Senado fulmina furor golpista e reafirma a sua independência

Senado não se dobra ao golpe da mídia marrom – 46 a 35

Pelo placar acima, os senadores repeliram o pedido de cassação do mandato do presidente da Casa

A sessão do Senado da última quarta-feira ficará na História de nosso país como um momento decisivo. Os nossos leitores, que acompanharam o desenrolar dos acontecimentos, sabem o essencial da questão: sem que houvesse provas, aliás, sem que houvesse prova alguma, certa espécie de mídia, acaudilhada pelo grupo que publica a “Veja”, tentou levar o presidente do Senado e do Congresso à execração – e, mais que isso, à execução – pública. Não é difícil perceber o que seria um Senado que colaborasse para que seu presidente fosse executado e exposto à execração pelo que há de mais corrupto, bandidesco e golpista no país.

O resultado, em que apenas 35 senadores dobraram-se a essa coação fascistóide – e 46 senadores (40 que votaram contra a cassação de Renan e 6 que se abstiveram) recusaram-na, faz com que o Senado do Brasil eleve sua independência a um novo patamar. Era a honra da instituição que estava em perigo – e o Senado, através de sua maioria, soube preservá-la e, certamente, ascendê-la.

DIFAMAÇÃO

Nesse sentido, ninguém mais que seu presidente, Renan Calheiros, teve um papel destacado. Era contra ele que as infâmias eram dirigidas. Porém, mais que ele, era o Senado que queriam submeter, pisotear – em suma, arrastá-lo na lama. Portanto, a defesa de Renan era ao mesmo tempo a defesa da Câmara Alta. A questão era se iríamos ter um Senado servil ao que há de mais antidemocrático, de mais antinacional e, em síntese, de mais apodrecido no país, ou se o Senado seria uma representação do povo que, através do voto, o constituiu. Foi isso o que se decidiu na tarde da quarta-feira.

O senador Renan, com sua recusa a se render, com sua altiva resposta a uma campanha sórdida, com seu “acuso” aos acusadores, mostrou que basta não se intimidar para obter a vitória contra a sanha golpista. Tem plena razão, em sua nota ao final da votação, ao dizer que “o resultado da votação de hoje é uma vitória da democracia”.

“Nesses mais de 100 dias”, diz o senador, “muitos de nós perdemos algo. Eu perdi mais. Abri mão de momentos de convivência com minha família e com os amigos. Mas confirmamos que é preciso acreditar nas instituições, fortalecê-las e não perder a confiança de que a verdade sempre prevalecerá”.

“Não guardo mágoa, nem ressentimentos. O único sentimento que me move é o do entendimento e do diálogo. Esse processo se encerra com a reafirmação do mútuo respeito e da serenidade que sempre caracterizaram a convivência política nesta Casa. Não tenham dúvidas. Saberei corresponder aos anseios da instituição e aproximá-la cada vez mais da sociedade brasileira”.

Desde o fim da ditadura o principal instrumento de dominação do país por seus inimigos – cartéis, monopólios, bancos imperialistas e oligarquias caquéticas – tem sido a sua mídia. Nesse ramo nada existe de comparável ao monopólio dos Civita, o chamado grupo Abril, cujo carro-chefe é a “Veja”. Não se trata de uma mídia submissa às matrizes de fora. Ou da mídia daquelas oligarquias reacionárias, ainda com saudades da época anterior à Lei Áurea. Trata-se de um grupo formado a partir do exterior, com a chegada, vindo de Washington, de um elemento de nome Victor Civita, tendo na mala um contrato para publicar aqui as revistas da Disney.

O pioneiro da publicidade nacional, Genival Rabelo – homenageado duas vezes pelo Senado, por iniciativa do senador Bernardo Cabral – já havia demonstrado em seus livros, sobretudo em “O Capital Estrangeiro na Imprensa Brasileira”, o caráter estrangeiro e ilegal do grupo Civita. Esse livro foi publicado em 1966 – portanto, há mais de 40 anos. Rabelo mostra como o monopólio estrangeiro da publicidade instalou-se em nosso país a partir da chegada de Civita, em 1950, e como o império de revistas do grupo foi turbinado pela descarga de publicidade das agências norte-americanas atuando aqui dentro. O mesmo, aliás, ocorreu na Argentina, onde, na mesma época, o irmão do Civita daqui, Cesar, chegou àquele país com os mesmos contratos na bagagem.

