A direita quer voltar a sangrar o presidente, mas 2007 não é 1964

A substituição de Waldir Pires por Nelson Jobim no ministério da Defesa indica a tentativa do presidente Lula de fortalecer a capacidade de intervenção do governo para resolver a crise aérea, que se agravou com a queda do Airbus da TAM em São Paulo dia 17.

Apesar de seus méritos, Waldir Pires estava visivelmente desgastado no cargo, situação que agravou sua rejeição pelos militares que comandava porque o ministro demissionário traz, no DNA, a marca de ter sido ministro do governo João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964.

A crise midiática tem os mesmos elementos daquela vivida em 2005 e 2006. Nela, a direita e seus cães de guarda da imprensa exploram situações que vão desde os problemas pessoais do senador Renan Calheiros até a abertura dos Jogos Pan Americanos, onde o presidente recebeu vaias isoladas de uma claque. E que incluem, como não poderia deixar de ser, o trágico acidente aéreo que deixou quase 200 mortos.

Tudo para criar a imagem de um governo inoperante e incapaz, que começaria – contra todas as evidências apontadas pelas pesquisas de opinião que demonstram o alto grau de aprovação do governo e do presidente – a ter sua popularidade diminuida.

Este esforço desqualificador feito pela direita não é recente, e tem um paralelo histórico com a oposição a João Goulart, entre 1962 e 1964. ”Seria negar a própria evidência dos fatos se não reconhecessemos que a Nação vive momentos de angústia, de insopitável incerteza, que estão a exigir a definição clara de atitudes dos que, como nós, assumem uma parcela de responsabilidades na defesa da ordem legal, das nossas instituições democráticas e do bem-estar e segurança de todos os brasileiros”. Estas palavras foram pronunciadas pelo general Emílio Maurell Filho quando assumiu comando da então 1ª Região Militar, no Rio de Janeiro, em julho de 1962.

Um eco distante delas, com a mesma ameaça de intervenção militar, pode ser percebido no pronunciamento feito no começo de julho deste ano, 45 anos depois, pelo ministro do Superior Tribunal Militar, Olympio Pereira da Silva Júnior, na cerimônia de abertura dos cursos das academias militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. ”O que podemos dizer a esses ilustres jovens militares? Não desistam. Os certos não devem mudar e sim os errados. Podem ter certeza de que milhares de pessoas estão do lado de vocês. Um dia, não se sabe quando, mas com certeza esse dia já esteve mais longe, as pessoas de bem desse País vão se pronunciar, vão se apresentar, como já fizeram em um passado não muito longe, e aí sim, as coisas vão mudar, o sol da democracia e da Justiça brasileira vai voltar a brilhar”, disse.

Declarações desta natureza indicam a tentativa de construção de um clima de golpe. A direita, os conservadores e os neoliberais, postos à margem do governo pela eleição de Lula em 2002 e, principalmente, por sua reeleição no ano passado, mobilizam seus aliados na grande imprensa, na elite e principalmente entre saudosistas da ditadura militar de 1964 – como o ministro Olympio, cuja carreira remonta ao período em que o general Ernesto Geisel comandou a presidência da República – para tentar recriar contra o presidente Lula o mesmo clima alarmista que levou ao golpe militar de 1964, quando o presidente João Goulart, que era o mandatário constitucional legítimo, foi deposto justamente por defender as mudanças que o país exigia e que o povo precisava.

Em seu arcaismo, os setores conservadores da elite não aceitam Lula na presidência. Nunca aceitaram, e mal engoliram a derrota eleitoral de 2002 e 2006. As palavras do ministro do STM insinuam um cenário que a direita e os conservadores querem tornar parecido com o de 1962 a 1964, que terminou com a interrupção violenta e ilegal do mandato do presidente da República. Aquelas declarações ocorreram num momento em que surgem insistentes boatos de uma conspiração em andamento, envolvendo lideranças da direita, dos neoliberais e dos setores conservadores – para quem o país estaria sem governo, numa situação que não pode ser mantida, exigindo a intervenção das ”forças sadias” da nação – isto é, da direita e seus partidários. É o que informam fontes de Brasília, segundo as quais agosto será um mês de forte investida da direita contra o governo para, pelo menos, enfraquecer a popularidade do presidente e diminuir a influência eleitoral que ele certamente terá em 2010. E, no limite, se tiverem força para isso, abreviarem seu mandato, como tentaram sem êxito em 2005 e 2006.

A direita e os conservadores perderam feio na eleição de 2006; ficaram sem um discurso capaz de sensibilizar o povo brasileiro. Mesmo seu suporte mais tradicional, os setores conservadores da classe média, que já foram influentes ”formadores de opinião”, perderam a ascendência sobre o povo. Com poucas chances no voto, buscam – como sempre na história republicana – saídas ilegais e golpistas para fazer prevalecer, pela força, seus interesses.

Mas é preciso lembrar que 2007 não é 1964. O povo e os trabalhadores amadureceram. Suas organizações de massa, os movimentos populares, os sindicatos, os partidos políticos – entre eles o PCdoB – tem influência maior, são mais fortes e sua organização é mais enraizada do que naquele tempo. São capazes de uma vigilância e de uma mobilização maiores. São a força do povo, em defesa da democracia, dos direitos sociais e da soberania nacional. Estão vigilantes e mobilizados, como sempre estiveram. E serão um obstáculo poderoso a qualquer tentativa golpista da direita.

Site do PC do B

Rizzolo: A elite golpista não engole um presidente nordestino que tem por objetivo em seu governo tentar fazer mais justiça social, nunca a direita esteve tão uníssona na determinação de um golpe. A própria OAB/SP que sempre fora a trincheira das defesas dos indefesos, dos pobres juntamente com a Igreja, empresta sua sigla e o prestiígio que a instituição auferiu outrora na luta pela injustiça social para agora, juntamente com setores mais reacionários da sociedade, iniciar um movimento de desestabilização do governo Lula , desqualificando-o junto à população com o apoio da mídia golpista. Uma vergonha para os advogados paulistas ! Uma pena, pessoalmente gosto muito do D´Urso, não sei porque ele foi por este caminho.

Como diz o Luiz Antonio Magalhães do blog Entrelinhas ” Tem gente dando bola para a tal campanha da OAB e de certos baluartes da moralidade pública, como o secretário Afif Domingos (DEM-SP), intitulada “Cansei”. Este blog não consulta videntes, mas tem o palpite de que a campanha fará grande sucesso no clube Harmonia e nas palestras de João Dória Jr. (a quem se aplica o velho ditado “cabeça vazia, morada do Diabo”).

Enfim, 0 barulho dura uma ou duas semanas, depois passa. Até porque a agenda dos “líderes” e organizadores do movimento é muito cheia e eles logo estarão cansados do “Cansei”. Nada que um bom fim de semana em Comandatuba não resolva…

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