BCs torram US$ 370 bi para alivar bancos que traficaram hipotecas

Bancos penduram no Erário a quebra da pirâmide hipotecária

Em uma semana, Bancos Centrais dos EUA, Europa e Japão transferiram US$ 370 bilhões para socorrer bancos privados atolados em suas hipotecas sem lastro. “Estado mínimo”, só quando é para usar verbas para atender as necessidades do povo

Bancos centrais dos EUA, Europa e de outros países já torraram, em cerca de uma semana, 370 bilhões de dólares no socorro aos bancos privados e corretoras enras-cados na quebra da pirâmide financeira no mercado imobiliário norte-americano, em que hipotecas de até 50 anos eram roladas com títulos podres negociados e renegociados no overnight, os assim chamados derivativos “collateralised debt obligations ou CDOs”. A dívida com a especulação de imóveis nos EUA chega a US$ 10 trilhões, cerca de 75% do PIB do país, e na semana passada ficou impossível esconder que estava ocorrendo uma corrida aos bancos e corretoras nos EUA para tentar sacar alguma coisa, antes que virasse fumaça. No dia 9, o processo detonado com o colapso de dois fundos da quinta maior corretora norte-americana, a Bear Stearns, no final de julho, tornou-se irrefreável, com o anúncio do maior francês, o BNP Paribas, que não iria pagar mais nada de três fundos de hipotecas nos EUA, “porque não havia como avaliar o valor dos títulos”. A derrubada arrastou também as bolsas de valores no mundo inteiro.

De acordo com as agências de notícias, entre os bancos e corretoras encalacrados estão pelo menos três das cinco maiores corretoras de investimento dos EUA (Stearns, Merrill Lynch e Goldman Sachs); o já citado BNP Paribas, francês, o quinto maior banco alemão (IKB), o UBS (suíço), o HSBC e muitos outros. Mas nos próximos dias, outras “instituições” irão fazer sua aparição. As agências de “rating”, como a S&P e a Moody’s, que passaram os últimos anos assinando atestado de que os títulos eram quentes, agora estão explicando que era só uma “opinião”, garantida pela constituição dos EUA, e à prova de advogados e indenizações. Situação bem caracterizada pelo insuspeito “Financial Times” como “alquimia financeira”, em que papéis podres eram transformados em “triplo A”. (Fora da City londrina essa alquimia é mais conhecida como vigarice mesmo).

FILANTROPIA

Só no primeiro dia, foram US$ 24 bilhões do Federal Reserve norte-americano, US$ 130 bilhões do BC Europeu e US$ 8,4 bilhões do Banco do Japão, além de outros BCs, como o da Austrália. A filantropia vem prosseguindo, à medida que vão aparecendo mais fundos de derivativos quebrados. Não foi um “relâmpago em céu azul”. Desde que o HSBC confessara seus problemas no ano passado, o quadro vem se agravando, o que levou no final de julho o próprio presidente do Fed, Ben Bernanke, em depoimento ao Congresso dos EUA, a admitir, diga-se que com certo otimismo, que as perdas chegariam “até US$ 100 bilhões”. Bancados pelos cofres públicos, isto é, por toda a população. Em troca de títulos podres de que esses bancos, corretoras e seguradoras estão abarrotados.

“ESTADO MÁXIMO”

No caso, nem os magnatas de Wall Street e de outras praças, nem a mídia ou os “teóricos” neoliberais, consideraram tamanha montanha de dólares, euros e iens uma negação do seu “Estado mínimo”. Agora, clamam, a hora é de “estado máximo”, de acordo com o conhecido lema, muito devidamente apropriados privada-mente os lucros, ao aparecerem os prejuízos, “socialismo” neles. Wall Street anda pululando de socialistas, nos últimos dias… Como se vê, o estado só deve ser “mínimo” quando se trata de cuidar da saúde do povo, garantir educação, saneamento básico, infra-estrutura e desenvolver as áreas estratégicas da economia. Aí, haja rigor fiscal, cortes dos “gastos” e tesoura nos programas sociais que é pra gentalha não ficar mal acostumada.

