Família aciona corte da Otan em Haia pelo assassinato de Milosevic

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O Tribunal montado pelos agressores da Iugoslávia sabia do grave estado de saúde de Milosevic e impediu seu tratamento em Moscou em 24 de fevereiro de 2006, causou sua morte em 11 de março

Em nome da família do presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, a advogada canadense Tiphaine Dickson, está exigindo judicialmente do assim chamado “Tribunal Penal para a Iugoslávia” (TPPI), que sejam apresentadas todas as “evidências” para o esclarecimento da morte dele sob “custódia”, duas semanas após ter tido negado pedido para tratamento de urgência em Moscou, com todas as garantias do governo russo. “Não é de surpreender que a família caracterize a vergonhosa morte de Milosevic na prisão como um assassinato”, afirmou a advogada, em entrevista ao jornalista russo V. Krsljanin.

Seqüestrado em Belgrado e entregue ao tribunal da Otan que se auto-intitulou de “Tribunal Penal para a Iugoslávia, em Haia, onde foi mantido em cativeiro, o presidente Milosevic foi encontrado morto em sua cela no dia 11 de março do ano passado, quando a fase que se iniciaria de seu “julgamento” seria a sua defesa. Durante uma década, Milosevic havia encabeçado a resistência do povo iugoslavo ao brutal desmembramento, fomentado pelos EUA e Alemanha, e que se expressou da forma mais crua e nua nos 78 dias de bombardeios da Otan contra seu país, com milhares de mortes e vasta destruição de escolas, fábricas, pontes e até asilos de idosos. No “Tribunal”, ele assumira a própria defesa, e o que o império pensava que seria uma “lição” nos que resistiam, se tornou uma tribuna de denúncia dos crimes de guerra e dos complôs contra a Iugoslávia. Como assinalou Tiphaine, ele estava “concentrado e determinado a demonstrar – como afirmara em muitas ocasiões – que tinha havido uma guerra: uma guerra contra a Iugoslávia”.

EVIDÊNCIAS MÉDICAS

Porta-voz do “Comitê Internacional de Defesa de Milosevic”, Tiphaine atualmente representa sua viúva, Mira Markovic. A advogada acrescentou que “o que é necessário agora é a completa e transparente liberação de todas as evidências médicas – inclusive amostras de sangue e de tecidos”. O Tribunal, que havia recusado no dia 24 de fevereiro de 2006 permissão a Milosevic para tratamento cardíaco de emergência em Moscou, causando sua morte no dia 11 de março, nomeou um de seus próprios juízes para uma ‘inquirição interna’, Kevin Parker.

Sobre a peça de encobrimento desincumbida por Parker, Tiphaine afirmou que “é impossível aceitar” suas conclusões, já que, “além dos defeitos que podem ser percebidos numa leitura superficial”, sofre da “falta da mínima aparência de imparcialidade”. “Nemo judex in sua causa. Ninguém pode ser o juiz de seu próprio caso”, enunciou. Também de acordo com discurso do embaixador Churkin no Conselho de Segurança na época, “nem mesmo as questões apresentadas ao TPPI pela Federação Russa foram respondidas adequadamente”.

Em uma carta aberta a Parker, há um ano atrás, o filho de Milosevic, Marko, denunciou que “a autópsia foi conduzida sem a presença de uma equipe de especialistas independentes, enviada por nossa família, apesar de toda a nossa insistência” e que “foi negado aos médicos russos acesso ao corpo e às amostras de tecidos”. Como registrou a advogada, o relatório do tribunal da Otan, não apenas “exonera o TTPT, como acusa o presidente Milosevic pela sua própria morte”. Ela caracterizou ainda o relatório por “surpreendentes lapsos na lógica e raciocínio trôpego”. “A morte do presidente Milosevic sob custódia foi uma tragédia. No mínimo, desfecho tão chocante mereceria uma completa investigação, séria e cientificamente fundada, e acima de tudo, independente e imparcial”.

CONDIÇÃO CRÍTICA

Em sua carta aberta, Marko Milosevic afirmou, ainda, que “a questão não é ou não se meu pai foi assassinado ou envenenado. A questão é que um antigo chefe de Estado, mantido sob custódia da ONU, estava gravemente doente e constantemente reclamando de sua condição médica. O quadro de saúde dele foi avaliado muitas vezes por especialistas médicos como muito ruim. Foi negado a ele adequado, se é que teve algum, tratamento médico, e então ele morreu. Ao mesmo tempo, aqueles que negaram a ele o tratamento estavam inquestionavelmente cônscios de quais seriam as conseqüências. O Dr. Shumilina advertiu no dia 6 de novembro [de 2005] que a condição dele era tão crítica que ele poderia morrer a qualquer momento”.

“Todas as garantias [do governo russo] tinham sido asseguradas, e o TPPI ignorou tudo. Obviamente, de forma deliberada, pois eles estavam a par de todos os fatos. Então ele morreu.

“O Tribunal, e todos da acusação, cometeram um assassinato deliberado. Eles o condenaram à morte no dia 24 de fevereiro, quando rejeitaram seu pedido para liberação provisória”, afirmou Marko. Ao ignorar mesmo “as garantias da Federação Russa (pelas explicações de que faltava credibilidade a essas garantias, parece que o Tribunal atribuiu a si próprio o mandato de avaliar a credibilidade até mesmo dos Estados membros permanentes do Conselho de Segurança)”, acrescentou. “A sentença pronunciada no dia 24 de fevereiro foi levada a efeito no dia 11 de março. Esse é o fato e a verdade. Qualquer outra especulação é apenas uma manobra política evasiva”.

ANTONIO PIMENTA
Hora do Povo

Rizzolo: Não resta a menor dúvida uqe essa morte sempre foi suspeita um “tribunal” completamente controlado e financiado pelos EUA e pela Otan chamdo de chamado Tribunal Criminal Internacional para a Iugoslávia (TCII) de Haia. Esse TCIJ, que foi uma ideia da ex-secretária de estado dos EUA, Madeline Albright e dos seus aliados europeus, foi instalado por uma única razão: para justificar e legimitar os 78 dias de bombardeamentos da Iugoslávia em 1999.

Dirigentes e políticos que resistiram aos seus planos tiveram que pagar pela sua resistência com as sua vidas, como foi agora o caso de Slobodan Milosovic.

Os “conquistadores” da ex-Iugoslávia unida, após dividirem o país, causando guerras e destruição, bombeardamentos de civis e estados, queriam “branquear” estes acontecimentos em Haia. A humanidade e os que amam a paz no mundo não podem, nem querem esquecer os crimes imperialistas na Iugoslávia. Uma vergonha !

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