“Eu e Chávez prosamos muito para decidir fazer esta refinaria em PE”

Lula inicia obras de refinaria da Petrobrás com a estatal PDVSA

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Refinaria Abreu e Lima, em parceria entre a estatais do Brasil e da Venezuela, é a primeira a ser construída nos últimos 27 anos e vai processar 200 mil barris de petróleo por dia

O governo iniciou no dia 4 as obras para a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Na cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início à terraplanagem do terreno onde será instalada a refinaria. O evento contou com a presença de diretores e do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli; o ministro de Minas e Energia, Nelson Moreira; o governador de Pernambuco, Eduardo Campos; além de autoridades locais, empresários, sindicalistas e parlamentares.

A Refinaria Abreu e Lima, a primeira a ser construída nos últimos 27 anos, será instalada no Complexo Industrial e Portuário de Suape, na região metropolitana de Recife. O empreendimento é fruto de uma parceria entre a Petrobrás e a estatal venezuelana de petróleo, a PDVSA, e vai refinar óleo pesado dos dois países.

ABREU E LIMA

Durante discurso, o presidente Lula recordou as disputas entre os estados para o empreendimento. “Todo mundo que ia conversar comigo falava que tinha um parceiro para construir a refinaria”, disse o presidente. “Chegou um momento em que eu disse o seguinte: eu tenho uma família de 27 filhos, que são os 27 governadores, todos querem comer um pedaço de um bife chamado refinaria, e eu não posso dar para todo mundo. Aquele que arrumar um parceiro para trazer esse bife para cá, vai ter a refinaria. E aí começaram as coincidências”, lembrou. “O presidente Chávez queria vir em Abreu e Lima para inaugurar o busto de Abreu e Lima e aí, então, eu pedi para o governador Jarbas Vasconcelos que conversasse com o presidente Chávez. Depois, ele também foi à Venezuela, e comecei a ter encontros quase mensais e telefonemas semanais com o Chávez, discutindo a possibilidade de a PDVSA se associar à Petrobrás para fazer esse projeto. E o presidente Chávez me disse que aceitaria fazer a parceria. Ele só tinha uma exigência: era colocar o nome na refinaria, numa homenagem a um general brasileiro que teve o pai morto na sua presença, o Padre Roma, que foi aos Estados Unidos e lá se inscreveu no Exército Bolivariano para lutar pela libertação da América Latina. Ele voltou para o Brasil, escreveu o primeiro livro sobre socialismo, aqui neste país, e é pouco conhecido pelo povo brasileiro. Mas ele é um herói na Venezuela, é um herói na América Latina, e espero que agora ele passe a ser mais conhecido no Brasil e que as pessoas passem a ter a história dele contada, porque não é todo dia e em todo século que a gente consegue ganhar uma personalidade mundial”.

No ano passado, a pedra fundamental do projeto foi assentada pelos presidentes Lula e Hugo Chávez, da Venezuela. “Viemos num ato no ano passado, no começo do ano, para lançar a pedra fundamental. E quando a gente lança a pedra fundamental, as pessoas não acreditam muito, porque às vezes o tempo come a pedra, a terra cobre e ninguém a vê”, disse presidente Lula completando: “Nós estamos aqui agora. E viemos aqui começar o serviço de terraplanagem, que é o primeiro serviço. Depois da terraplanagem vêm as estacas, depois das estacas vem o cimento, o concreto, o aço, e vai ser construída uma das mais modernas refinarias da nossa querida Petrobrás”.

O governador Eduardo Campos ressaltou o empenho do governo Lula em construir a refinaria. “Se um pernambucano não desistiu, foi o senhor presidente. O senhor não jogou a toalha diante da primeira dificuldade”, disse Campos. “O senhor fez por este país o que muitos doutores, gente da elite, teve oportunidade de fazer e não fez”, completou o governador pernambucano.

Presente ao evento, o deputado federal Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse da importância do empreendimento para o desenvolvimento do Estado: “A refinaria vai estimular a economia e o sistema empresarial de Pernambuco. Terá um impacto altamente relevante na indústria de transformação do Estado”

Hora do Povo

Rizzolo: Um pouco sobre a história de Abreu e Lima- Libertador das Américas

O patrimônio admirável de Pernambuco, seus filhos: Joaquim Nabuco, Frei Caneca, Abreu e Lima e tantos outros, mestres do pensamento, ousados na formulação de idéias revolucionárias, célebres na capacidade inventiva de luta, se constitui no lastro onde se vai edificando o futuro do Estado e nossa pernambucanidade.