Para tentar esticar o funcionamento da pirâmide financeira, os falsários haviam feito com que a parcela de empréstimos “subprime” – isto é, sem garantias e até sem documentos – inchasse de 6% para 30% em 2006. As peças foram tombando: dia 12 de março, um dos maiores emprestadores de subprime, a “New Century Financial”, suspende a venda de ações em meio a rumores de bancarrota. Quatro dias mais tarde, é a vez da “Accredited Home Lenders Holding (perda de US$ 2,7 bilhões e demissão de mais da metade dos funcionários). No dia 24 de maio, a Bear Stearns vem para os holofotes. Os “investidores” nos dois fundos são avisados por volta do dia 14 de junho de que, quem sabe, sobre alguma coisa. No dia 20 de junho, a maior corretora de investimento, a Merrill Lynch, entrou em confronto com a Bear vendendo US$ 800 milhões que estavam sendo usados como “colaterais” de empréstimos de fundo da Bear. No dia 22 de junho, a Bear teve de enfiar 3,2 bilhões para manter à tona o “High Grade Structured Credit Strategies Fund”; enquanto colocava um band-aid noutro, o “High-Grade Structured Credit Strategies Enhanced Leverage Fund”.

FRACASSO

Mas, como observa a revista “The Economist”, o fracasso dos derivativos “hipotecários” não explica toda a extensão que a crise tomou: “se há algo que está tirando o sono dos barões de Wall Street, é a perspectiva do colapso das pontes”. Explica. “Os bancos que forneceram os fundos para as operações de fusão e aquisições têm facilitado os acertos ao tomarem dezenas de bilhões de dólares em empréstimo “ponte” em ações. O objetivo é se desfazer rapidamente repassando para os investidores institucionais”. O desabamento do que seriam “altos valores” dos derivativos “colateralizados” envolvidos, o naufrágio desses fundos de CDOs ameaça “contaminar” outros instrumentos de especulação, que têm exatamente o mesmo “fundamento” – uma fictícia valorização estabelecida por um programa de computador, ou, no jargão de cassino, “valor notional”, quatro, seis, nove vezes maior do que o real. Uma “alavancagem astronômica”, segundo um entrevistado da revista inglesa, lembrando os casos freqüentes em que a alavancagem é aplicada sobre algo que já foi arbitrariamente “multiplicado”. A questão é que, ao tirar desse terreno imaginário – o “notional” em inglês também tem o significado de imaginário -, o valor efetivo com que esses fundos têm sido negociados é “muito inferior ao pretendido”. Resumindo: adivinha quem ficou com o mico?

EPIDEMIA

A cada ponto percentual perdido, lembra a revista, citando análise da “Goldman Sachs”, muitos acordos – fusões, aquisições – que eram possíveis, “deixam de ser”. Eis como a “enfermidade da subprime poderia se espalhar”: “A ansiedade tem como base as dúvidas sobre a qualidade dos títulos mantidos em CDOs e outros veículos ligados à securitização bancada em ativos. Seu marketing é de que oferecem lucros decentes com risco mínimo. Mas conforme as agências de classificação rebaixam tranches desse débito conjugado – e aumenta a possibilidade de rebaixar os de melhor qualidade – torna-se claro que esses instrumentos não são tudo aquilo que exaltam ser”.

ANTONIO PIMENTA

Hora do Povo
Rizzolo: Muito bem colocada a questão pelo camarada Antonio Pimenta do HP quando diz no artigo ” No caso, nem os magnatas de Wall Street e de outras praças, nem a mídia ou os “teóricos” neoliberais, consideraram tamanha montanha de dólares, euros e iens uma negação do seu “Estado mínimo”. Agora, clamam, a hora é de “estado máximo”, de acordo com o conhecido lema, muito devidamente apropriados privada-mente os lucros, ao aparecerem os prejuízos, “socialismo” neles. Wall Street anda pululando de socialistas, nos últimos dias… Como se vê, o estado só deve ser “mínimo” quando se trata de cuidar da saúde do povo, garantir educação, saneamento básico, infra-estrutura e desenvolver as áreas estratégicas da economia. Aí, haja rigor fiscal, cortes dos “gastos” e tesoura nos programas sociais que é pra gentalha não ficar mal acostumada”.

É lógico que essa operação que não passa de uma pirâmide é uma foma de amarrar o pobre trabalhador operário americano a uma dívida que ele não teria condições de pagar. Muitos desses devedores são latinos explorados até o último fio de cabelo. Agora, aqui isso vaiter um ” ganho secundário “, o Meirelles deve estar eufórico , tem motivos de sobra para a manutenção do cassino Brasil, com a desculpa da crise dos mutuarios americanos. O próprio fato da inadimplência dos pobres americanos que não possuem casa própria, já é uma prova cabal , que até no império o neoliberalismo está se autodestruindo, já está em decomposição, e isso, é claro, é bom para os democratas como Hillary que já aproveita e sublinha um discurso menos republicano egoista, tentando resolver o problema mutuário americano. Observe que as camadas mais pobres tanto lá como aqui são as que mais se sacrificam para manter a doutrina do ” Consenso de Washington “.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: