IBGE: desemprego em junho cai para 9,7%

Depois de passar três meses cravado em exatos 10,1%, a taxa de desemprego medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) recuou para 9,7% em junho, na comparação com maio. A queda em relação a junho de 2006, foi ainda maior, de 0,7 ponto percentual, anunciou o órgão nesta quinta-feira (25). Trata-se da primeira queda na taxa de desocupação do ano, com abertura significativa de postos de trabalho: 646 mil em um ano. Mas a renda teve ligeiro declínio em relação a maio (-0,5%).

O contingente total de desempregados se manteve em 2,2 milhões de pessoas em junho. O nível da ocupação ficou em 51,3% em junho, 0,5 ponto percentual superior ao de maio e estável na comparação com junho do ano passado. Já o contingente de pessoas ocupadas, estimado em 20,8 milhões em junho, apresentou altas de 1,3%, na comparação com maio e 3,2% (o equivalente a 646 mil pessoas) em relação a junho de 2006 .

Renda caiu no mês mas subiu no ano

A Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE toma por base seis regiões metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre. Os critérios usados são distintos da pesquisa Dieese-Seade, que apontou nesta quinta-feira (25) um desemprego de 15,9% também medido em seis concentrações urbanas.

Segundo o IBGE, o rendimento médio real dos ocupados nas regiões pesquisadas (R$ 1.119,20) teve ligeiro declínio, de 0,5%, em relação a maio. Mas cresceu 2,7% na comparação com junho de 2006. Houve redução no rendimento dos empregados com carteira de trabalho assinada (R$ 1.077,50) frente a maio (-2,7%) e a junho de 2006 (-2,1%).

A massa de rendimento médio real efetivo da população ocupada 3 foi estimada em R$ 22,9 bilhões, uma alta de 0,7% em relação a abril. Frente a maio de 2006, também houve elevação (5,9%). Já o rendimento médio real domiciliar per capita (R$ 700,21) ficou estável em relação a maio e cresceu 3,3% quando comparado a de junho do ano passado.

Variações regionais

Na comparação com maio, apenas a região metropolitana de São Paulo teve variação na taxa de desocupação, que recuou 1,0 ponto percentual. Em relação a junho de 2006 , o maior recuo (2,8 pontos percentuais) ocorreu na região metropolitana do Recife, onde a taxa passou de 15,4% para 12,6%.

No que diz respeito à população desocupada (PD) , São Paulo também registrou redução (-8,0%) na comparação com maio . No confronto com junho de 2006 , além da queda do número de desocupados em Recife (-21,0%), houve aumento desse grupo na região metropolitana de Salvador (16,6%).

Dentre os desocupados, 19,8% estavam em busca do primeiro trabalho e 25,1% eram os principais responsáveis na família. Também nesse contingente, 51,2% tinham pelo menos o ensino médio concluído – proporção superior às registradas em junho de 2006 (47,7%) e junho de 2005 (46,6%).

Regionalmente, em relação a maio , o contingente de pessoas ocupadas teve movimentação significativa apenas na região metropolitana de São Paulo (2,1%); nas demais, o quadro foi de estabilidade. Na comparação anual (junho 2007/ junho 2006) , as regiões metropolitanas de Salvador (6,2%), Belo Horizonte (3,0%), Rio de Janeiro (2,5%) e São Paulo (4,1%) registraram crescimento.
Site do PC do B

Rizzolo: É um dado bom , o Brasil precisa gerar 4 milhões de empregos por ano, não há dúvida que o PAC é responsável pelo aumento e geração de emprego, muito embora os golpistas insistem na derrrubada do governo Lula, para o trabalhador o que importa é dinheiro no bolso e emprego, e isso é a base do PAC, infelizmente a política econômica direcionada à especulação não faz com que esses números melhorem ainda mais, impedindo as exportações vez que a entrada de dólares sendo grande em função do juros faz no cambio um efeito perverso dificultando alguns segmentos exportadores.

A verdade é que para o pobre que anda de ônibus, luta para alimentar sua família com seu empreguinho pouco está interessado nos alardes que os golpistas fazem em relação à ” crise aérea ” estão preocupados com emprego, salário e dinheiro no bolso, esse golpismo aéreo influência mais a elite que já não gosta do Lula, mesmo.O coitadinho do operário está mais preocupado com o onibus que ele vai tomar às 6 da tarde. Mas tem medo que o avião caia na cabeça dele, viu, belo.. ( risos..)

Devon dos EUA vai explorar sozinha área que Petrobrás descobriu e foi obrigada a devolver

A companhia petrolífera norte-americana Devon obteve licença ambiental para começar a explorar petróleo no campo brasileiro de Polvo, na Bacia de Campos (RJ). Será a primeira companhia estrangeira não-associada à Petrobrás a explorar o petróleo no país. A Devon adquiriu o bloco CM-61 na sexta rodada de licitação, em 2004.

Segundo o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Heitor Pereira, o bloco CM-61 é parte do BC-60 que pertencia à Petrobrás e que, após a aquisição pela Devon, a estatal foi obrigada a devolver pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). A devolução é objeto de ação judicial movida pelo Sindipetro-RJ, já que o artigo 33 da Lei 9478/97 afirma que o fato de a estatal já ter encontrado petróleo na região lhe garante a propriedade sobre o restante do bloco.

Em 2001 e 2003, a ANP obrigou a Petrobrás a devolver as áreas não exploradas que foram mapeadas e descobertas por ela e que ficaram com a estatal na rodada de licitação zero, em 1988, quando iniciou-se o processo de entrega do petróleo brasileiro para os estrangeiros. O bloco CM-61 faz parte dos chamados blocos azuis, o filé mignon, contíguos às áreas onde a Petrobrás descobriu petróleo e gás.

“As áreas oferecidas no sexto leilão são próximas aos blocos adjacentes nos quais a Petrobrás tinha feito descobertas. Ou seja, a Devon comprou um bilhete premiado e pode exportar petróleo como vem sendo feito pela Shell no campo de Bijupirá-Salema. Para o poder econômico, não existe a palavra lei e sempre há uma brecha para que se atinjam os objetivos estratégicos”, declarou Pereira.

A produção predatória, a exemplo do que vem sendo feito pela Shell, que explora o petróleo do Brasil, desde 2003, em áreas mapeadas pela Petrobrás, ainda que associada à estatal brasileira, terá como destino as exportações, deixando o país vulnerável diante da evasão das reservas de petróleo.

Hora do Povo
Rizzolo: É impressionante como existem ” brechas” fabricadas em favor do capital internacional,e o pior tudo direcionado ao exterior e mais evasão de reservas, um triste realidade , o entreguismo sem limite.

Agora histeria desenvolve-se em torno da Rússia

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Os que pensaram que com a dissolução da União Soviética em 1991, se acabou para sempre a Guerra Fria , se equivocaram. O mito persiste e alimenta permanentemente o cérebro dos falcões neoconservadores que não estão dispostos a aceitar o surgimento de uma Rússia nova, cujo potencial energéico convertiria-la , segundo os últimos cálculos, na primeira potência da Europa para 2050.

Esta possibilidade não está nos planos dos estratégicos americanos , que desde a época de Jimmy Carter, Zbigniew Brzezinski, planejavam a desintegração da Rússia em três paises independentes. Ao ver fracassar seu projeto, ficaram atrapalhados, e a única ideia que lhes- chegou às cabeças era fazer ressurgir a ideia da Guerra Fria, aproveitando qualquer pretexto .

Já é bastante conhecido que a mídia principal americana, ao serviço de falcões neoconservadores , trata de desviar a opinião pública do diário fracasso que sofrem as Forças Armadas dos EUA e seus aliados em Iraque e Afeganistão. Então buscam “ novos” mitos de perigo para o mundo “ civilizado” ocidental. Entre estes contos ao serviço dos interesses geoeconómicos dos EUA , está por exemplo o suposto “ Eixo do Mal” sobre qual cai todo o peso do aparato propagandistico implicado também, em alguns casos, a intervenção militar. Assím passou com a República Federal Yugoslava, depois com Afeganistão e Iraque.

Posteriormente apreceu o mito de Coréia do Norte e Venezuela sem chegar a derramar alguma gota de sangue. Agora a histeria desenvolve-se em torno da Rússia que ultrapassou as dificuldades economicas e políticas e “ atreve” a vencer sua “timidez” e complexo de inferioridade histórica que foi implantado na mentalidade russa por o sofisticado aparato da propaganda ocidental nas últimas duas décadas.

Aproveitando uma mini-crise jurídica surgida entre o Reino Unido e a Rússia por causa do assassinato do um ex-membro do serviço secreto russo( FSB), Alexander Litvinenko, o patriarca de os ideólogos neoconservadores americanos, Richard Pipes declarou que “ a Rússia se converteu num pais mais perigoso que Osama Bin Laden”. Disse que “ resta elaborar uma tática de dissuasão para a Rússia, especialmente na matéria económica, semellhante à que foi utilizada contra a URSS, e prever sua devolução a uma superpotência”

A Rússia de hoje não é um país socialista, porém uma nação que pagou um grande preço por transferência em um país capitalista. País elabora uma ideia mental que deve unir a nação. Por isso Vladimir Putin é tanto popular na Rússia. Ele defende uma estratégia gradual da renascença nacional, sim, na base de potência energética , e porque não? Os EUA estão aborrecidos também por penetração no mercado de armamentos tradicionalmente controlado por eles. Mas este é um outro conto.

Por Lyuba Lulko
Pravda Ru

Rizzolo:Esse incidente com a Inglaterra arquitetado em conjunto com os EUA tem a intenção de afastar uma aproximação maior com os demais países da União Européia com a Rússia. O desenvolvimento de equipamentos bélicos e as vendas desses equipamentos pela Rússia a páises coma Venezuela e outros leva à histeria a direita americana e levam ao tempo da Guerra Fria. Será que os EUA pensam que a Rússia é um país de idiotas e que não vão se reerguer ?

Os tucanos e a hipocrisia

ALESSANDRO RODRIGUES

“Faça o que digo, não faça o que eu faço”. Esse ditado popular, que procura definir a postura de um hipócrita, cai como uma luva para alguns tucanos. Isso não é difícil de se observar nas ações do PSDB em São Paulo e nos discursos dos integrantes do mesmo partido em Brasília. Apoiados pela mídia, eles cobram na capital federal investigações sobre qualquer pedra fora do lugar, mesmo que as tenham tirado. Afinal, seus folhetins colocarão a culpa em Lula. Mas, em São Paulo, fazem o inimaginável para impedir qualquer apuração, vide a protelação da CPI para investigar o líder do PSDB na Assembléia, Mauro Bragato.

Essa conduta já era mais do que clara na gestão de Alckmin. Enquanto tucanos “cobravam” cinematograficamente CPI pra cá, CPI pra lá, “compra de votos”, “Correios”, “bingos”, “sanguessugas”, e agora “Infraero”, etc, Alckmin impedia a instalação de 70 CPIs em São Paulo. Mais do que isso: 1432 processos julgados irregulares pelo TCE eram engavetados na Assembléia para impedir que chegassem as mãos do Ministério Público, que teria a incumbência de dar prosseguimento às investigações, abrir inquérito e punir os culpados. O resultado dessa obscenidade, segundo denunciou o promotor Antônio Celso Faria, é que os crimes de improbidade administrativa prescreveram e os delinqüentes andam soltos. Por outro lado, a única opção que restou ao MP foi dar seguimento às ações pelo ressarcimento dos cofres públicos dos prejuízos causados pela corrupção tucana, que só em 102 contratos somaram cerca de R$ 1 bilhão.

PUPILO

Porém, Alckmin não foi o primeiro tucano e não será o último. O professor foi Fernando Henrique e o aluno é José Serra. FHC também já foi muito conhecido por impedir a abertura de investigações. Ficou mais famoso ainda pelos crimes. Somente para lembrar alguns casos, até 1999, o governo FHC distribuiu “favores” para evitar a instalação da CPI do sistema financeiro, em 1996; a da compra de votos para aprovar a emenda da reeleição, em 1997; a que investigaria o grampo no BNDES, em 1999; e a do caso EJ, em 2001. CPI era, no vocabulário tucano e nos manuais de redação de alguns órgãos de mídia, termo nefasto e sinistro.

Nessa época, figuras como Arthur Virgílio, líder do governo no Congresso, somente para citar o mais entusiasmado, andava às turras para operar os abafas, chegando a ameaçar qualquer um que assinasse uma CPI. Em entrevista à “Folha de São Paulo”, em 2001, Virgílio fez chegar ao Congresso uma mensagem de FHC de que demitiria ministros que tivessem ligações com parlamentares que assinassem a CPI para investigar EJ. “O presidente vai dar lealdade e respeito aos aliados e quer reciprocidade. Acabou a prática de ficar assinando pedido de CPI e depois retirar o nome. Tem de haver lealdade”, afirmou.

