Crise é crônica de um estouro anunciado

Há certo tempo, economistas de diferentes ”patentes” e concepções sustentavam o prognóstico de que mais cedo ou mais tarde haveria um estouro da ‘bolha” do crédito imobiliário dos Estados Unidos da América.

E na semana passada o que era prognóstico se tornou realidade.

O ramo do crédito imobiliário nos Estados Unidos movimenta alguns trilhões de dólares. Desse estoque cerca de 1,3 trilhão recebema alcunha de ”suprime”, de ”segunda linha”. Em português claro: empréstimos concedidos a quem tem cadastros insolventes, portanto, com razoável possibilidade de resultar em ”cano”.

Na era da exacerbação financeira em que quase tudo vira papel negociável nas Bolsas, tais empréstimos de segunda linha são transformados em ativos que resultam em boas somas em forma de juros para investidores de várias praças.

O estouro primeiramente manifestou-se em muitas empresas dos Estados Unidos e, na semana passada, atravessou o Atlântico e pipocou na França. O Banco BNP Paribas, congelou os saques de fundos de investimentos que haviam negativamente se contaminado com operações hipotecárias norte-americanas.

O alvoroço é geral. As Bolsas do ocidente viram a seta para baixo e a economia mundial vive semanas nas quais a instabilidade se eleva. Para aumentar adrenalina, acontece a divulgação do aumento da inflação na China e economistas passam a especular com a queda ritmo do crescimento desse gigante asiático em dueto com queda do consumo dos Estados Unidos. Emergem, então, hipóteses de que o razoável crescimento do PIB mundial que ocorre há cinco anos poderia estar chegando ao fim.

Algumas reflexões, entre tantas, surgem dessa nova turbulência advinda da realidade do capitalismo contemporâneo.

Dos Estados Unidos da América emanam não apenas guerra e ameaças contra os povos, mas também instabilidade e ônus sobre o conjunto das economias do mundo. Os créditos podres de seu mercado imobiliário são apenas uma pequena mostra dos problemas crônicos da economia que representa 25% do PIB do mundo.

A instabilidade mundial provocada por essa quebra de um setor do mercado financeiro estadunidens põe em relevo a partir de um exemplo duro e cru, a necessidade das economias nacionais e regionais terem mecanismos de proteção, entre eles, o controle da entrada e saída de capitais.

Chama atenção na contemporaneidade capitalista, na era da desregulamentação, no aparente império cego e anárquico das Bolsas e do mercado, o papel relevante dos bancos centrais das potências capitalistas para ”administrar” as crises na tentativa de diminuir a dimensão, o alcance e rombos que é da natureza delas provocar. Até o dia 14 último, bancos centrais dos Estados Unidos, da União Européia e do Japão, já haviam injetado cerca de US$ 355 bilhões em recursos com o intento de garantir a oferta de crédito de seus sistemas bancários.

Também nesse episódio desnuda-se a subserviência da grande mídia local aos Estados Unidos. O sistema bancário daquele país promove uma ”farra” com volumes gigantescos de créditos, contamina com essa irresponsabilidade a economia mundial e o máximo que se houve dos implacáveis analistas brasileiros bitolados pelo status quo é que ”descuidos” como esse não podem ser repetir.

Site do PC do B

Rizzolo: A observação no artigo de que os EUA além de ter a capacidade de emanar guerras e conspirações a governos de outros países, também na esfera monetária , pelo anarquismo econônomico, traz problemas para outras economias, cujos Bancos Centrais devem estrutura financeira suficiente para poder sofrer os abalos causados pelo império, é uma realidade.

Contudo , uma observação interessante é que não se ouve na mídia brasileira nenhum economista fazer uma análise crítica dos exageros americanos, das sua inconsequências na economia , como se tudo que viesse da economia de mercado fosse sagrado, sem condições de se precaver, fatalidade. Ora, deve existir numa economia anarquica capitalista mecanismos reguladores, e cabe uma crítica sim dos nossos economistas, analistas; mas ninguem fala nada, encaram como fatalidade, agora, dizer simplesmente que ”descuidos” como esse não podem ser repetir, é no mínimo ser inconsequente. Agora existe um lado positivo na turbulência recente. A moeda brasileira voltou a se depreciar, depois de um longo período de apreciação excessiva. Precisou que o mundo financeiro viesse abaixo, para que o dólar reagisse um pouco aqui no Brasil.

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