A hipocrisia da Otan e a diplomacia da Rússsia

*TIMOTHY BANCROFT-HINCHEY

A reação da Organização do Tratado do Atlântico Norte à decisão da Rússia de impor uma moratória ao Tratado de Forças Armadas Convencionais da Europa (FACE), ratificado pela Rússia, mas não pela Otan, é um sinal de hipocrisia – ou de estupidez? Enquanto a Federação Russa constantemente fez propostas para abrir as portas da negociação e janelas para o diálogo, a Otan se expandiu para o leste, construindo bases militares e agora planeja instalar um sistema estratégico nas suas fronteiras.

No dia 14 de julho, o presidente Vladimir Putin emitiu um decreto suspendendo o Tratado de FACE com validade a partir dos 150 dias seguintes à notificação aos Estados assinantes, visando a que a Otan ratifique o Acordo de Adaptação da FACE, o que até hoje só foi realizado pela Federação Russa, Bielorússia, Cazaquistão e Ucrânia. O Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa divulgou uma declaração ao mesmo tempo, explicando que Moscou continua disposta ao diálogo.

As razões que o Kremlin forneceu para esta medida são que o tratado FACE não reflete a situação geopolítica atual no que diz respeito à segurança da Rússia, nem trata de ações necessárias no caso de emergência. O Tratado FACE não leva em conta as dissoluções do Pacto de Varsóvia e da União Soviética, nem a OTAN ratificou o Acordo de Adaptação assinado em 1999. Ainda por cima, as posições recentes de Washington, de insolência e intromissão nas fronteiras da Rússia, evidentemente tiveram suas conseqüências. A cada ação, uma reação.

TRATADOS

O Tratado original FACE foi assinado em 19 de novembro de 1990, em Paris, pelos Estados membros da Otan e do Pacto de Varsóvia, com o objetivo de limitar as forças convencionais na Europa, procurando estabelecer um equilíbrio. Entrou em vigência em 1992. O Acordo de Adaptação foi assinado na Cúpula de Istambul, em 19 de novembro de 1999, tomando em conta as mudanças geopolíticas que tiveram lugar durante os anos 90.

No entanto, quase oito anos mais tarde, ainda não foi ratificado pela Otan, que continua modificando o equilíbrio geopolítico em seu favor, através de instalação de tropas, estabelecimento de bases e, agora, a implementação planejada de sistemas estratégicos de armas.

AGRESSIVIDADE

A posição da Otan tem sido a de que não pode haver uma ratificação do Acordo de Adaptação até que a Rússia se retire completamente da Geórgia e da Moldávia, ao mesmo tempo em que essa organização, sem qualquer razão, continua a se expandir para o leste. A Rússia, por outro lado, expressou claramente seu compromisso de se retirar por etapas desses dois antigos Estados soviéticos; honrou todos seus compromissos sob o Tratado FACE; ratificou o Acordo de Adaptação; destruiu cerca de 15.700 itens militares fora dos auspícios do Tratado FACE; tem formulado soluções e proferido sugestões constantemente para superar tensões, e, recentemente, propôs a abertura de um sistema global de defesa antimíssil russo a seus parceiros na Comunidade Internacional. Se isto não é boa vontade, o que seria?

Portanto, a descrição da Otan da decisão da Rússia: “um passo decepcionante na direção errada” – é hipócrita, ou idiota? Se a Rússia ratifica um Tratado e a Otan não, se a Rússia se dispõe a retirar as suas tropas, enquanto a Otan as expande (hoje os três Estados Bálticos [Letônia, Lituânia e Estônia], Polônia, Eslováquia, República Checa, Hungria, Romênia e Bulgária são todos membros de Otan), se a Otan pretende montar um sistema balístico estratégico de mísseis na fronteira da Rússia, se a Rússia responde oferecendo uma alternativa mais válida e mais eficiente, e a Otan recusa, o que é que a Rússia deve fazer?

O ABC político de Washington – arrogância, beligerância e chauvinismo – é claramente uma política de intromissão, insolência e ingerência calculada para introduzir elementos estruturais de confrontação na Europa. Com as suas chamas claramente abanadas pelos falcões neo-conservadores que se encastelaram na política externa da Washington, buscam satisfazer os interesses da panelinha das elites corporativas que gravita ao redor do regime de Bush, e dita a política dos Estados Unidos no seu interesse.