A ameaça foi para impedir a instalação de uma CPI, pois “não havia nada para investigar, a oposição só queria palanque”. Agora vejam o Virgílio de 2004, três anos depois: “O PT precisa derrubar essas falácias segundo as quais as galáxias irão se chocar e o universo acabar se houver investigações sobre corrupção dentro de seu governo. Se nada houver, ótimo, as acusações caem. Se houver, os responsáveis devem ser responsabilizados e o governo deve continuar a governar”. Têm coisas que é difícil explicar. Deixemos tais estudos para alienistas e ou para criminalistas…

Voltemos para o dito popular. Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, Machado de Assis aponta que a “franqueza é a primeira virtude de um defunto”, pois na vida “o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos”. Ele narra este trecho da confissão de seu personagem dizendo que “a hipocrisia é um vício hediondo”. Seria demasiado fazer uma analogia entre dois casos, mas tal definição é elucidativa.

É claro que se alguém perguntar para Virgílio se é contraditório a sua postura anterior com a atual ele dirá que não e encontrará uma explicação mirabolante para tal. Mas o importante seria se a última declaração do líder tucano no Senado chegasse aos ouvidos do governador José Serra, que está seguindo o caminho de seu antecessor e poderá pagar caro por isso, não só por acobertar os ilícitos, mas também por carregar nas costas a responsabilidade de ter abafado as investigações e de ter dado mais liberdade para que continuem roubando os cofres de São Paulo.

Serra tem o controle sobre a maioria da Assembléia. Portanto, qualquer colegial sabe que a manobra vergonhosa para impedir a instalação da CPI da CDHU e do inquérito no Conselho de Ética para investigar Mauro Bragato tiveram o seu aval. É preciso investigar, “se nada houver, ótimo, as acusações caem. Se houver, os responsáveis devem ser responsabilizados e o governo deve continuar a governar…”.

Hora do Povo

Rizzolo:Não é possível que num contexto ” apurativo” e ” depurativo” do governo Lula onde tudo é devidamente apurado ” doa a quem doer “, o PSDB, que representa a elite paulistana, na figura do governador Serra, se porte dessa forma usando de expedientes e manobras ardilosas, no sentido de orientar os parlamentares tucanos na Assembléia Legislativa de São Paulo a barrarem qualquer tentativa de investigação, principalmente a instalação de uma CPI. Em matéria de impedir instalação de CPIs, o PSDB já tem doutorado, haja vista que 70 CPIs não foram instaladas na gestão de Geraldo Alckmin e 10 mofam no governo José Serra.

Somente na quarta-feira foram instaladas 5 CPIs secundárias para evitar a que visa investigar Bragato e a máfia da CDHU. Saindo em socorro de Bragato, Serra diz que é preciso obedecer a ordem cronológica das CPIs e que o Ministério Público é o órgão competente para investigar o tucano. É uma vergonha , e depois se alçam como moralistas, defensores da ética, promovem aulas de cidadania nos ” Jardins”, é , mas a mascara parece que cai mais e mais a cada dia. Cabe à elite tucana fazer uma reflexão.

Ação entre multinacionais provoca recorde no chamado investimento estrangeiro direto no mês de junho

O Banco Central registrou no mês de junho um ingresso de US$ 10,318 bilhões do chamado investimento estrangeiro direto, o “maior valor mensal já registrado” desde 1947, quase 60% acima do esperado pela autoridade monetária para o período.

Muito ensalsado pela mídia reacionária, esse “investimento” estrangeiro não significa um afluxo de dólares para ampliação do parque produtivo nacional. Basta verificar o montante do mês passado, quando nada menos que US$ 5,4 bilhões foram referentes à compra da filial brasileira da Arcelor pela indiana Mittal, em um processo em nível mundial de concentração de capital, aumentando a monopolização do setor.

Além disso, cerca de US$ 2 bilhões corresponderam às vendas da Serasa, um empresa de informações de crédito, ao grupo britânico Experian e da Unibanco Participações Societárias, uma subsidiária do Unibanco, ao alemão Deutsche Bank. Ou seja, não foi acrescentado um único prego que seja nos três casos citados, nem em outros. No caso da Serasa, bem pior, pois transferiu para mãos estrangeiras informações sobre a situação financeira de empresas em dificuldades, passíveis, portanto, de serem tomadas.

É bom registrar que o maior volume de entrada de dólares se dá em função dos juros que continuam em patamares elevados e que se mostram atrativos aos capitais especulativos, registrado pelo BC como de curto prazo: títulos de renda fixa, derivativos financeiros, depósitos de não residentes, empréstimo, crédito comercial, etc. No primeiro semestre totalizaram US$ 46,451 bilhões, mais que o dobro do chamado “investimento” estrangeiro direto no período que foi de US$ 20,864 bilhões.

Hora do Povo

Rizzolo: Ah! mas esse tipo de ” investimento estrangeiro” é uma ilusão , o grande volume é destinado a especulação financeira em face aos juros em patamares astronômicos, nada para ampliação do parque produtivo nacional, nada para a geração de empregos, agora, sinceramente a venda de uma empresa de informação de crédito, onde no seu cadastro deve constar na maioria empresas nacionais que foram destruídas e que estão em dificuldades, e assim prontas para serem açambarcadas por estes representantes internacionais é uma tristeza hein ! Vão se deliciar com as análises e talvez procurar empresas nacionais a venda , ” galinhas mortas “, como assim diz o texto. Belo investimento estrangeiro hein !

Coitado do empresário nacional , aquele que luta, que paga a carga tributária proporcionalmente maior, que não tem dinheiro público para financimamento, que não tem acesso a crédito, e que ainda tem que aguentar essas multinacionais sedentas de lucro, num mercado que é nosso, devemos repensar o papel dessas multinacionais e as remessas de lucros. A receitinha poderia ser a seguinte: ” A remessa anual de lucros não pode exceder a 10% dos investimentos líquidos registrados, com exclusão, portanto, para cálculo do percentual, do capital adicionado e originário dos lucros obtidos no Brasil. A remessa que ultrapassar essa percentagem seria considerada repatriação de capital, num máximo permito de 20% anuais. Lucros acima desse limite serão considerados capital suplementar e não poderiam ser remetidos, devendo ser reinvestidos no Brasil. Se já existisse uma regilamentação nesse sentido será que ficariam tão entusiasmados com o cadastro na mão, ia ficar mais difícil, né ? Uma vergonha. Um dia o empresariado nacional vai acordar.

Pseudomarxismo está mais longe de Marx do que Chávez de Bush

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“Os invasores ingleses quebraram os ofícios de tecelagem dos indianos e destruíram suas rocas. A Inglaterra começou por excluir os tecidos de algodão indianos do mercado europeu, depois ela se pôs a exportar para o Hindustão o fio e enfim inundou de tecidos de algodão a pátria dos tecidos de algodão”, destaca Marx em seu trabalho acerca da dominação inglesa sobre a Índia

KARL MARX

Recentemente, o presidente Chávez, sem dúvida um dos maiores líderes populares do mundo atual (e, por isso mesmo, contestado por toda sorte de charlatães que se dizem marxistas), após manifestar seu respeito pela figura e pela obra de Karl Marx, expressou algumas reservas em relação ao marxismo e à posição de Marx, que, segundo Chávez, “enganado e manipulado, chegou a aprovar a invasão dos EUA ao México e da Inglaterra à Índia”. É natural que os homens, que não são perfeitos, cometam, às vezes, equívocos. Como o presidente Chávez é figura por quem temos particular respeito, resolvemos elucidar a questão.

Quanto ao México, quem citou a invasão dos EUA foi Engels, em 1849, na polêmica com Bakunin. Na época, não era ainda claro o papel dos EUA – mas esse não é o assunto de Engels, e sim demonstrar que, ao contrário do que Bakunin pregava, a História das nações não era guiada por conceitos éticos, por mais belos que eles soassem. Isso, evidentemente, só será possível em outro estágio da Humanidade.

Quanto à invasão da Índia pela Inglaterra, Marx publicou três artigos no jornal norte-americano New York Daily Tribune, em 1853. Marx denuncia com sua costumeira eloqüência o circo monstruoso de horrores dessa dominação. Apenas, nota que ela, ao destruir a base econômica do milenar atraso hindu – ainda que em benefício do despotismo europeu – escancara a necessidade de uma nova Índia, livre das cadeias arcaicas onde antes vegetava, e também livre da opressão estrangeira.

Para maior esclarecimento da questão, condensamos nesta página os dois artigos mais importantes: “O domínio britânico na Índia” e “Resultados futuros da dominação britânica na Índia”. Tomamos a liberdade de grifar alguns trechos que consideramos especialmente reveladores da posição de Marx.

Os males que os ingleses causaram ao Hindustão são de um gênero essencialmente diferente e muito mais profundo do que aqueles que o Hindustão havia sofrido antes. Não faço alusão ao despotismo europeu que, somado pela Companhia Britânica das Índias Orientais ao despotismo asiático, forma uma combinação mais monstruosa do que os monstros sagrados que nos apavoram no templo de Salsette. Isso não constitui um traço distintivo da dominação colonial britânica e não é senão uma imitação do sistema holandês, a tal ponto que para caracterizar a atividade da Companhia Britânica das Índias Orientais é suficiente repetir literalmente o que sir Stamford Raffles, o governador inglês de Java, tinha dito a propósito da velha Companhia Neozelandesa das Índias Orientais:

“A Companhia Neozelandesa, movida unicamente pelo amor ao ganho e tendo por seus assujeitados menos interesse e consideração que um plantador das Índias ocidentais tinha pelos escravos que trabalhavam em seu domínio – dado que este pelo menos havia pago com o dinheiro seu instrumento de trabalho humano, enquanto aquela não havia gasto nada -, essa Companhia mobilizou todos os recursos existentes do despotismo para tirar do povo seus últimos suspiros por meio de contribuições e de todo o trabalho de que ele era capaz. Ela agravou assim os males causados por um governo caprichoso e semi-bárbaro e pela a avidez sem limites dos mercadores.”

Todas as guerras civis, invasões, revoluções, conquistas, fomes, por mais complexa, rápida e destrutiva que pudesse parecer sua sucessiva ação sobre o Hindustão, não o haviam arranhado senão superficialmente. A Inglaterra destruiu os fundamentos do regime social da Índia, sem manifestar até o presente a menor veleidade de construir o que quer que seja. Esta perda de seu velho mundo, que não foi seguida pela obtenção de um mundo novo, confere à miséria atual dos Hindus um caráter particularmente desesperado e separa o Hindustão, governado pelos ingleses, de todas as tradições antigas, de todo o conjunto de sua história passada.

MISÉRIA

Decorridos tempos imemoriais, não existia na Ásia senão três departamentos administrativos: o das Finanças, ou pilhagem do interior; o da Guerra, ou pilhagem do exterior; e, enfim, o departamento dos Trabalhos Públicos. O clima e as condições geográficas, sobretudo a presença de vastos espaços desérticos, que se estendem do Saara, através da Arábia, da Pérsia, da Índia e da Tartária, aos platôs mais elevados da Ásia, fizeram da irrigação artificial com auxílio de canais e de outras obras hidráulicas a base da agricultura oriental. No Egito e na Índia, como na Mesopotâmia e na Pérsia, as inundações servem para fertilizar o solo; tira-se proveito do alto nível da água para alimentar os canais de irrigação. Esta necessidade primeira de utilizar a água com economia e em comum, que, no Ocidente levou as empresas privadas a se unirem em associações voluntárias, como em Flandres e na Itália, impôs no Oriente, onde o nível de civilização era muito baixo e os territórios muito vastos para que pudessem aparecer associações desse gênero, a intervenção centralizadora do governo. Daí uma função econômica incumbe a todos os governos asiáticos: a função de assegurar os trabalhos públicos. Essa fertilização artificial do solo, que depende de um governo central e que cai em decadência desde que a irrigação ou a drenagem são negligenciadas, explica o fato, que sem tal explicação teria parecido estranho: territórios inteiros que, outrora, foram admiravelmente cultivados como a Palmyra, Petra, as ruínas do Yêmem, vastas províncias do Egito, da Pérsia e do Hindustão, estão atualmente estéreis e desertos. Isso explica também porque uma só guerra devastadora pôde depauperar o pais por séculos e privá-lo de toda sua civilização.

Ora, os ingleses nas Índias Orientais aceitaram de seus antecessores os departamentos das Finanças e da Guerra, mas eles negligenciaram inteiramente o dos Trabalhos Públicos. Daí a deterioração de uma agricultura incapaz de se desenvolver segundo o princípio britânico da livre concorrência, do laissez faire, laissez aller. As colheitas correspondem aos governos bons ou maus, como alternam-se na Europa segundo os bons e os maus climas. Assim, a opressão e o abandono da agricultura, por mais nefastos que fossem, não poderiam ser vistos como o golpe de misericórdia desferido contra a sociedade indiana pelos invasores ingleses, se não tivessem sido acompanhados de uma circunstância muito importante e totalmente nova nos anais do mundo asiático no seu conjunto. Qualquer que tenha sido no passado a transformação que formou o aspecto político da Índia, suas condições sociais permaneceram invariáveis desde a Antiguidade mais remota até a primeira década do século XIX. O ofício de tecer à mão e à roca, que produziram miríades de tecelagens e de fiações, era o pivot da estrutura dessa sociedade. Desde tempos imemoriais, a Europa recebia os admiráveis tecidos de fabricação indiana, enviando em troca seus metais preciosos e desse modo fornecendo a matéria prima aos ourives, membros indispensáveis da sociedade indiana cujo amor pela bijuteria é tão grande que mesmo os representantes das classes inferiores que andam quase nus, têm habitualmente um par de brincos de ouro e algum ornamento de ouro em volta do pescoço.

Os invasores ingleses quebraram os ofícios de tecelagem dos indianos e destruíram suas rocas. A Inglaterra começou por excluir os tecidos de algodão indianos do mercado europeu, depois ela se pôs a exportar para o Hindustão o fio e enfim inundou de tecidos de algodão a pátria dos tecidos de algodão. De 1818 a 1836 as exportações de fios da Grã-Bretanha para a Índia aumentaram na proporção de 1 para 5.200. Em 1824 as exportações de musselines ingleses para a Índia atingiam apenas 1 milhão de jardas, enquanto em 1837 elas ultrapassavam 64 milhões de jardas. Mas no mesmo período a população de Dacca passou de 150.000 habitantes a 20.000. Esta decadência das cidades indianas, célebres por seus produtos, não foi a pior consequência da dominação britânica. A ciência britânica e a utilização da máquina a vapor pelos ingleses haviam destruído, em todo o território do Hindustão, a ligação entre a agricultura e a indústria artesanal.

Estas duas circunstâncias – de uma parte o fato de que os indianos, como todos os povos orientais, deixaram ao governo central a preocupação com os grandes trabalhos públicos, condição primeira de sua agricultura e de seu comércio, e, de outro, de que eles estavam dispersos por todo o território do país e reunidos em pequenos centros pelas comunidades semi-agrícolas, semi-artesanais de caráter familiar – estas duas circunstâncias, dizíamos, engendraram, desde os tempos mais remotos, um sistema social muito particular, o dito système de village, que dava a cada uma dessas pequenas comunidades uma organização independente e uma vida distinta.

Estas pequenas formas estereotipadas de organismo social foram dissolvidas na maior parte e estão em vias de desaparecer não tanto por causa da intervenção brutal dos preceptores e soldados britânicos, mas sob a influência da máquina a vapor e do livre comércio ingleses. Estas comunidades familiares baseiam-se na indústria artesanal, aliando de um modo específico a tecelagem, a fiação e a cultura do solo executados a mão, o que lhes assegurava a independência. A intervenção inglesa, estabelecida a partir da fiação em Lancashire e da tecelagem em Bengala, ou mesmo fazendo desaparecer tanto a fiação como a tecelagem indianas, destruiu essas pequenas comunidades semi-bárbaras, semi-civilizadas, destruindo seus fundamentos econômicos e produzindo assim a maior e, na verdade, a única revolução social que jamais teve lugar na Ásia.

Ora, por mais triste que seja do ponto de vista dos sentimentos humanos ver essas miríades de organizações sociais patriarcais, inofensivas e laboriosas se dissolverem, se desagregarem em seus elementos constitutivos e serem reduzidas à miséria, e seus membros perderem ao mesmo tempo sua antiga forma de civilização e seus meios de subsistência tradicionais, não devemos esquecer que essas comunidades villageoisies idílicas, malgrado seu aspecto inofensivo, foram sempre uma fundação sólida do despotismo oriental, que elas retém a razão humana num quadro extremamente estreito, fazendo dela um instrumento dócil da superstição e a escrava de regras admitidas, esvaziando-a de toda grandeza e de toda força histórica. Não devemos esquecer os bárbaros que, apegados egoisticamente ao seu miserável lote de terra, observam com calma a ruína dos impérios, as crueldades sem nome, o massacre da população das grandes cidades, não lhes dedicando mais atenção do que aos fenômenos naturais, sendo eles mesmos vítimas de todo agressor que se dignasse a notá-los. Não devemos esquecer que a vida vegetativa, estagnante, indigna, que esse gênero de existência passiva desencadeia, por outra parte e como contragolpe, forças de destruição cegas e selvagens, fazendo da morte um rito religioso no Hindustão. Não devemos esquecer que essas pequenas comunidades carregavam a marca infame das castas e da escravidão, que elas submetiam o homem a circunstâncias exteriores em lugar de fazê-lo rei das circunstâncias, que elas faziam de um estado social em desenvolvimento espontâneo uma fatalidade toda poderosa, origem de um culto grosseiro da natureza cujo caráter degradante se traduzia no fato de que o homem, mestre da natureza, caia de joelhos e adorava Hanumán, o macaco, e Sabbala, a vaca.

É verdade que a Inglaterra, ao provocar uma revolução social no Hidustão, era guiada pelos interesses mais abjetos e agia de uma maneira estúpida para atingir seus objetivos. Mas a questão não é essa. Trata-se de saber se a humanidade pode cumprir seu destino sem uma revolução fundamental na situação social da Ásia. Senão, quaisquer que fossem os crimes da Inglaterra, ela foi um instrumento da História ao provocar esta revolução. Nesse caso, diante de qualquer tristeza que possamos sentir diante do espetáculo do colapso de um mundo antigo, temos o direito de exclamar como Goethe: “Deve esta dor nos atormentar/ já que ela nosso proveito aumenta./ O jugo de Timur não consumiu/ miríades de vidas humanas?” (Goethe, Westostlicher Diwan. An suleika.)

Como a supremacia inglesa chegou a se estabelecer na Índia? Um país não dividido somente entre maometanos e hindus, mas entre tribo e tribo, entre casta e casta; uma sociedade baseada em uma sorte de equilíbrio resultante de uma repulsão geral e de um exclusivismo orgânico de seus membros: tal país e tal sociedade não seria uma presa jurada à conquista? Se não conhecêssemos nada do passado do Hindustão, não restaria ainda o marcante e incontestável fato de que no momento presente a Índia é mantida sob o jugo inglês por um exército indiano mantido às custas da própria Índia? A Índia não poderia portanto escapar ao destino de ser conquistada e toda sua história, se história houver, é a das conquistas sucessivas que ela sofreu. A sociedade indiana não tem qualquer história, pelo menos história conhecida. O que chamamos de história não é a história dos invasores sucessivos que fundaram seus impérios sobre a base passiva desta sociedade imóvel e sem resistência. A questão não é, portanto, a de saber se os ingleses têm direito de conquistar a Índia, mas se devemos preferir a Índia conquistada pelos turcos, pelos persas, pelos russos, à Índia conquistada pelos britânicos.

A Inglaterra tem uma dupla missão a alcançar na Índia: uma destrutiva, outra regeneradora – aniquilação da velha sociedade asiática e a instalação dos fundamentos materiais da sociedade ocidental na Ásia. Árabes, turcos, tártaros, mongóis, que invadiram sucessivamente a Índia, foram prontamente “hinduizados”, com os conquistadores bárbaros sendo, por uma lei eterna da História, conquistados eles próprios pela civilização superior de seus submetidos. Os britânicos são os primeiros conquistadores superiores e consequentemente inacessíveis à civilização hindu. Eles a destruíram destruindo as comunidades indianas, extirpando-lhe a indústria indiana e nivelando tudo o que era grande e superior na sociedade indiana. A história de sua dominação na Índia não retrata outra coisa que seja diferente dessa destruição. A obra de regeneração surge com sofrimento em meio a um monte de ruínas. Ela, pelo menos, começou.

A unidade política da Índia, mais consolidada e estendendo-se para mais longe do que jamais feito sob os Grão Mongóis, era a primeira condição de sua regeneração. Esta unidade imposta pela lança britânica vai agora ser reafirmada e perpetuada pelo telégrafo elétrico. O exército indiano organizado e treinado pelo sargento instrutor britânico era o sine qua non da Índia que se emancipa e da Índia que não será a presa do primeiro intruso estrangeiro. A imprensa livre, introduzida pela primeira vez na sociedade asiática e gerida principalmente pela comum progenitura de hindus e de europeus, é um novo e potente agente de reconstrução. Os sistemas zemindari e ryotwari, por mais abomináveis que sejam, constituem-se de tal modo que elas próprias são duas formas de propriedade privada da terra – o grande sonho da sociedade asiática. Os nativos da Índia, educados em Calcutá sob a tutela inglesa, ainda que com má vontade e parcimônia, estão em vias de formar uma classe nova, dotada de atitudes requeridas ao governo e imbuídas de ciência européia. O vapor colocou a Índia em comunicação regular e rápida com a Europa, ela pôs seus portos principais em relação com os dos mares do sul e do leste e a tirou do isolamento que era a causa de sua estagnação.

As classes dirigentes da Grã-Bretanha não haviam manifestado até o presente senão um interesse acidental, transitório e excepcional com relação ao progresso da Índia. A aristocracia queria conquistá-la, a plutocracia pilhá-la e a oligarquia manufatureira subjugá-la por meio de suas mercadorias a baixo preço. Mas as posições mudaram. A oligarquia manufatureira descobriu que a transformação da Índia em um grande país produtor tornou-se de importância vital para ela e que, para esses fins, é acima de tudo necessário dotá-la de meios de irrigação e de comunicação interiores. Ela projeta no presente cobrir a Índia com uma rede de vias férreas. E ela o fará. Os resultados deverão ser incomensuráveis.

É notório que o poder produtivo da Índia está paralisado pela falta absoluta de meios para transportar e trocar seus variados produtos. Em nenhuma parte como na Índia veremos a miséria social em meio a abundância natural em decorrência da falta dos meios de troca. Foi provado, diante de uma comissão da Câmara dos Comuns britânica que instalou-se em 1848, que “enquanto se vendia um quarto de grão entre seis e oito shillings em Khadesh, ele era vendido entre 64 e 70 shillings em Poona, onde o povo morria de fome nas ruas sem possibilidade de fazer vir os aprovisionamentos de Khandesh, pois os caminhos de terra estavam impraticáveis”.

A entrada em serviço das estradas de ferro pode facilmente ser utilizado no interesse da agricultura por atravessar os reservatórios, lá onde é necessário conquistar a terra pela terraplanagem, e pela adução da água ao longo das linhas. Assim a irrigação, o sine qua non da cultura do solo no oriente, pode ganhar uma grande extensão e o retorno frequente das fomes locais, devido à falta de água, será conjurada. Considerando-se esse aspecto, a importância geral dessas estradas de ferro torna-se evidente se recordarmos que os proprietários das terras irrigadas, mesmo nos distritos vizinhos da cadeia das Ghâts, pagam o triplo de impostos, empregam dez ou doze vezes mais mão-de-obra, e que essas terras produzem doze ou quinze vezes mais que a mesma superfície não irrigada.

INÉRCIA

Sabemos que a organização municipal e a base econômica da sociedade rural fundada na auto-gestão têm sido destruídas, mas seus piores traços, a dissolução da sociedade em átomos estereotipados e sem conexão entre eles, sobreviveram. O isolamento da vila produziu a falta de estradas na Índia e a falta de estradas perpetuou o isolamento da vila. Assim, uma comunidade existia num nível dado e inferior de bem estar, quase sem relação com as outras vilas, sem os anseios e os esforços indispensáveis ao progresso social. Os britânicos destruiram a inércia das vilas que se bastavam a si mesmas, as estradas de ferro vão satisfazer a necessidade nova de comunicação e de relações. Além disso, “um dos efeitos do sistema de estradas de ferro será o de levar a cada vila um conhecimento dos fatos e invenções de outros países e dos meios deles se dotar, que logo colocarão à prova as capacidades do artesanato hereditário e assalariado da vila indiana, para em seguida compensar sua ausência” (Chapman, O algodão e o comércio da Índia).

A oligarquia manufatureira inglesa não deseja dotar a Índia de estradas de ferro senão na intenção exclusiva de tirar-lhe a menores custos o algodão e outras matérias primas para suas manufaturas. Mas uma vez que tenha introduzido as máquinas como meio de locomoção em um país que possui o ferro e o carvão, torna-se incapaz de mantê-los excluídos da fabricação. Não se pode manter uma rede de estradas de ferro num imenso país, sem introduzir os processos industriais necessários para satisfazer as necessidades imediatas e correntes da locomoção por via férrea, e daí deverá desenvolver-se também a aplicação de máquinas nos ramos da indústria sem relação direta com as estradas de ferro. Portanto, as estradas de ferro tornar-se-ão na Índia os arautos da indústria moderna. O que é ainda mais certo é que os hindus são, como admitem as próprias autoridades britânicas, particularmente dotados para se adaptar a um trabalho inteiramente novo e adquirir o requerido conhecimento das máquinas. Ampla prova nos é dada pelas capacidades e habilidade dos mecânicos indígenas, na Moeda de Calcutá, empregados há anos fazendo funcionar a maquinaria a vapor, e pelos indígenas manuseando diversos mecanismos a vapor nos distritos carboníferos de Hardwar, além de outros exemplos. O próprio Mister Campbell, que é tão influenciado pelos preconceitos da Companhia das Índias, é obrigado a reconhecer “que a grande massa do povo indiano possui uma grande energia industrial, que ela é dotada para acumular capital e destacada por um espírito de grande clareza matemática e de disposição para o cálculo e as ciências exatas”. “Seu intelecto, diz ele, é excelente”.

As indústrias modernas, que serão resultado do sistema ferroviário, vão dissolver as divisões hereditárias do trabalho sobre as quais repousam as castas indianas, esses obstáculos decisivos ao progresso indiano e à potência indiana.

