Iraque: fogem de Basra os últimos invasores ingleses

p8-iraque.jpg

Relatório do “International Crisis Group”, com sede em Bruxelas, registrou que “os habitantes de Basra vêem isso não como uma retirada ordeira, mas sim como uma ignominiosa derrota”

Após meses tomando foguetes, morteiros e tiros dia e noite, as últimas tropas inglesas fugiram de Basra na segunda-feira dia 3 de setembro, indo se alojar no aeroporto, onde, segundo analistas mais atentos pouquinha coisa, ficarão aguardando o check-in. O QG inglês ficava no Palácio de Basra, aliás, a segunda maior cidade do Iraque e centro da produção de petróleo no sul do país. A fuga, perdão, o “redeslocamento”, começou na noite de domingo e já estava completada por volta de meio dia, com o porta-voz major Matthew Bird não cabendo em si de contentamento por não terem levado um só tiro no decorrer da “operação”. De acordo com o correspondente da BBC, o exército inglês “não tem mais presença no interior de qualquer cidade iraquiana”.

“DERROTA”

Relatório do “think-tank” com sede em Bruxelas, o “International Crisis Group”, registrou que “os habitantes de Basra e os milicianos vêem isso não como uma retirada ordeira, mas sim como uma ignominiosa derrota”. O relatório acrescentou que “incansáveis ataques contra as forças inglesas em efeito já as tinham tirado das ruas para quartéis cada vez mais segregados”. Desde fevereiro, o contingente inglês que Tony Blair havia enviado para servir de carne de canhão para Bush e a Shell e British Petroleum, sofreu um corte de 1.500 soldados, que deverá ser agora ampliado em mais 500. Comparado com o que ocorreu na fuga da capital da província vizinha, Al Amara, até que o caos no aeroporto de Basra está moleza. Nem vão precisar, pelo menos até agora, se esconder no mato, sendo reabastecidos por avião.

A retirada inglesa de Basra também facilita os trabalhos da Resistência de emboscada dos comboios de abastecimento provenientes do Kuwait. A unidade de previsão de flores do Pentágono já asseverou que a retirada “não terá impacto” na segurança das linhas de suprimento até Bagdá. Em Londres, a retirada de soldados do Iraque foi considerada, pelo líder conservador Patrick Mercer, como “uma decisão militar extremamente sensível”, já que “permitírá aumentar o número de tropas inglesas no Afeganistão”. As agências internacionais não esclareceram se o vibrante parlamentar também propôs incluir as papoulas entre os cultivos subsidiados pela Política Agrária Comum da Otan.

A presença dos militares ingleses “já era bem limitada desde abril deste ano”, quando a “Operação Sim-bad” tornou-se um retumbante fracasso, relatou o jornalista Patrick Cockburn. Ele narrou, ainda, um incidente, aliás o primeiro enfrentamento oficialmente reconhecido após a tomada de Bagdá, no dia 24 de junho de 2003, em que seis soldados ingleses foram emboscados em um quartel da polícia entre Basra e a capital da província vizinha, Al Amara. Ele visitou o local no dia seguinte. “Homens armados ainda estavam em torno do local. Um trabalhador de uma tribo cujo líder supostamente estaria do lado dos ingleses, lhe disse; “nós só estamos esperando que nossos líderes religiosos emitam uma “fatwa” contra a ocupação e então lutaremos. Se nós entregarmos nossas armas, como vamos poder combatê-los?”. Agora, todos em Basra sabem a resposta. A bandeira inglesa já foi apeada do Palácio de Basra que serviu de QG, lá já tremula uma honrada bandeira iraquiana – ainda que sejam os lacaios que, provisoriamente, ocupam espaço.

CREDENCIAL

Outro jornalista inglês, Pete Beaumont, do “Guardian”, que relembrou a intensidade com que os fedains de Sadam combateram os invasores em abril de 2003 no sul, delineou outros traços da derrota inglesa. “Matar soldados ingleses era o caminho mais rápido para uma facção estabelecer suas credenciais de militância co-mo anti-ocupação, e portanto merecedora de respeito político e autoridade”. “No final, não importa realmente o que o exército inglês e o governo dizem. Se dizem que foi uma vitória ou derrota”. O que importa – assinalou – é como os iraquianos percebem isso. “Depois de hoje eles estão dizendo que botaram os ingleses para correr de Basra”.

ANTONIO PIMENTA
Hora do Povo

Rizzolo: Essa questão do Iraque tornou-se um problema para Bush e os aliados, definitivamente, os EUA e a Inglaterra não estão preparados para esse tipo de tomada de território extremamente hostil. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush evocou a “tragédia do Vietnã” para alertar sobre as conseqüências de uma retirada apressada das tropas americanas do Iraque, o que é uma grande besteira, porque ambas tem, contudo ideológico e para isso os EUA não estão preparados, ou eles pensam que os mercenários pagos na guerra terceizirada de Bush tem alguma ideologia, uma coisa é uma guerrilha urbana de conteúdo ideológico, outra são apenas de ocupação.

A “estratégia de saída” mencionada repentinamente nos últimos dias pelo gabinete do primeiro-ministro britânico Tony Blair é provavelmente mais uma esperança do que uma promessa, uma esperança de que as baixas diminuam, esperança de “se mandarem” o mais rápido possível; como diz o texto, a intensidade com que os fedains de Sadam combateram os invasores em abril de 2003 no sul, delineou outros traços da derrota inglesa. “Matar soldados ingleses era o caminho mais rápido para uma facção estabelecer suas credenciais de militância como antiocupação, e, portanto merecedora de respeito político e autoridade”. É se deram mal, hein !

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: