Maia paga o apoio de Lula ao Pan forjando vaia para conseguir dois minutos de fama

Corifeu do factóide arma claque contra presidente da República

César Maia não explicou os ônibus lotados da prefeitura, os uniformizados com camisas do Pan que regiam vaias e o sumiço de ingressos

Ninguém fez mais pelo Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro que o presidente Lula. Não é um elogio. É um fato. Nesse caso, um fato mais do que sabido, pois a mídia reacionária se encarregou de propagandeá-lo durante mais de um ano, atacando o presidente por “gastar muito” com o Pan. Naturalmente, queriam que ele entregasse esse dinheiro aos bancos.

O presidente estava certo, como mostrou a abertura do Pan e os dias subseqüentes, onde as magníficas instalações esportivas construídas – ou reconstruídas, como o Maracanã e o Maracanãzinho – proporcionaram aos atletas as melhores condições para a sua performance.

O Rio, como se sabe, tem a tradição de ser, como dizem os cariocas, a capital cultural do Brasil. Alguns certamente discordam, mas os 79% de votos válidos que Lula conquistou no segundo turno em 2002 e os 70% em 2006 parecem dar razão aos cariocas. Só um povo muito civilizado daria tal votação contra a barbárie. É verdade que em todo o Brasil foi igual. Mas isso não deslustra o Rio. Apenas mostra que somos um povo muito civilizado, do Oiapoque ao Chuí. Precisamos somente mandar alguns vândalos passear e nosso país vai ser um paraíso.

Mas, como observou Paulo Henrique Amorim, os votos somados de Serra (em 2002) e Alckmin (em 2006) no Rio de Janeiro não chegam a alcançar a menor votação que Lula obteve em uma única eleição. Só para refrescar a memória: Serra obteve 1.682.472 em 2002; Alckmin, 2.406.487 em 2006. Somados, tiveram 4.088.959 votos. Somente na eleição de 2006, Lula obteve 5.532.284 votos. Se somarmos os 6.318.104 que obteve no segundo turno de 2002, aí então é um massacre: Lula teve 11.850.388 votos contra os 4.088.959 votos de Serra e Alckmin.

Por essas, e por mais algumas milhares de razões, a vaia da abertura do Pan seria uma anomalia digna de estudos metafísicos e parapsicológicos, se tivesse algo de espontâneo. Porém, difícil é haver algo de espontâneo quando quem organiza o negócio é uma prefeitura que tem como titular o notório César Maia. Trata-se do ideólogo do factóide, da falsa notícia, do falso fato, em suma, da farsa e da mentira como política. Que o cidadão tenha a cara de pau de teorizar abertamente essa porcaria, já diz tudo sobre ele.

TESTEMUNHOS

Nos primeiros instantes, o relambório prefeito deu entrevistas achando a vaia muito normal. Aliás, até elogiou-a, o que fez com que seu rebento, o presidente do ex-PFL, menos malandro do que o pai, exagerasse nos incensamentos aos apupos. Agora, Maia resolveu negar que tivesse algo com a vaia, apesar dos testemunhos do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (v. matéria nesta página), membro do PSDB, do ministro dos Esportes e de um sem número de pessoas presentes ao Maracanã.

O jornalista Alceu Nader fez a pergunta pertinente: “por que o prefeito foi aplaudido e o presidente foi vaiado?”. Por que o presidente mais popular desde Getúlio e Juscelino foi vaiado, enquanto um prefeito que ronda a mediocridade até nas pesquisas da reação (na última, em março, do Datafolha, 68% dos consultados reprovaram a sua administração) foi aplaudido? Ora, porque os aplausos, tanto quanto as vaias, haviam sido armados por ele. Aliás, esses aplausos só serviram para que, como disse o governador da Paraíba, o gato ficasse com o rabo de fora.

Até agora o prefeito não explicou o sumiço dos 20 mil ingressos de R$ 20,00. Ninguém conseguiu comprá-los. Só estavam à disposição os de R$ 100,00, R$ 150,00 e R$ 250,00, numa solenidade marcada para as 17 horas de um dia útil, o que transformou a freqüência do Maracanã num monopólio da alta classe média e daquela ralé que o neoliberalismo pariu, mais conhecida pela profunda cultura que adquiriu em Miami e pelos valores morais transmitidos aos filhos que saem espancando empregadas indefesas, do que por sua afinidade com qualquer coisa que tenha vestígio de Brasil, quanto mais, de povo.

ENSAIO

Os ingressos mais baratos, segundo vários depoimentos, foram distribuídos pela prefeitura – certamente, de acordo com os critérios do prefeito… Maia também não explicou – mas não desmentiu – os ônibus que saíram lotados da prefeitura em direção ao Maracanã. E também não explicou quem eram os “animadores” uniformizados com camisas do Pan que regiam as vaias.

A vaia havia sido, inclusive, ensaiada. No dia anterior à abertura do Pan, quinta-feira, dia 12, foi postado no site YouTube um vídeo com o ensaio para a cerimônia do dia seguinte. O que aparece lá é, precisamente, uma vaia ensaiada para o momento em que fosse anunciada a presença do presidente da República, exatamente como aconteceu no dia seguinte.

Há ainda uma longa lista de indícios colhida pelo jornalista Mauro Carrara, que resumimos: “havia mais de um mês, já se falava numa ‘recepção’ diferenciada a Lula na festa de abertura do Pan. O assunto era comentado com freqüência no prédio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro. Na Secretaria Especial de Comunicação, gerou-se uma turbulência. Era preciso recrutar gente para um serviço especial. Estranho é que, em todo canto, o assunto ‘recepção a Lula’ era ouvido. Há três semanas, esse mesmo assunto foi suposto tema de uma reunião do Relações Públicas Roberto Falcão com um grupo de publicitários paulistas, capitaneados por um certo Fabra e um incerto ‘Catchola’, que apresentou uma série de desenhos do estádio, com destaque para as arquibancadas. O tal Fabra parece ser o mesmo homem por trás do site e-indignação, destinado a espicaçar o atual governo. No mesmo dia, o tal Fabra esteve por horas com o Sr. Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo e colunista de O Globo. Oficialmente, segundo a agenda do bam-bam-bam global, o assunto foi o Pan do Rio. Há quinze dias, o tal Fabra teria novamente aparecido na sede do COB. Outro participante da reunião, segundo fontes confiáveis, foi um tal de Saulo Romay. Vem a calhar que o sujeito é algo como representante da juventude do PSDB no Rio de Janeiro.

“Dia 2 de Julho: informalmente, é criado – sabe-se lá por quem – um grupo de 70 voluntários, para serviços especiais. Dia 12: preparação para a solenidade. Do nada, um grupo começa a treinar uma vaia. Isso ocorre por três vezes durante o ato preparatório. Aparentemente, os tais 70 são estrategicamente distribuídos pelo Maracanã. Alguém protesta, antes da cerimônia. Há confusão. No portão 18, cerca de 100 voluntários são barrados. Segundo a organização, seus lugares foram provisoriamente tomadas pelo pessoal da ‘coordenação estratégica’. Dia 13 de Julho, quase meia-noite: o estudante Rogério, de 18 anos, morador em Duque de Caxias, conversa com este repórter. Reproduzo fielmente o que me foi dito: – Era mesmo para vaiar o Lula, do jeito que disseram. Uns das coordenações, do grupo, puxaram mesmo e o pessoal foi atrás. Se dois, três começam, vai todo mundo no arrastão. Tinha gente lá ontem que nem tinha participado de nada. Foi lá só para agitar mesmo. E o pessoal foi no embalo. Eu não vaiei. Fiquei quieto. Mas teve uma agitação. Se alguém filmou direito, vai ver quem é que botou fogo na galera”.

CARLOS LOPES
Hora do Povo

Rizzolo: Não há dúvida, o texto do companheiro Carlos Lopes é muito bom e digamos elucidativo , agora como gosto de fazer fiz algumas pontuações do texto interessantes que expressam exatamente o contexto maldoso dessa vaia como a afirmação de que ” a vaia da abertura do Pan seria uma anomalia digna de estudos metafísicos e parapsicológicos, se tivesse algo de espontâneo ” Metafísico não dúvida sob a mediunidade de Cesar Maia isso ocorre sob efeito, diria das ” vibrações em transe coletivo” provovadas como já disse pela mediunidade de Cesar Maia. Outra questão aí já na esfera Junguiana, dos arquétipos seria a seguinte ” Por que o presidente mais popular desde Getúlio e Juscelino foi vaiado, enquanto um prefeito que ronda a mediocridade até nas pesquisas da reação (na última, em março, do Datafolha, 68% dos consultados reprovaram a sua administração) foi aplaudido? ” Seria o inconsciente coletivo mais uma vez influênciado pela mente de Cesar Maia ? Ou uma reação edipaniana já na esfera Freudiana dos que vaiaram sendo a figura de Cesar Maia instrumento de catarse para isso ?

Olha , só rindo viu !

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