Fator de contenção: os avanços na relação China-Rússia

Em artigo publicado no Avante! de 30 de Agosto de 2007, o analista político Luís Carapinha, membro do Comitê Central do Partido Comunista Português (PCP), analisa a relação entre Rússia e China. “Os dois países encerraram a antiga contenda fronteiriça, e suas relações são as melhores das últimas décadas. O fato inquieta os Estados Unidos, que não deixarão de explorar todo o leque de contradições e contrapesos, numa situação bem distinta da Guerra Fria”. Confira o texto.

Fator de contenção

Por Luís Carapinha

Realizou-se dia 16, em Bishkek, capital do Quirguistão, a cimeira anual de chefes de Estado da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). A reunião do antigo Grupo de Xangai, formado em 1996 como organização de boa vizinhança e cooperação, que hoje integra a China, Rússia e quatro ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central – Irã, Índia e Paquistão possuem estatuto de observador -, acontece numa altura em que se adensam as incertezas e ameaças no plano internacional.

No Iraque, a resistência à ocupação levou ao pântano a sangrenta intervenção imperialista, colocando num impasse a estratégia e objetivos dos Estados Unidos consignados no megalomaníaco plano do Grande Oriente Médio. A situação encaminha-se pelo mesmo diapasão no Afeganistão. No Paquistão, o desgaste de Musharraf inquieta os Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a Casa Branca insiste na via militarista. Para 2008, o projeto de orçamento da Defesa, incluindo os fundos adicionais para a guerra, supera os 700 mil milhões de dólares, um novo recorde absoluto. À escala global, Washington avança com o projeto ofensivo do sistema antimíssil na Europa (com a Nato/UE) e região da Ásia-Pacífico (com o Japão).

Não se apresentando como um bloco militar, a OCX tem vindo paulatinamente a afirmar-se como força de contenção impossível de ignorar, perante a agenda expansionista do imperialismo na região euro-asiática e, em particular, na Ásia Central. É um fato sintomático, após a cimeira, a presença nos Urais dos seus chefes de Estado, no encerramento dos exercícios militares que pela primeira vez reuniram tropas dos seis países da OCX.

Pútin aproveitou a ocasião para anunciar o regresso das missões da aviação estratégica russa, abandonadas em 1992 após a desagregação da União Soviética – mas que os Estados Unidos sempre mantiveram.

“Possibilidades à luta emancipadora”

A diplomática “Declaração de Bishkek” não deixa de fazer referência ao “estrito respeito do direito internacional” e da carta das Nações Unidas, repudia o “unilateralismo” e a prática de “dois pesos e duas medidas” e propõe a elaboração de um acordo para impedir a colocação de armas no espaço, contrariando um objetivo que faz parte dos planos do sistema antimíssil dos Estados Unidos.

O comunicado final saído da cimeira, a que também assistiu o presidente do Irã, apóia o desenvolvimento das relações da OCX com a Organização do Tratado de Defesa Coletiva (Rússia e seis outras ex-repúblicas soviéticas). E defende um maior envolvimento da OCX no Afeganistão, que a Rússia diz ser um narco-Estado, com o narcotráfico responsável por 50% do PIB. Tudo motivos de alarme para Washington e Londres.

Os observadores destacam o papel cimeiro da China na OCX e o aprofundamento da relação China-Rússia em múltiplas esferas, incluindo a energética e militar. Os dois países encerraram a antiga contenda fronteiriça, e suas relações são as melhores das últimas décadas. O fato inquieta os Estados Unidos que não deixarão de explorar todo o leque de contradições e contrapesos, numa situação bem distinta da Guerra Fria.

A restauração capitalista e concentração oligárquica é hoje uma realidade na generalidade do espaço pós-soviético. Na China, o impressionante ritmo de crescimento fez-se acompanhar pelo aumento acentuado das desigualdades. Mas a importância da “contenção” da superpotência imperialista e a rearrumação de forças em curso também abrem possibilidades à luta emancipadora de trabalhadores e povos – a força motriz que faz avançar a roda da História.

Jornal Avante!

Rizzolo:Em 2001 foi fundada a OCS (Organização de Cooperação de Xangai) sendo constituída por 6 nações da Ásia: Rússia, China, Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tadjiquistão. Os principais objetivos desta organização de segurança são combater os problemas de fronteiras com os países da antiga União Soviética, combater o terrorismo islâmico e impedir o avanço da influência dos EUA na Ásia central criando uma “barreira geopolítica”.
Desde outubro de 2002 por 12 vezes a China fez treinamentos de guerra em parceria com seus países vizinhos.

