Governador do Piauí repudia comentário de líder do ”Cansei”

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), afirmou que encaminhará ao presidente Lula e ao Congresso Nacional um ofício para que o governo e o parlamento se posicionem quanto ao que considera ”um deboche” do presidente da Phillips, Paulo Zottolo, ao Estado.

Em entrevista ao jornal ”Valor Econômico”, Zottolo disse que o Brasil não pode se transformar em um ”Piauí”, isto é, ”tanto faz como tanto fez”. Para ele, o Piauí é um estado que se sumir do mapa, ninguém vai sentir falta. ”Não se pode achar que o país é um Piauí, no sentido de tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado”, comentou.

Por ironia, o comentário foi publicado justo no dia do aniversário de Teresina, que comemora hoje, 16 de agosto, 155 anos.

Em nota, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), afirmou que ”lamentavelmente, o presidente da Philips desconhece o Piauí.”Tenho certeza de que o capitalismo afasta o homem do ser humano. Que Deus dê a ele a oportunidade de conhecer o Piauí e os homens e mulheres que aqui vivem. Para se ter uma idéia, o Piauí tem 80% de suas florestas nativas preservadas e produz oxigênio para o Brasil e para o mundo. O Piauí, segundo estudos em andamento, tem uma das maiores bacias de gás e petróleo do país”, diz a nota.

No documento, Dias lembra ainda que ”É do Piauí a melhor escola do Brasil, eleita dois anos consecutivos pelo Enem. O Piauí tem a melhor produtividade de soja, mel e algodão do país. Por coincidência, um piauiense, José Horácio de Freitas, foi diretor financeiro da Philips. Por ele e por todos os cidadãos piauienses deveríamos ter respeito. E faço a ele o convite para vir conhecer o Piauí.”

Dias afirmou ainda que enviará ofícios a todos os governadores do Nordeste e ao de São Paulo, José Serra, para que se unam ao protesto contra as declarações de Zottolo.

Matriz preocupada

Na entrevista ao Valor, Zottolo afirma que a matriz da multinacional Holandesa Philips lhe deu carta branca para atuar junto ao movimento Cansei e que ao contrário do que algumas notas de jornais afirmam, ele não está com o emprego em risco, pelo contrário, até teria recebido uma recente promoção.

Mas um relatório reservado divulgado há poucos dias mostra que a imagem de Zottolo perante a matriz da Philips não é tão cor de rosa como ele quer fazer crer e a empresa está realmente preocupada com a adesão de um de seus executivos em movimento político tido como golpista. A informação consta na edição 3194 do Relatório Reservado, boletim eletrônico diário especializado em negócios e finanças, restrito para assinantes.

”Os dirigentes do grupo na Holanda exigiram o desligamento do nome da Philips de qualquer material ou evento alusivo à campanha” – revela o Relatório.

”A voluntariosa e desastrada postura de Zottolo resultou em considerável desgaste institucional para a companhia. A repercussão virou, inclusive, agenda diplomática. A Embaixada da Holanda no Brasil teve de entrar no circuito para desfazer o profundo mal-estar que a postura da Philips gerou junto ao Palácio do Planalto” – informa.

Ao aderir o movimento de cunho político-partidário, a companhia descumpriu uma determinação da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – de que as multinacionais não interfiram na política local dos países em que atuam.

A CUT formalizou denúncia contra a Philips no Brasil na OCDE nesta quarta-feira (15).

A matéria do Valor onde consta os comentários preconceituosos do executivo da Philips, de autoria das jornalistas Maria Cristina Fernandes e Claudia Facchin, é intitulada ”Política – Zottolo diz que retira Philips do ‘Cansei’ se houver partidarização” e foi publicada no jornal e na edição on-line do ‘Valor Ecônomico’ (www.valoronline.com.br), o ‘Valor Online’ só pode ser vista por assinantes, mas o Vermelho disponibiliza abaixo a íntegra do texto. Confira:

Zottolo diz que retira Philips do ‘Cansei’ se houver partidarização

Experimenta colocar ”Paulo Zottolo” mais ”cansei” no Google. Nunca fui tão xingado na minha vida. As pessoas ofendem muito facilmente sem a menor base. Saem chutando. Tem sites que dizem que sou homossexual, outros que a Philips está querendo fazer como a ATT na derrubada do Allende, no Chile”. Desde que publicou o anúncio de meia página em cinco jornais do país, ao custo de R$ 70 mil para a empresa, o presidente da Philips para a América Latina, Paulo Zottolo, caiu na boca do povo.

