Para Lembo, “Cansei” é “termo de dondocas enfadadas”

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Domingo, 11 da manhã. Com duas mil pessoas, a passeata convocada pelos movimentos “Cansei” e “Cria” (Cidadão, Responsável, Informado e Atuante) chega à avenida 23 de Maio. O coro “Fora Lula” já deu o tom à caminhada. A alguns quilômetros dali, abraçado e beijado por populares e tendo a seu lado o senador Marco Maciel (DEM-PE), o ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo, assiste à missa na Catedral da Sé. No início da noite, Lembo diria ao Terra Magazine o que pensa sobre o movimento “Cansei”, suas origens e motivações. Veja a entrevista.

O ex-governador, transformado em consciência crítica de sua classe depois de acusar a “elite branca e perversa de São Paulo”, reconhece um “clima de colapso nos serviços públicos”. Mas culpa “a reestruturação dos serviços públicos brasileiros”, que a seu ver “partiu de uma cópia servil do modelo norte-americano”, o que aprofundou a depauperização.

A colunista Mônica Bergamo informa na sua coluna de hoje na Folha de S.Paulo: por entenderem que o “Cansei” tem slogans que podem levar a uma leitura política e partidária, as redes de televisão Globo e Bandeirantes não cederão espaço publicitário gratuito ao movimento. Por enquanto, a revista IstoÉ cedeu espaço.

Lembo situa o “Cansei” geográfica, social e nominalmente: “É um movimento nascido em Campos do Jordão. O empresário João Doria Jr., ao que li e acompanhei nas últimas semanas, há pouco dedicava-se a um desfile de cãezinhos de madames em Campos do Jordão.”

Leia a entrevista:

Terra Magazine – Na noite da última sexta-feira, durante o casamento de Sophia – filha do ex-governador Geraldo Alckmin de quem o sr. foi vice -, o sr. disse ao repórter José Alberto Bombig, da Folha, que o movimento conhecido como “Cansei”, nascido em protesto contra a crise no setor aéreo, a violência e a corrupção, é um movimento de “um pequeno segmento da elite branca” e nascido em Campos do Jordão. O que o sr. quer dizer com isso e o que o leva a ter essa convicção?

Cláudio Lembo – O próprio ato de nascimento do movimento. O “Cansei” nasce conduzido por figuras conhecidas que sempre possuíram e possuem uma visão elitista do país e da sociedade.

P – A quem ou ao quê o sr. se refere?

R – Por exemplo, ao sr. João Doria Jr., que só trata com os grandes empresários do Brasil, e que, até onde sei, só se relaciona com o topo da sociedade. Suas ações e relações estão sempre nesse nível, que representa uma parcela ínfima do Brasil.

P – Mas, a sua convicção se forma apenas através das suas informações, do seu feeling?

R – Meu ou de qualquer um. Basta ver a forma, a expressão, o verbo utilizado para dar sentido ao movimento. “Cansei” tem um sentido muito próprio.

P – Que “sentido próprio” é este?

R – “Cansei” é um termo muito usado por dondocas enfadadas em algum momento das vidas enfadonhas que vivem.

P – O sr. tem, certamente, a consciência de que nesses movimentos, o “Cansei” ou o “Cria”, há a participação de familiares de vítimas dos acidentes aéreos?

R – Tenho consciência e isso me deixa mais triste ainda.

P – Por quê?

R – Porque é a utilização de um movimento natural e de motivos nobres por movimentos e atividades com claro objetivo político ainda que tentem escondê-lo ou apesar de o negarem, e isso não é bom.

P – Não é bom por quê?

R – Não é bom porque as vítimas, os familiares, os acidentes comoveram o Brasil e produziram, inclusive na sociedade, uma dor imensa, enquanto o movimento de Campos do Jordão o que quer é ter espaço na mídia etc.

P – Por que Campos do Jordão?

R – Pela figura de um dos organizadores centrais, senão o principal, ao menos no início.

P – O que exatamente o sr. está querendo dizer?

R – O empresário João Doria Jr., ao que li e acompanhei nas últimas semanas, há pouco dedicava-se a um desfile de cãezinhos de madames em Campos do Jordão (N.R.: Foi o 6º Passeio de Cães de Campos do Jordão).
P – Mas o sr. não ignora que há motivos claros e justos para que pessoas protestem, se manifestem…

R – Claro que não. Mas, antes de qualquer coisa, é preciso deixar claros quais são os motivos, qual é a justeza deles, e não sair propositadamente atacando sem dizer exatamente o que se quer e a favor ou contra quem. Há motivos muito grandes, justos, e creio que há um clima, em várias camadas da sociedade, de colapso dos serviços públicos.

P – E por que esse clima de colapso? Culpa do governo?

R – É difícil dizer, assim de passagem. Falo de um clima, mas é claro que o motivo não é só esse. Isso vem de há muito.

P – Como e por quê?

R – A reestruturação dos serviços públicos brasileiros partiu de uma cópia servil do modelo norte-americano, ou por eles imposto, e não encontrou raízes no Brasil. Isso nos últimos 20 anos e se agravou nos últimos 10 anos muito profundamente.

P – Me dê exemplos do que o sr. está dizendo.

R – Pois não: as agências como a Anac, Anatel, ANP, e ONGs. Nos Estados Unidos as agências tinham e têm uma cultura ambiente favorável e as ONGs, em grande parte, nasceram para fiscalizar o governo. No Brasil as agências apenas servem para abrigar os interesses de empresas privadas, e ONGs, em sua maior parte, são apêndices de governos.

Com informações do Terra Magazine

Rizzolo: Uma das coisas mais intrigáveis na política é a surpresa ideológica, flashs de consciência como a de quem com o espírito critico avalia uma questão com isenção, e isso o Lembo tem de sobra, ao mesmo tempo em que sempre esteve alinhado com a direita, e continua conservador, tem um discurso que vai à contra mão deixando os reacionários da elite confusos gerando uma polêmica que muitas vezes levam os a uma reflexão sobre o ridículo de suas posições contra o povo brasileiro.

A afirmação sobre a ” cópia servil do modelo norte-americano ” nem parece que vem dele , isso geralmente vem de mim, do Zé Dirceu, do Luiz Antônio Magalhâes ,do entrelinhas, do Paulo Henrique Amorim, e de outros blogueiros. O difícil foi mostrar gente engajada na passeata um como consta no Blog Entrleinhas, leitor faz uma inteligente observação sobre a foto da Folha. Segundo ele, a foto pode revelar a dificuldade do jornal de transformar em milhares as centenas de manifestantes presentes no ato. De fato, nenhum jornal deu fotos abertas dos “6,5 mil” que estiveram na passeata.

Sem contar com o ” good sense of humor ” do Lembo dizendo que “Cansei” é um termo muito usado por dondocas enfadadas em algum momento das vidas enfadonhas que vivem. Agora como é que a OAB-SP na figura do D´Urso se mete numa dessa, coisa feia , Hein !

Não deixem de ver Cansei tô cansadinho e morram de rir !

Vox Populi: crise aérea não ameaça popularidade de Lula

O desgaste do governo federal com a crise no setor aéreo será tanto maior quanto mais tempo o setor ficar sem soluções concretas e a crise permanecer nas manchetes dos jornais. Mas a figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por causa do tipo de público que usa transporte aéreo, tende a ser protegida. As avaliações são do diretor do Instituto Vox Populi João Francisco Meira, que, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, revela que foi feita pesquisa em São Paulo, três dias após o acidente com o avião da TAM, no cenário da tragédia. “Os resultados não ameaçaram a popularidade do presidente na capital. Houve uma queda, mas não muito grande”, afirma, sem dar mais detalhes.

Meira não vê relação entre as vaias ao presidente e o apagão aéreo, apesar de assessores petistas terem entendido a reação como uma resposta ao caos nos aeroportos. Avalia que o colapso na aviação repercute menos contra Lula do que o quase apagão elétrico no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que atingiu toda a população. “Embora seja um meio de transporte usado pelas classes A, B e C, a aviação está longe de ser um transporte de massa.”

Veja abaixo trechos da entrevista:

O senhor vê relação entre as vaias ao presidente Lula na abertura dos Jogos Pan-Americanos e no Nordeste e a crise do apagão aéreo? Aplaudir ou vaiar é do jogo. Vaia no Rio tem um sentido cultural, não tinha ainda nenhuma implicação maior. E nos Estados é um gesto de funcionários públicos em greve e de estudantes fazendo manifestações.