Em agosto e setembro de 2005, na região norte do mar da China, cerca de 10 mil militares da China e da Rússia se uniram em um treinamento militar financiado com dinheiro chinês. Na realidade, a política expansionista americana leva à China e a Rússia a não cederem um milímetro as más intenções imperialistas americanas; fica patente que a partir do momento em que a Otan passou a ser um braço do desiderato expansionista americano não há porque não prosseguir no aprofundamento da Organização de Cooperação de Xangai. E é com esse espírito que a aliança de civilizações que Fidel aborda deve ser implementada onclusive na América Latina, onde as resistências existem não por acaso.

Os povos, assim como a própria população americana deve observar a que caminhos a elite perversa americana pretende levar a humanidade, pelo que observamos o expansionismo militar americano só irá ser detido quando as alianças e o poderio das nações que ainda acreditam na humanidade tenham uma supremacia militar fazendo com que o temor pelo imprevisto militar por parte dos EUA façam-os recuar, como na época da guerra fria, porque o império só respeita a força.

E o pior tudo, mas absolutamente tudo nos EUA atualmente leva a população americana através da mídia manipulada a se sentir insegura vez que em nome do “terrorismo” os abusos nos direitos individuais dos próprios americanos sejam aviltados; a última novidade manipuladora é o projeto de lei é chamado abertamente de “programa espião” pela própria mídia dos EUA.

Em nome da “guerra contra o terrorismo”, permite-se escutas de ligações telefônicas, além de interceptação de e-mails, de pessoas nos Estados Unidos que se comunicam com indivíduos no exterior. Programas de computados de última geração permitiriam a violação de trilhões de bytes de comunicações, convertendo a administração Bush em uma espécie de Big Brother tamanho gigante. Quanto a Organização de Cooperação de Xangai, na realidade não se apresentam como um bloco militar, mas a OCX tem vindo paulatinamente a afirmar-se como força de contenção impossível de ignorar, perante a agenda expansionista do imperialismo na região euro-asiática e, em particular, na Ásia Central.

Publicado em Política. 1 Comment »

Uma resposta to “Fator de contenção: os avanços na relação China-Rússia”

  1. Nezimar Borges Says:

    “CARO AMIGO” . ESTOU FAZENDO UM TRABALHO DE DIVULGAÇÃO PELOS PRINCIPAIS MAIS VISITADOS BLOG´S DO PAÍS. POSSUO UM SITE INDEPENDENTE SOBRE A TRAJETÓRIA POLÍTICA E SOCIAL DESTE QUE É UM ÍCONE DA ESQUERDA BRASILEIRA, JOÃO CAPIBERIBE. SE POSSIVEL AJUDAR NA DIVULGAÇÃO, POIS PRECISAMOS QUE MAIS PESSOAS SAIBAM DA VIDA E DA LUTA DESTE AMAZÔNIDA PELAS CAUSAS SOCIAIS E AMBIENTAIS. POR FIM, SABER DA GRANDE FARSA MONTADA POR RENAN E SARNEY – INIMIGO FERRENHO DE CAPIBERIBE NO AMAPÁ – E SEUS ALIADOS PRÓXIMOS PARA TIRAR JOÃO CAPIBERIBE DO SENADO FEDERAL. E QUE CONSEGUIU A CONTENTO.
    NAO HÁ DUVIDA QUE LUTAR CONTRA O “STATUS QUO” DA POLITICA BRASILEIRA – CORRUPÇAO DESCARADA – E PRINCIPALMENTE CONTRA OS CORRUPTOS DO PMDB, PAGA-SE UM PREÇO MUITO ALTO. E CAPIBERIBE PAGA ESSE PREÇO. POIS QUANDO GOVERNADOR DO AMAPÁ NAO DEU BRECHA PARA A CORRUPÇAO: EXTINGUINDO AS APOSENTADORIAS DE TODOS OS EX-GOVERNADORES, IMPLANTOU O MAIOR PROJETO ANTI-CORRUPÇAO DESSE PAÍS-PROJETO TRANSPARENCIAS- ;FOI O PRIMEIRO GESTOR A TRABALHAR UM GOVERNO TOTALMENTE VOLTADO AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL; ENFIM SABER SOBRE OS 10 ANOS DE EXÍLIO DO SOCIALISTA. POR TUDO ISSO, SERIA INTERESSANTE ESSE TAO VISITADO SITE TOMAR UMA ENTREVISTA COM ESTE POLITICO DIFERENCIADO DA REPUBLICA BRASILEIRA.

    UM ABRAÇO DE SEU LEITOR
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    MACAPÁ-AMAPÁ-AMAZONIABR
    NEZIMAR BORGES


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