Tudo o que a burguesia inglesa for obrigada a fazer na Índia não emancipará a massa do povo nem melhorará substancialmente sua condição social, conquanto esta depende não somente do desenvolvimento das forças produtivas mas também de sua apropriação pelo povo. Mas o que não deixará de fazer é criar as condições materiais para realizar as duas. A burguesia nunca fez mais do que isso. Ela jamais efetuou um progresso sem conduzir os indivíduos e os povos através do sangue e da lama, através da miséria e da degradação.

A Índia não recolherá os frutos dos elementos da nova sociedade semeados aqui e acolá entre eles pela burguesia inglesa, até que na própria Inglaterra as classes dominantes não tenham sido suplantadas pelo proletariado industrial, ou que os próprios hindus não tenham se tornado fortes o suficiente para rejeitar definitivamente o jugo inglês. Em todo caso, esperamos poder ver, em uma época mais ou menos distante, a regeneração desse grande e interessante país, cujas gerações nativas são, para retomar a expressão do príncipe Saltykov, mesmo nas classes mais inferiores, “mais finos e hábeis que os italianos”, cuja submissão mesma é contrabalançada por uma calma nobre, a qual, a despeito de sua indolência natural, tem deixado atônitos os oficiais britânicos pela sua coragem, país que foi fonte de nossas línguas, de nossas religiões e que apresenta o tipo do antigo alemão no djat e o tipo do antigo grego no brâmane.

A hipocrisia profunda e a barbárie inerente à civilização burguesa se difunde sem véus diante de nossos olhos, passando da sua fornalha natal, onde ela assume formas respeitáveis, às colônias onde ela assume suas formas sem véus. Os burgueses são os defensores da propriedade privada, mas algum partido revolucionário já deu origem a revoluções agrárias como as que tiveram lugar em Bengala, em Madras e em Bombaim? Não teria ela, na Índia, para empregar uma expressão deste grande saqueador, o próprio lord Clive, recorrido a atrozes extorsões, lá onde a simples corrupção não podia satisfazer sua voracidade? Enquanto eles peroram na Europa sobre a inviolabilidade santificada da dívida pública, não confiscam na Índia os dividendos dos rajás que haviam investido sua poupança privada nos valores da Companhia [das Índias Orientais]? Enquanto eles combatem a revolução francesa sob o pretexto de defender “nossa santa religião”, não proíbem ao mesmo tempo a propagação do cristianismo na Índia para extorquir os peregrinos que afluem aos templos de Orissa e de Bengala, e não tiram proveito do tráfico da morte e da prostituição perpetrada no templo de Jagannatha? Tais são os homens de “Propriedade, Ordem, Família e Religião”.

DOMINAÇÃO

Os efeitos devastadores da indústria inglesa, considerados em relação à Índia, um país tão vasto como a Europa e de uma superfície de 150 milhões de acres, são palpáveis e aterrorizantes. Mas não devemos esquecer que eles não são senão os resultados orgânicos de todo o sistema de produção, tal qual está presentemente constituido. Essa produção repousa sobre a dominação toda poderosa do capitalismo. A centralização do capital é essencial a sua existência enquanto potência independente. A influência destrutiva dessa centralização sobre os mercados do mundo não faz senão revelar, à mais gigantesca escala, as leis orgânicas inerentes à economia política atualmente em vigor em toda sociedade civilizada. O período burguês da História tem por missão criar a base material do mundo novo; de uma parte, a intercomunicação universal fundada na dependência mútua da humanidade e os meios dessa intercomunicação; de outra parte, o desenvolvimento das forças produtivas da produção material a partir da dominação científica dos elementos. A indústria e o comércio burgueses criam estas condições materiais de um mundo novo do mesmo modo que as revoluções geológicas criaram a superfície da terra. Quando uma grande revolução social tiver se assenhorado dessas realizações da época burguesa, do mercado mundial e das forças modernas de produção, e os tiver submetido ao controle comum dos povos mais avançados, somente então o progresso humano cessará de parecer com este horrível ídolo pagão que somente quer beber o néctar no crânio de suas vítimas.

Hora do Povo

Rizzolo: Já em outras ocasiões fiz observações e reflexões sobre questões da história e marxismo muitas vezes mal interpretadas por Chavez que posso chamar como sendo um grande lider da America Latina, e até por respeito a ele fiz alguns comentários como de ” Jesus Cristo à Trotsky ” e outros; o importante é a elucidação do ponto de vista histórico político e o estudo aprofundado da teoria marxista e de sua utlização, principalmente em público.

Oxalá a iniciativa dê certo e tudo acabe em samba

Lula tenta apaziguar golpistas nomeando Jobim para a Defesa

Segundo ele, o país “já teve um ministro da Saúde que não era médico e nem por isso deixou de ser um grande ministro”

O presidente Lula decidiu nomear Nelson Jobim para titular do Ministério da Defesa. Naturalmente, é uma decisão que compete ao presidente – e só a ele. Nós aqui somos a favor de que ele exerça plenamente o mandato que o povo brasileiro lhe conferiu. Por esta razão, sempre fomos contra aberrações do tipo “banco central independente”, “agências reguladoras” e outras que tais. Estrupícios como esses somente são independentes de quem o povo escolheu para governar o país – e isso tem que acabar.

Quanto ao escolhido para ocupar o Ministério da Defesa, os leitores sabem que não somos propriamente fãs de sua trajetória. Até hoje, ele esteve quase sempre muito mais próximo dos setores que no momento são abertamente golpistas, do que daqueles setores que tentam, com o presidente da República à frente, mudar o país, torná-lo mais justo e mais desenvolvido.

INTENTONA

Pode ser que essa seja a sua credencial para ocupar o Ministério da Defesa numa situação em que seu posto é o mais visado, depois do presidente, por uma trupe que parece ter perdido qualquer limite moral em sua intentona contra o governo mais popular desde Getúlio e Juscelino.

Pode ser que sua nomeação faça com que pelo menos alguns cachorros de aluguel da reação tomem um diazepam. Afinal, Jobim sempre foi muito bem relacionado – com a Globo, com o Serra, com o Citibank e outros.

E, amigos leitores, não vamos subestimar a capacidade dos homens de mudar. Pode ser que Jobim faça uma administração consentânea com as necessidades do país e o caráter do governo eleito pelo povo.

Pode ser, e não devemos ter preconceitos a respeito de nada e de ninguém. Mas que achamos difícil, lá isso achamos.

Não nos parece que a cachorrada de aluguel seja contida por considerações do tipo das que esboçamos. Da mesma forma, abrir mão de parte do caráter público da Infraero para que alguns famigerados monopólios adquiram um pedaço da empresa, também não parece que vá funcionar. Certamente, eles não vão injetar recursos na empresa se não puderem tirar dela – isto é, do Estado brasileiro, vale dizer, do povo brasileiro – muito, muito mais do que colocarem. Se não fosse assim, eles seriam filantropos, e não o que são – monopolistas vorazes. É verdade que, diferente da época de Fernando Henrique, o governo não está entregando a empresa a preço de resto de feira. Mas está fornecendo aos inimigos do governo a oportunidade de sentir o gosto de sangue do Estado. Como está fora de questão, acreditamos, fornecer a carne toda, isso só servirá para açular a matilha.

Não foi para obter um pedaço da Infraero que eles empreenderam a atual campanha. Foi para derrubar Lula. O presidente pode até, como é mais provável, não ser candidato nas próximas eleições devido a uma legislação feita para limitar o direito do povo de eleger seus líderes ao governo. Mas, com a popularidade que tem, será o grande eleitor. Eles sabem que Getúlio conseguiu eleger Dutra – um candidato sem atrativos físicos, sem currículo ou vocação heróica, que nem ao menos falava em público – contra o udenista Eduardo Gomes – aquele que “era bonito e era solteiro”, discursava bem e, ainda por cima, 23 anos antes, havia sido um dos “18 do Forte”, na revolta de 1922 contra a oligarquia da República Velha.

É exatamente isso o que querem impedir, para colocar no poder alguma cópia de Fernando Henrique, provavelmente uma cópia careca.

Observemos que o desespero deles vai ao ponto de fabricarem uma “crise” sem qualquer base real. Nem mesmo aquelas aparências falsas da crise golpista anterior existem na atual.

O presidente Lula não derrubou o avião da TAM. Os supostos problemas da pista estão praticamente afastados – e, se existissem, também não seriam culpa do presidente. Não há nem suspeita de que tenha havido problemas no controle de vôo que possam ter causado a tragédia. Em suma, não há nenhuma falha que se possa atribuir ao governo nesse acidente. Quanto ao desastre anterior, o da Gol, foi causado por dois pilotos norte-americanos irresponsáveis.

Porém, nada disso impediu que acusassem Lula pelo acidente – aliás, pelos dois – apesar do governo haver realizado uma ampla reforma nos aeroportos do país, sucateados pela incúria tucana. A “Veja”, em sua última edição, acusa o presidente de “negligência por não ter demitido os responsáveis pelo acidente da Gol”. Parece até que os dois americanos eram funcionários do governo… A “Globo” acusa o governo pelo desastre em quatro jornais diários, sem falar nos jornais impressos do grupo. A “Folha de S. Paulo” colocou um charlatão em sua primeira página escrevendo, em caixa alta, que o governo assassinou 200 pessoas.

MODELO

Essa conjunção de barões de imprensa dependentes desde os cueiros do capital americano, rapazes delicados que pululam pelas redações e mal-amadas histéricas que assinam colunas em jornais não costuma ficar saciada porque o governo que querem derrubar cedeu um pouco. Geralmente, se sentem mais estimulados. Até porque eles não têm amigos e, muito menos, companheiros – na visão desse zoológico, Jobim é um concorrente, talvez um traidor.

Mas, se a coisa funcionar, não será mau para o governo, portanto, para o país e para o povo. Torcemos para que funcione. Porém, Jobim começou mau. Indagado sobre como ia enfrentar a crise não tendo experiência aeronáutica, disse que “o Brasil já teve um ministro da Saúde que não era médico e nem por isso deixou de ser um grande ministro”. Pelo jeito, ele considera que aquela proliferação de dengue, lepra, tuberculose, vampiros, sanguessugas & quejandos foi uma grande administração. Esperemos que este não seja o modelo que escolherá para sua gestão na Defesa. Mas… quem era mesmo o ex-ministro do qual Jobim resolveu fazer propaganda logo em sua primeira atividade ministerial? Um certo José Serra, que, certamente, nada tem a ver com o golpismo alucinado contra o presidente. Nem será concorrente nas próximas eleições, assim como foi contra um candidato de nome Lula da Silva.

CARLOS LOPES

Hora do Povo

Rizzolo: Concordo com o Carlos Lopes, tudo isso para agradar a direita, e ainda tentar usar a influência de Jobim em face as suas amizades; Lula entenderia que com Jobim ele seria poupado pela mídia golpista, usaria Nelson Jobim para conter os cachorros de aluguel, que no meu ponto de vista Dizepan não seria ainda o suficiente , enquanto não desestabilizam o governo Lula com Jobim ou não, precisam de altas doses de Rivotril não de Diazepan. Se Lula conseguir através de Jobim segurar a crise aérea que no meu entender de aérea não tem nada, estaria bom, em nome de Jobim, do Citibank e da Globo Talvez os golpistas poderiam dar ” uma folga ” , mas ainda não acredito, vão migrar para outro segmento , e aí então Lula terá mais uma vez que colocar mais um representante da direita e assim sucessivamente. Infelizmente se carruagem andar assim, a esquerda uma hora vai ficar cansar, viu. Até porque a cachorrada de aluguel esta sedenta de sangue do Estado a concertação envolve também proposta de privatização de 49% das ações da Infraero, e eles já estão ” lambendo os beiços “. Em 2005, o jornalista Hélio Fernandes já denunciava a conspiração mercantil em torno da estatal. Na ocasião, ele afirmava que ”A anunciada (e não desmentida) privatização da Infraero é inacreditável. Essa empresa não pode pertencer a particulares, tem enorme importância para a Segurança Nacional”, e questionava ”Como dividir, melhor seria dizer desmembrar, áreas que cobrem o Brasil inteiro? (…)?”

”Os globalizadores de todas as horas, que estão de plantão esperando oportunidades de lucros que ainda existem, descobriram esse filão maravilhoso que se chama Infraero. Mas a empresa, sozinha, não tem maiores atrativos. Sugeriram então a fusão da Infraero com os aeroportos, que a estatal administra mas não é proprietária.

Essa fusão, aí sim, excitaria a cobiça, a voracidade e o múltiplo interesse econômico e financeiro sobre a empresa. Juntando Infraero e aeroportos, o valor do negócio seria aumentado digamos no mínimo umas 30 vezes. Já sendo um negócio sedutor, capaz de atrair e rapidamente grandes ‘investidores’. (…)”, disse o jornalista.

Só pra terminar, Jobim vem a São Paulo, e a primeira coisa que o novo Ministro da Defesa faz é visitar o amigo, que é o maior inimigo do Presidente da República. E a Miriam Leitão agora está mais aliviada. Como disse Paulo Henrique Amorim, fica claro por que o Presidente Lula escolheu Jobim: para co-presidir o Brasil num acordo de união nacional, que significa dividir a Presidência com seu maior adversário, o Governador de São Paulo.