Líderes da democracia relativa

De todos os defeitos da humanidade, nenhum se iguala à insensibilidade ao outro ser humano, questão essa já analisada por líderes espirituais, como Moises que conduziu o povo judeu no êxodo do Egito, onde a exploração, a maldade, e a escravidão reinavam sob o domínio do Faraó, no cristianismo onde um líder judeu, chamado Jesus se revoltou com a dominação romana, exultando o povo a um novo conceito de visão do bem, onde o respeito pelo outro e o amor ao próximo é base de qualquer relação entre seres humanos, o que na verdade, é base do entendimento judaico cristão de enxergar o mundo.

Em face a todos esses princípios que permeiam a humanidade há quase 3.000 anos, ainda a tirania e a intolerância não foram derrotadas, com todos os pastores que gritam pelas igrejas, com todos as mesquitas que lêem e relêem o Alcorão, com todos judeus ortodoxos que preservam os sábados, e com os todos os papas que passaram e passarão, o desprezo pelo humilde ainda subsiste em alguns paises como o Brasil.

O pobre povo brasileiro, mistura de tantas raças, do negro, do índio, da docilidade do caboclo, ainda se vê no abandono desse imenso Brasil dominado por elites regionais, que nutrem até hoje a dominação e o desprezo por aqueles que no entender egocêntrico de vivenciar a vida, só enxergam a exploração do homem pelo homem. Não é toa, que ainda nos dias de hoje possa subsistir um tipo de “partido dos ruralistas” – composto de 120 parlamentares – que impedem a aprovação de lei que desapropria glebas que usam trabalho escravo, não é possível que com todas as rezas, com todas as pregações, com todos os ungüentos, resistem estes a tirania e olham o outro da mesma forma que os capitães do mato olhavam os escravos capturados. Atuam no Congresso, em razão de uma democracia relativa, onde apenas os “financiados se elegem” na defesa de suas fazendas, de seus agronegócios, onde o humilde, o desvalido, o explorado, o que nada tem, é de forma violenta excluído de seu direito fundamental que é a defesa de sua cidadania.

Já nos centros urbanos conspira-se a possibilidade de tropas do exército brasileiro, composto por jovens de origem pobre, adentrarem nas favelas com fuzil na mão e nenhuma indagação do porque a pobreza existe, e quem a promoveu durante todos esses anos. Com certeza não é assim que se constroem uma nação, nem com a violência contra o pobre, nem com a indiferença da elite, tampouco com um discurso progressista relativo no palanque, e sim no ideal de uma sociedade justa num governo realmente comprometido com os pobres do Brasil.

Fernando Rizzolo

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