Mantega: FMI se moderniza ou não servirá mais para nada

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De Washington – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira em Washington que, ou o FMI (Fundo Monetário Internacional) ”se moderniza, se transforma ou vai cair em desuso, vai se tornar supérfluo, não vai mais servir para nada”.

Segundo o ministro da Fazenda, é preciso que o FMI modifique o seu atual sistema de cotas, levando em conta a crescente importância de países emergentes na economia mundial. Pelo sistema de cotas em vigor atualmente, quem tem o maior número de votos dentro do FMI são os Estados Unidos, seguidos por Japão, Alemanha, França e Grã-Bretanha.

Os comentários de Mantega foram feitos na sede da instituição, onde o ministro participa da reunião do FMI e do Banco Mundial. A reforma do sistema de cotas foi um dos temas discutidos por Mantega no encontro que manteve com representantes do G4, o grupo formado por Brasil, China, Índia e África do Sul.

A reforma no sistema de cotas teve início há um ano, durante um encontro do FMI em Cingapura, quando foram concedidas maiores cotas à China, à Turquia, à Coréia do Sul e ao México. Mas Mantega avalia que a discussão sobre o avanço das reformas pouco evoluiu desde então.

”Nós achamos que o processo caminhou muito pouco, que ele é insuficiente para atender as mudanças na importância econômica desses países (as nações emergentes)”, afirmou.

No entender do ministro, o fato de que algumas das principais economias emergentes não sofreram significativos danos provocados pela crise gerada pela bolha imobiliária americana e os empréstimos hipotecários do tipo subprime (de alto risco) são um sinal da crescente importância dos países em desenvolvimento e a prova de que eles precisam contar com uma maior representatividade junto ao fundo.

”A mudança ficou patente a partir dessa crise do subprime. Nós tentamos demonstrar que os países emergentes estão mais sólidos do que os países ditos avançados. E que portanto a nossa importância econômica é maior do que aquela que está expressa na nossa participação nas cotas e nas decisões do fundo.”

Mantega disse que se a mudança não ocorrer, os países emergentes irão ”criar outras instituições que possam substituir o fundo no futuro”, mas ressaltou: ”Não quero que isso aconteça”.

O titular da Fazenda ressaltou que o Brasil não pretende chegar ao ponto de se retirar do FMI. ”Não estou me afastando do fundo. É uma instituição que hoje está em crise, uma crise de identidade, de função. Acho que o fundo pode ser recuperado, ele tem jeito, mas desde que aceite passar por transformações importantes. Não é só o Brasil, outros países estão dizendo a mesma coisa: ou o fundo muda ou perece. Essa é a encruzilhada na qual nos encontramos.”

O ministro também criticou as projeções feitas pelo FMI em relação ao crescimento da economia brasileira para 2007 e 2008, que foram de, respectivamente, 4,4% e 4%.

”O Fundo Monetário fez uma leitura equivocada da dinâmica da economia brasileira em 2007, projetando um crescimento de 4,4%. Demonstra o desconhecimento do que está acontecendo no Brasil, que está crescendo de forma robusta, impulsionado por um mercado interno crescente e que vai desembocar talvez no melhor Natal dos últimos tempos, nós vamos ter um Natal muito rico no Brasil no final de 2007. Tudo indica que o nosso crescimento atingirá algo como 4,7%, 4,8% do PIB em 2007.”

O otimismo do titular da Fazenda se estende ao próximo ano, para o qual prevê um crescimento de 5% do PIB: ”Nós chegaremos a 2008 com uma economia aquecida, com o setor de construção civil aumentando a sua produção, um nível de investimento bastante elevado, e nenhuma razão para haver uma desaceleração da economia em 2008”.

Mantega também prevê que a inflação ficará sob controle, fechando na casa dos 4%, em 2007 e entre 4,1% e 4,2% no ano que vem.

O ministro voltou a falar da criação do Banco do Sul, um dos temas da entrevista que concedeu em Washington na quinta-feira. A instituição é uma iniciativa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que visa ser uma alternativa local a instituições como o próprio FMI, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O banco tem por propósito financiar projetos de desenvolvimento regionais.

