O nosso problema não é a China, ministro Mantega

O nosso problema não é a China, ministro Manteg

Nosso Ministro da Fazenda, Guido Mantega, está com a corda toda. Suas declarações na Comissão de Finanças e Tributação são otimistas e, às vezes, mais realistas que o rei, quando afirma que o Brasil apoiará a política dos EUA de pressionar a China para sair do câmbio administrado. Não concordo com essa declaração em gênero, número e grau, a não ser que nosso ministro pressione os EUA a reduzir seus déficits fiscal e comercial e deixe sua política de subsídios agrícolas de uma vez por todas, rompendo a inércia das negociações de DOHA e obrigando a Europa a sentar e negociar para valer.

Nosso problema não é a China. É o Brasil e sua política monetária e fiscal, seus problemas de infra-estrutura, custos financeiros, carga tributária de 34,5%, educação e inovação, nossos juros mais altos do mundo. O próprio ministro reconhece o problema central, quando afirma que vamos buscar para 2009 um déficit nominal zero, reduzindo a Selic e mantendo o superávit fiscal de 3,8%, na verdade, de 4,3% até agora em 2007, o serviço da dívida interna altíssimo – 8% do PIB, por causa da taxa selic, que remunera os títulos do governo, e que precisa cair e muito, até chegar a 9% ainda esse ano de preferência. Para aí termos recursos para investimentos e gastos em custeio na saúde, educação, justiça, segurança, na infra- estrutura urbana e de transportes. E não apenas para fazer déficit nominal zero. Pagando menos pela dívida interna vamos buscar não o déficit zero, ele pode ser de 1%, 2%, como é na maioria dos países desenvolvidos. O importante é crescer e distribuir renda.

Quanto às declarações do ministro de que não crescemos mais para evitar situações semelhantes à da Argentina, espero que isso não seja a aceitação da tese do BC de que nosso PIB potencial é 3,5%. Uma barbaridade técnica e teórica, que esconde outros interesses, os financeiros e rentistas da sociedade brasileira. O Ministro Guido Mantega sabe muito bem que o problema da Argentina não é o crescimento exagerado, mas como cresceu. Começando pelos preços administrados, principalmente dos serviços públicos, incluindo a energia. E não podemos esquecer a herança que Nestor Kirchner recebeu. A verdadeira responsável agora pelo apagão elétrico que vive o país irmão.

Mas tem razão o ministro quando diz que entramos numa fase de crescimento virtuoso e que o consumo e a renda crescem, o crédito se expande, há distribuição de renda. O que permite com o PAC, o PDE e os investimentos sociais e na infra-estrutura urbana prever para os próximos anos um crescimentos sustentável.

Por fim, sobre o controle de capitais, podemos até concordar com o ministro sobre o fracasso de algumas experiências, como a da Colômbia e Rússia, mas temos o Chile que adotou políticas de controle razoáveis e que deram certo. O que não podemos é não ter controle nenhum, fazer de conta que o problema não se agrava. Basta ver o esgotamento da política do BC de comprar dólares e seu custo. E pior, adotar medidas que estimulam a entrada de capitais especulativos, como foi a isenção de Imposto de Renda para aplicações estrangeiras no país. Aí já é demais!

Do Site do Zé Dirceu

Rizzolo: Ah! Mas que conversa é essa, os EUA não vão reduzir seus déficits fiscal e comercial e jamais vão abandonar sua política de subsídios agrícolas, isso é uma ilusão, pode esquecer, e como já disse não vão negociar pautas que não são de seus intereses; agora uma preocupação , essa insinuação de que não devemos crescer mais para evitarmos situações semelhantes à Argentina, é uma piada, né, isso é ratificar a da tese do BC de que nosso PIB potencial é 3,5%. Caminho e discurso estranho esse do Mantega , hein !

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