Se não nos bastasse o filho mais célebre, Joaquim Nabuco, atualmente, objeto de estudos, de dezenas de artigos e centenas de referências em jornais e livros do País e do Exterior, quando do lançamento pela Fundação Joaquim Nabuco e Editora Bem-Te-vi, dos Diários de Joaquim Nabuco, hoje, em face do anúncio da construção de uma refinaria de petróleo no nosso Estado, desponta o nome do general Abreu e Lima. Exceto pela denominação de uma cidade, um quase desconhecido.

É possível que pouquíssimos pernambucanos conheçam suas idéias, vida e luta. Conclui-se, desse modo, que necessitamos mais do que nunca, de estudar, divulgar, discutir o ideário e a trajetória daqueles que tanto contribuíram para a formação do Estado e também fazem a história, o presente e o futuro do Brasil. Temos o dever de incentivar, por todos os meios educacionais, a livre distribuição do conhecimento histórico sobre aqueles que se distinguiram. Os países latino-americanos, nossos vizinhos, geralmente cuidam muito bem de sua História.

José Inácio de Abreu e Lima nasceu no Recife em 6 de abril de 1794. Tornar-se-ia um cosmopolita, um herói revolucionário de duas nações, um libertador das Américas. Sim, é pernambucano um dos grandes líderes das guerras de libertação do Continente Americano.

Abreu e Lima, como se tornou conhecido, era filho de um padre, João Inácio Ribeiro Abreu e Lima, o Padre Roma, herói da Revolução Pernambucana de 1817. Após a derrota dos revolucionários, esse Padre Roma seria acusado, preso e enviado para a Bahia, onde foi fuzilado, pasmem, diante do seu filho, o futuro general Abreu e Lima.

Após a morte do seu pai, Abreu Lima partiu para os Estados Unidos. Na Filadélfia, estabeleceu contatos com grupos de patriotas que engenhavam projetos de independência para as nações latino-americanas. Mais adiante, desembarcando na Venezuela, juntou-se aos revolucionários que estavam sob o comando do libertador Simón Bolívar, sucessor do líder Francisco de Miranda. Naquela terra, Abreu e Lima passou a liderar as tropas, embora fosse um oficial, brasileiro de origem. Destacou-se pela bravura na Batalha de Boyacá, que resultou na libertação da Colômbia. Igualmente, o general lutou pela independência do Equador, do Peru e da Venezuela.

Após as perseguições sofridas por Bolívar e o conseqüente ostracismo e morte do patriota venezuelano, Abreu e Lima retornou ao Brasil, pisando no solo pátrio em 1832. Nas suas vivências no Rio de Janeiro, participou ativamente da política. Sofreu ataques do jornalista Evaristo da Veiga. No entanto, não esmorece. Pensa, age, se insurge. O povo passaria a chamá-lo de “General das Massas”.

No Recife, em 1848, por princípio, tomou parte na Revolução Praieira. Vencidos os insurretos, Abreu e Lima é mandado preso para Fernando de Noronha, onde fez surpreendentes observações ambientalistas, tornando-se um precursor da ecologia. Anistiado em 1851, em seguida, publica em 1855, um livro de título invulgar e ousado: O Socialismo, defendendo uma interpretação singular do cristianismo e se referindo ao pensamento de Cabet, Saint-Simon e Proudhon.

Destemido, com idéias para além do seu tempo, o pernambucano Abreu e Lima também defendeu a liberdade religiosa, causando a ira do então bispo de Pernambuco, D. Francisco Cardoso Aires, que na ocasião do falecimento do general, recusa-lhe um sepultura cristã nos cemitérios públicos que estavam sob o domínio da Igreja Católica. Encontra repouso, no entanto, o general de Bolívar, o co-libertador das Américas, Abreu e Lima, numa sepultura simples no Cemitério dos Ingleses, que se localiza onde hoje é o bairro de Santo Amaro. As suas idéias e a sua bravura libertária encimam Pernambuco e nos nutrem para os desafios do presente e do futuro.

Humberto França
escritor
Diário de Pernambuco.

Publicado em Política. 1 Comment »

Uma resposta to ““Eu e Chávez prosamos muito para decidir fazer esta refinaria em PE””

  1. marcondes Says:

    sou abreulimense da gema e atualmente resido em belo
    horizonte MG. fico muito feliz com a instalacao desta
    refinaria, por outro lado muito triste com tanta violencia.
    as pessoas estao banalizando a vida. um forte abraco a todos meus conterranos.


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