Sucateamento das Forças Armadas – negligência ou falta de patriotismo ?

Há muito tempo tenho dito neste Blog, que face à nossa extensão territorial, precisamos que as Forças Armadas estejam equipadas para que possam exercer seu papel na defesa de nossa soberania. Contudo, o que observamos, é que e há muito tempo, sob a inspiração do neoliberalismo, governos se abstiveram de “enxergar as Forças Armadas” como instituição de maior importância, dando ênfase as políticas apregoadas pelo “Consenso de Washington” que, é claro, pouco se importam com a essência do domínio do território alheio. Talvez, até por um sentimento inconsciente de culpa por parte dos militares, em não se fazer ouvir com firmeza na necessidade dos investimentos devidos, face ao passado do regime militar, ou pelo fato de que no entender dos parlamentares, pouco patriotas, investir nas Forças Armadas,” não é fator de aumento de densidade eleitoral “, temos hoje um total sucateamento das instituições que integram as nossas Forças Armadas, no território brasileiro, cuja extensão corresponde a 47% da América do Sul, sendo o quinto maior país do mundo, possuindo 1,7% do território do globo terrestre possuindo uma área total de 8.514.876 km² .

Nosso parque industrial bélico foi totalmente pilhado; nos anos 70, tínhamos usinas modernas que fabricavam blindados. Mas elas foram destruídas. O Brasil deve voltar a ter tudo o que tinha e recomeçar a construir suas usinas de material de guerra desenvolvendo a sua indústria nacional bélica, temos projetos arrojados como o Submarino Nuclear e outros, mas precisamos voltar a ter um parque industrial bélico do tamanho e à altura da nossa extensão territorial. Podemos adquirir tecnologia para fabricação em alguns segmentos dessa área, e fornecedores para isso não faltam.

O Brasil perdeu seu parque indústrial bélico, já tivemos uma Engesa, fornecíamos armamento para Arábia Saudita, e outros países árabes, tudo foi sucateado, precisamos reequipar e desenvolver nossa indústria militar, para que enfim possamos ter as Forças Armadas como disse anteriormente instituições à altura da nossa extensão territorial; para isso o governo precisa traçar uma política consistente no reaparelhamento militar, e se preocupar menos em fazer superávit primário, alem disso, tenho dito sempre que o Brasil precisa da criação de um Fundo de Reaparelhamento das Forças Armadas, como forma de evitar a interrupção do fluxo financeiro das FFAA com a reativação da IMBEL.

Como bem diz o Almirante Mouro Neto, “Assim como no passado, o Brasil requer uma Marinha adequadamente dimensionada e equipada, apta a executar efetivamente o seu dever, como e quando for demandado pela vontade nacional, e não é só a Marinha são todas as Forças. Para tal, é necessário alocar os recursos e meios indispensáveis para que possa atuar na vigilância e proteção de nossos interesses e soberania”. Não é possível que na FAB das 719 aeronaves possuídas, apenas 267 estão voando, enquanto 220 estão “em manutenção”. As restantes 232 estão no chão, pasmem, por falta de recursos para compra de peças. Hoje a Fab nem sequer tem mísseis ar- ar e meio alcance, tampouco mísseis e ar-superfície, helicópteros, de ataque e bombas inteligentes, na Marinha, menos da os navios de combate está em condições e uso, no Brasil a demora os recursos nos programas e reaparelhamento é tão grande que projetos quando prontos já estão defasados, como revelou o relatório do brigadeiro Juniti Saito aos membros da Comissão de Relações Exteriores e efesa Nacional a Câmara os deputados.

Se fizermos uma reflexão do porque chegamos a esse ponto, verificamos que existem interesses internacionais na condução a nossa economia, que determina através de políticas de responsabilidade fiscal, o engessamento de toda a nossa economia, para que se possam atender as metas de superávit primário, sangrando o país e impossibilitando investimentos em áreas essenciais e vital interesse.

Hoje, nossos países vizinhos investem maciçamente no reaquipamento de suas Forças Armadas como é o caso a Venezuela, país que estive há um mês atrás a convite daquele governo, o mais interessante, é que ao contrário daqueles que pregam a desunião, colocando a Venezuela como “um país que se arma para ter hegemonia na América Latina”, ou que existe uma “conspiração no governo Venezuelano em nos ameaçar” nos faz refletir sobre a seguinte questão. A serviço de quem estão estes cidadãos ? Como afirmou o Almirante Moura Neto ao comentar a intenção do Brasil adquirir da Venezuela submarinos, ” não há nada a temer das negociações com a Venezuela para adquirir cinco submarinos russos de propulsão diesel, e que ” se o Brasil cumprir com seu Programa de Reequipamento, não haverá desequilíbrio militar regional.” A Venezuela tem um programa de reequipamento, tal como nós temos no Brasil”, afirmou.”Não me parece que seja um risco” a compra destes submarinos. “A Venezuela tem relações diplomáticas cordiais com o Brasil e suas Marinhas têm muitas boas relações”, ressaltou.

Fica patente ao revermos a história da Venezuela, que a República Bolivariana, jamais teve pretensões de hegemonia em parte alguma, agora, as opiniões das viúvas de FHC, que insistem no “perigo Venezuelano” não tem o menor valor, pois refletem o pensamento de quem trabalha dia e noite para o desenvolvimento das idéias retrogradas do imperialismo e do domínio dos EUA na América Latina. Esses representantes dos EUA, que já estiveram reunidos este ano numa Universidade da elite paulistana, tentando insinuar que a Venezuela tem pretensões de hegemonia, soltaram um “balão de ensaio” de cunho terrorista para numa teoria conspiratória fazer o Brasil ser militarmente açambarcado pelos EUA, fragilizando a integração da América Latina através da política mentirosa de enfrentamento com um país que é nosso irmão, e que se defende sim dos EUA. A Venezuela, jamais teve vocação imperialista e hegemômica, e esse discurso é um discurso perigoso, falso e traiçoeiro, que tem por finalidade única nos distanciarmos do desenvolvimento e da integração com os países da América Latina, preconizando assim o subdesenvolvimento, e aumentando o domínio dos EUA na região via Brasil.

É bom lembrar, que ao primeiro sinal de que o Brasil não estiver literalmente alinhado aos interesses os EUA, o fornecimento e peças e reposição aos equipamentos militares estará suspenso por completo pelos EUA, como ocorreu na Venezuela, que teve que desenvolver sim seu parque industrial bélico em parceria com empresas Russas; e ai sim está a resposta para o desenvolvimento militar da Venezuela, ter a soberania territorial e mais importante, ter a soberania técnica na possibilidade de contar com si mesma na implementação da renovação, manutenção dos equipamentos que compões as Forças Armadas. Entre os países que mais compram armas da Rússia, via a Agência Federal Exportadora de Armas, Rosoboronexport, esta a Venezuela.

A pouco uma Comissão Venezuelana integrada pelos contra almirantes Sanz Ferrer e outros foram visitar a empresa estatal russa Rosoboronexpot, sendo recebidos pelo Diretor Geral da empresa Ribin, a Venezuela esta adquirindo o submarino da Classe “Kilo” 636, um desenho especial para as águas da América Latina. A Venezuela também em acordo com a Rosobronexport fabricará sob licença russa o fuzil AK103, na Divisão Metalmecânica de Cavim (Companhia Anônima de Industrias Militares) empresa bélica Venezuelana fundada há 32 anos.

O Brasil tem tudo para ter um grande parque industrial bélico, vamos crescer, vamos reconstruir o que nos forçaram a destruir, vamos drenar investimentos para a construção o nosso submarino nuclear, bem como a reativação da Imbel, e com urgência, estudar medidas para recuperar o controle sobre a transmissão de dados militares e sigilosos, que hoje é feita através de satélites entregues para estrangeiros por Fernando Henrique Cardoso, em 1998, através da privatização da Embratel.

Temos tudo para isso, tecnologia, empresários empreendedores, o que falta é vontade política, e patriotismo. E, acima de tudo, ouvir menos os conselhos aqueles que a pretexto e nos amedrontar, nos jogam para os braços dos EUA, que no fundo gostam e nos ver “desarmados” como política “de intervenção branca”.

Fernano Rizzolo