”Já disseram que estou sendo mandado embora e que o presidente da República exigiu ao embaixador da Holanda minha cabeça”. É rápido ao ser indagado se houve pressão. ”Promoção”, responde, sacando prontamente uma carta do integrante do conselho de administração da matriz, responsável pelas subsidiárias, Gottfried H. Dutiné, datada de 14 de agosto. Nela, a multinacional adiciona ao seu cargo o título de vice-presidente executivo da Royal Philips Electronics. A promoção não muda suas atribuições na empresa.

Antes da carta, a área de comunicação corporativa da multinacional, na Holanda, havia soltado o seguinte comunicado oficial: ”A Royal Philips Electronics informa que suas subsidiárias têm autonomia para gerenciar e responder por eventos locais”.

De capital fechado no Brasil, a empresa tem ações negociadas em bolsa na Holanda. Zottolo não vê conflito no interesse público da empresa com suas convicções privadas. Ele estará amanhã no ato que o movimento convocou para a praça da Sé, centro da cidade. Mas diz que, se o movimento for partidarizado – e ele acredita que acabará sendo – vai tirar a Philips da jogada, apesar de manter seu apoio pessoal à causa.

A Philips guarda uma extensa pauta de interesses a ser tratada com o governo federal. No dia seguinte ao acidente da TAM, o executivo tinha uma audiência marcada com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Na véspera, acamada por uma gripe forte, Dilma mandou cancelar a agenda do dia seguinte. ”Tinha ficado para o dia 14 ou 15 (de agosto), mas não recebi mais notícias”. Na audiência, Zottolo pretendia discutir com a ministra três pontos.

O primeiro item da agenda seria a instalação de uma nova fábrica da empresa no país para a produzir lâmpadas fluorescentes num amplo programa nacional de substituição das unidades incandescentes – um projeto que, avalia, poderia trazer uma economia de 30% no consumo de energia no país e evitar o anunciado apagão no setor.

O segundo era a fabricação do conversor para a captação do sinal digital de televisão: ”O governo diz que vai custar R$ 150, mas, na verdade, não vai sair por menos de R$ 800 a R$ 1 mil”.

O terceiro ponto da audiência com a ministra era a fabricação de um fogareiro que não emite fumaça e foi desenvolvido pela Philips na Índia para ser usado por famílias carentes que ainda cozinham com fogão a lenha. Ele levanta-se e tira da caixa o produto: ”Era para mostrar à ministra. Agora ela não quer mais”.

O produto seria mais uma demonstração do engajamento social da empresa: ”Seria vendido por uns quatro ou cinco dólares. Não queríamos fazer isso para ganhar dinheiro”.

Zottolo reconhece que a recusa do governo brasileiro em adotar o padrão europeu de TV digital desgastou a relação com a Philips – ”Mas isso é uma página virada”. O engajamento da empresa no ”Cansei” iniciou um novo capítulo da relação da Philips com o governo. Ao movimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu com o não-há-quem-ponha-mais gente-na-rua-do-que-eu.

Zottolo nunca votou em Lula – do PT, apenas o senador Eduardo Suplicy já mereceu seu voto – mas divide com o presidente as mesmas metáforas. Para dizer que o momento político exige que oposição e governo se unam em torno de objetivos comuns, apela ao casamento – ”Se você quebra o pau com seu marido por pontos de vista completamente diferentes sobre um assunto, ou porque você gosta de sushi e ele de comida italiana, ou você gosta de novela e ele de filme de terror, vocês não vão se separar. Por quê? Porque existe o amor. E o nosso amor tem que ser o Brasil”.

Compara a adesão ao ”Cansei” a outros movimentos civis nos quais a Philips já se engajou, como o voto consciente e os programas que buscam atrair o setor privado a investir na educação pública. Mas reconhece que o momento em que o ”Cansei” foi lançado – quando Lula era tido como o culpado número 1 do acidente da TAM – facilitou a apropriação política do movimento. ”Qualquer ação para ter impacto parte do coração. Você pede alguém em casamento no auge da paixão. Não tinha como lançar um movimento desses no dia seguinte à conquista do pentacampeonato da Copa do Mundo pelo Brasil”.