Essas vaias vão ter reflexo na próxima avaliação da popularidade do presidente?

Já ouvi vaias ao Juscelino, ao Jânio, ao Jango, já ouvi vaias para todos os presidentes. Só não tomou vaia quem nunca se expôs ao público, como os dirigentes da ditadura militar. Alguns foram até aplaudidos. Vaiar ou aplaudir é do jogo da política. O que não quer dizer que os níveis de popularidade do presidente são imóveis. Há amplos setores da opinião pública que, hoje, não estão contentes nem com o presidente nem com o governo.

A que o senhor se refere quando fala em amplos setores?

Além de relevantes estatisticamente, são pessoas que têm capacidade de expressar esse descontentamento, têm acesso aos meios de comunicação e, portanto, são capazes de sinalizar esse descontentamento de uma forma mais expressiva. Isso pode, com o tempo, se disseminar. Mas isso tudo é relativo porque também o governante e o governo reagem a isso tomando medidas aqui e ali em função dessas coisas. Há uma dinâmica aí que nem sempre é muito previsível. Não quero dizer que vai ficar assim, o que eu quero dizer é que vai demorar a mudar e não será por esses indicadores que hoje estão aí, que são insuficientes.

O acidente com o Airbus da TAM, que expôs ainda mais a crise aérea, afetará a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva?

Essa hipótese não está provada nem negada. Não existem ainda dados consistentes a respeito disso. A única evidência foi uma pesquisa feita na cidade de São Paulo três dias após o acidente, no cenário do acidente, com a população extremamente impactada com isso. Mesmo assim, os resultados não ameaçaram a popularidade do presidente na capital; houve uma queda, mas não muito grande. A questão do acidente em si provoca comoção, emoções, sentimentos fortes, mas não necessária e diretamente contra o governo.

Se a crise continuar, com os aeroportos superlotados, a classe média sem condições de planejar viagens, isso pode reduzir a popularidade do presidente?

Acho que a popularidade pessoal do presidente está ligada à capacidade percebida de resolução de problemas que começam com as desigualdades sociais, que passam pela questão da estabilidade econômica, do desenvolvimento e questões específicas como criminalidade, saúde, habitação, questões de infra-estrutura, inclusive a crise aérea. A avaliação que o eleitor faz é ampla e leva muitas coisas em consideração. Evidentemente que, se esses problemas da infra-estrutura e do sistema aéreo continuarem nas manchetes como algo que incomoda e sem solução à vista, isso cria o desgaste, não a ponto de desestabilizar o governo, mas é claro que cria o desgaste.

O senhor nota alguma relação entre o apagão aéreo e a crise no sistema elétrico que abalou a popularidade do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?

São coisas muito diferentes, os públicos atingidos são completamente diferentes e os efeitos são muito diferentes também. Eu acho que nós temos aí duas questões: primeiro, não temos, ainda, dados suficientes para medir direito os efeitos da crise aérea. Nessas circunstâncias, sob forte comoção, não é recomendável você fazer pesquisas e tirar conclusões que possam ser duradouras. A crise do setor elétrico atingiu todos, praticamente 100% da população. Já no transporte aéreo, embora seja hoje um meio de transporte amplamente utilizado pelas classes A, B e C, está longe de ser um transporte de massa que atinja a população do País como um todo, inclusive do ponto de vista da dispersão. Está muito concentrado em um certo número de cidades. Então, atinge de forma direta uma parte muito menor da população.

Há no País outro governante que tenha conseguido manter esse distanciamento entre a sua figura e o governo, em questão de avaliação pública?

Do ponto de vista de pesquisa de opinião pública, dificilmente, porque nós não temos uma trajetória assim tão longa. Nos presidentes pós-democratização certamente as relações entre presidente e governo ficavam muito evidentes. Eu vejo uma diferença em relação ao presidente Fernando Henrique, que era uma coisa meio contrária, as pessoas não gostavam muito dele, mas gostavam do governo. Acabou acontecendo o inverso. A popularidade dele era menor do que o governo. Esse descolamento – um presidente bem e um governo mal – não me recordo em termos de pesquisas de alguma coisa parecida.

Há com quem se comparar em outros países?

Há um caso, talvez, parecido. Acho que o presidente Lula lembra um pouco a figura de Nelson Mandela (ex-presidente da África do Sul). Ele teve seus problemas, um governo complicado, e no entanto ele se manteve. Uma coisa interessante é que, tendo chance de disputar a reeleição, preferiu não fazê-lo. Então tem hoje uma autoridade moral e política na África que ultrapassa os limites de seu país.

O senhor acredita que seria diferente se ele tivesse mais um governo?

O fato de ele não ter disputado a reeleição foi uma questão política interna. Ele tinha controle e ascendência sobre seu partido, mas preferiu agir assim. Eu não diria que Lula errou ao se candidatar à reeleição, mas os problemas que isso gera são de quem está há muito tempo no poder.

FRASES

“Embora seja um meio de transporte usado pelas classes A, B e C, a aviação
está longe de ser um transporte de massa”

“Já ouvi vaias ao Juscelino, ao Jânio, ao Jango, já ouvi vaias para todos os
presidentes. Só não tomou vaia quem nunca se expôs ao público, como os dirigentes
da ditadura militar”

“A crise do setor elétrico atingiu todos”

“A questão do acidente em si provoca comoção, emoções, mas não necessária e diretamente contra o governo”

João Francisco Meira é cientista político, diretor do Vox Populi. Foi analista e consultor em todas as campanhas presidenciais, desde 1989. Integra a diretoria da Abep, Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa.
Site do PC do B

Rizzolo: Eu já fiz uma reflexão sobre o impacto dessa ” crise aérea ” fabricada pela elite no contexto da popularidade do governo Lula e sem ter bola de cristal bateu com o Vox Populi. O raciocínio é claro, muito embora todos estejam consternados com a tragédia do avião da Tam , o pobre, o humilde operário, o sem teto, o faxineiro, não utiliza avião, anda de onibus, não mora em Moema, não sabe o que é Infraero, não conhece Jobim, mas conheçe o Lula, sabe que sua vida melhorou muito, tem dinehiro no bolso, fala a lingua do Lula, se identifica com o passado de sofrimento do Lula, sabe que sua vida melhorou, e está pouco se lichando com as intervenções da elite que não se conformam em ter um nordestino como Presidente. Agora fico imaginando o coitadinho que levanta às 4:oo da manhã , toma um trem pra ganhar um salário mínimo e mora na favela, rala no emprego, ouvindo um cara da elite no horário nobre, na Globo, rico, bem alimentado , vendendo saúde , aparecendo na TV e dizendo ” Cansei gente ” , fico até vendo , ele vai olhar pro cara e vai comentar com a mulher . Cansou ? Tá cansado de que ? Vai pegar trem de manhã e fazer o que eu faço pra ver o que é cansar ? Imagine empresário explorador dizendo Cansei , como dizia meu avô , ” Vai pegar na marreta, pra ver o que pé bom ” A camada mais pobre da população não entende o Cansar do ponto de vista que não é o seu, até porque se fosse isso verdade e não um golpe o pobre sentiria na pele , e o que ele sente na pele é admiração ao Lula. Acho que só o D´Urso, o Promotor de eventos e mais meia duzia vão dizer ” Cansei , gente !” ( risos…)

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Desfocado, protesto da elite paulista reúne 800 pessoas

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Desafiando temperaturas que beiravam os 10 graus em São Paulo –e que talvez explique o pequeno número de participantes–, parentes de vítimas e integrantes de pequenas ONGs de São Paulo realizaram na manhã deste domingo uma caminhada de protesto contra a crise aérea e em homenagem aos cerca de 200 mortos no acidente com o Airbus da TAM. Embora a organização tivesse anunciado que o protesto não teria caráter partidário, faixas e gritos de ordem culparam o governo federal pela tragédia e gritos de “Fora Lula” foram ouvidos.

A marcha começou na região do Ibirapuera, zona sul de São Paulo, e chegou ao local do acidente, na área do aeroporto de Congonhas, por volta das 11h45 deste domingo. A região é considerada área nobre da capital e costuma reunir grandes multidões nas manhãs de domingo por causa das atividades de lazer do Parque do Ibirapuera.

Aproveitando-se da presença involuntária dos usuários do parque, os organizadores da marcha contavam com a adesão de milhares de pessoas na manifestação. Mas segundo o blog “Nariz de Palhaço” (http://www.narizdepalhaco.com.br/ ), que integrava a lista de “entidades organizadoras” do evento, a participação ficou restrita a 800 pessoas.

Rompendo uma tradição de sempre avaliar a quantidade de participantes em manifestações, desta vez a Polícia Militar, comandada pelo PSDB, decidiu não fazer estimativas sobre o número de manifestantes. Isso deu liberdade aos organizadores para inflacionar a adesão ao protesto: alguns mais exaltados falavam em 7 mil manifestantes. A maioria dos veículos de imprensa, como a Globo, que ajudou a convocar o protesto, calculou em dois mil o número de participantes da marcha.

Marcha das elites

Além dos familiares das vítimas da tragédia do vôo 3054, participaram do protesto empresários, advogados, socialites, estudantes, alguns artistas e funcionários públicos de alto escalão dos governos estadual e municipal.

Entre as entidades presentes ao evento estavam a ABRAPAVAA (Assoc. Bras. Parentes Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos), CRIA Brasil (Cidadão, Responsável, Informado e Atuante), Campanha Rir para não Chorar, Casa do Zezinho, Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto Brasil Verdade, Instituto Rukha, Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade e Blog Nariz de Palhaço. Todas são entidades apartadas dos movimentos sociais de massa e têm em comum o fato de serem geridas por setores da classe média.

A marcha também contou com o apoio do movimento intitulado “Cansei – Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros”, liderado pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB-SP). Mas o nome do movimento, que rapidamente virou motivo de piada nos meios políticos, foi praticamente ignorado durante o protesto.

Um dos organizadores da caminhada, Marcio Neubauer, empresário e executivo da multinacional Intel e “diretor” da entidade CRIA Brasil, exerceu a função de “porta voz” dos manifestantes. Ele começou a caminhada puxando a palavra de ordem: “RES-PEI-TO”. Mais adiante, já fora do trio elétrico, entrou no coro partidário que dominou grande parte da marcha e aderiu aos gritos de “Fora Lula”.

O publicitário Marcus Hadade e Ronaldo Koloszuk, do Conselho de Jovens Empresários da Fiesp, foram anunciados pelo trio elétrico. O trio, aliás, cercado por guardas particulares da empresa Santo Segurança.

Na concentração da marcha, um pequeno tumulto impediu a participação aberta de militantes do PSDB. Cinco rapazes carregando bandeiras do partido foram “convidados” a se retirar. “Sem bandeira, sem bandeira”, gritaram os organizadores.

Apesar da expulsão de seus militantes, o PSDB foi generoso com a marcha. A certa altura, os manifestantes foram brindados gratuitamente com copinhos de água mineral que traziam o símbolo da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – e os dizeres “Distribuição gratuita. Material promocional”. Raro em manifestações.

Além da distribuição gratuita da água “promocional” da Sabesp, outras novidades na passeata do “Cansei” foram, basicamente, as pessoas que dela participaram. Muitas sem qualquer experiência em passeatas. Ao celular, uma senhora usando casaco de pele tinha dificuldade para explicar a alguém onde estava: “Eu tou na passeata. É, passeata. Pas-se-a-ta”.

“Conclusão” da ‘Veja’ enfraqueceu movimento

A orientação política dos organizadores do movimento e que foi abraçada pelos familiares das vítimas da tragédia com o avião da TAM é a de empurrar toda a “responsabilidade” pelo acidente para o lado do governo federal. Todas as declarações e pronunciamentos feitos durante a passeata deste domingo foram neste sentido.

Mas alguns manifestantes comentaram a “traição” da revista Veja. Eles estavam inconformados com o fato da revista ter trazido em sua edição deste final de semana uma matéria na qual aponta a falha do piloto e não problemas de infra-estrutrura como principal motivo do acidente com o avião da TAM. A revista Veja é tida como porta-voz dos setores mais conservadores e reacionários do país, que estavam representados na passeata e não gostaram de ver sua “versão” dos fatos ser descredenciada pela reportagem de Veja.

Samba de doido

O músico Seu Jorge, um dos poucos negros presentes na manifestação, cantou “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré e incluiu alusões ao acidente em alguns trechos da canção. Utilizando um discurso generalista e raso, típico da classe média despolitizada, criticou o governo Lula por “todos os problemas do país”. Em certo momento, ao avistar uma moradora de rua que assistia a passeata dos ricos à distância, ele sugeriu à ministra do Turismo, Marta Suplicy, que viva a mesma experiência. “Eu sou ex-morador de rua. Manda relaxar e gozar ali. Quero ver ela (a ministra) sentar ali, deitar ali, relaxar e gozar ali”, afirmou, apontando para o local onde sem teto vivem, que estava coberto por uma lona preta.

Mais tarde, em declarações à imprensa, ele mostrou simpatia pelo discurso golpista das elites. Ao ouvir gritos de “Fora Lula”, o cantor disse apoiar esse sentimento. “É o povo quem está dizendo. Precisamos tirar essa gente do ar”, comentou sem especificar nomes.

Marcha com Deus

Em comentário publicado na sexta-feira (27), em seu blog, o jornalista Mino Carta, editor da revista CartaCapital, comparou a marcha deste domingo à “Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade” – aquele movimento que foi às ruas em março de 1964 para desestabilizar o presidente João Goulart e praticamente patrocinar o golpe militar. (Leia mais aqui )

Além de protestos contra os atrasos nos vôos – com palavras de ordem contra o governo – a passeata registrou falas ou cartazes contra a violência, pela reforma do Judiciário, contra a construção da usina nuclear Angra 3 e até em defesa de maior apoio ao futebol feminino. Um grupo de manifestantes também distribuiu folhetos exigindo “o fechamento definitivo e imediato do aeroporto de Congonhas” e defendendo que seja criado um parque no local. E por diversas vezes foram solicitadas salvas de palmas para Deus e para Jesus e orações como o Pai Nosso foram feitas pelos manifestantes.

Da redação,
com agências
Site do PC do B

Rizzolo: A elite não é do ramo, passeatas com argumentações vazias e discursos generalistas e rasos, acabam virando motivo de chacota, empresários mais interessados em aparecer no Cesa Giobbi, a OAB-SP com o movimento liderado pelo promotor de eventos João Doria, como diz o Mino Carta ” aquele rapazola de cabelo engomado que consegue obrigar a fina flor do empresariado a vestir os trajes de Indiana Jones para participar de tertúlias promovidas em lugares aprazíveis”, do Movimento ” Cansei, gente ! ” enfim uma palhaçada da elite, agora aquela senhora usando casaco de pele que tinha dificuldade para explicar a alguém onde estava pelo celular: “Eu tou na passeata. É, passeata. Pas-se-a-ta”, é uma piada, né, a elite não é do ramo, ou do ” metier “, é melhor ficar em casa, e o pior a Veja , a revista da elite traiu os ” lideres do movimento” dizendo que o problema é do piloto não da infra estrutura. O desconsolo foi geral, o melhor foi ir no final pro Shopping Iguatemi. ( risos..)

A Deputada Perpetua Almeida do PC do B externou sua indignação; ” “Também “cansei” de assistir segmentos conservadores e excludentes manipularem a opinião pública. É urgente uma campanha de esclarecimento para mostrar quem são os cabeças desse movimento anti-patriota. Antipovo”, assim a deputada comunista manifestou sua indignação contra o movimento classista que vem ocupando as atenções da midia.

Segundo Perpétua Almeida, a campanha tem por objetivo desestabilizar o primeiro governo popular da história do país, já visando as eleições de 2010.

“Não temos ainda o governo que sonhamos, mas caminhamos para isso, embra nem sempre com a celeridade que gostaríamos. Permitir que os conservadores reassumam o poder é andar para trás nesse processo. Por isso defendemos o governo do presidente Lula”, disse a deputada, preocupada com o espaço que vem sendo dado nos meios de comunicação a um segmento específico da sociedade brasileira, que representa a divisão de classes e a manutenção de privilégios.”

Qual será o traje ou o modelito que João Doria vai se inspirar na passeata junto com a OAB-SP no ” Cansei gente ! ” ( risos…)

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