O que é que os Fundadores da Nação Americana diriam se estivessem vivos hoje?

OPÇÕES DA RÚSSIA

O vetor militar na situação atual não deve ser realçado, e aqueles que desejam colocar um ângulo tipo reatamento da Corrida armamentista/Guerra Fria na moratória ao FACE estão errados. A questão é claramente política, não militar, desde que a Rússia facilmente poderia anular qualquer vantagem estratégica tentada pelos EUA, pela instalação em larga escala de Mísseis Balísticos Inter-Continentais RS-24 com ogivas nucleares múltiplas, mísseis Bulava-30 (lançados no mar) e a instalação de mísseis de curta distância Iskander-M em Kaliningrado, no coração da União Européia.

Na sexta-feira, a Rússia testou com êxito seu novo sistema de mísseis S-400 Triumf, que eliminou todos os alvos. O nome e código na OTAN é SA-21 Growler. É uma melhoria do S-300 e tem um alcance de duas vezes mais que o MIM -104 Patriota da OTAN. E pode liquidar alvos aéreos num alcance de 400 quilômetros.

* Timothy Bancroft-Hinchey é editor do jornal Pravda.ru, versão em português. O nome original do artigo é “Tratado FACE: é hora de acabar com a hipocrisia”. Endereço eletrônico: http://www.pravda.ru
Hora do Povo

Rizzolo: Não resta a menor dúvida que a OTAN está a seriviço do império americano, é necessário acabar de vez com a subserviência sistemática da OTAN aos interesses políticos e comerciais dos Estados Unidos e adoptar uma postura eurocêntrica em matéria de Defesa; a OTAN perdeu a sua razão de existir enquanto salvaguarda do falso “mundo livre” que de livre não tem nada . O fim daquele enquadramento geopolítico levou a que os propósitos originais da OTAN fossem ultrapassados, passando esta organização a afigurar-se cada vez mais como um pilar das forças americanas na Europa.

A Rússia não pode ficar à mecê dos disígnios da política belicista americana, traiçoeira, com falsas arumentações que visam sim a segurança da Rússia, que com certeza deve se armar, e se reerguer.

Para Belluzzo, juro alto provoca queda do dólar

O economista Luz Gonzaga Belluzzo responsabilizou a arbitragem dos juros pelos recordes de valorização do real frente ao dólar. Na quarta-feira, o dólar fechou o dia cotado a R$ 1,861. Com os juros altos praticados no país, os especuladores estrangeiros têm migrado seus dólares para o país em busca de maior remuneração. “A taxa de juros brasileira está fora do lugar. Está excepcionalmente elevada”, afirmou Belluzzo.

Para inverter a situação, Belluzzo defendeu reduções maiores dos juros básicos. “Há uma distorção imposta pela política monetária que faz com que as empresas sejam obrigadas a fechar suas linhas de produção, até encerrar suas atividades. Muitas delas, sobretudo no setor manufatureiro, também são obrigadas a disfarçar sua situação importando mercadorias, colocando sua marca e vendendo no mercado interno”.

Sobre a arbitragem, Belluzzo ressaltou que “tem muita gente que nega a existência desse fenômeno, mas é indiscutível que a associação entre os dois foi importante para determinar a valorização do real”.
Hora do Povo

rizzolo: Não há dúvida que os juros nesse patamar faz com que os profissionais internacionais da especulação migrem em massa seus dolares para o páis em busca de ganhos. Ora , se tem mais dolares no mercado isso induz recordes de valorização do real frente ao dólar trazendo danos à economia brasileira. Há muito tempo o Brasil já é conhecido como um grande cassino de agiotas internacionais que sangram o país através da política monetaria de seus lacaios e quem perde com isso é o pobre empres[ario brasileiro, que é obrigado a fechar sua empresa para ceder a esses oportunistas que vivem da especulação que o país propicia.

O Brasil precisa de produção, geração de empregos , e patriotismo no posicionamento à proteção da indústria e dos interesses nacionais .

Para Lula, “biocombustível é questão de soberania nacional”

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“Nós não podemos permitir que aconteça o que aconteceu com a borracha”, alerta o presidente

“Esse debate sobre biocombustíveis é uma coisa extremamente séria, e eu estou pensando até em torná-la ainda mais séria, para que a gente possa dar o status de soberania nacional à questão do biocombustível”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) realizada na terça-feira.