Assim como o presidente, acha que a política e o futebol têm tudo a ver. Critica quem vê o ”Cansei” com reservas porque tem a adesão do empresário João Dória Jr, um dos arregimentadores de apoio empresarial à campanha presidencial do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. ”É o mesmo de se recusar a torcer pela seleção brasileira porque tem um jogador do Corinthians”. Como Lula, também acha que o melhor do Brasil é o brasileiro. ”Não há quem não se emocione ao ouvir o hino nacional e pense nas pessoas sofridas desse país. Acredito no patriotismo”.

Diz que quer remexer no que chama de ”marasmo cívico” do país, que o estaria levando a se transformar num ”Piauí”: ”Não se pode achar que o país é um Piauí, no sentido de tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado. Estamos vivendo uma calamidade, não uma tragédia”.

O presidente da Philips está agora preocupado em preservar sua liberdade de opinião e em despartidarizar o movimento: ”Eu cansei, na verdade, dos partidos de oposição. Se tenho oito milhões de razões para estar contra o PT, tenho outras dez milhões contra o PSDB. É um partido que não se entende. A oposição é ridícula, destrutiva. Cada um fala o que quer e o partido age como um bloqueador de projetos no Congresso Nacional. É um absurdo que a reforma tributária não saia porque os governadores não querem. Não podemos nos conformar em ficar crescendo 4,5% ao ano e distribuindo o Bolsa Família. O Brasil quer mais. E precisamos de reformas para isso”.

Avalia que o governo, com a reação ao movimento, está perdendo a oportunidade de engajar seu grupo na pressão sobre a oposição pela união nacional.

Ao longo desses 20 dias em que o executivo envolveu-se publicamente na polêmica, não conseguiu que outras empresas de grande porte seguissem o caminho da Philips e surpreendeu-se com o medo que as pessoas de seu meio têm de se posicionar. ”Alguns disseram para mim: ”Paulo, você é muito inocente”. Respondi: ”Sou. Precisamos de 25 anos para derrubar uma ditadura e conseguir liberdade. Tudo isso para agora as pessoas terem medo do governo?””

Na carta que enviou ontem a amigos, convocando para o ato da praça da Sé, reconhece que o engajamento da Philips é inédito. ”Alguns empresários me dizem: ”Paulo, você é muito corajoso. Admiro sua coragem de se expor desse jeito”. Mas coragem de quê? Se expor a quê? O que queremos é reposicionar o papel das empresas no debate nacional”.

O executivo diz que não se arrependerá do seu engajamento mesmo se a audiência com a ministra não for remarcada. E diz não temer represálias. ”Seria um absurdo temer represália do governo por iniciativas que a empresa tomou apenas querendo ajudar o país. O que é que o governo pode fazer? Devassa fiscal, me dizem. Mas nem as empresas podem ter medo de devassa nem o governo pode usar isso como instrumento de pressão”.

No cargo há quatro meses, depois de uma carreira na Nivea marcada pela ênfase nas estratégias de marketing, Zottolo chegou à Philips com o desafio de alavancar a marca da empresa seguindo as mesmas diretrizes mundiais do grupo. Líder em televisores no Brasil, a Philips vem enfrentando uma concorrência cada vez mais acirrada das coreanas LG e Samsung.

Sentado à mesa da antesala de seu escritório, na zona sul de São Paulo, na tarde de ontem, com as mangas arregaçadas de sua camisa branca, sem gravata, Zottolo já viu as ameaças de boicote aos produtos da Philips que circulam na internet, mas não acusa preocupação. ”Tem muita gente que é contra e que vai deixar de comprar produto Philips, mas isso é secundário. Qual é a minha função aqui? Maximizar lucro. Não mais. A empresa deve gerar lucro e ser socialmente responsável”.