Logo, não é um fenômeno incompreensível a trajetória de crimes do grupo, seu desprezo pelas leis e instituições do país, sua completa falta de limites e escrúpulos, sua permanente tentativa de enlamear o que é nacional, popular, brasileiro – e sua permanente campanha de difamação e calúnia sobre qualquer personalidade que tenha alguma identidade com os valores que formam a nossa nação e o nosso povo.

Já abordamos as suas intentonas golpistas, em especial contra o governo do presidente Lula. No próprio episódio do senador Renan Calheiros, é evidente que o ataque a ele não foi motivado por nenhum pecado ou ilegalidade que tenha cometido. A caterva de “Veja” não se incomoda com pecados e ilegalidades reais. Não é por seus eventuais defeitos, mas por suas qualidades, que o presidente do Congresso foi vítima dessa catadupa de indignidades. O problema de Renan é o fato de ser aliado do presidente Lula.

Porém, além disso, há outra razão para essa cruzada. Porque, se a ditadura dos monopólios de mídia manifestou-se pela primeira vez sem rebuços nas eleições presidenciais de 1989, com suas “pesquisas” eleitorais, a partir de 1993 ela passou, frontalmente, a tentar quebrar a vértebra do Congresso, ou seja, submetê-lo.

Nesse ano de 1993, usando um depravado, assassino premeditado da própria mulher, a “Veja” promoveu a campanha contra os membros da comissão de Orçamento e contra as principais lideranças da Câmara. As acusações nunca foram provadas, apesar de até hoje alguns bobocas as repetirem como se fossem óbvias verdades. O fato é que, mesmo não sendo provadas as acusações, foram cassadas algumas das principais lideranças do parlamento. Até mesmo Ibsen Pinheiro, um dos mais respeitados membros do Congresso, presidente da Câmara durante o impeachment de Collor, foi cassado através de uma fraude escandalosa, perpetrada pela direção de “Veja”, segundo testemunho do próprio repórter que assinou a matéria com a acusação a Ibsen.

ACHAQUE

Depois disso, o achaque sobre o Congresso tendeu a se transformar num estupro, principalmente sobre a Câmara. Alguém poderia conceber um presidente da Câmara obrigado a renunciar por causa de uma contribuição eleitoral de R$ 7.500,00 de um concessionário dos restaurantes da casa, sem que se tenha provado qualquer ilegalidade na contribuição, e sem que houvesse qualquer outra denúncia contra ele? Pois isso, ocorrido em setembro de 2005, dá a medida do estupro.

Verdade seja dita, o Senado sempre resistiu mais a esse achaque antidemocrático, golpista e, de resto, repugnante pela chantagem e pelo cinismo. A vitória de Renan no Senado é uma declaração de nossa Câmara Alta de que não se submete à ditadura dos monopólios de mídia, especialmente à sua banda mais degenerada, a quadrilha Civita. Trata-se, como alguns já disseram, de um fato histórico.

Hora do Povo

Rizzolo: O Senado agiu e votou com o costumeiro acerto, não podemos deixar que denuncias “vazias” desprovidas de provas concretas possam atingir de forma traiçoeira integrantes do Senado apenas porque interesses internacionais sendo aqui representados por setores da mídia acabem execrando inimigos politicos. O Brasil é um pais pobre e já tem sido suficientemente golpeado pela mídia elitista e golpista que não aceita um operário no poder. Desde o inicio, já na campanha, a mídia fez de tudo para derrotar Lula, não conseguiu, agora ataca de forma a difamar sem provas integrantes do Senado brasileiro, mas felizmente a resposta vem no bom senso dos Senadores que souberam distinguir questões de cunho jurídico e político. Renan foi execrado politicamente, só não deixou o Senado e foi absolvido porque não havia evidências concretas de crime baseado em provas. É uma pena que o Senado brasileiro perca tempo com denuncias de cunho estritamente político visando na verdade desestabilizar Lula que foi eleito com 58 milhões de voto, isso eles não engolem, e não vão engolir jamais.

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