Preocupação com inflação na ata do Copom indica fim de cortes do juro

Analistas vêem no alerta dos diretores do BC indícios de interrupção de um ciclo que baixou a Selic a 11,25% ao ano

Adriana Fernandes e Gustavo Freire

Recheada de alertas sobre os riscos que o aquecimento da demanda traz para a inflação, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem pelo Banco Central, deixou em boa parte dos analistas a impressão de que o BC prepara o terreno para interromper o processo de queda dos juros. A revelação de que os integrantes do Copom cogitaram manter a taxa Selic inalterada também alimentou a expectativa de que o BC vai dar uma parada no ciclo de alívio monetário, iniciado há exatos dois anos, que reduziu a taxa de 19,75% para 11,25% ao ano.

Leia a íntegra da ata do Copom
A dúvida entre os analistas é saber se os indicadores econômicos que serão divulgados até a próxima reunião, em outubro, serão capazes de mudar essa expectativa. Alguns apostam que, se os números vierem favoráveis, haveria chance de mais um corte de 0,25 ponto no mês que vem. Para Carlos Thadeu Filho, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a decisão sobre juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na próxima semana será fundamental para definir a trajetória dos juros brasileiros.

‘Se o Fed cortar os juros em 0,25 ponto porcentual e sinalizar novos cortes, os mercados vão se acalmar e acabarão forçando o Copom a manter a trajetória de queda.’ Thadeu Filho também destacou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que ficou pouco abaixo do esperado e, na sua avaliação, pode mudar as expectativas para os juros.

Embora tenha decidido por unanimidade, na semana passada, reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual, na ata o Copom manifestou pela primeira vez, de forma explícita, a preocupação com o ritmo mais acelerado da economia e a demanda interna aquecida para a inflação. O aquecimento, alerta o Copom, traz ‘riscos não desprezíveis’ de elevação dos preços dos produtos e serviços . ‘Essa preocupação com a inflação de demanda está presente em quase todos os parágrafos da ata’, constatou o economista Sergio Vale, da MB Associados.

O documento chama a atenção ainda para o fato de que o aumento de investimentos, embora robusto, não tem sido suficiente para evitar que o uso da capacidade instalada (produção) da indústria permaneça em níveis elevados.

A preocupação com o risco de superaquecimento da economia já tinha sido manifestada, na terça-feira, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à Suécia. Contrariando avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o Copom afirma na ata que as pressões inflacionárias, embora localizadas nos alimentos, podem representar um risco para a trajetória da inflação.

A esse cenário desfavorável, soma-se o alerta de que a contribuição do setor externo para manter a inflação baixa, com o dólar mais barato, já não é mais tão efetiva. Além disso, a ata adverte que parcela importante do efeito dos últimos cortes da Selic ainda não produziu impacto no ritmo de atividade. O mesmo alerta foi feito em relação ao aumento dos gastos públicos.

Para agravar o quadro, o Copom informou que a projeção de inflação para 2007 aumentou ‘marcadamente’, embora permaneça abaixo do centro da meta de 4,5%. A projeção para 2008, também ficou ‘sensivelmente’ maior.

Com um texto objetivo, a ata surpreendeu mais pela clareza dos argumentos do que pelo tom pessimista. Os textos confusos e muitas vezes herméticos das atas anteriores sempre foram alvo de críticas dos analistas financeiros, obrigados a olhar com lupa os sinais apontados pelo documento.

O texto divulgado ontem, porém, foi bastante elogiado. ‘Sem dúvida, o texto veio muito mais assertivo que das outras vezes’, disse o economista-chefe do Banco Modal, Alexandre Póvoa. Para ele, a clareza resultou da unanimidade na decisão de cortar os juros em apenas 0,25 ponto porcentual.

Estado de São Paulo

Rizzolo: O “texto elogiado ” é um prenúncio de que irão interromper a queda da taxa Selic. Não ficaria surpreso se ainda decidissem aumentar os juros. Os pretextos para manter a economia freada são sempre os de costume: inflação, crescimento da demanda, e o outro motivo que já fora mais convincente, que é a questão externa.

Os mesmos que querem que o Brasil encerre seu ritmo de crescimento, usando para legitimar seus argumentos, os velhos culpados, a inflação, o aumento do consumo, a questão externa, fazem uso do medo para atingir seus objetivos, que não é com certeza não é o de desenvolvimento da nossa economia, e sim a manutenção do “Cassino Brasil ”, onde especuladores se banham em alegria nos ganhos financeiros à custa das decisões do Copom, o crescimento da economia nada tem de espetacular.

Aumentou o grau de utilização da capacidade industrial, mas as margens de ociosidade ainda são consideráveis; precisamos investir mais e deslanchar os projetos de infra-estrutura, fazer do medo do superaquecimento da economia argumento para manter os juros nesse patamar, satisfazendo os especuladores internacionais não é nada patriótico. Querem é segurar o crescimento!

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