“Não podemos brincar com isso e não podemos permitir que aconteça conosco o que aconteceu com a borracha”, alertou o presidente Lula. “Como não tinha um projeto estratégico de nação, era apenas uma coisa momentânea daqueles que querem ganhar dinheiro com muita rapidez, a borracha foi embora e o Brasil perdeu importância, perdeu hegemonia e ficamos sem tirar proveito daquele momento extraordinário”.

Lula parabenizou o Conselho pela criação de um grupo de trabalho para elaborar as regras e padrões de avaliação, entre outras questões, relativos à produção de biocombustível. Intitulado “Bioenergia: Etanol, Bioeletricidade e Biodiesel”, o grupo será coordenado pelo presidente da CUT, Artur Henrique Santos, e tem sua primeira reunião marcada para o dia 16 de agosto. “Eu acho, Artur, que você está com um bom ‘pepino’ na sua mão para discutir. E aí vai ter que discutir a questão da propriedade no Brasil, se as pessoas vão poder comprar as nossas terras ou se essas terras vão ter que ficar nas mãos de brasileiros”, frisou Lula.

ETANOL

É pertinente a questão colocada pelo presidente da República, em função do apetite dos monopólios privados, principalmente dos EUA, em açambarcar a produção de álcool no Brasil. Desde 2000, segundo a consultoria Datagro, US$ 2,2 bilhões em capital estrangeiro foram direcionados ao setor do açúcar e do álcool. O Grupo Brenco, que tem à frente o notório Henri Phillippe Reichstul – testa-de-ferro do antro especulativo norte-americano Kleiner, Perkins, Caufield & Byers -, já anunciou a instalação de uma usina no Mato Grosso e alardeia que tem US$ 2,2 bilhões para “investir” no Centro-Oeste. A Archer Daniels Midland (ADM), maior produtora de etanol dos EUA, que já tem uma empresa de biodiesel em Rondonópolis, está em negociações para adquirir usinas brasileiras. E mais Infinity Bio-Energy, Clean Energy Bio-Energy, Globex, Pacific Ethanol e Global Foods.

O grupo francês Louis Dreyfus se transformou no segundo maior produtor de álcool no Brasil após comprar cinco usinas. É também francesa a origem do grupo Tereos, que detém 6,3% do grupo nacional Cosan, o maior produtor, 100% da Açúcar Guarani, 47,5% da Franco Brasileira de Açúcar (FBA). Até o especulador George Soros, através da Adecoagro, comprou uma usina em Minas Gerais, a Monte Alegre, e vai implantar mais três em Mato Grosso do Sul.

Contudo, a maior parte das usinas existentes e as que estão em construção são brasileiras. O que mostra a importância das regras a serem definidas pelo CDES, pois na mesma medida em que é fundamental a produção de biocombustíveis para dotar o país de energia – junto com as outras fontes – capaz de sustentar o nosso desenvolvimento, também é o controle nacional dessa produção.

Inclusive porque, como disse o presidente Lula no Conselho, “é preciso ter uma estratégia para que a gente se consolide não apenas pelo status de termos sido pioneiros, e manter, não o status de pioneiro, mas o status de deter a estratégia correta para que a gente possa não apenas ajudar o Brasil, mas ajudar os países em desenvolvimento, ajudar os países africanos e, obviamente, contribuir com o Planeta”.

Lula ressaltou que a produção de biocombustíveis não se contrapõe à produção de alimentos. “Quais são os problemas que têm sido levantados contra o Brasil? O primeiro é um problema de alimentos, ou seja, nós, na hora em que estivermos produzindo biodiesel, vamos causar problemas de alimentos no mundo. É importante só lembrar que esses 850 milhões de seres humanos que passam fome hoje, não é pela inexistência de alimentos, é pela inexistência de renda para comprar os alimentos. Até porque hoje nós estamos produzindo cada vez mais em menos hectares. Obviamente que um país com as qualidades do Brasil não vai produzir etanol de milho”. Segundo Lula, “dos 440 milhões de hectares de terras que nós temos disponíveis, a cana ocupa hoje apenas 1%, ou seja, não tem nenhum sentido essa discussão”.

O presidente sublinhou a necessidade do debate sobre a “humanização do trabalho no campo”. “Para os empresários fica mais fácil mandar os trabalhadores embora e comprar máquinas. E cada uma dessas máquinas vai dispensar 90 trabalhadores. E eles estarão atendendo a um apelo daqueles que são contra o trabalho não-humanizado e estão deixando os trabalhadores na rua da amargura”.

“Nos próximos 20 anos os biocombustíveis serão uma realidade no planeta Terra. Não que isso vá acabar com o petróleo, pelo contrário, também não queremos acabar, até porque o Brasil investe cada vez mais para ser auto-suficiente, é por isso que a Petrobrás investe tanto. Mas o que nós queremos é mostrar que a utilização do biodiesel é a forma mais eficaz para diminuir a emissão de CO2 (gás carbônico)”, sublinhou Lula.

VALDO ALBUQUERQUE

Hora do Povo

Rizzolo: Tenho dito que temos que ir devagar nessa questão do etanol , a necessidade de gerarmos 4 milhões de novos empregos ao ano, nos impulsiona a nos aventurarmos em novas oportunidades de geração de emprego, muito embora o agronegócio é mecanizado, sendo necessário a formação mão de obra especializada, temos que pensar no trabalhador rural, e na sua formação, hoje o Brasil tem 357 usinas de açúcar e álcool em operação, 43 em construção e outras 244 em fase de planejamento. Os investidores estrangeiros dominam 35% destes novos projetos, fora as aquisições e sociedades que estão se multiplicando neste momento, ou seja, poderemos perder o controle total, se não tivermos uma política firme que comtemporize os interesses de todos principalmente do Brasil e do trabalhador rural, que por tradição sempre ficou de fora na onda do desenvolvimento.

Os hoje cerca de 1 milhão de trabalhadores rurais cortadores de cana de açúcar poderão até duplicar, ou aumentar anualmente acima do crescimento do emprego no pais. Espero que a mecanização avance e que o governo apóie e crie cursos de capacitação para esses trabalhadores e trabalhadoras não qualificados, temos que resgatar a cidadania para esses trabalhadores

Esta disputa pelo controle acionário das empresas sucro-alcooleiras brasileiras por investidores estrangeiros se demonstra agora na luta pelo controle do segundo maior grupo do Brasil, a companhia açucareira Vale do Rosário. O grupo é disputado pelo maior produtor de álcool do Brasil, o grupo Cosan, pelo Bradesco, pela Bunge, transnacional do agronegócio. Os investidores estrangeiros estão por trás do ex-ministro privatizador Antonio Kandir e do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Pelo que podemos inferir até agora, os empresários brasileiros do grupo Etalnac, vão administrar as destilarias e entregar toda a produção de álcool para a Sempra, que exportará para os EUA e o Japão, em outras palavras,a burguesia brasileira se tornará “administradora” dos negócios imperialistas.

Neste ramo, se repetirá, em escala superior, o que aconteceu com a produção de soja no Mercosul, que foi totalmente dominado pelas grandes transnacionais do agronegócio como a Cargill, Bunge, Archer Daniels Midland, Louis Dreyfus, etc.

Temos que constituir uma empresa ou um órgão regulador da produção de etanol, uma “Etanolbras” que se aterá aos aspectos específicos dessa área que difere do petróleo, envolvendo questões ligadas à produção, transporte, comercialização, exportação, etc, que precisam ser controladas e reguladas pelo governo.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, informou que o governo está definindo um zoneamento ecológico-econômico, a ser concluído em um ano, para o plantio de cana-de-açúcar. “Um mapa de restrições vai proibir o plantio de cana-de-açúcar nos biomas da Amazônia, do Pantanal e de outros que ainda estamos estudando”. “Será totalmente proibido. É uma decisão de governo”, disse.

Entre as áreas que também poderão ter a plantação proibida estão o cerrado e o pampa gaúcho. Segundo Stephanes, “haverá uma certificação socioambiental do Inmetro para todo o processo, desde as lavouras até a qualidade do álcool. Isso está sendo tratado com extremo cuidado”.

O ministro afirmou que será incentivada a plantação de cana em áreas degradadas por pastagens. De qualquer forma não basta só restringir o plantio, mas restrigir a participação internacional nessa corrida do ouro, temos que priorizar o capital nacional e restringir a participação internacional na questão do etanol. Depois não adianta chorar, hein !