Zottolo não teme que a empresa fique marcada pelo anti-lulismo: ”É uma noção do papel das empresas que está sendo colocada pela primeira vez no Brasil. A noção predominante na década de 1970, de explorar o proletariado para dar lucro ao capitalista não vale mais. A nova geração tem responsabilidade social. E a Philips, que está há 83 anos no Brasil, não pode ser acusada de querer mal ao país”.

Ainda que não se contabilizem adesões de seus pares ao movimento, Zottolo tem a convicção de que está fazendo escola no país.

Leia também:

CUT denuncia líder do ”Cansei” por ingerência política
Site do PC do B

Rizzolo: O atrevimento desse camarada Zottolo, que representa uma empresa transnacional, e que a utiliza como ” marca ” ” logotipo Philips, para emprestar confiabilidade a um movimento golpista, movimento esse que nem o Bispo aceitou que fosse o ato realizado na Igreja, é de certa forma espantoso. Ao se referir , é claro, com o logotipo da Philips, que o Piauí é um Estado de incompetentes, agride não só os governantes como a população do nordeste, e como se não bastasse desafia o governo Federal dizendo que não tem medo de nada ! Não há dúvida que no bojo da declaração existe um preconceito que na realidade embasa esse movimento; podemos inferir que no fundo a questão do presidente da república ser um nordestino traz à tona toda problemática preconceituosa que exala nos meios da elite paulistana ou como tecnicamente Lembo a classifica na ” elite branca paulista”.

O camarada Zottolo, não consegue se conter, como presidente de uma multinacional, que está por mera liberalidade no país, por enquanto, é claro, porque como já disse e afirmo novamente, se dependesse de pessoas como eu , liquidaria com essa farra e sangria que essas transnacionais, fazem no páis, de uma forma que reiteradamente costumo comentar aqui no Blog. Não é possível que o povo brasileiro, o empresariado brasileiro, os cientistas das Universidades, a população, possam se submeter à ditadura dessas empresas, que estão aqui ” mamando no nosso mercado de 190.000.000 de pessoas “, e ainda se dispõe a patrocinar movimentos golpistas; não venham me dizer que a matriz não sabia das manobras e conspirações do camarada Zottolo, isso ninguém vai me convencer. E observem que a elite , com apoio dos marqueteiros usam sigla como OAB, Phillips, e Associações para emprestar confiabilidade no movimento, um absurdo.

Acho que esse fato é uma boa hora para revermos essas remessas de lucros dessas multinacionais, e utilizar de forma adequada, nas restrições , receitas para o desenvolvimento da nossa indústria nacional, prestigiando o pobre empresário brasileiro, que como já disse é um tímido na sua própria casa. Pra finaliza e deixar o Zottolo fazer uma reflexão sobre o que é ser patriota proponho a seguinte receitinha: A receitinha é a seguinte: ” A remessa anual de lucros não pode exceder a 10% dos investimentos líquidos registrados, com exclusão, portanto, para cálculo do percentual, do capital adicionado e originário dos lucros obtidos no Brasil. A remessa que ultrapassar essa percentagem seria considerada repatriação de capital, num máximo permito de 20% anuais. Lucros acima desse limite serão considerados capital suplementar e não poderiam ser remetidos, devendo ser reinvestidos no Brasil.

Só para se ter um idéia, em maio, o Banco Central registrou a entrada de US$ 501 milhões referentes ao chamado investimento direto estrangeiro, ao mesmo tempo em que as transnacionais instaladas no país enviaram US$ 2,632 bilhões para suas matrizes no exterior a título de lucros e dividendos. Esses dados são relativos à questão da produção, não englobando os capitais meramente especulativos, atraídos pelos juros altos.

O fato de as remessas de lucros terem superado em mais de cinco vezes a entrada dos festejados “investimentos” diretos demonstra, mais uma vez, que a brutal desnacionalização a que foi submetida a economia brasileira tem proporcionado a transferência de fabulosos recursos para o exterior

Com a palavra os empresários nacionais e patriotas, e só pra finalizar como diz o Macaco Simão da Folha em cima do promotor de eventos João Dória Junior, um dos líderes do Cansei: ”ele mora numa casa de onze mil metros quadrados nos Jardins, se ele está cansado eu troco de lugar com ele”. E eu faria mais uma gracinha ” O Zottolo, pensa que o povo é tolo ”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: