Economistas defendem menos juros para blindar o país contra a ação dos especuladores externos

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo disse em entrevista à agência Carta Maior que a atual crise financeira mundial, originada na pirâmide de papéis podres do setor imobiliário dos EUA, é uma continuidade das crises do sistema capitalista que se reproduzem desde o século XIX. “O que me preocupa não são os cadáveres que estão boiando, mas sim os que ainda vão surgir”, declarou.

Belluzzo lembrou as principais crises que assolaram o sistema. O crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929; a de Londres, em 1974; a depressão japonesa a partir de 1987; o ataque à libra em 1992-1993; México, 1994-1995; Ásia, em 1998; Brasil, 1998-1999; Rússia, 1998; e Argentina, 2002.

Na avaliação do professor do Instituto de Economia da Unicamp, o país está mais protegido do que em crises anteriores, mas as reservas cambiais e a situação fiscal não garantem que a atual crise do sistema não tenham impactos negativos sobre a economia brasileira. “É uma situação diferente da que ocorreu entre 1998 e 1999, mas o país não está blindado. Se reagir com rapidez, o Brasil pode até sair-se bem, mas se vier um quadro de recessão e a atual política monetária for mantida, o país irá cometer harakiri”. “Se a recessão vier, será preciso mudar a atual política monetária, baixando juros e fazendo controle de capitais”, destacou.

Na série de entrevistas de Carta Maior sobre o tema, o economista Edgard Pereira, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), afirmou que “essa crise aponta para o coração do movimento especulativo recente”. Sobre os impactos no plano interno, ele disse que “se o Banco Central ficar receoso e conservador, temendo impactos na crise, em especial um aumento da pressão inflacionária, e interrompendo a queda de juros, a sinalização será ruim para os investidores no Brasil”.

Para o economista, “a taxa de crescimento da economia brasileira está transitando da casa dos 3% para a dos 5% e sendo acompanhada por um crescimento dos investimento”. “Em certa medida, é um quadro semelhante ao que vivemos em 2004, quando o crescimento da economia também se aproximava dos 5% e o Banco Central puxou a taxa de juros para cima. Se o BC mantiver a redução dos juros, poderemos seguir na trajetória do crescimento, mais centrada no consumo interno”.

Para Ricardo Carneiro, da Unicamp, “os economistas de mercado gostam de criticar os gastos públicos, mas na hora em que o mercado precisa ser socorrido por recursos públicos, não falam sobre isso. Essa crise repõe o tema da regulação dos fluxos de capitais e do sistema financeiro”.

Hora do Povo

Rizzolo:Fica claro que a saída para uma eventual crise no Brasil seria o crescimento e para isso, teríamos que continuar diminuindo as taxas de juros, pois fortaleceríamos o consumo interno via crescimento. Uma postura conservadora colocaria o Brasil em estagnação e poderia a situação piorar caso a crise nos atingisse, ou seja, seria uma forma de blindar o país contra os especuladores. Tem lógica, mas não tem estofo político porque o Copom e o Banco Central estão mais interessados em beneficiar e promover o Cassino Brasil ao gosto dos especuladores internacionais.

Como gostaria e sei que não vai acontecer, a taxa selic deveria cair 0,50% agora e mais duas vezes e que caísse até o patamar de 6%, ou seja, juros de 3%, isso seria uma forma de colocar 3% do PIB e diminuir o superávit fiscal e a divida interna que pra mim é a externa maquiada. Mas olha, o COPOM não vai realizar esse sonho, vai mandar uma queda de 0,25% nas próximas três reuniões, e olhe lá, como disse vão promover o Cassino Brasil ao gosto dos especuladores internacionais.

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