O órgão deverá contar com a participação da Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai e Venezuela. A data prevista para assinatura da ata que marcará a fundação do banco será no próximo dia 3 de novembro. Na semana passada, a Colômbia manifestou interesse em aderir ao Banco do Sul.

Mantega afirmou que gostaria de ampliar ainda mais o número de países que irão integar o banco. ”Eu pessoalmente estarei convidando aqueles que não estavam presentes, como o Chile, por exemplo, e o Peru. Acho que os 12 países sul-americanos deveriam fazer parte do conselho de gestão do banco.”

Mas o ministro destacou que ainda existe uma série de medidas que precisam ser tomadas para que o banco entre em funcionamento. ”Para que ele seja constituído, é preciso criar um estatuto. Até agora, só definimos os conceitos gerais. É preciso definir como ele irá funcionar, como vai emprestar, como será feita a análise de recursos, qual é o capital inicial de cada país. As regras do banco deverão ser discutidas daqui para a frente.”

O Estado de São Paulo

Rizzolo: O fracasso da rodada de Doha deixa cada vez mais claro que neste mundo de impérios globalizados, só tem vez os blocos coesos de interesses compartilhados. O Banco do Sul seria um amplificador vigoroso da voz e dos interesses latino-americanos, o que contraria interesses dos EUA que através do Brasil insistiram, desta feita, em não fazer do Banco do Sul um substituto do FMI, cuja política visa, na verdade, apenas os interesses do governo americano, haja vista o que ocorreu na gravíssima crise cambial e financeira asiática de 1997-98, que definitivamente mudou a percepção desses países. Houve descontentamento, e até revolta, com o modo como os EUA e o FMI abordaram a crise. As recomendações de política econômica foram consideradas em grande parte medidas contraproducentes. Além disso, parece ter ficado evidente que os EUA estavam se valendo do Fundo e de outras instituições sediadas em Washington para promover o seu interesses nacionais. “O FMI tem feito mais para promover a agenda comercial e de investimento dos EUA na Coréia do que 30 anos de entendimentos comerciais bilaterais”, disse na época Lawrence Summers, então subsecretário do Tesouro do governo Clinton.

Fica claro, que para conseguir seu desiderato, o conservadorismo exulta e se delicia com a promoção de divergências via mídia e Congresso Nacional entre o Brasil e os países da América Latina, em especial à Venezuela, onde vêem a oportunidade de isolar o Brasil, deixando-o numa situação refratária a uma maior integração Latino Americana, pra que talvez, finalmente, se sinta socorrido e alinhado aos interesses do EUA, até mesmo do ponto de vista militar, onde os investimentos das Forças Armadas são tímidos e precários frente a outros países da América Latina, e que certamente nos leva a uma reflexão, a uma pergunta. A quem isso serve?

Publicado em Política. Tags: . 1 Comment »

Uma resposta to “Mantega: FMI se moderniza ou não servirá mais para nada”

  1. Esteban Says:

    hola,
    acá nos perguntamos:? Cuál la razion que Hugo Chavez y Evo Morales fazen y dizen lo que quer con brazil y brasileños ainda baten las palmas para el ditadores.
    Evo Morales tomou na forcia petrobras de brasileños y su presidiente aceitou muy calado y ainda diz que fue justo.
    Hugo Chavez faz una propaganda muy ruin en mundo de proalcool brasileño y su presidiente ainda bate palmas para el ditador Hugo Chavez con sorizo.
    perdón nosa indescricion, más es muy dificil de entender porque brasileños tien tanto miedo de Hugo Chavez y Evo Morales.
    la verdad es que si continuar asin Hugo Chavez y Morales conseguindo tudo de brazil na força y con mucha facilidad, con cierteza su provincia de ACRE será también tomado na força y con cierteza su presidiente y brasileños van más una vez ficar caladitos y ainda bateren las palmas para el ditadores .
    perdón la sinceridad y portuñol.
    más acá es motivo de destaque y mucho comentario que presideinte de brazil es Nino d erecado de : Fidel, Chavez y Morales.
    Esteban Crustille
    Córdoba


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