Putin rechaça proliferação de armas por Bush e OTAN

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“A Rússia foi quem realmente implementou o tratado que limita armas convencionais e a resposta foi a instalação de mísseis em nossas fronteiras”, denunciou o presidente Vladimir Putin

O governo da Rússia decidiu, no sábado, dia 14, suspender sua participação no Tratado de Forças Armadas Convencionais na Europa, FACE, denunciando a sua violação pelos Estados Unidos que ameaçam instalar um “escudo antimísseis” – na realidade um sistema de mísseis e radares – na Europa Oriental, apontado para as fronteiras do país.

A iniciativa de Putin rechaça a corrida armamentista de Bush com a moratória do tratado que, segundo destacou o governo russo, terá vigência “enquanto os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, não ratifiquem o acordo de adaptação e não comecem a aplicar de boa fé esse documento”.

SEGURANÇA

O decreto foi assinado por Vladimir Putin com base “nas extraordinárias circunstancias que afetam a segurança da Federação Russa, que exigem adotar medidas inadiáveis”.

O presidente já havia advertido antes (pela primeira vez em abril passado) ao governo dos Estados Unidos, à União Européia, e à OTAN, sobre a irresponsabilidade da tentativa de implantar um sistema que ameaçaria a Rússia diretamente, alegando a suposta função de impedir ataques do Irã ou da República Popular Democrática da Coréia. “É obvio que nem o Irã, e muito menos a Coréia do Norte, tem condição, nem intenções de atingir esses alvos”, assinalou.

Na recente visita que fez aos EUA, Putin ampliou a proposta que já havia feito a Bush em junho, durante a reunião do G-8, no sentido de usar conjuntamente a base de Gabala, no Azerbaijão, como alternativa às bases de mísseis e radares que a Casa Branca pretende instalar na Polônia e na República Tcheca. Ele incluiu a possibilidade do uso conjunto da base de Amavir, localizada no sul da Rússia, para garantir a segurança da região. A Casa Branca não considerou qualquer possibilidade de acordo.

“A Rússia foi o único país que não só declarou que estava disposto a cumprir com o tratado FACE, como fizeram alguns. O implementou realmente: removemos todas nossas armas pesadas da parte européia da Rússia e as colocamos atrás dos montes Urais. Reduzimos nosso exército em 300.000 homens. Tomamos uma série de outros passos requeridos pelo FACE. E o que é que recebemos como resposta? A Europa Oriental recebeu novas armas, foram estabelecidas duas novas bases militares na Romênia e Bulgária, e há duas novas áreas de lançamento de mísseis – um radar na República Checa e sistemas de mísseis na Polônia”, afirmou o presidente russo. “O que está acontecendo? Que a Rússia se desarma unilateralmente. Se nos desarmamos unilateralmente, gostaríamos de ver que nossos sócios estão dispostos a fazer o mesmo na Europa. Mas, pelo contrário, a Europa está sendo entupida com novos sistemas de armas. Que deveríamos fazer nessas circunstâncias? É lógico que declaramos uma moratória do tratado”, advertiu.

Mostrando que os ocupantes da Casa Branca, escorada na OTAN, só visa defender os interesses do cartel armamentista norte- americano, Putin denunciou que “pela primeira vez na história – e quero sublinhar isso – há elementos da capacidade nuclear dos Estados Unidos no continente europeu. E isso simplesmente muda toda a configuração da segurança internacional. Como eles o justificam? Com a necessidade de se defender contra mísseis iranianos. Mas, esses mísseis não existem. O Irã não têm mísseis com um alcance de 5.000 a 8.000 quilômetros. Noutras palavras, querem nos convencer de que necessitam se defender de algo que não existe. Pensam que isso tem alguma graça? Mas só seria engraçado se não fosse formulado como o fazem. Não nos satisfazem as explicações que escutamos. Nossos peritos militares destacam com razão que esse sistema afeta o território da Federação Russa na frente dos Urais. E certamente, temos que reagir diante esse fato”.

A suspensão do tratado não é imediata por que se devem cumprir vários requisitos legais. Em principio, a moratória entrará em vigor só 150 dias depois de que a chancelaria russa comunique mediante nota diplomática a decisão aos Estados que firmaram o tratado. Só passará a valer em dezembro deste ano.

O Ministério de Relações Exteriores precisou, em boletim de imprensa emitido no domingo, dia 15, que a suspensão “não significa que a Rússia feche as portas a um ulterior diálogo”, já que “no caso de que se solucionem os temas colocados pela Rússia poder-se-á garantir com rapidez o cumprimento coletivo dos postulados do tratado”.

FRONTEIRAS

Na prática, quando a moratória entrar em vigor, a Rússia “suspenderá provisoriamente o fornecimento de informação [aos outros Estados assinantes, sobre movimentação de tropas e grandes manobras] e as inspeções internacionais”, informou o Ministério das Relações Exteriores, acrescentando que também não se considerará obrigado a “limitar seu armamento convencional” em regiões de fronteira ou de maior instabilidade.

O Tratado de Forças Armadas Convencionais na Europa, assinado por um total de 22 Estados, em Paris, em 19 de novembro de 1990, representou um acordo entre os membros da OTAN e os países que pertenciam ao Pacto de Varsóvia, com o objetivo de estabelecer um equilíbrio na Europa mediante a redução da presença de armas nas forças armadas convencionais. O documento entrou em vigor em 9 de novembro de 1992.

O tratado recebeu emendas em 1999, que por sua vez foram ratificadas apenas por quatro países — Bielorússia, Ucrânia, Cazaquistão e Rússia, que antes estavam entre os integrantes do Pacto de Varsóvia.

SUSANA SANTOS
Hora do Povo

Rizzolo:Fica evidente que os EUA estão iniciando uma corrida armamentista, essa conversa de ” defender os aliados de foguetes iranianos e norte – coreanos ” é pretexto, ou como se diz na linguagem popular ” conversa pra boi dormir ” , e a Rússia quietinha não vai ficar, se depender do Putin , fica patente que a intenção dos EUA deter a Russia até porque já perceberam que não adianta armar a Europa e transformá-la numa base militar americana. A Russia com Putin se reerguerá do ponto de vista miliatar, ou os EUA acham que todos os presidentes eram lacaios do império como o bêbado Boris Yeltsin .

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