítimas a sangue-frio, sem confronto.

Preparado pelo médico-legista e perito judicial Odoroilton Larocca Quinto, o relatório, feito com base nos laudos do IML, aponta que, pelo ângulo dos disparos, de cima para baixo, algumas vítimas estavam sentadas ou ajoelhadas, o que indica que teriam sido rendidas pelos autores dos tiros. Ainda de acordo com o documento, as vítimas apresentam “inúmeros ferimentos” nos braços, resultantes de uma “conduta de autodefesa”. Ou seja, no momento dos disparos fatais, elas procuraram, com braços e mãos, proteger cabeça e tórax. Essa postura indica que estavam desarmadas. O relatório aponta ainda a descoberta de evidência de que pelo menos uma vítima – Cléber Mendes – foi esfaqueada. De acordo com o legista a serviço da OAB, além das marcas dos tiros, o laudo informa que o cadáver apresentava uma perfuração no esôfago. No documento, o perito fala ainda em “elevado número” de disparos pelas costas – em 13 das 19 vítimas.

Mesmo antes da divulgação desse relatório, o presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB, o advogado João Tancredo, dizia ver indícios de assassinato nas mortes.

Com base nesse relatório, a comissão da OAB pedirá ao Ministério Público que busque identificar os policiais responsáveis pelas mortes em que supostamente não houve confronto. Também planeja ingressar com uma ação penal.

Com a palavra o governo do Rio de Janeiro, o Ministério da Defesa e a Secretaria Especial de Direitos Humanos.
enviada por Zé Dirceu

Rizzolo: Essa é uma denúncia extremamente grave, a postura de “conduta de autodefesa”;ou seja, no momento dos disparos fatais, elas procuraram, com braços e mãos, proteger cabeça e tórax indica que estavam desarmadas. Não há dúvida que há indícios de excesso, e o pior, toda essa operação muito embora necessária, se deu num momento muito estranho, que nos leva a uma reflexão sobre o porque do agora, bem às vésperas da abertura dos Jogos Panamericanos, o que pode dar a impressão de que fizeram sim uma “higienização” no município em função do grande evento esportivo, aliás houve já uma militarização conjuntural da cidade nos mesmos moldes instituídos durante a Rio-92. Nessas operações a população pobre , desprotegida, é a que mais sofre com as violências policiais, parece um paradoxo, para se levar o Estado à população que sofre com a ausência do Estado, o Poder Público mata inocentes. Agora é preciso investir e vascularizar toda área tomada com investimentos, acesso à saúde , educação e cidadania, porque senão é matar por matar. Agora, é uma denúncia gravíssima e aterrorizante e tem que ser apurada com rigor.

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